CCR- ~EXTERNAL
8.8 ANALOG OUTPUT CONFIGURATION .1 INTRODUCTION
“What am I trying to contribute to the lives of these students?” (Siedentop, D., & Tannehill, D., 2000)
É incontestável que a educação física e o desporto detêm um elevado potencial educativo, entre outros, a nível cultural, estando na base do desenvolvimento de valores e atitudes. É, por isso, da responsabilidade do professor recrutar meios e conhecimentos que possibilitem o desenvolvimento desse inegável potencial.
De Marco (1995) citado por Costa, (2010) mostra a educação física como sendo: “(…) um espaço educativo privilegiado para promover as relações interpessoais, a autoestima e a autoconfiança, valorizando-se aquilo que cada indivíduo é capaz de fazer em função de suas possibilidades e limitações pessoais (...)”.
O professor deverá acreditar para se fazer crer. Deverá acreditar no potencial da disciplina, assim como nas atitudes e valores que, através dela, pretende incutir nos seus alunos. Só baseado nesta convicção ele poderá tornar o processo de ensino/aprendizagem num compromisso de responsabilidade simbiótica, ativada na relação professor-aluno. Pretende-se que os alunos vivenciem um leque vasto de experiências, que sejam significativas, incorporando-as e fazendo-as perdurar na sua vida pessoal.
Pede-se ao professor e aos alunos que coloquem paixão e emoção naquilo que fazem; que desenvolvam a disciplina e autodisciplina; que ajam segundo as suas responsabilidades e papéis; que ampliem a capacidade de tomar decisões, respeitando-se a si e aos outros; que aprendam a conviver, sejam criativos e imaginativos; que assumam uma atitude otimista, crítica e reflexiva. (Bento, 2004). É papel do professor assumir a liderança neste processo, deixando-se levar pela descoberta do outro, transmitindo conhecimentos e competências aos seus discípulos. Cada professor deverá encarar cada turma como única, tendo em conta a sua especificidade, nas virtudes e nos defeitos. Só assim haverá condições para se poder encarar com seriedade a flexibilização do currículo.
Siedentop, D., & Tannehill, D. (2000), afirmam ser necessário entender que, nenhum programa permite atingir todo o potencial da Educação Física. É importante perceber e reconhecer que a tentativa de se atingir todos os objetivos propostos tende a desaguar num diminuto desenvolvimento.
Neste ponto, questiono-me se a disciplina de educação física está estruturada de forma que os seus efeitos no sucesso do aluno sejam efetivamente potencializados. É certo que a responsabilidade é do professor, mas interrogo-me até que ponto o professor assume essa responsabilidade. Empiricamente, constata-se que a consolidação das aprendizagens não é
suficientemente eficaz, a ponto de existir uma transferência visível das aprendizagens esperadas de ano para ano. Será culpa do professor, das conceções pedagógicas vigentes ou de um ensino demasiado analítico, tecnicista e, como tal, pouco motivante? Seja como for, todos estes fatores contribuem para que o trabalho do professor esteja comprometido, no que diz respeito ao cumprimento do programa. O que pretendo salientar é a insistência na constante repetição de modalidades e gestos técnicos, que muitas vezes não se traduzem pela consolidação de processos e aprendizagens, ao longo dos anos, em detrimento de uma verdadeira progressão na aquisição de competências. De quem é a culpa?
Pretendo aqui assumir a parte da responsabilidade do professor, de forma a contrariar o estereótipo do professor de educação física construído com base no preconceito de que este implemente práticas de docência eventualmente descomprometidas.
É normal que alguns professores, por qualquer razão que seja, não estejam recetivos à mudança de paradigma, no que diz respeito à flexibilização do currículo e, culpa própria, entendam o seu papel cingido à mera reprodução de conteúdos, rotinas e programas. Contudo, é importante redirecionar a postura, deixar de ser tão-somente professor, para adotar a visão a de um pensador, que é capaz de interpretar o seu papel e de decidir por si e não se guiar por caminhos pré-estabelecidos. (Siedentop, D., & Tannehill, D., 2000 e Esteves, 2002).
Muitas vezes, o professor vê-se confrontado com a diversidade das turmas que lhe são atribuídas e, consequentemente, com a necessidade de estabelecer novos desafios e processos. “Cada turma é um caso especial com as suas características e necessidades específicas” (Elias, 2008).
