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Analyse comparative d’un groupe de juridictions comparables

De acordo com os resultados obtidos, é visível o aumento da densidade de territórios de Lavercas com a altitude. Este facto, confirma a preferência pelas zonas de maior altitude, durante a época de reprodução (Horta, 2011),e dos prados de gramíneas de altitude em deterimento das charnecas (características das zonas de menor altitude da área de estudo) (Chamberlain, 2001; Meireles, 2006). Na verdade, os prados de montanha detêm das maiores densidades desta espécie (Chamberlain & Gregory, 1999).

Relativamente às características dos cantos, e no que respeita à gama de frequências dos indivíduos em estudo, foi possível verificar que apresentam frequências muito inferiores, comparado com o que vem referenciado para a espécie (Donald, 2004). Este facto poder-se-á dever à existência de dialectos que poderão diferir de população para população (Briefer et al., 2007, Briefer et al., 2010), e/ou às elevadas exigências energéticas do ecossistema de montanha, uma vez que cantar tem custos energéticos elevados que advêm não tanto do dispêndio energético directo (Oberweger & Goller 2001), mas principalmente do compromisso com actividades necessárias ao restabelecimento diário de reservas energéticas (McNamara et al., 1987, Thomas 1999). Trabalhos recentes efectuados com outros grupos revelaram uma correlação significativamente negativa entre a frequência do som e a altitude (Kirschel et al., 2009).

Tal com seria de esperar, a frequência de máxima energia e as frequências mínima e máxima, encontram-se correlacionadas positivamente. Pelo contrário, as características de frequência e de tempo não se encontram relacionadas. O grande reportório que a espécie apresenta e que está amplamente documentado (Simms, 1992; Fefelov, 1997; Donald, 2004; Briefer et al., 2008) poderá ajudar a explicar estes resultados.

Quanto à duração das sílabas e o intervalo entre elas aparenta haver uma relação positiva. No entanto, esta relação pode estar relacionada com variadíssimos factores, tais como, as necessidades fisiológicas da ave, por exemplo, a respiração (Csicsáky, 1978) ou a própria melodía do canto da espécie.

Por outro lado, as relações entre a duração média das sílabas e o número de sílabas por minuto, e o intervalo médio entre sílabas e o número de sílabas por minuto são negativas, ou seja, quanto maior o número de sílabas produzido, menor a duração e o intervalo das sílabas, tal como seria de esperar.

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Quando analisada especificamente a influencia da estrutura da vegetação nas características dos cantos, verificou-se, ao contrário do que está descrito para outras espécies (Endler, 1992) incluindo nos ecossistemas de montanha (Richards & Wiley, 1980), que este factor não é determinante para o canto desta espécie, tal como sugerido por Briefer et al. (2010), o que se deve ao facto da Laverca realizar a grande maioria dos seus cantos territoriais, em voo (Tryjanowski, 2000; Briefer et al., 2010). Estes resultados também foram descritos por Snell-Rood e Badyaev (2008) não tendo encontrado diferenças no canto das aves em função dos gradientes da estrutura da vegetação que se estabelecem ao longo da altitude. O mesmo resultado foi obtido para o tipo de habitat. Este factor já estava descrito como de menor importância para a espécie, em termos de composição florística presente, em comparação com a estrutura da vegetação (Donald, 2004), apesar destes resultados atribuírem igual importância a ambos os factores para o canto das Lavercas.

A análise aos potenciais competidores revelou uma influência positiva nas componentes de tempo dos cantos das Lavercas no ecossistema de montanha, principalmente da presença de outras Lavercas com territórios limítrofes a cantar simultaneamente. O reconhecimento dos vizinhos como “queridos inimigos” está amplamente documentado nesta espécie, influenciando os seus cantos (Briefer et al., 2008a; Briefer et al., 2008b). Este facto, diminui os gastos energéticos e faz-se sentir em plena época de reprodução. Ainda assim, a relação entre os “queridos inimigos” não tem um padrão fixo, sendo bastante flexível e susceptível de evoluir com as circunstâncias sociais e ecológicas (Briefer et al., 2008a; Briefer et al., 2008b ; Briefer et al., 2009; Briefer et al.,2010).

O facto da perturbação se verificar, na área de estudo, ao longo de todo o gradiente altitudinal, como por exemplo a perturbação de origem humana (turismo, pastoreio, tráfego automóvel, desportos de inverno, etc.) deverá influenciar de igual modo o canto das Lavercas independentemente da altitude em que se encontram. Este facto poderá ajudar a explicar a inexistência de uma relação entre a perturbação e as características do canto das aves ao longo da altitude.

Quando analisadas as componentes temporais e de frequência em função da altitude e dos restantes factores abióticos (incluindo a velocidade do vento e implicitamente o ruído a ele associado) verificou-se, que não existe qualquer relação entre as características do canto e a altitude e os gradientes altitudinais existente na área de estudo. Este facto poderá sugerir que todos os indivíduos em estudo pertencem à mesma subpopulação, adaptada através da selecção natural a prosperar nas condições ambientais específicas do global da área de estudo. No entanto, outros autores, descobriram que a velocidade do vento e o ruído que lhe está associado

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promove a produção de notas mais compridas (Lohr et al. 2003; Patricelli & Blickley, 2006) e uma ampla faixa de frequências, características supostamente típicas dos cantos emitidos em locais de maior altitude (Richards & Wiley, 1980).

Ao contrário do presente estudo, resultados de alguns trabalhos em aves ao longo de gradientes altitudinais, sugerem que a variação na intensidade da selecção sexual ao longo da altitude, pode conduzir a variações nos sinais acústicos (Coyne & Orr, 2004; Badyaev 1997, Badyaev & Ghalambor, 2001) como por exemplo, na redução da quantidade e duração dos sinais com a altitude (Snell-Rood & Badyaev, 2008), maior número de sílabas e/ou sílabas mais curtas (Podos et al. 2004). O facto do presente trabalho se ter baseado numa análise intraespecífica e em apenas uma população, poderá ter condicionado estes resultados.

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