MATÉRIEL ET MÉTHODES
2) L'analgésie locorégionale :
Nascido em Santarém, Pará, em 1949, o jornalista Lúcio Flávio Pinto veio ainda menino para a cidade de Belém, onde atualmente mora. Seus pais eram Elias Ribeiro Pinto e Iraci de Farias Pinto. O pai era radialista, político em Santarém, proprietário do Jornal O Baixo Amazonas. Em 1955, Elias Pinto, elegeu-se deputado estadual, ano que trouxe sua família para Belém, depois foi prefeito de Santarém em 1966. Lúcio Flávio Pinto, de certa forma teve influência do pai para adentrar na carreira jornalística com mais quatro irmãos que também atuam na profissão. Antes de entrar no jornalismo convencional, teve suas experiências jornalísticas ainda na adolescência, pois fez os jornais de classe, clube, bairro.
Sua carreira de jornalística iniciou em 1966, aos 16 anos, no Jornal A Província do Pará, no qual exerceu a função de repórter, cargo conquistado graças a um artigo sobre a Segunda Guerra Mundial, a pedido do diretor de redação do Jornal, Cláudio Augusto de Sá Leal, escrito em quatro laudas. O diretor aprovou o texto e resolveu publicá-lo no dia seguinte no Jornal; naquele dia se comemorava o aniversário da Segunda Guerra Mundial.
Um ano depois, foi para o Rio de Janeiro trabalhar no Correio da Amanhã. Depois retornou para o Pará como editor do Jornal a Província do Pará, embora também exercesse as funções de repórter, secretário de redação e pauteiro. Em 1969, aos 19 anos se muda para a cidade de São Paulo, para trabalhar e estudar. Essa decisão foi tomada depois da publicação do Ato Institucional n. 5, instituído pelo governo Arthur Costa e Silva, e assinado no Pará pelo então governador na época Jarbas Passarinho.
Desde então, seu profissionalismo invadiu as páginas de diversos semanários, como: Correio da Manhã, Diário da Noite, Veja, Isto é, Jornal da República, Realidade, O Estado de São Paulo entre outros. Pela Revista Realidade recebeu o Prêmio Esso de Reportagem de 1971. O Prêmio foi em função da edição especial sobre a Amazônia, dirigida pelo jornalista Raimundo Rodrigues Pereira, que resultou numa publicação de 400 páginas com tiragem de 450 mil exemplares.
A carreira de Lúcio Flávio Pinto se consolidou no Jornal O Estado de São Paulo. Antes de fazer parte da equipe do Jornal, trabalhou na Rádio Eldorado, propriedade também do Grupo Mesquita. No período de 1971 a 1988, era repórter do Jornal, na época, um dos maiores jornais da grande imprensa brasileira. Formou-se em Sociologia em 1973 pela USP. Também na própria USP, iniciou seu curso de mestrado, os créditos foram concluídos, porém sua dissertação que seria transformada em tese de doutorado, não foi concluída. O que não traz arrependimento e nem lamento ao editor do JP.
Essa formação possibilitou ao jornalista aperfeiçoar sua metodologia de trabalho, baseada no rigor exato dos dados, na apuração e disseminação de fatos relevantes e também em seu arcabouço teórico, com leitura de clássicos das Ciências Sociais nacional e internacional.
O jornalista ao mesmo tempo em que estava engajado na grande imprensa, também se filiou à imprensa alternativa, com as publicações Opinião, Movimento, Ex e Versus, até porque precisava publicar as reportagens que eram vetadas pelo Estado de São Paulo. Essa necessidade veio do próprio método de jornalismo que Lúcio Flávio Pinto exerce ao apurar os fatos com veemência, seriedade, e tentar conciliar as demandas da sociedade com os ócios do ofício.
Dessa forma, o jornalista pode transitar entre a grande imprensa e a imprensa alternativa, naquela, tinha o aparato de uma redação estruturada, porém, com caráter censório, e noutra livre, enquanto a censura consentia, possibilitando a divulgação de acontecimentos, informações, que a grande imprensa proibia de anunciar, assim, o jornalista chegou a publicar várias notícias nos periódicos, Opinião, Movimento e outros.
