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Amener le livre dans les campagnes colombiennes et le rendre accessible

Dans le document 90-91 : Illettrisme (Page 117-119)

Como você se auto-define? Para que eu possa me remeter a você corretamente.

Gostaria que você me contasse um pouco sobre a sua vida. Quando você se percebeu

enquanto travesti ou transexual?

Conte-me sobre sua vida escolar? Você frequenta ou frequentou a escola? Até que série?

Quais as maiores dificuldades enfrentadas na escola? Você pode me contar um caso?

O que te faz permanecer na escola? Quais são seus planos?

Você teve interesse de retornar à escola? Por quê?

O que te afasta da escola?

O que te faria voltar à escola?

Você conhece a Portaria do Nome Social? O que você acha dela?

Qual é a importância do nome social para sua vida? Você pode me contar uma situação?

Meu processo de mudança foi a partir dos 18 anos. Começou o problema em casa: minha mãe, minha tia. Não foi

nem com os homens que foi o problema, foi mais com as mulheres mesmo. Rejeição da família 2 Eu estudava numa escola que só era homem praticamente. Comecei a sentir muito preconceito, né? Escolas só de rapazes 2 De um tempo pra cá, comecei a me politizar, comecei o movimento, já comecei a tomar hormônio, já fui mudando o

cabelo... Aos poucos. Uso de hormônio 2

Eu tenho 29 anos, por incrível que pareça. É a noite, noite acaba com a gente. Trabalho na noite mais de 9 anos, uns

12 anos por aí. Envelhecimento devido à prostituição 2

A gente tem que sobreviver de qualquer gente, né, mana, já que estudo pra mim não é lá aquelas coisas. O preconceito começa na escola mesmo. Aí eu abandonei a escola e até hoje em dia eu não quero mais. Parei de estudar no 2º ano, faltava um ano pra eu terminar.

Abandono da escola 2 Eu usava roupa colada, ninguém aceitava isso. O uniforme da escola eu já fazia mais colado, quando não eu

amarrava, fazia como top. Aí quando eu chegava o porteiro dizia: “olha não pode entrar assim, toda enfeitada”. Todo

mundo me olhava. E eu dizia: meu deus do céu, tenho que enfrentar esse povo. Travestindo-se na escola 2 As minhas notas eram boas, eu me esforçava, aí era uns e outros que me discriminavam. Ficavam pra trás, eram

reprovados, não passavam. Eu era sempre o primeiro aluno da escola. Freqüentava missa por incrível que pareça. Na época eu gostava.

Bom aluno 3

Eu tenho saudade, sabia, daquela época da escola, do cheiro da lousa, do giz. Porque hoje em dia, mana, eu não quero

mais. Saudade da escola 3

Eu me sentava lá atrás, no fundão. Aí chegava a hora da chamada, era complicado. Porque eu já queria ter nome de mulher e lá tava o nome de homem. É complicado, sabe. Às vezes eu não respondia. Tinha um bocado de falta. A professora perguntava: tu ta vindo pra aula e eu dizia que tava vindo todo dia, mas eu não respondia. Meu nome não é esse! Mas tu é homem... Aí ficava nessa discussão.

O nome na chamada 3

Aí comecei a procurar o movimento, me politizar, saber dos meus direitos pra poder mudar as coisas. Hoje em dia eu

sei que a gente pode mudar o nome. Entrada no movimento LGBT 2

Tinha também os diretores, funcionários que olhavam com cara feia. Eu sempre me esquivava, sempre ficava no meu cantinho, não procurava falar com ninguém. Uma vida amarga. Acho que isso faz muito mal. Não adianta a gente ser amarga, isso atrai doença. Era muito fechada, tava carregando isso comigo

Isolamento como estratégia de sobrevivência

na escola 3

Tinha 29 anos e tava carregando essa vida amarga. Não, não quero isso pra mim. Tinha que ser feliz, sair, namorar, ficar. Teve uma conferencia em Tucuruí e eu fiz tanta amizade, eu não sabia que era tão querida assim. Voltei de lá

outra pessoa. Deixei essa vida amarga pra trás que eu não quero mais isso. Vida amarga 2 Aí eu optei pela vida da noite, porque emprego é difícil. A família sempre cobrava emprego e como procuro emprego

já vestida de mulher, já tinha peito, é complicado. Aí eu ia pra rua e ganhava dinheiro fácil. Mas tudo que vem fácil, vai fácil. Agora na rua é assim: a gente ta ali pra tudo. Pra roubar, pra ser roubada, pra matar. Eu tenho que sair dessa vida, mas não tem como.

