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Une amélioration substantielle de la fiabilité des comptes avec la certification

Com base no postulado de Kato e Ribeiro, vemos que, no que diz respeito à clivagem na veiculação do foco contrastivo temos: línguas que não dispõem desse recurso, como, segundo elas, o alemão; línguas que apenas utilizam esse recurso, como seria o caso do francês; e línguas que utilizam esse recurso, mas não exclusivamente, dispondo de outras estratégias além da clivagem, como seria o caso do português.

Com relação ao alemão, vimos que as clivadas canônicas podem ser usadas em contextos contrastivos, com o objetivo de dar maior saliência ao foco do que aquela que confere a focalização prosódica. Enquanto isso, no francês, que as autoras afirmam que dispõe apenas da clivagem para focalização contrastiva, vemos que não somente a clivada, embora esta tenda a ser o recurso primário de focalização, mas também o foco prosódico é aceito para veicular esse tipo de foco:

(7) a. C‟est LE CHIEN qui a mordu Marie. (Et pas le chat) „Foi O CACHORRO que mordeu a Maria. (E não o gato)‟ b. LE CHIEN a mordu Marie. (Et pas le chat)

„O CACHORRO mordeu a Maria. (E não o gato)‟

No caso do PB este estudo é convergente com o que é defendido em Kato e Ribeiro, visto que focalizamos contrastivamente tanto via clivagem, quanto via foco prosódico:

(8) a. É a Maria que trabalha na universidade. (e não a Marta) b. A MARIA trabalha na universidade. (e não a Marta)

Por outro lado, embora discordemos da categorização apontada em Kato e Ribeiro, tal panorama ainda é válido para este estudo, uma vez que devemos admitir que a clivagem é um recurso bem mais restrito no alemão do que em português e francês, primeiramente, porque não é a estratégia primeira de focalização, e além disso, porque tende a restringir

determinados padrões de clivada a depender das características do foco, como a pseudoclivada invertida de sujeito com traço [+humano]:

(9) ??Marie ist es, wer das Buch liest.

A Maria é quem lê o livro.

Vemos, portanto, que as clivadas não são estruturas pouco utilizadas apenas quando apresentam cópula inicial. Na verdade, todas as estruturas de clivagem e pseudoclivagem não são produtivas nessa língua, porque, na maioria das vezes, a prosódia dá conta da focalização dos constituintes.

Partindo disso, mas ainda com base no panorama de Kato e Ribeiro, porém acreditando em uma preferência maior ou menor pelo uso da clivagem – e não numa restrição ou na obrigatoriedade desse tipo de construção – suponhamos que as línguas, de fato, se utilizem da clivagem na seguinte ordem de produtividade: FRANCÊS > PORTUGUÊS > ALEMÃO. Curiosamente, de maneira exatamente inversa, tais línguas, de acordo com o foneticista do século XIX, Gonçalves Viana apud Galves e Paixão de Sousa (2017), apresentam saliência entre sílabas tônicas e átonas na ordem: ALEMÃO > PORTUGUÊS > FRANCÊS.

Outro aspecto da prosódia de tais línguas que parece seguir a ordem acima está relacionado ao ritmo das línguas: o alemão apresentaria ritmo acentual e o francês silábico (cf. ABERCROMBIE, 1965), enquanto o português manifestaria características de ambas as tipologias rítmicas (CAGLIARI e ABAURRE; 1986). Tais convergências nos levam a levantar o questionamento sobre a possibilidade de as características prosódicas das línguas influenciarem no uso das estratégias de focalização, no sentido de as línguas com menos recursos prosódicos para a focalização prosódica necessitarem de outros recursos, como a clivagem, por exemplo, para suprir tal necessidade.

Para isso, retomamos, primeiramente, que tanto o português do período V2 quanto o alemão fariam o uso menos crucial de estruturas de clivagem pelo fato de possuírem estratégias mais econômicas de focalização: o fronteamento de constituintes, para o português V2, bem como o foco prosódico, no caso do alemão. No caso do português, a clivagem passou a ser um recurso mais frequente com a queda de V2 e, por consequência, com a perda da estratégia do fronteamento para veicular foco.

