3. Résultats
3.3. La relation de dépendance au cœur du vécu
3.3.3. Les alternatives proposées sont autant de moyens de lutte contre cette dépendance
Hoje, as condições de sustentabilidade já foram incorporadas na construção dos prédios. Temos normas que certificam os prédios. Mas como soe acontecer, estamos na fase em que foram incorporadas aos prédios dos “ricos”, a exemplo das ultimas construções realizadas na Marginal Pinheiros, em São Paulo, e apresentados como os primeiros greenbuildings do país. Com certeza, o lugar onde elas também devem ser aplicadas é na construção de habitações de baixa renda. Ali é onde mais necessitam, pois é uma oportunidade única de construção de moradia na vida, e precisam se assegurar de todas as possibilidades que garantam a longevidade da sua habitação.
168 Em vista disso, estão aqui nesta proposta, as condições que devem ser incorporadas às normas técnicas de construção dessas moradias que deverão ser utilizadas e respeitadas pelos grupos gestores locais.
4.5.1.1. Certificações internacionais de construções sustentáveis
As etapas físicas de construção e projeto das moradias de baixa renda poderão ser orientadas pelas certificações já existentes, como a LEED. Também podem ser baseadas nos conceitos de análise de ciclo de vida, que prevê a utilização de materiais de construção e de moradias mais duradouras e mais sustentáveis.
Trazemos a seguir o conceito de arquitetura sustentável e a sua aplicação através das certificações de prédios – os greenbuildings - que vêm surgindo mundialmente e estão em fase de consolidação. Com estas certificações teremos sustentabilidade na arquitetura e na construção de edifícios, mas sempre voltados aos grandes empreendimentos. (Exemplo: o edifício do Cenpes da Petrobrás no Rio de Janeiro). Ainda não avançamos em construções sustentáveis nas moradias de baixa renda. É novamente o velho paradigma: aqui neste campo, parece um luxo desnecessário.
A corporação internacional denominada de World Green Building Council (World- GBC) que funciona nos Estados Unidos, tem como objetivo padronizar e unificar os tipos de certificação de construções sustentáveis. No Brasil, recentemente foi fundado o Conselho Brasileiro de Construção Sustentável – CBCS- que segue a tendência de adaptar ao Brasil a certificação do United States Green Building Council conhecida como LEED – Leadership in Energy and Environmental Design. - Liderança em Energia e Design Ambiental. Nos Estados Unidos, o LEED, que é um guia para medir e documentar os atos bem sucedidos em qualquer fase de ciclo de vida de um edifício, ou seja, projeto, construção, renovação, operação, manutenção e demolição. Ele tem 6 categorias: a terra e ambiente sustentável (sustainable
169 land), eficiência da água, energia e atmosfera, qualidade interna do ar, material, recursos e inovação e processo de projeto.
O LEED possui um sistema de créditos e pontos que fazem com que após a certificação, os prédios ou a urbanização, recebam uma determinada classificação: Platina, Ouro e Prata. Do número máximo (69-52) ao mínimo (26) de pontos possíveis um prédio recebe o nível mais alto. No caso Platina, temos em Nova Iorque o edifício do Bank of America Tower, inaugurado em fevereiro de 2008 e tido como o maior prédio verde do mundo.
Ter-se-ia como objetivo, atingir com as moradias de baixa renda, atingir o nível mínimo de pontos (26) e durante o projeto, estariam sendo pensadas, dentro dos requisitos das seis categorias de desempenho contempladas acima, do LEED (ambiente, água, energia e água, materiais e recursos, ar e inovação e processo de projeto).
4.5.2.2. Análise de Ciclo de Vida
As certificações “verdes” têm como base o estudo da operação do prédio durante toda a sua vida. Em função disso, acrescentamos o conceito de Análise de Ciclo de Vida das moradias e dos materiais, conceito ainda em formação, mas inquestionavelmente necessário, pois pretende que se analisem tudo o que acontece do “berço ao túmulo” ao longo da utilização das moradias.