Prostituição como única

opção de vida 2

Eu sinto muita falta dessa coisa de escola, mas hoje em dia não quero mais não. Não tenho mais paciência. Hoje deve ta tudo mudado. Até língua portuguesa deve ter mudado. Isso não dá certo. Se eu for voltar a estudar, vai ser a noite, né. Aí chega a sexta eu já vou emendar, já vou parar no bar e não vai dar certo.

O não desejo de voltar à

Não, nada.

Você conhecia a portaria do nome social?

Já. Mas eu queria conhecer isso na época que eu estudava. Talvez eu tinha mudado, tinha terminado. Tinha terminado, tava com emprego e tudo. Era outra pessoa. Uma pessoa mais culta.

Portaria como possibilidade de terminar

os estudos 3

Qual a importância do teu nome pra ti?

Eu me identifico, me sinto mais mulher, me sinto mais feminina. Aí eu tenho força pra lutar. Se me chamarem pelo nome de homem eu não vou olhar de jeito maneira. Talvez eu vá até discuti com a pessoa, brigar.

O nome feminino 2

Eu apareci com uma alergia no corpo, aí eu entrei na sala do médico e a primeira coisa que ele me perguntou foi se eu era soro positivo. Tava eu e minha mãe e ele mandou a gente ir embora. Na receita médica tava pra eu procurar o COAS, não me receitou remédio nem nada. Mandou eu ir embora porque a alergia devia ser por causa do HIV. Tentei fazer a denúncia, não sabia quem procurar, aí hoje esse médico ta aí... Tenho a recita guardada ate hoje. Mas não sei se ainda vale a pena, faz um tempão. Nesse mesmo dia tava uma fila enorme e quando chamaram meu nome eu baixei a cabeça e todo mundo me olhou. Mas a gente tem que dar o nome de homem, né, não tem jeito.

Preconceito na área da

saúde 2

E quando chamam pelo teu nome, Jéssica?

Na hora eu respondo. Pra mim é uma felicidade, uma vitória. Essa portaria é uma vitória pra nós. A gente é tão discriminada. Dentro do próprio movimento a gente é discriminada. Gay não se dá muito com travesti, né? E travesti é raro se dá com gay. Essas brincadeirinhas deles, já é preconceito.

É legal ser chamada pelo nome feminino. É complicado tá vestida de mulher e ser chamada pelo nome de homem. É uma vitória.

O nome feminino 2

Hoje em dia eu já relaxei quando me chamam pelo nome de homem. Antigamente não. Eu brigava muito com a pessoa. Discutia muito. Queria mudar uma coisa que não dava. Hoje em dia eu respondo de qualquer jeito. Mas na

escola era mais difícil. O nome masculino 2

Na escola era muito preconceito. Mas da parte dos meninos. Eu não podia usar o banheiro feminino e no masculino eu entrava, mas tinha piadinha. Olha, já tava com fulano no banheiro. E no feminino tinha menina que não gostava.

Complicado. Olha, tinha que ter três banheiros. Na época, travesti nessa escola só era eu. O banheiro da escola 3 Na época eu nem pensava que eu era travesti, né? Eu achava que eu era uma coisa assim, abstrata. Não sabia o que

era. Não me identificava ainda. Eu gostava de me vestir com roupa de mulher, mas nunca pensava que isso era travesti. Na época, travesti pra mim era quem vivia na rua, tava se prostituindo, que vivia semi nua, que tinha silicone. De uns tempos pra cá, depois que conheci esse movimento, eu vi que travesti não é só aquela que toma hormônio e tal.

A não definição do que se

é 2

Falar da gente que vira travesti é muito complicado. A gente ta lá na ponta do iceberg do preconceito. Tu és discriminada em qualquer lugar. Onde tu passa é piadinha, chavequinho... Eu tento me camuflar, mas a gente chama atenção de qualquer jeito. Mas a gente tem que enfrentar a sociedade.