Considerando, assim, a clivagem como uma estratégia de último recurso para focalização de constituintes, bem como a prosódia como forma de focalização mais padrão, suponhamos que quanto mais a prosódia da língua for favorecida para que constituintes sejam

enfatizados pelo acento, menos tais línguas precisarão de estruturas de focalização visível na sintaxe, como a clivagem. Se isso for mesmo verdade, esse recurso seria utilizado quando outras estratégias mais econômicas não forem suficientes para a interpretação semântico- pragmática do foco ou quando houver a intenção de fornecer uma ênfase ainda maior ao foco. Tomando a suposição acima como verdadeira, seria necessário questionar qual característica prosódica estaria influenciando na escolha da estratégia de focalização das línguas aqui mencionadas a partir dos postulados de Kato e Ribeiro (2007). No caso do alemão, sabemos que a prosódia favorece a focalização pela acentuação, conforme aponta Reich (2008).

Entretanto, se a clivagem é uma estratégia de último recurso, por que o francês iria, de acordo com Kato e Ribeiro (2007), no caso do foco contrastivo, utilizar a clivagem obrigatoriamente? Ou, nos termos do presente estudo, utilizar a clivagem como estratégia primária de focalização? O que há na prosódia dessa língua que desfavorece a focalização pelo meio mais utilizado nas línguas para marcar foco, que é a modalização da entoação? Uma hipótese que iremos levantar, embora isso necessite de uma investigação mais aprofundada, é a possibilidade de as respostas para os questionamentos acima residirem no ritmo de tais línguas.

De acordo com Abercrombie (1965), as línguas podem ser classificadas em termos de ritmo em dois tipos: línguas de ritmo acentual e línguas de ritmo silábico, nas quais se enquadrariam o alemão e o francês, respectivamente. As línguas de ritmo acentual são caracterizadas pela isocronia de pés rítmicos. Nesse tipo de língua haveria isocronia entre o acento e os intervalos entre um acento e outro, o que inclui a tendência de compressão de sílabas para que elas caibam no intervalo. Já no caso das línguas de ritmo silábico, haveria a isocronia entre sílabas, que teriam duração fixa.

Esse panorama é bastante contestável. Por outro lado, pode-se pensar em uma tendência aos comportamentos rítmicos acima. Nesse caso, a focalização prosódica no francês iria no contrafluxo de tal tendência, uma vez que o constituinte focalizado recebe o acento frasal e, mais ainda no caso da focalização contrastiva, maior saliência e maior duração da sílaba tônica desse elemento. Nesse caso, a isocronia silábica do francês ficaria comprometida, configurando uma quebra no ritmo silábico.

Já para o alemão, a focalização prosódica não só não apresenta incongruência com relação ao ritmo, como é favorecida por características prosódicas dessa língua. Como no

ritmo acentual há a possibilidade de compressão das sílabas átonas para caber no intervalo de tempo entre as tônicas, há a possibilidade de a estrutura prosódica ser modalizada em favor do foco prosódico. Além disso, como já exposto em Reich (2008), a desacentuação e a elipse de partes de palavras para dar maior saliência ao foco também são elementos que favorecem a focalização pela prosódia.

No caso do PB, não há consenso no que diz respeito à classificação rítmica. Entretanto Cagliari e Abaurre (1986) constatam em seu estudo que alguns falantes

apresentam ritmo acentual e outros o ritmo silábico em suas falas. Lembrando que o português focaliza tanto com prosódia, quanto com clivagem.

A hipótese que levantamos nesta monografia requer um estudo mais aprofundado no campo da prosódia e figura como um caminho possível de investigação. Como mencionamos, a classificação rítmica da qual estamos partindo já foi contestada na literatura. Entretanto, acreditamos ser um caminho válido para melhor analisar a motivação das línguas em questão para o uso mais ou menos crucial de clivadas enquanto estratégia de focalização.