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Analyse comparative de la biomasse produite

O dinamismo é uma das características fundamentais de um sistema adaptativo complexo (SAC). Para Larsen-Freeman e Cameron (2008, p.29), isso significa que “tudo muda o tempo todo”. Nesse sentido, um sistema complexo nunca está estabilizado, isto é, não atinge uma organização que seja definitiva. Como explica Nascimento (2009), nos sistemas adaptativos complexos a ordem emerge de um desequilíbrio, e o equilíbrio voltará a se desorganizar, gerando uma estabilidade dinâmica baseada justamente na falta de um equilíbrio permanente. Conforme Paiva e Nascimento (2009, p.526), “um SAC caracteriza-se pela sua auto-organização dinâmica que o mantém longe-de-equilíbrio mudando, adaptando-se e, ao mesmo tempo, mantendo a estabilidade de sua identidade”.

142Assim como “complexidade”, também a palavra “caos” é muitas vezes interpretada pelo senso comum de

forma diferente de seu significado científico. No presente contexto, “caos” deve ser entendido como um pré- requisito para a ordem, e não como sinônimo de desordem e confusão. Também é equivocado associar caos e aleatoriedade: um sistema caótico é orientado por regras e padrões, ainda que seja muito difícil determinar as variáveis que o influenciam (cf. GLEICK, 1991).

Esta dinâmica depende da propriedade de “recursão”, ou “recursividade”, através da qual os processos finais geram novos inícios, resultando em um movimento cíclico que culmina na não-linearidade das relações entre as partes. A recursividade possibilita a “troca de energia com o ambiente exterior” (o que garante a abertura do sistema), “especifica sua configuração auto-organizativa em termos não lineares, hierárquicos, no padrão de redes” e “delimita-lhe o grau de estabilidade e variabilidade (redes de espaços fase) em função (em torno e dentro) de um sistema de atratores” (PAIVA e NASCIMENTO, 2009, p.526-7).

A abertura ã troca com o ambiente e com os agentes externos é outra característica dos sistemas complexos. A diferenciação entre sistemas abertos e fechados nos remete a um dos estudos pioneiros sobre a dinâmica dos sistemas: a “Teoria Geral dos Sistemas”, elaborada por Ludwig von Bertalanffy, em 1937, em um esforço de entender o todo através das relações entre as partes, e não em função de suas atuações separadas. Para o autor, um sistema fechado é aquele que está em “estado de equilíbrio térmico”, o que significa que, ainda que esteja em interação com agentes externos, não há alterações significativas em seu funcionamento. Já os sistemas abertos estariam em “estado de equilíbrio dinâmico”, ou “equilíbrio fluente” (Fliessgleichgewicht, em alemão), o que revela a possibilidade, ou mesmo a necessidade de influenciar ou ser influenciado por outros sistemas. Segundo Braga (2007), “um sistema complexo é considerado aberto pelo fato de trocar insumo ou energia com o ambiente e estar suscetível ãs mudanças resultantes de feedback, adaptando-se ao novo ambiente e aprendendo por meio de sua experiência”.

A simples abertura ã influência de fatores externos não significa que as instabilidades no sistema vão culminar em alguma mudança e, principalmente, em uma evolução. O que diferencia um sistema complexo de um sistema adaptativo complexo é a capacidade deste de, ao interagir com um ambiente e/ou com agentes externos, se adequar ãs novas condições e aprender com elas, adotando uma nova dinâmica que concilia as mudanças com sua identidade anterior (cf. NASCIMENTO, 2009, p.66). Enquanto um sistema dinâmico se caracteriza “apenas” pela propriedade de mudar ao longo do tempo, o sistema adaptativo complexo se destaca por acumular uma aprendizagem ao longo desse processo.

Holland (1995, p.1), um dos principais estudiosos dos sistemas adaptativos complexos, afirma ser a “ação condicional” uma de suas principais características. Para o autor, isso

significa que os agentes atuam em função dos estímulos recebidos, podendo, portanto, adaptar suas ações de acordo com o contexto que se apresenta a partir das interações anteriores. Nas palavras de Holland (1995), os “agentes adaptam-se ao mudar suas regras a partir da experiência acumulada” (p.7). De forma complementar, De Wolf e Holvoet (2005, p.11) explicam que a “adaptabilidade refere-se ã necessidade de se alcançar um equilíbrio entre a seleção de um comportamento específico e a consideração de uma grande variedade de comportamentos”. A partir de sua capacidade de se adaptar em função das atuações dos agentes, um sistema complexo encaminha-se para a constituição de algumas situações, ou estados de possível funcionamento, visando o incremento de sua ordem interna.

