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Analyse d’un cycle catalytique

Dans le document Prix Nobel (Page 41-49)

A razão pela qual existe uma necessidade urgente de encontrar alternativas sustentáveis aplicáveis a aquacultura é devido à sobre-exploração dos stocks mundiais de peixe proveniente pela pesca. Borges (2014) e Reis (2014) afirmam que uma das alternativas para combater o aumento exponencial do uso e procura das farinhas e óleos de peixe é a sua substituição por óleo e proteína vegetal. Tal como Torstensen (2008) sugere que são necessários 3-5Kg de peixe pescado por cada Kg de peixe de aquacultura produzido, através da sua incorporação nas dietas sob a forma de farinha de peixe, tornando-se numa insustentabilidade ambiental e económica. Rosenlund (2016) estudou as necessidades que o salmão do Atlântico (Salmo salar) tem relativamente aos EFA (essential fatty acids), chegando a conclusão que a sua necessidade era entre 2-7% do seu composto dietético (alimento). Desta forma pode-se assegurar que a disponibilidade de ácidos gordos essenciais no meio selvagem é um importante fator para um bom desenvolvimento deste peixe. Por isso invoca-se ao incentivo da aquacultura sustentável que passa pelo uso de dietas com base em ingredientes eticamente e economicamente aceitáveis. As fontes de óleo e proteínas vegetais são as mais promissoras alternativas ao uso de farinha e óleo de peixe, devido à sua grande disponibilidade e estabilidade económica (baixo preço) (Turchini et al., 2009; Borges et

al., 2014).

Por outro lado a ausência de ácidos gordos n-3 HUFA e a presença de ácidos gordos monoinsaturados, linoleicos e linolénicos nos óleos vegetais tem limitado ou mesmo negado a sua incorporação em dietas de aquacultura (Jobling, 2011). Desta forma é preciso fazer estudos criteriosos sobre o potencial que o óleo de origem vegetal tem no desenvolvimento, crescimento e bem-estar dos peixes (Turchini et al., 2009; Reis

et al., 2014).

No ensaio executado nas instalações da Safistela, Lda., foi testado a substituição de óleos e proteínas marinhas por valores crescentes de óleos e proteínas vegetais nas dietas. Havia dietas com apenas óleos e proteínas marinhas (Aglo+Gem e G+A), com uma substituição total das proteínas marinhas por proteínas vegetais (G1_V2), com uma substituição moderada de proteínas marinhas por proteínas vegetais (G4) e com uma substituição moderada de óleos marinhos por óleos vegetais (G+CN), em larvas e juvenis de linguado senegalês. Foi realizada uma avaliação do crescimento através do ganho de peso e comprimento dos peixes, ao longo de 39 dias (31 DAH-70 DAH).