Avaliação do Ciclo de Vida é uma ferramenta da gestão ambiental que avalia o desempenho ambiental de produtos ao longo de todo o seu ciclo de vida, desde a obtenção dos recursos naturais até a disposição final de volta à natureza. Passa por todos os elos da cadeia produtiva e pela distribuição e uso dos mesmos. Permite realizar uma análise de eficiência, agregando e demonstrando impactos ambientais e o uso intensivo dos recursos de produtos, processos e serviços. Para isto existem ferramentas de software que são constituídas de um sistema que permite construir fluxos em diversos planos e níveis de um determinado processo,
170 agregando, como entradas do sistema, todos os materiais e energias consumidas durante a sua cadeia de produção. Como saída do sistema, traz a medição de mais de dez tipos de impactos ambientais, econômicos e sociais, tais como os gases de efeito estufa, consumo de água e energia, eficiência energética, uso da terra, análise do fluxo de substâncias, eco-balanço da empresa. Realiza comparações entre os materiais para verificar qual deles causa o menor impacto ambiental. Identifica pontos fracos ambientais, sociais e econômicos de um produto ou de uma sistema, dando confiáveis e diretas informações para medir as implicações de sustentabilidade quando da escolha de materiais e tecnologias.
A Comissão Européia fundou um projeto denominado “Potenciais de Melhoria Ambiental em Prédios Residenciais” (IMPRO-Building) com o objetivo de medir e reduzir os impactos ambientais dos produtos urbanos e dos próprios prédios durante todo o seu ciclo de vida. De cada país, três grupos principais de prédios foram investigados: casas unifamiliares; casas multifamiliares e edifícios residenciais. Além de identificar os principais prédios residenciais nos 25 países da União Européia, o estudo verificou os principais impactos ambientais de uma estrutura predial, baseado em um modelo genericamente parametrizado.
A aplicação de um modelo genérico parametrizado vai permitiu trazer as interdependências entre os elementos construtivos do prédio e outros impactos do seu ciclo de vida bem como a influência neles ou deles no desempenho ambiental. O modelo genérico permitiu também a colocação de diferentes materiais construtivos como madeira, tijolo ou concreto, contando também com os dados de todos os “materiais brutos” tais como areia e metais, incluindo os processos de obtenção e operação destes. Os modelos genéricos foram realizados trazendo o processo completo de fabricação de cada produto. Assim, com a avaliação dos parâmetros significativos, cada módulo unitário da cadeia do produto foi verificado e teve seu efeito medido no total do modelo. Os principais tipos de melhorias ambientais considerados são os seguintes:
171 1. Opções de projeto do prédio em relação à eficácia energética do aquecimento ou
resfriamento.
2. Isolação térmica e gerenciamento do fluxo de ar 3. Reuso e reciclagem dos resíduos
4. Uso de materiais brutos secundários ou alternativos 5. Substituição de material
6. Possibilidade de renovação do edifício
Todo este estudo e principalmente o modelo genérico de casa, com suas interdependências, pode ser utilizado no Brasil, pois apenas necessitamos colocar e adaptar a este modelo, os materiais existentes no Brasil e o seu processo de obtenção.
4.5.3.3. Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade – Habitat – PBQP-H
O programa PBQP-H do Ministério das Cidades é uma contribuição do poder público para as construções em geral, mas desde o início está voltado para auxiliar as moradias de baixa renda. Têm como meta duas questões principais, que são de organizar o setor da construção civil de habitat em si mesmo e procurar métodos e processos para modernizar a produção, tanto dos materiais como também dos processos de construção. Estes objetivos procuram ser alcançados com as seguintes ações que atuam através dos seus seguintes projetos:
1- Avaliação de conformidade de empresas de serviços e obras, cujo programa é o SIAC – Sistema de avaliação de Conformidade. O SIAC busca avaliar as empresas de serviços e obras, na área de construção civil e para certificá-las na série de normas ISO 9000.
2- Melhoria da qualidade de materiais, cujo programa é o SIMAC. Ele está voltado a propiciar a conformidade às normas técnicas de fabricação de materiais e de componentes da construção civil. Estes materiais estão organizados em programas
172 setoriais de qualidade de PSQs. Estes PSQs inicialmente eram 18 que compunham uma cesta que incluía os materiais mínimos necessários para uma unidade habitacional de interesse social36.
3- Formação e requalificação de mão de obra.
4- Normalização técnica e Capacitação de laboratórios. 5- Avaliação de tecnologias inovadoras.
6- Informação ao consumidor e comunicação entre setores interessados.
O governo brasileiro já usa as certificações de empresas e de materiais do PBQP-H como nível de exigência nas licitações do PAC- Programa de Aceleração do Crescimento. Poder-se-ia definir ou sugerir que no futuro, todas as obras destinadas às moradias de baixa renda tenham adesão ao programa. E também, como critério de qualidade, as normas do PBQP-H.
Para o Brasil isto será um grande passo rumo à sustentabilidade se a organização das obras e projetos, bem como a escolha de materiais respeitarem os critérios, certificados e índices de conformidade do PBQP-H.