5.2.1 Espaço de fase e atratores

“Espaço de fase” é o nome atribuído ao conjunto de estados (ou comportamentos, situações) pelos quais um sistema pode passar em função de sua dinâmica e de sua abertura, entre outros fatores. Nas palavras de Larsen-Freeman e Cameron (2008, p.46), “espaço de fase” é a “coleção de todos os possíveis estados de um sistema”, representando um “campo de possibilidades” a partir do qual um sistema pode se modificar no constante processo de conciliação entre a estabilidade e a variabilidade.

Alguns modos particulares de comportamento podem ser identificados como “preferidos” pelo sistema e são chamados de “atratores”. Segundo Fleischer (2009, p.75), atratores são “estados que ocorrem com grande frequência, enquanto outros estados, embora plenamente possíveis, simplesmente não ocorrem”. Já Newman (1996) afirma que “um atrator é uma trajetória através do espaço de fase de um sistema que representa o comportamento daquele sistema na ausência de qualquer mudança em seu ambiente” (p.253). Por serem mais recorrentes, os atratores são estados de comportamento mais fáceis de serem observados e precisados.

Na maior parte da literatura consultada, são caracterizados três tipos de atratores: estacionário, periódico e caótico. Um atrator é estacionário quando o sistema apresenta um comportamento padrão, sem variações significativas ou recorrentes. Conforme Parreiras (2005), um atrator estacionário, também denominado “ponto fixo”, é “um atrator do qual o sistema não consegue escapar” (p.94). O atrator periódico é identificado quando, após a

ocorrência de novos estados em função da dinâmica do sistema, há um retorno constante deste a um estado padrão de comportamento. Já o atrator caótico é caracterizado por uma trajetória não-periódica do sistema, isto é, a variedade de comportamentos é grande o suficiente para que não haja um padrão, e por isso o sistema “parece se comportar de modo aleatório e imprevisível”.

O atrator caótico, explica Newman (1996), é um estado típico dos sistemas caóticos, inclusive em função da grande dependência das condições iniciais, ou de partida. Diferentemente da maioria da literatura consultada, este autor apresenta um terceiro tipo de atrator possível para os sistemas não-caóticos. Além de estacionário e periódico, o atrator de um sistema adaptativo complexo pode ser “torus”. Conforme Newman (1996), o atrator “torus” ocorre quando “o comportamento do sistema não é periódico, uma vez que o sistema nunca está no mesmo estado por duas vezes, mas é repetitivo uma vez que alguns de seus componentes têm ciclos periódicos” (p.253).

O nome “torus” advém de uma figura geométrica composta por dois círculos cujo movimento, embora seja cíclico, não se repete (figura 14). Assim, Newman (1996) aponta que, por ser aperiódico porém repetitivo, um atrator “torus” é também caracterizado como “quase-periódico”, o que marca sua diferença para o atrator caótico.

Figura 14 - Representação de um torus

Reprodução143

A negociação permanente do sistema através de agentes internos e externos e sua consequente adaptação a novas situações colocam os sistemas adaptativos complexos em uma posição constante de desequilíbrio, o que Waldrop (1992) chama de “limite do caos”. Esta situação revela a tensão permanente entre a busca por um padrão (que significaria estabilidade) e um estado constante de mudança e adaptação responsável pela própria sobrevivência do sistema. Para Waldrop (1992, p. 12), “o limite do caos é a zona de batalha 143 http://www.fractalwisdom.com/science-of-chaos/the-four-chaos-attractors/torus-attractor/

constante entre a estagnação e a anarquia, o lugar onde um sistema complexo pode ser espontâneo, adaptativo e vivo”.

Em síntese, podemos dizer que um sistema complexo é, antes de tudo, dinâmico, isto é, está em constante transformação. Sua dinâmica pode ser fechada ou aberta; neste caso, há uma interação com o ambiente externo e são criadas condições para que o sistema seja adaptativo, ou seja, para que ele se modifique e se aperfeiçoe a partir da interação com os elementos que o desequilibram, e ao mesmo tempo, ajudam a criar uma ordem. Essa tensão entre a estabilidade e a variabilidade faz com que o sistema se movimente por um certo conjunto de estados, isto é, por um espaço de fase. Entre os possíveis estados, há um mais frequente: o atrator. Este atrator pode ser estável (estacionário) ou extremamente variável (atrator caótico), entre outros comportamentos prioritários. Neste contexto, a busca da ordem - sem uma interrupção da dinâmica do sistema - acontece através da auto-organização, como discutimos a seguir.

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