• Aucun résultat trouvé

Alphabetical List of Commands

Dans le document XENIX* 286 OVERVIEW SYSTEM (Page 77-82)

A proposta do sociólogo Georges Friedman, um dos criadores do Centro de Estudos das Comunicações de Massa (CECMAS), era estudar as relações entre a sociedade global e as comunicações de massa, a partir da interferência dos meios de comunicação nas estruturas sociais. Esses estudos estão ligados à linguagem e, consequentemente, à linguística. Assim, começa a surgir o conceito de estrutura, sendo transportada para a corrente intitulada estruturalismo, colocando a linguagem como representação, trazendo em seus primeiros estudos diferentes comportamentos. Inicialmente, como entendimento do mundo e do pensamento numa perspectiva histórico comparativa.

Posteriormente, o estudo da linguagem estabeleceu a inevitabilidade do homem expressar-se, exteriorizar-se, porém, esse estudo tratava apenas da expressão do universo individual do locutor. O sistema criado por Ferdinand de Saussure diz que “cada objeto mantém com os demais uma relação de semelhança que permite reconhecê-los como sendo do mesmo conjunto e uma relação de diferença que permite identificar um a um” (apud BIZZOCHI, 2000, p. 43). Esse sistema foi qualificado como estrutura, sendo o alicerce do estruturalismo, corrente que controlaria a linguística, exercendo forte persuasão nas demais ciências humanas.

Saussure separa do universo da linguagem duas partes essenciais: a língua, tratada como um objeto unido e com possibilidade de classificação, “é um produto social da faculdade da linguagem e um conjunto de convenções necessárias, adotadas pelo corpo social para permitir o exercício dessa faculdade nos indivíduos” (apud FIORIN, 2011, p. 14). Outra parte, conforme Saussure, diz respeito a fala, sendo “a fala é um ato individual; resulta das

combinações feitas pelo sujeito falante utilizando o código da língua; expressa-se pelos mecanismos psicofísicos (atos de fonação) necessários à produção dessas combinações” (FIORIN, 2010, p. 14).

Para completar esse raciocínio, Fiorin acrescenta que a distinção linguagem/língua/fala posiciona o “objeto da linguística” para Saussure.

Dela decorre a divisão do estudo da linguagem em duas partes: uma que investiga a língua, e outra que analisa a fala. As duas partes são inseparáveis, visto que são interdependentes: a língua é condição para produzir a fala, mas não há língua sem o exercício da fala. Há necessidade, portanto, de duas linguísticas: a linguística da língua e a linguística da fala (FIORIN, 2010, p. 14).

Vale destacar que todas as linguagens tipificadas como verbais e não verbais, têm uma caracteristca relevante: “são sistemas de signos usados para comunicação. Esse aspecto comum tornou possivel conceber-se uma ciência que estuda todo e qualquer sistema de signos (FIORIN, 2010, p. 17). Saussure qualificou como Semiologia e Peirce como Semiótica. Portanto, linguística é uma parcela dessa ciência que estuda as línguas naturais, principal modalidade dos sistemas de signos.

Língua e escrita são dois sistemas distintos de signos; a única razão de ser do segundo é representar o primeiro; o objeto linguístico não se define pela combinação da palavra escrita e da palavra falada; esta última por si só constitui tal objeto (SAUSSURE, 2008, p. 34).

A evolução do estruturalismo para o pós-estruturalismo acontece quando a mídia passa a ser um motivo de conexão social, visto que, segundo Nery e Temer (2004, p. 98), “comunicar não serve só para comunicar: é o motor das relações sociais, que envolve a produção, o consumo, o intercâmbio e a reprodução”. Conforme Cirillo (2012, p. 33), “É na visão pós-estruturalista, surgida nas décadas de 60 e 70 do século passado, que todo contexto da comunicação (elementos/condições de produção e recepção das mensagens) é levado em consideração”. Portanto, a linguagem é colocada como ação, relação social, onde o ser humano é o produtor de significados. Essa visão, anteriormente citada, traz para a atualidade os pressupostos de Mikail Bakthin sobre dialogismo, polifonia e a teoria da enunciação.

Antes de explicar o dialogismo, é importante entender o significado de discurso para Bakhtin, uma vez que esses dois pressupostos estão intrinsecamente relacionados.

