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ANALYSE ET ÉVALUATION

Dans le document 2. CALCUL DES ÉMISSIONS DE GES (Page 26-32)

Passando, por ora, para o caso concreto do “Salgado de Castro Marim”, no que diz respeito aos aspectos relativos ao processo de tradução, nomeadamente em relação a problemas e dificuldades, há um que desde logo assume especial destaque: o do vocabulário técnico. De facto, foram os termos específicos relacionados com a actividade de exploração de sal que assumiram o papel de maior destaque na tradução do texto. Assim, iniciámos esta análise tendo em conta esta particularidade.

Ao longo de todo o texto, são vários os termos relacionados com o sal, as salinas e o salgado e que, por isso, se enquadram na designação de vocabulário técnico. Tal como já foi dito anteriormente, estes termos variam bastante de zona para zona, assim, há que lembrar que os que encontramos no texto de Geneviève Delbos dizem respeito à região de Castro Marim e Vila Real de Santo António.

É importante referir que, salvo uma ou outra excepção, os termos técnicos são utilizados em português e, num ou noutro caso, em espanhol. Isto facilitou bastante o processo de tradução, visto que encontrar os equivalentes de termos técnicos na língua de chegada pode representar um grande desafio para o tradutor. Para além disso, é, também, facultada uma definição do termo, apesar de esta estar em francês. Mais uma vez, isto foi uma preciosa ajuda, dado que auxiliou bastante na compreensão dos termos. Mais para a frente, neste relatório, apresentaremos dois glossários, um relativo aos termos técnicos encontrados no texto “Salgado de Castro Marim”, um outro dedicado aos que são específicos à região de Aveiro, e, de seguida, estabeleceremos uma comparação entre os vocábulos utilizados numa e noutra zona de Portugal. Isto permitirá, efectivamente, constatar que os termos variam muito de região para região, apesar de se tratar da mesma actividade e de se praticarem os mesmos trabalhos.

Ainda relativamente ao que foi dito no parágrafo anterior, o facto de a própria autora adoptar uma das estratégias de tradução referidas anteriormente neste relatório tem particular relevância. Com efeito, no que diz respeito aos termos técnicos, na grande maioria dos casos, a autora optou por realizar empréstimos directos, mantendo a versão portuguesa dos mesmos, e não utilizou equivalentes franceses. Penso que se trata de algo que conferiu maior carácter cultural ao texto e que, por isso, se tornou essencial para uma melhor compreensão do mesmo.

Rui Guimarães | 33486

O Sal de Aveiro – Memória de Tradução 70

Temos, pois, alguns termos técnicos que são utilizados em português, quando o texto “Salgado de Castro Marim” está escrito em francês: salina, marinha, viveiro, muro, viveiros de águas frias, viveiros de águas quentes, talharia, talhos, olhal, caldeiras, travincas, marnoteiros, barachas, travar, abrir o sal, ventos coaguladores, rodo, entre outros.

Tal como já foi referido, também se utilizaram alguns termos em espanhol, tais como: paraje, travadoro, echugar, raza, etc..

Mas não foi apenas nesse caso, uma vez que Geneviève Delbos também recorreu ao português e ao espanhol para referir nomes de localidades e expressões muito específicas, tais como: Castro Marim, Sotavento Algarvio, Reserva Natural do Sapal de

Castro Marim e Vila Real de Santo António, Rio Guadiana, Lagoas de Ruidera, Campo de Montiel Mancha, Elaboración de un plan de gestión integrado del estuario del Guadiana y su zona de influencia, etc.. Penso que isto se deveu ao facto da autora

pretender, tal como já foi referido anteriormente, conferir maior carácter cultural ao texto e, ao manter os termos originais facilita a compreensão deste última, na medida em que pode estar a evitar traduções pouco correctas que poderiam induzir em erro.

Relativamente à utilização do português e do espanhol, a estratégia adoptada no processo de tradução foi simples: tendo em conta que o texto de chegada, ou seja, a tradução, seria para português, optou-se por manter, salvo raras excepções, os termos e expressões em português. Contudo, perante a inexistência de um equivalente em português, ou sempre que esse equivalente não interessava, a autora optou pelo que achou mais correcto, isto é, manter os termos e/ou expressões na língua original.

Gostaria de fazer referência a um caso bastante específico, relacionado com o que foi dito até este momento. No ponto 1.2 do texto (“A Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António”), a autora utiliza o termo landes de uma forma peculiar. Este último surge a vermelho e com um ponto de interrogação. Tendo em conta o contexto da sua utilização, penso que representará um questionamento da própria autora, no que diz respeito à adequação do termo em francês para o termo português «matos», já referenciado antes no texto. Porque foi essa a minha interpretação, não fiz referência ao termo landes na minha tradução, querendo, como foi dito anteriormente, manter os termos em português.

Contudo, importa também fazer uma análise à tradução, em geral, do texto. Tal como já foi dito, a principal preocupação incidiu sobre os termos técnicos mas, como é óbvio, nem só nestes termos se centrou o processo de tradução e não só aí foram

encontrados problemas. Assim, e feita esta prévia análise do vocabulário técnico, passemos, agora, a aspectos, digamos, mais gerais da tradução.

Já foi referido, na apresentação e análise realizadas anteriormente, que o texto tem como principais funções informar e descrever. Assim, e à excepção do vocabulário técnico já estudado, um tipo de linguagem simples e acessível é utilizado. Isto tem implicações ao nível do texto de chegada, ou seja, na tradução, tendo em conta o facto de que um dos aspectos importantes a considerar na tradução de um texto é a preservação do registo/estilo do texto de partida. Por isso, procurei manter, na tradução, a linguagem simples e acessível que se verificava no documento original.

O facto é que os aspectos mais importantes a analisar, no que diz respeito à tradução deste texto, estão ligados à estrutura, às construções frásicas e ao registo/estilo do mesmo.

Tal como já foi referido, o texto de chegada deve ser um “reflexo” do texto de partida. Assim, manteve-se, tanto quanto possível, a estrutura e o registo/estilo do mesmo. Contudo, no que às construções frásicas diz respeito, houve alguns casos, devido às naturais diferenças entre as línguas, em que não foi possível fazer uma tradução “literal”. Assim, houve necessidade de optar por construções e estruturas frásicas diferentes, mantendo, contudo, o sentido e a informação que o texto de partida pretendia veicular. Passo a mencionar alguns exemplos do que foi agora descrito:

• “”

• “Actualmente, pretende-se que toda a zona litoral compreendida entre Faro (§60 km a este do estuário) e Huelva (§60 km a oeste do estuário) seja considerada pela Unesco uma reserva de biosfera.”

• “”

• “Os pântanos de Castro Marim foram relativamente poupados pelas transformações, graças à sua localização ligeiramente recuada em relação à franja costeira e, sobretudo, devido à protecção que a criação da Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António lhes proporcionou.”

Rui Guimarães | 33486

O Sal de Aveiro – Memória de Tradução 72

• “ Relativamente ao seu estado, aquando dos levantamentos de campo (2005-2006), a laguna conservou-se como superfície do salgado, nas zonas húmidas (1424 ha) do interior da reserva.”

De um modo geral, foram estas as principais dificuldades encontradas durante a tradução deste texto. Como é possível constatar, o processo de tradução de “Salgado de Castro Marim” não foi muito difícil e, por isso, as dificuldades encontradas foram ultrapassadas com uma certa facilidade – não há que esquecer que tivemos a ajuda preciosa da memória de tradução.

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