4.2.1 Monitoramento microclimático nos fragmentos florestais urbanos
Os monitoramentos da temperatura do ar e da umidade relativa do ar no interior dos fragmentos florestais urbanos foram realizados em três experimentos:
1º) Monitoramento contínuo (24 horas) e simultâneo em um ponto localizado no interior das áreas de estudo, na altura de 1,5m do solo. Por medidas de segurança, nos bosques os tripés foram localizados próximos das sedes administrativas (casa dos vigilantes). Na Mata de Santa Genebra o ponto foi localizado a uma distância de aproximadamente 300 m da fronteira urbana. Período das medições: Jan. – Abr. e Ago. de 2009. O monitoramento contínuo (24 horas) em um ponto localizado no interior dos fragmentos florestais urbanos possibilitou comparar o microclima entre as áreas de estudo e a área rural, a partir de dados da Estação Meteorológica do CEPAGRI5;
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2º) Monitoramento da temperatura do ar e umidade relativa do ar, contínuo (24 horas) e simultâneo entre as áreas de estudo, nas alturas de 1,5m e 10m do solo (Figura 4.4). Por questão do número de instrumentos, as medições na altura de 10m só foram realizadas no Bosque dos Italianos, Bosque da Paz e Bosque dos Guarantãs. Período das medições: Ago. – Set. de 2009;
3º) Monitoramentos em dias alternados entre as áreas, com registros às 14h, horário em que haviam registros completos para todas as áreas de estudo. Os pontos de monitoramento foram distribuídos de maneira homogênea nas áreas de estudo, na medida do possível. Na Mata de Santa Genebra, devido às restrições de mobilidade e de segurança dos equipamentos, os pontos foram localizados ao longo da Trilha Baroni (Figura 4.3a), partindo da fronteira com a área urbanizada em direção ao interior da mata, e ao longo da fronteira da mata com a área urbanizada. Também houve dificuldade em se abranger a área do Bosque da Paz, devido ao declive acentuado das suas vertentes. Assim, os pontos foram distribuídos no perímetro, afastando-os da fronteira urbana quando possível. Período das medições: Jan. - Ago. de 2009.
Os instrumentos utilizados foram:
− Registrador de temperatura e umidade ambientes e saída para temperatura externa, marca e modelo Testo 175-H2, com precisão para o canal interno: umidade relativa do ar + 2%, e registros entre 0% e 100%; temperatura do ar + 0,5 °C, e registros entre -20
oC e +70 oC (Figura 4.5) ;
− Registrador de temperatura ambiente, marca e modelo Testo 177-T2, com precisão para o canal interno de ±0.5 °C, e registros entre -20 oC a +70 °C.
− Protetor de registrador, contra a radiação e chuva, permitindo a ventilação natural; − Tripé para fixação de proteção do registrador na altura de 1,5 m;
− Abraçadeira para fixação de protetor com registrador em árvore, na altura de 10 m; − GPS Garmin 60CX, para o registro das coordenadas dos pontos amostrais.
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Figura 4.4– Registrador de temperatura e umidade ambientes, protegido da radiação e ventilado naturalmente, fixado em (a) tripé, na altura de 1,5 m do solo; (b) árvore, na altura de 10 m do solo.
(a) (b)
Figura 4.5 - (a) Data-logger de temperatura e umidade ambiente, marca Testo 175-H2 (b) Data-
logger de temperatura ambiente, marca Testo 175-T2.
Para uma melhor comparação do conteúdo de vapor de água, estimou-se , em algumas análises, a umidade absoluta do ar, seguindo as Equações 3.1, 3.2, 3.3 e 3.4, com referências em Angelocci (2002, p.32-33):
UR = ea/es (Eq. 4.1)
es =k.10(7,5t/237,3+t) (Eq. 4.2 - Equação de Tetens)
R=0,622. ea/(Patm-ea) (Eq. 4.3)
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Onde, UR [%] é a umidade relativa do ar; ea [hPa] é a pressão de vapor; es [hPa] é a pressão saturante; o coeficiente de ajuste k = 6,108 para es expressa em hPa, ou k=4,58,
para es em mmHg; t é a temperatura do ar [oC] e T é a temperatura absoluta [K]; Cva [g/m3]
é o conteúdo de vapor de água em um metro cúbico de ar; R é a razão de mistura. A pressão atmosférica Patm considerada para Campinas foi de 935,31 hPa, calculando-se com o PSICROM 1.0 (RORIZ, 2003) e considerando a altitude do município de 640 m acima do nível do mar (CEPAGRI, 2010).