Desde pequena me sentia muito diferente. Ainda tentei ter namoros na escola com meninas, mas nunca tive uma relação sexual com mulher. É uma imagem aversiva para mim.

Sentir-se diferente desde

criança 2

Eu tinha padrões católicos forte. Minha avó foi criada em colégio de freiras. A religião ia me podando, ia reprimindo

isso. Religião 2

Minha mãe é da turma do Sartre, bem existencialista: eu sou eu e mais as minhas circunstâncias. Se as minhas circunstâncias são essas, então tenho que aceitá-las. Ela até disse que eu fiquei mais bonita de mulher do que de homem.

Já meu pai, é aquela questão da tolerância: “eu amo meu filho e tenho que tolerar”. Eu sei que não é fácil pra ele. Ele continua me chamando de meu filho, de Bruno. Na frente de pessoas que já tenho mais intimidade, eu não me importo. Mas tem alguns locais que já aviso: “aqui é Brenda, viu?”.

Relacionamento com a

família 2

Além disso, tenho um senso estético muito forte. Só iria me transformar em mulher quando saísse na rua e visse que dava, que não chamaria tanta atenção. Só vou sair de casa quando eu tiver pelo menos o benefício da dúvida. Abomino a imagem de travesti estereotipada, aquela imagem de um homem vestido de mulher.

Senso estético forte 2 O meu pai teve uma infância muito pobre e por isso sempre deu muito apoio a minha educação, para que eu não

passasse dificuldade. Ênfase na educação 3

Então, eu comecei a fazer personagens. Na faculdade só me relacionava com homens. As pessoas percebiam que eu era meio estranho, mas não sabiam se era gay ou “amamãezado”. Eu era um gay que não tinha contatos com outros

gays. Quando ia para festas, os meninos ficavam com as meninas e vice-versa. E eu não ficava com ninguém. Fazer personagens 2 Quando comecei a ter amigos gays, me senti mais livre. Mas ainda sentia que aquele não era o meu lugar. Eu não

conseguia fazer o papel de gay. Gay não quer ser mulher. Gay é gay e pronto. E eu não, sempre tive vontade de ser

mulher. Personagem gay 2

Até que comecei a me relacionar com um amigo. Ele nunca havia se sentido atraído por homem. Éramos só amigos até que percebemos que estávamos gostando um do outro. Começamos a namorar. Mas aí, quando a gente tava junto em algum lugar, lanchonete, por exemplo, e alguém se referia a gente por “eles” ou “senhores” etc., isso me

incomodava bastante. Percebi que queria exigir um papel de mulher, mas ainda não tinha um corpo para isso.

Disparador para a

transformação 2

O bom é que a minha anatomia ajudou muito. Da cintura pra baixo sempre foi muito feminino e o rosto também. Não tem nenhuma cirurgia no rosto. A única intervenção foi a depilação à laser da barba. E comecei a tomar hormônio,

escondido dos pais. Anatomia feminina 2

O meu pai começou a perceber e a situação em casa ficou insustentável. Faltava apenas 2 anos para terminar o curso de direito na outra faculdade, mas abandonei tudo e fui para a Europa. Passei 1 ano pra lá, mas vi que também não

era essa vida que queria pra mim. Ida à Europa 2

Por que toda travesti tem que ser puta? Então, eu quis fazer o diferencial. Quando voltei, ainda tentei fazer o Bruno,

mas depois de 6 meses não aguentei mais. Não querer ser prostituta 2

Na Europa, já fui a Brenda, me vestia, vivia como mulher. Eu já tinha provado como era ser a Brenda. Percebi que a minha felicidade estava ali. Então, já não dava mais para ser Bruno. Eu me relacionava melhor com a Brenda. Eu fiquei mais bonita de Brenda do que de Bruno. Era mais paquerada como Brenda. Então, isso massageia o ego e mostra que a gente tá no caminho certo.

Transformando-se em

coisa para mudar; muitas coisas que ainda quero fazer.

Só que uma transexual na universidade é muito diferente. E ainda no curso de direito, ainda mais. Foi aí que teve

toda aquela repercussão. Preconceito na faculdade 3

Não sentia preconceito na escola, pois criei um personagem agressivo.