Discurso é a língua em sua integridade concreta e viva e não a língua como objeto específico da linguística, obtido por meio de uma abstração absolutamente necessária de alguns aspectos da vida concreta do discurso. Mas são justamente esses aspectos, abstraídos pela linguística, os que têm importância primordial para nossos fins. (BAKHTIN, 2008, p. 207).

Nessa direção, Bakhtin idealiza o discurso, ou seja, a “linguagem em ação”, não entendendo a língua como um simples sistema de formas, estável e permanente, encontrado nas relações sociais. Segundo o filósofo, a real essência da língua é formada exatamente nas relações sociais, por meio da interação verbal, concretizada pela enunciação ou enunciações. Assim, o discurso não é privativo de um único indivíduo, sendo constituído, pelo menos, entre dois interlocutores que assumem a condição de seres sociais. Essa relação permite criar um “diálogo entre discursos”, isto é, permanece a associação com outros discursos que o precederam. Conforme Diana Luiz Pessoa de Barros, retomando algumas das contribuições de Bakhtin às análises de textos e discursos, a existência do “diálogo entre discursos” é a porta de entrada do dialogismo, “é a condição do sentido do discurso” (BARROS; FIORIN, 2003, p. 2). Em síntese, segundo Barros e Bakhtin, compõe o dialogismo como a razão constitutiva da linguagem e a condição do sentido do discurso.

A questão da persuasão e da interpretação envolvendo as relações com a interlocução são investigadas pela análise do discurso. Vale destacar tal assunto, uma vez que o discurso persuasivo é muitíssimo explorado pela publicidade, valorizando o dispositivo mercadológico “que o enunciador estabelece no texto e o enunciatário interpreta, e relacionam procedimentos discursivos e efeito de sentido” (BARROS; FIORIN, 2003, p. 3). A autora explica que a persuasão e a interpretação provocam o surgimento de um sistema de valores, do enunciador e do enunciatário que, segundo Bakhtin integram a concepção “dialógica do sentido”.

O conceito de dialogismo muitas vezes se confunde com polifonia. Segundo Barros e Fiorin (2003), polifonia caracteriza um certo tipo de texto, entrevendo muitas vozes, opondo- se aos textos monofônicos, que ocultam os diálogos participantes. Portanto, o dialogismo destina-se à essência constituinte da linguagem e do texto completo, ou seja, o diálogo é condição da linguagem e do discurso, porém, existem textos polifônicos e monofônicos de acordo com procedimentos discursivos ativados. Nos textos polifônicos, as vozes aparecem, são mostradas; nos textos monofônicos, elas se escondem, aparentado ser uma única voz. Essas duas condições de um discurso assumem efeitos de sentido resultantes de estratégias discursivas que que se usam em textos definidos como dialógicos. Em síntese, o dialogismo ocorre no texto quando existe o confronto de muitas vozes sociais, podendo causar efeitos de

polifonia, nesse caso, as vozes permitem-se escutar, ou de monofonia, sendo ocultadas em uma única voz que se faz ouvir.

A concepção de interação e interlocução verbal construída por Bakhtin resulta em duas direções recentemente praticadas pelas teorias da enunciação: “a de uma enunciação não-subjetiva e a de uma enunciação dialógica” (BARROS; FIORIN, 2003, p. 3). Para a Análise do Discurso da linha francesa (AD), desenvolve-se uma teoria não-subjetivista da enunciação, ou seja, o sujeito não está no centro do discurso, não existe a concepção de autonomia discursiva individual do sujeito, um elemento neutro, transparente a si mesmo. Decorrente disso, o sujeito precisa ser consciente, pertencer a uma classe, ter ideologia. Conforme Barros e Fiorin (2003, p. 3), “nessa perspectiva, o sujeito deixa de ser o centro da interlocução que passa a estar não mais no eu nem no tu, mas no espaço criado entre ambos, ou seja, o texto”. Dessa forma, completa a autora, o sujeito se torna descentrado e dividido, transformando-se num efeito de linguagem. Essa dualidade adquirida pelo sujeito, direciona seu estudo para uma teoria dialógica da enunciação.

Dans le document XENIX* 286 OVERVIEW SYSTEM (Page 77-82)

Documents relatifs