- 65 - Foram feitas 3 amostragens, duas delas comparativas, aos 31 DAH (início), 45 DAH e 70 DAH (fim). Aos 45 DAH não houve diferenças registadas entre os tratamentos experimentais, não podendo assim tirar conclusões acerca das dietas. Aos 70 DAH obteve-se diferenças significativas em quase todos os tratamentos. Quando analisados os dados estatísticos, chegou-se a conclusão que não houve diferenças significativas entre as dietas G+A e G+CN relativamente ao peso seco, enquanto que no comprimento total houve diferenças significativas (p<0,05). Isto pode ir de encontro com o ensaio feito por Borges et al. (2014), que testou a substituição total e parcial de óleo de peixe por óleo vegetal e concluiu que esta substituição não afetou o crescimento dos peixes. Em relação às dietas G4 e G1_V2 tanto no peso seco como no comprimento total houve diferenças significativas, demonstrando que a substituição total de proteína animal por vegetal origina num menor crescimento do individuo, podendo levar a conclusão que a substituição total de proteínas animais por vegetais não é aconselhável para um bom desenvolvimento do animal. Este resultado está de acordo com o obtido por Torstensen (2008) que verificou que os tratamentos com maior substituição de farinha de peixe (proteína animal) tinham um crescimento inferior aos que a substituição da farinha de peixe tinha sido menor. Neste estudo foi comparada a dieta controlo Aglo-Gem (proteína e óleo de origem animal) com as dietas G4 e G+CN, que são dietas com uma substituição moderada de proteína e óleos animais por vegetais. Apesar da sua substituição o crescimento dos peixes, tanto em peso seco como em comprimento, submetidos a ambas as dietas foi significativamente superior às que foram submetidas com a dieta controlo. O peso seco médio de uma larva submetida à dieta G4 e G+CN era de 210,3mg e 153,8mg respetivamente, enquanto a larva submetida à dieta Aglo-Gem tinha um peso seco médio de 109,2mg. Quanto ao comprimento total médio de uma larva que sofreu tratamento G4 e G+CN era de 45,2mm e 40,6mm, enquanto a larva que sofreu o tratamento com a dieta controlo tinha um comprimento total médio de 34,4mm. De acordo com o estudo de Torstensen (2008) é possível fazer a substituição parcial das proteínas e óleos de fontes animais existentes nas dietas comerciais por fontes vegetais sem comprometer a performance do peixe. Foi também estudado por Aragao et al. (2003) que a substituição de farinha de peixe por proteína de soja leva a uma diminuição da aceitação por parte do linguado Senegalês e que, apesar dos valores de RGR terem sido menores quando comparados com os da farinha de peixe, não houve diferenças no peso final em ambas as dietas.

Por outro lado não foram observados diferenças significativas na taxa de sobrevivência dos indivíduos deste ensaio, sendo elas todas muito altas (94,8-96,8%). Isto indica que as dietas de alto crescimento, como a G4, e as de baixo crescimento,

- 66 - como a G1_V2, não influenciam na mortalidade dos indivíduos. De acordo com Pinto et al. (2016) dietas com valores baixos de DHA (EFA de origem animal) e lípidos reduzem substancialmente o crescimento do linguado Senegalês, contudo não foi observado diferenças na sobrevivência das pós-larvas em estudo. No geral, é desencorajador o uso de valores baixos de DHA e lípidos nas dietas de desmame do linguado senegalês, uma vez que a redução destes pode comprometer o crescimento das larvas (Pinto et al., 2016).

Outras espécies como a dourada (Sparus aurata) apresentam um menor crescimento quando alimentadas com dietas de 100% de substituição de óleo de peixe por óleo vegetal (Benítez-Dorta et al., 2013).

O linguado Senegalês é capaz de sobreviver com dietas baixas em DHA e LC- PUFAs, uma vez que este animal tem baixa necessidade destes componentes nas fases larvares e pós-larvares (Navarro-Guillén et al., 2015; Bonacic et al., 2016; Villalta et al., 2005). Como foi verificado pelo ensaio, as dietas G+A (100% óleo animal) e G+CN (50/50 óleo animal e vegetal) não obtiveram diferenças significativas respetivamente ao peso final dos indivíduos. Isto pode estar relacionado com o facto de as larvas não dependerem de PUFAs para obterem um bom crescimento tanto a nível de peso como de comprimento (Villalta et al., 2005) o que possibilita a introdução de óleos de origem vegetal nas dietas comerciais, baixando o preço destas e rentabilizar a economia de uma empresa.

É de realçar que a composição das dietas testadas não foi completamente fornecida, tornado difícil a discussão dos resultados obtidos neste ensaio. No entanto conclui-se que as dietas com 50/50% de fontes proteicas e de óleos animais e vegetais conseguem obter melhores resultados que a controlo (100% origem animal). Contudo a dieta G1_V2 que consistia numa fonte inteiramente de proteina vegetal obteve os piores resultados a todos os níveis: peso, comprimento total, taxa de sobrevivência, taxa de conversão alimentar e taxa de crescimento relativo. Embora os resultados obtidos neste estudo sejam promissores, é necessário proceder a um ensaio em maior escala (escala de produção aquícola) para obter validação.

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