No ensino fundamental, eu tinha uma postura mais agressiva, era avessa às pessoas. Não me chamavam de veado, porque tinham medo no que aquilo ia dar.

Personagem agressivo para

enfrentar a escola 3 No ensino médio não tive problema também, mas agora porque eu era uma pessoa muito comunicativa, o popular.

Por mais que as pessoas achassem alguma coisa, não chegava até ela.

Personagem popular no

ensino médio 3

Como seria a Brenda no ensino fundamental?

Eu acho que não teria estrutura psicológica pra isso na época do ensino fundamental ou médio. Não tinha condições nenhuma, não tinha preparo. Pela estrutura da escola, não havia essa caracterização de bullying, não tinha essa defesa dos direitos humanos. Hoje continuaria sendo difícil. Não diminuiu o preconceito, mas aumentou a aceitação. A pessoa é obrigada a aceitar. O preconceito existe nos locais aonde você não é obrigado a ter uma postura de tolerância. Em alguns lugares eu vejo os olhares, as cutucadas, mas as pessoas estão impossibilitadas de dizer qualquer coisa de preconceito. Eles têm um emprego em risco.

Impossibilidade de ser a

Brenda no ensino médio 3

Não sinto preconceito na Unama porque eu passo para as pessoas, com meu jeito decidido de ser, passo uma certa antipatia, uma certa arrogância. Do alunado eu percebo. Quando chego na cantina... Quando um homem ta sozinho, ele vem, te fala umas coisas, mas quando ta na frente dos amigos, é o hétero.

Personagem arrogante na

Universidade 3

Eu namoro e nunca tive uma postura promíscua. Então, mesmo se tivesse na sala o homem mais bonito do mundo ele nunca ia escutar nenhum cortejo meu. Eu posso não chegar a uma postura tão parecida com uma mulher porque eu sou enorme, geralmente mulher é menor, mas no meu comportamento ninguém vai ter o que reclamar. Tanto que eu nunca tive problema com namorado. Só me relaciona com homens heterossexuais, aqueles que nunca tiveram relacionamento com homem. Daqueles que nunca se imaginaram com uma travesti. Isso porque eu tenho essa característica de mulher mesmo, devido ao meu comportamento.

Essencialismo de gênero 4

Se eu estou em um supermercado e alguém me trata por “ele”, com certeza a minha atitude nesse “ele” vai bloquear que este funcionário faça a mesma coisa com outra que vier atrás de mim. Uma coisa é o não saber lidar com a situação. Só há treinamento para saber lidar com os deficientes, por exemplo. Mas não há treinamento para saber lidar com as outras minorias. Se chega um gay, um homem, qualquer pessoas, vestido de mulher, é lógico que ele quer ser tratado como mulher.

Atitude diante ao

tratamento no masculino 4

Percebo que hoje já melhorou muito. Mesmo quando mostro no documento Bruno, mas me olham, me tratam por “ela”, “senhora”... Até mesmo porque a minha aparência física ajuda. O que quebra é na hora que eu abro a boca. A voz ainda tem essa entonação. O que ajuda é que quando a pessoa me olha, já está preparada pra me tratar como senhora. Então, mesmo depois que essa pessoa ver o documento com nome masculino, ela continua com o “senhora” porque foi a primeira impressão que ela teve.

A voz como um denunciador na identidade

trans

2

A mudança de nome é fundamental. Não me importa se não muda o gênero. Quem vai ver o gênero? Mas o nome, isso sim é importante. O que me espanta é que se uma pessoa tem o nome de Astrogildo, pode naturalmente ir lá e mudar pra Felipe, por que uma pessoa que tem o nome masculino, mas se apresenta como mulher não pode mudar

Importância em mudar o

de nome? O nome é o que mais gera desconforto pra gente. É complicado.

Quando eu vou pra Unimed com o Júnior, meu namorado, ele já vai na frente e diz que é pra me chamar de Brenda, já vai organizando a situação. Mas a ficha acaba passando pela mão de tanta gente que nem todos são informados. Quando chamam de Bruno, ele se levanta como se fosse ele a ser consultado e eu passo por acompanhante. A gente acaba criando mecanismo para driblar essas situações.