4.2.2 Caracterização do dossel florestal
A caracterização do dossel florestal foi feita a partir de imagens hemisféricas e cálculo da porcentagem de céu visível, o que torna possível a identificação de clareiras e de elementos construídos presentes na paisagem.
As fotografias foram realizadas em julho de 2009, no início da fase semidecidual da floresta. Ressalta-se que o inverno do ano de 2009 foi chuvoso, atrasando a queda das folhas, não alterando significativamente a abertura do dossel. As fotografias foram feitas em: MSG – 2 pontos; ITA – 9 pontos; ALE – 12 pontos; S.JOSÉ – 12 pontos; GUA – 11 pontos; PAZ – 9 pontos, somando 55 pontos. Não foi possível acessar o interior da Mata de Santa Genebra com os equipamentos fotográficos, pois a trilha, neste período, encontrava- se obstruída devido à queda de galhos. Assim, os dois pontos de registro fotográfico na MSG foram feitos na borda, porém com diferentes exposições em relação à área urbanizada.
As fotografias foram tiradas em dias com céu parcialmente ou totalmente nublado, para melhor distinção da folhagem com o céu (FRAZER et al, 1999) na altura de 1,5 m, não registrando, portanto, o estrato herbáceo-arbustivo. Para tanto, foi utilizada uma câmera Nikon Coolpix 5000 (modelo digital) e uma lente conversora para olho de peixe Nikkor FC-E8. O design desta lente deve produzir uma projeção polar, na qual as distâncias angulares na região do objeto são proporcionais às distancias radiais na imagem plana, salvo se ocorrerem distorções radiais e relativas ao campo de visão (180º) decorrentes da fabricação (FRAZER et al., 2001). A câmera foi regulada com o autofoco, Fisheye 1. A
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resolução utilizada foi fina, com imagens digitais no formato JPG, posteriormente salvas em BMP para entrada no software. A câmera foi acoplada a um tripé fotográfico, sua lente ficou voltada para o céu e a parte superior direcionada para o norte, utilizando-se, para tanto, um nível de bolha e uma bússola.
As imagens foram inseridas no software Gap Light Analyser - GLA v.2 (FRAZER et al., 2001). Utilizou-se a projeção polar e fez-se o ajuste do norte magnético. As cores foram transformadas em branco (céu) e preto (obstruções) para o cálculo da abertura do dossel (%) – canopy openness.
4.2.3 Localização e distância de um ponto à fronteira urbana
Os pontos de monitoramento e as fotografias hemisféricas foram registrados com um GPS Garmim, 60 CX, utilizando-se o Datum SAD 69. Estes foram inseridos em uma base vetorial da malha urbana de Campinas, no formado DWG, cedida pela SANASA6. No mesmo arquivo também foi inserido o mosaico de fotografias aéreas da cidade de Campinas, com data de 2005, fonecido pela SEPLAMA7. O sistema de projeção utilizado foi UTM, Córrego Alegre 23 Sul. Observou-se um pequeno deslocamento dos pontos de monitoramento em relação aos limites de cada fragmento florestal. A correção deste deslocamento foi feita na própria base digital, movendo-se o conjunto de pontos, com base em referências de campo (por exemplo, pontos localizados em esquinas).
Desenharam-se círculos, concêntricos aos pontos de monitoramentos e tangentes ao limite urbano mais próximo, anotando-se assim, a menor distância de cada ponto até a fronteira urbana.
6 SANASA – Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S.A.
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