O jornalista trabalhou por 18 anos no Jornal O Estado de São Paulo. Em 1974 apresentou uma proposta ao então diretor das sucursais do Jornal, Raul Martins Bastos. A proposta era criar uma sucursal, rede de correspondentes na Amazônia, com sede no Pará. E assim, Lúcio Flávio Pinto, dirigiu uma equipe de jornalistas gabaritados entre eles, Elson Martins, Sergio Buarque, Raimundo José Pinto, Eliana Lucena, Raimundo Costa, entre outros.
Conforme Veloso (2011) a coluna também fez parte em 1972, na Província do Pará, que publicava os artigos enviados pelo jornalista de São Paulo, como esses artigos estavam passando por cortes, Lúcio Flávio Pinto resolveu em 1973, aceitar a proposta para escrever essa coluna no O Liberal. No periódico, Lúcio Flávio Pinto, escrevia na Coluna Repórter 70, umas das colunas mais conceituadas do Jornal, além de ter uma coluna diária, o Informe Amazônico, abordando temas da região.
Mais adiante, em 1980, o jornalista criou uma publicação quinzenal, que recebeu o mesmo nome da coluna que escrevera no Jornal O Liberal, Informe Amazônico, a newsletter, tinha assinaturas e circulou ainda com 12 números, focalizando assuntos amazônicos, mas restrito mais aos aspectos econômicos da Amazônia. Por questões de saúde, o jornalista teve que encerrar o quinzenário, conforme Veloso (2008).
No Informe Amazônico, o jornalista exercia atividades solitárias, pois, era o pauteiro, editor, distribuidor. Tais atividades serviram como experiência para posteriormente lançar o
Jornal Pessoal, no qual também, Lúcio Flávio Pinto desenvolve solitariamente essas funções, com exceção para as ilustrações que saem no Jornal, cuja autoria é de Luiz Pinto, cartunista, irmão do jornalista, com quem compartilha a concepção das charges.
No entanto, o jornalista, não desistiu de editar mais uma publicação, e em 1999 lançou a Agenda Amazônica, atividade paralela ao Jornal Pessoal; a Agenda saía mensalmente e atendia ao público desde discentes do ensino fundamental ao superior e referia-se a aspectos da história da Amazônia relacionados a temas do presente.
Seu primeiro número foi lançado em 2001, com 12 páginas, em formato Ofício, era vendido em bancas de jornal, foram editadas 25 edições. Quando o periódico parou de ser editado, seu título foi incorporado ao nome do Jornal Pessoal, além da seção Memória do Cotidiano que a Agenda trazia em suas páginas.
Lúcio Flávio Pinto escreveu uma série de textos acerca da Hidrelétrica de Tucuruí, publicados na época no O Liberal. Esses textos foram objeto de estudo da dissertação de Graça Leal, em 1993 e compuseram parte da documentação do relatório preparado pela Comissão Mundial de Barragens sobre Tucuruí, em 2001, na qual o sociólogo também foi convidado como consultor.
No ano de 2000, o jornalista assinava uma coluna no Portal da Agência Estado, a coluna chamava-se de “Cartas da Amazônia”, onde publicava textos relacionados à Amazônia e seus problemas socioambientais. Infelizmente, por questões financeiras, a coluna fechou em 2003. No entanto, a mesma coluna, atualmente, está no site do Yahoo, na qual Lúcio escreve também temas acerca da região amazônica.
Segundo Amorim (2008), o jornalista e sociólogo teve três inspiradores na sua formação, entre esses nomes estão: Cláudio Augusto de Sá Leal, responsável pela entrada de Lúcio Flávio Pinto na área do jornalismo; Raimundo Rodrigues Pereira, grande jornalista que ensinou muito ao paraense os dois trabalharam juntos na revista Realidade; e Izzy Felddenstein Stone, editor do I. F. Stone’s Weekly, a maior inspiração para a criação do Jornal Pessoal, comentado anteriormente. Num esforço de apresentar um pouco dessa formação do jornalista, temos na seguinte seção uma abordagem acerca do que representa o conceito de intelectual para o exercício público desse sociólogo.