Estratégias para lidar com

o nome masculino 3

Se eu já tivesse com o nome feminino, iria diminuir uma grande carga de preconceito. Mas deve ter critérios. Não dá pra chegar hoje e querer ser João, amanhã, Maria. Tem que ter critério.

Nome feminino para

diminuir preconceito 3 O nome no ensino fundamental, eu acho complicado. Para assumir uma postura transexual, travesti, tu tens que ter

um grande arcabouço psicológico e uma experiência de vida muito grande. É um passo que não se pode voltar. Complicações em assumir o nome social na

adolescência 3

Então, mexe na nossa cabeça do ponto de vista religioso: será que Deus ta gostando disso? Do ponto de vista

familiar, de sonhos... Religião 2

Se tu quer ser piloto de fórmula 1 e perde o movimento das pernas, tu tens que te adaptar. E nem sempre as pessoas estão preparadas a se adaptar. Gay não tem obstáculo para galgar um emprego, uma profissão. Agora é muito difícil encontrar uma travesti com uma profissão. É contato transexual que tem função social aqui em Belém. A grande maioria ta na prostituição. É o único espaço social pra travesti.

Dificuldade em conseguir

emprego 4

Mas acho que uma criança, uma pessoa com 14, quando acaba o ensino fundamental, não tem ainda um preparo psicológico, social, para se considerar uma mulher a partir dali. Então, essa mudança do nome deve acontecer, no mínimo, quando tu chegar à tua maioridade legal.

Nome social somente a

partir maioridade legal 3 A escola deve preparar o cidadão para conviver com o diferente e saber que o diferente não é anormal. O nome social

ser usado, tudo bem, mas não concordo em mudar o nome civil nessa idade. Tem que esperar a maioridade para ter a certeza que é aquilo que ele quer. Agora, políticas de inclusão do diferente é fundamental que se tenha na escola. Uma pessoa sem preconceito é mais solidária, mais amorosa, mais educada no trânsito. Então, essas políticas não são boas só pro gay, pro transexual, é para toda a sociedade.

Políticas de inclusão da

diversidade na escola 4

Eu sempre sou chamada por Brenda na faculdade. Não há grandes questões em relação a isso. Como geralmente só volto às aulas uma semana depois do início do semestre, meus colegas já explicam para o professor ou professora que

eu quero ser chamada por Brenda. Nome social 3

Mas tive problemas com dois professores. Fiquei até de recuperação nessas disciplinas. Tenho certeza que foi por preconceito. Eles queriam mostrar que uma transexual no curso de direito não era certo. Estar cursando direito não é um mar de rosas. Até porque muitos professores queriam ser gay, mas não tem coragem. Uns até admiram a minha coragem, mas outros acabam sendo preconceituosos. Aquilo que ele escolheu pra vida dele não pode ser

desvalorizado por uma pessoa que ta fazendo diferente. Se ele não consegue assumir, ele acaba tendo raiva de quem tem coragem. Aí eles dificultam pra gente. Saí da outra faculdade devido ao preconceito de um professor. Também sofro preconceito aqui, mas é um preconceito cínico. Não é uma falta de conceitos, como das pessoas sem educação.

Preconceito dos

Se tiver que me definir, eu sou transexual. Mas na verdade, eu não sou a favor de rótulos. Dá vontade de dizer que eu

sou só a Leila e pronto. Não rótulo 2

A travesti é aquele feminino que se constrói em um corpo reconhecido por elas como masculino. Quer ser

reconhecida através da ambigüidade. Até porque elas usam o órgão masculino na prostituição. E elas se sentem bem

nessa função de ser ativa. É o masculino e feminino ao mesmo tempo. Definição de travesti 2 Já a transexual não tem essa ambigüidade. Ela constrói um feminino dentro de um corpo que ela não reconhece.

Muitas vezes é um corpo que incomoda. Por isso a psiquiatria chama de transtorno de identidade de gênero, disforia de gênero. Nessa visão patológica, a medicina acha que todas querem ter um corpo completamente feminino, que quer tirar o pênis e nem sempre é verdade.

Crítica à definição médica

de transexualidade 2 Pra mim não me incomodo meu órgão, mas faria a cirurgia sim. Até porque eu não sou sexualmente ativa, a maioria

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