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3 AMANDA Case Management and Compliance System

Dans le document Office of the Auditor General (Page 43-55)

A língua portuguesa falada no Brasil caracteriza-se por apresentar uma estrutura silábica bastante simples e perceptível com limites silábicos bem definidos. A sílaba mais freqüente no português do Brasil é a sílaba CV (consoante-vogal). A maior estrutura silábica possível é CCVV'CC, sendo que o ditongo, crescente ou decrescente, pode também ocupar o

núcleo silábico. Essa estrutura silábica admite os segmentos consonantais, como opcionais, e o núcleo silábico, constituinte obrigatório, é geralmente uma vogal (SILVA, 1999). Um exemplo dessa estrutura é a sílaba inicial da palavra “transporte”. Em função dessas características a sílaba torna-se uma unidade fonológica importante para o processamento da linguagem no PB.

Com relação à ortografia, segundo Scliar-Cabral (2003), a leitura no PB é bastante transparente, pois apresenta apenas três grafemas inconsistentes (irregulares). Essa classificação, no entanto, difere, em parte, da classificação descrita anteriormente (subseção 2.1.2). Segundo a classificação apresentada no presente trabalho, a ortografia do PB apresentaria um conjunto de relações grafofonológicas consistentes, ou biunívocas, e um conjunto de relações grafofonológicas inconsistentes. Parte desse conjunto de relações inconsistentes é regido por regras, ou seja, são inconsistentes dependentes do contexto grafêmico. Isso implica que, apesar de regidas por regras, essas relações não são do tipo “um prá um”. Uma pequena parte desse conjunto de relações inconsistentes não é regido por regras, ou seja, são inconsistentes irregulares. Nesse último conjunto de relações inconsistentes situam-se os três grafemas descritos por Scliar-Cabral.

Com relação à leitura, segundo Scliar-Cabral (2003), os grafemas regidos por regras independentes do contexto grafêmico, ou seja, consistentes, são: “p”, “b”, “t”, “d”, “f”, “v”, “ss”, “ç”, “sç”, “ch”, “j”, “nh”, “rr”, “ü”, “ó”, “õ”, “á”, “à”, “â”, “ã”. Os grafemas regidos por regras dependentes do contexto, ou seja, inconsistentes, são descritos pela autora através de 23 regras. Apenas como exemplo, nesse contexto estão descritas as regras de decodificação do grafema “g” diante das letras que representam vogais [-post], ou seja, “i”, “í”, “e”, “ê” e “é”, como em “gelo” e “girafa”, e nos demais contextos, ou seja, diante das letras que representam vogais [+post] como em “água”, “gola” e “gato”.

A autora descreve, também, regras de decodificação que dependem da aplicação de conhecimento metalingüístico e/ou conhecimento do contexto morfossintático e semântico presentes no texto. Em alguns desses casos, tais conhecimentos, no entanto, devem ser combinados com o emparelhamento da palavra à representação ortográfica presente no léxico mental. Esses itens, portanto, só poderão ser lidos corretamente pela via lexical. Estão inseridas nesse último conjunto, as regras de decodificação dos grafemas “e” e “o” quando não marcados por diacrítico. O conjunto de grafemas descritos por Scliar-Cabral (2003) como dependentes do contexto seria considerado, portanto, relações inconsistentes. Vale lembrar que no trabalho de Alegria e Mousty (1994) os autores sugerem que a escrita de palavras com

relações fonológico-grafêmicas dependentes de contexto requerem o uso simultâneo da via lexical. Apesar disso não se pode negar a transparência da ortografia do PB para a leitura.

Dentre os três grafemas inconsistentes irregulares, ou seja, não regidos por regras, descritos por Scliar-Cabral (2003) encontramos os grafemas “e” e “o”, quando não marcados por diacrítico, e o grafema “x” em posição intervocálica. O grafema “x” em posição intervocálica pode representar três diferentes sons: /S/ como em “abacaxi”, /s/ como em “máximo” e /ks/ como em “táxi”. A escrita correta desse grafema, nesses contextos, depende do armazenamento de representações ortográficas das palavras no léxico mental. Além desse grafema, as vogais “e” e “o”, quando não marcadas por diacrítico, podem representar dois diferentes sons. Assim, por exemplo, “ele” pode ser lido como /Eli/(nome da letra) ou /eli/ (pronome pessoal da 3ª pessoa do singular) e, “gosto” pode ser lido como /gostu/ (sabor) ou /gçstu/ (verbo gostar na 1ª pessoa do singular). A decodificação correta dos grafemas “e” e “o”, nesse contexto, depende da aplicação de conhecimentos morfossintáticos e semânticos em conjunto com a busca do item no léxico mental ortográfico.

Com relação à escrita, o PB apresenta maior grau de opacidade. Segundo Scliar-Cabral (2003) os fonemas regidos por regras independentes do contexto, ou seja, consistentes, são: /p/, /b/, /t/, /d/, /f/, /v/, /m/, /n/, /¯/, /¥/ e os ditongos abertos /Ej/ e /çj/. Os fonemas cuja codificação depende do contexto fonético são descritos através de 16 regras, das quais algumas exigem a aplicação de conhecimentos morfossintáticos. É o caso, por exemplo, da escrita do ditongo nasalizado /ãw/ em vocábulos paróxítonos em que o escritor precisa saber se o vocábulo é um nome, ou um verbo, para escrevê-lo corretamente: órfão /çrfa)w/ (adjetivo) e matam /mata)w/ (3ª pessoa do plural do verbo matar). Além disso, na escrita do PB há um grande número de fonemas cuja codificação não está sujeita a regras, descrito por Scliar-Cabral como alternativas competitivas. Nessas ocasiões a escrita correta depende do armazenamento da representação ortográfica do ítem no léxico mental, requerendo, portanto, o uso da rota lexical. Dentre esses fonemas encontra-se, por exemplo, a codificação do fonema /S/, como em “cheque” e “taxa”, apontada pela autora como um dos contextos competitivos mais difíceis de codificar.

Scliar-Cabral (2003) chama a atenção para o fato de que o ensino eficiente da ortografia do PB pode ser potencializado, em muitos casos, pelo ensino da morfossintaxe e da

derivação morfológica. Nesse sentido, podemos constatar que a ortografia do PB, com relação à escrita, se caracteriza dentro de certo grau de opacidade, como definido, anteriormente, por Alegria e Mousty (1994): uma ortografia opaca representa a linguagem parcialmente no nível fonológico, mas inclui, também, aspectos morfológicos e sintáticos.

O PB apresenta, portanto, maior grau de transparência para a leitura e relativa opacidade para a escrita. Essa distinção, com relação à aprendizagem da leitura e da escrita, deve marcar diferenças no ritmo de aquisição de cada um desses processos.

2.5.2 Pesquisas brasileiras com relação à consciência fonológica e à

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