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Dans le document Charles P. Thacker and Edward M. McCreight (Page 23-28)

A entrevista semiestruturada contou com 11 perguntas-base a respeito de dificuldades na ascensão dentro da carreira jornalística pelas mulheres, assédio ou constrangimentos sofridos dentro da redação ou por fontes, dificuldades de se manter na profissão e o futuro profissional dessas entrevistadas. Esse questionário passou por avaliação do Comitê de Ética da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e da Plataforma Brasil, por meio de requerimento feito para uma pesquisa ampliada, da qual esse trabalho faz parte, intitulada Trajetórias Profissionais dos Jornalistas Brasileiros: um estudo qualitativo de gênero, cor e faixa etária no contexto de crises (2012-2022)29.

O roteiro da entrevista foi elaborado com perguntas completas e com base nas respostas das entrevistas survey, pois

29 Esta pesquisa é realizada em rede entre a UEPG e UFSC. Na UEPG ela é conduzida pelo Grupo de Pesquisa Jornalismo, conhecimento e profissionalização.

a formatação de um roteiro por meio de tópicos não garante que o pesquisador formule adequadamente as indagações no momento da entrevista. Além disso, quando se trata de entrevistar vários participantes, o entrevistador poderá indagar diferentemente na presença de cada um dos informantes, apesar de a linguagem e de nossa língua propiciar buscar mensagens iguais a partir de verbalizações diferenciadas. (MANZINI, 2004, p. 6).

A técnica da entrevista semiestruturada foi amplamente estudada por Triviños (1987), por isso, as indicações de como fazer a coleta de dados colaboraram como orientação desta pesquisa. Segundo o autor, a entrevista é um dos principais meios para se fazer coleta de dados por um pesquisador.

É útil esclarecer, para evitar qualquer erro, que essas perguntas fundamentais que constituem, em parte, a entrevista semi-estruturada, no enfoque qualitativo, não nasceram a priori. Elas são resultado não só da teoria que alimenta a ação do investigador, mas também de toda a informação que ele já recolheu sobre o fenômeno social que interessa, não sendo menos importantes seus contatos, inclusive, realizados na escolha das pessoas que serão entrevistadas. (TRIVIÑOS, 1987, p. 146).

Sendo assim, após a confirmação das entrevistadas para realização da entrevista semiestruturada, entrou-se num consenso sobre a disponibilidade da conversa. Com duas entrevistadas foi possível realizar a entrevista pessoalmente e com três foi utilizado o recurso de videochamada pelo Messenger30. As entrevistas variaram entre 40 minutos e uma hora e meia, com as perguntas previamente elaboradas e outras questões desenvolvidas durante a entrevista, pois as peculiaridades de cada vivência exigiram algumas adaptações no roteiro inicialmente previsto.

O roteiro que orientou as entrevistas consiste nas seguintes questões:

1) Você permanece no mesmo cargo e empresa desde 2017? Se não, o que aconteceu? E, se sim, houve mudanças nas suas funções dentro da redação?

2) Como você vê os desafios e dificuldades enfrentados por você e por suas colegas para a ascensão dentro da redação? Como se deu a sua trajetória profissional?

3) Você percebe diferenças de oportunidades para o crescimento profissional entre você, suas colegas e seus colegas do gênero masculino? Ou mesmo dificuldades para permanecer na profissão?

4) Quais critérios você acredita que são levados em conta no processo de ascensão na carreira? Percebe características comuns e diferenças de gênero nesse processo?

30 Facebook Messenger é um mensageiro instantâneo e aplicativo que fornece texto e comunicação por vídeo. Fonte: Wikipedia.

5) De que maneira acontece a divisão do trabalho na sua redação? É possível perceber diferenças nas pautas cobertas entre as mulheres e os homens?

6) Na pesquisa “Perfil do Jornalista Brasileiro” pouco se aferiu quanto à percepção de assédio moral dentro das redações. Nos últimos dois anos, sua percepção mudou em relação aos conflitos nas hierarquias da redação?

7) Chegou a passar por constrangimento ou a presenciar alguma situação com outras mulheres na redação? Durante o cotidiano da profissão, você já passou por assédio moral de fontes ou instituições? Conhece alguma colega que tenha passado por isso? 8) No cotidiano profissional e/ou em contato com outros(as) colegas, verifica-se que há

incômodos/constrangimentos que podem ser resultado das diferenças de gênero?

9) No meio jornalístico, em contato com outras colegas, que tipo de reclamações e incômodos são mais relatados?

10) Além da questão de gênero, você percebe desafios enfrentados na profissão devido à cor de pele? É possível reconhecer dificuldades ou privilégios decorrentes deste aspecto?

11) Qual sua perspectiva de atuação na profissão?

As duas entrevistas feitas de forma presencial foram registradas em áudio por meio do aplicativo “Gravador”, disponível no celular. As chamadas de vídeo, além de serem gravadas, foram registradas pela captura de tela do Windows, aumentando, assim, a segurança do arquivamento das informações. Triviños (1987) orienta sobre os benefícios da gravação das entrevistas:

Nós recomendamos a gravação da entrevista, ainda que seja cansativa sua transcrição. Somos partidários disto fundamentalmente por duas razões surgidas de nossa prática como investigadores. A gravação permite contar com todo o material fornecido pelo informante, o que não ocorre seguindo outro meio. Por outro lado, e isto tem dado para nós muitos bons resultados, o mesmo informante pode ajudar a completar, aperfeiçoar e destacar etc. as ideias por ele expostas, caso o fizermos escutar suas próprias palavras gravadas. Suas observações ao conteúdo de sua entrevista e as já feitas pelo pesquisador podem constituir o material inicial para a segunda entrevista e assim sucessivamente. (TRIVIÑOS, 1987, p. 148).

Anotações também foram realizadas durante as entrevistas para apoiar e ressaltar traços das falas das entrevistadas ou mesmo para voltar às questões que não ficaram aparentemente completas. Para melhor compreensão do leitor, as entrevistas foram editas. Importante destacar que, conforme Triviños, leva-se em conta a participação da pesquisadora durante a pesquisa.

Este traço da entrevista semi-estruturada, segundo nosso modo de pensar, favorece não só a descrição dos fenômenos sociais, mas também sua explicação e a compreensão de sua totalidade, tanto dentro de sua situação específica como de situações de dimensões maiores. De toda maneira, diante destas últimas situações, é necessário lembrar que os instrumentos de coleta de dados não são outra coisa que a ‘teoria em ação’, que apoia a visão do pesquisador. (TRIVIÑOS, 1987, p. 150).

Os procedimentos metodológicos aqui descritos buscam cercar técnicas da metodologia das Ciências Sociais, de forma qualitativa, na tentativa de que a análise dos dados fornecidos e a leitura das informações proporcionadas pelas entrevistas possam colaborar para entender um fenômeno social na profissão do(a) jornalista.

Dans le document Charles P. Thacker and Edward M. McCreight (Page 23-28)

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