Leite (2000) citada por Elias, (2008) lembra ser necessário respeitar a “sequencialidade em espiral dos conteúdos”, sendo importante que os professores, “nos diversos níveis de escolaridade, conheçam quer as intenções dos objetivos da formação nos níveis que os antecedem e os que se lhe vão seguir, quer os conteúdos programáticos das áreas disciplinares a que se encontram ligados”. Neste sentido, penso ser benéfico o trabalho colaborativo
entre professores, estratégia facilitadora da passagem de testemunho, adaptação e integração. Professores plenamente integrados estão em melhores condições para exercer a docência tendo em vista a preconizada flexibilização do currículo e articulação de conteúdos, e saberão fazê-lo de forma mais rápida e eficaz.
Se o que se pretende é um ensino de qualidade, vamos confiar na integridade dos professores, conferindo-lhes maiores responsabilidades em todas as fases do processo, Afirmo, ainda, que é essencial a preparação e o conhecimento prévio da realidade: desbravando os seus próprios caminhos e comprometendo-se com o ensino, os professores, perseguindo objetivos comuns através de um trabalho em conjunto, contribuirão de modo responsável para o sucesso do ensino. Nesta relação de responsabilidades é fulcral a comunicação e transparência, bem como a adoção de boas condutas nos relacionamentos interpessoais e profissionais (Seiça, 2003).
Garantidas estas condições prévias para si próprio, o professor pode incutir no aluno o compromisso de ser ele, também, o responsável pela sua evolução e desenvolvimento. A sua ação poderá resultar, uma vez que os professores estarão seguros da sua capacidade e das condições de trabalho para que tal aconteça. Assim, o professor poderá preocupar-se em proporcionar um ambiente positivo e estimulante na “sala de aula”.
É minha intenção evidenciar a necessidade de reflexão sobre o papel de cada agente educativo, assumindo a urgência no comprometimento de professores, pais e alunos na educação. Neste, sentido concordo com uma escola mais flexível e mais aberta à sociedade. A presente reflexão sobre a importância do comprometimento, não terá fundamento, sem que lhe esteja subjacente um elevado nível de competência. Caso contrário, corre-se o risco de fazer cair no descrédito tanto a escola como a disciplina de educação física.
Não podemos prescrever sem margem de erro, pois não há uma receita infalível para a competência; podemos, sim, desenvolver destrezas, conhecimentos, atitudes, interações, relações, planeamento, no sentido de aprofundar saberes, sobre o processo de ensino – aprendizagem, tornando-o cada vez mais eficaz. Na educação física, é fundamental que o professor
domine o conteúdo, dando-lhe o tratamento pedagógico adequado, de acordo com a especificidade da turma e que, simultaneamente, conheça o potencial da disciplina para a formação do aluno.
Parte deste potencial está associado ao poder de articulação dos conteúdos didáticos com as vivências fora da escola e com o prolongamento dos efeitos das aulas na vida dos alunos. Contudo, no que diz respeito à eventual transversalidade desta disciplina nos currículos, o potencial da educação física deve ser explorado pela escola e pelas diferentes disciplinas. Uma gestão curricular flexível permite elaborar projetos interdisciplinares em que a integração da educação física seja não só pertinente mas também eficaz. A eficácia da articulação depende do comprometimento e disponibilidade do professor para mobilizar e potencializar conhecimentos e recursos, quebrando com a tradição da “descontinuidade nas intencionalidades e finalidades a atingir” (Monge & Almeida, 2002) no ensino.
A competência do professor poderá refletir-se no comprometimento da turma. Assim, o professor deverá ser meticuloso na preparação e orientação das atividades, controlando a gestão do tempo, tendo em conta a imprevisibilidade e volume de informação, os alunos, o seu próprio comportamento, bem como outros fatores perturbadores da aula. (Rendeiro, P., 1998).
O professor deve assumir a educação física no seu sentido mais lato e complexo, fazendo dela um instrumento que ele próprio pode moldar perante o contexto, de forma a tornar pertinente e coerente o ensino da disciplina. É importante que o docente proceda a uma leitura atual, aberta, crítica e reflexiva, que permita a apropriação flexível dos conteúdos da disciplina sem esquecer a sua integração no contexto.