As mudanças que ocorrem com a puérpera ao longo da internação do neonato na UTIN demonstram a necessidade de um cuidado direcionado para elas, permitindo sinalizar que as
intervenções não devem se limitar ao RN (Estevam & Silva, 2016). É preciso construir uma relação baseada no acolhimento e confiança, olhando essas mães como uma pessoa que também necessita de cuidado, escuta sensível, e ainda, que precisam ser participantes ativas no processo de hospitalização, para assim elaborar a nova realidade (Almeida, Moraes, Lima, & Silva, 2018).
Necessidade é um construto compreendido como algo essencial, exigido pelas pessoas, quando supridas, aliviam ou diminuem a aflição e a angústia imediatas e ajudam a melhor a percepção de bem-estar (Freitas, Kimura, & Ferreira, 2007). Nessa perspectiva, as necessidades manifestadas, quando não atendidas, ou supridas inadequadamente causam desconforto, podendo até mesmo provocar o adoecimento para as pessoas que estão inseridas no processo de cuidado (Ribeiro et al., 2012).
Nesse sentido, o pós-parto é um período estressante para as genitoras, em tal contexto, aquelas que têm seus filhos hospitalizados na UTIN apresentam muitas necessidades de saúde (Verbiest, McClain, Stuebe, & Menard, 2016). Quando a mulher decide acompanhar o RN na UTIN, ela consequentemente vivencia uma ruptura com seu cotidiano, bem como com sua rotina de cuidados (Silva, Silva, & Rocha, 2018). Isto leva-a ter uma experiência peculiar do puerpério, uma vez que precisa estar fisicamente separada de seu filho, como também não experimenta um período de autocuidado, principalmente em relação as suas condições físicas, em virtude das constantes visitas ao hospital (Silva et al., 2016). Por isso, é relevante que os profissionais se mostrem atentos as necessidades das puérperas, em virtude de ser possível viabilizar estratégias de cuidados que possam satisfazer suas necessidades, e reduzir os danos causados pela hospitalização (Silva et al., 2018).
Tais cuidados de saúde que essas mulheres apresentam geralmente estão relacionados com a assistência primária de saúde, tendo como principais preocupações: o monitoramento
da pressão arterial, resfriados, tosses, dores de garganta, insônia e enxaqueca. Além disso, as puérperas demandam avaliação e apoio em saúde mental, cuidados obstétricos, tratamento de infecções sexualmente transmissíveis, abandono do cigarro, assistência ao aleitamento materno, visitas pós-parto e métodos contraceptivos (Verbiest et al., 2016).
Barbosa et al., (2018) apontam que as necessidades das puérperas estão relacionadas principalmente com o repouso, cuidado com as suturas, alimentação e higiene. Esses aspectos estão vinculados com a atenção com o corpo, que visa garantir a recuperação física e evitar complicações do puerpério. Apesar da importância de as mulheres receberem esses cuidados, os estudos de Dittz, Mota e Sena (2008) e Alves, Severo, Amorim, Grande e Silva (2016), relatam que as mães geralmente abdicam das suas próprias necessidades de saúde pelo investimento em relação ao filho hospitalizado. Assim, o risco apresentado pelo neonato, inviabiliza o atendimento de suas necessidades de alimentação, descanso e sono, passando então a manifestar cansaço físico e mental (Dittz et al., 2008).
As genitoras frequentemente demonstram satisfação com a assistência oferecida ao bebê, contudo, em relação ao próprio atendimento de suas questões de saúde não tem assistência da equipe, mesmo necessitando deles. Algumas mães destacam a ausência de atendimento para a retirada de pontos da cesariana e para outros problemas de saúde, como “febre” e “mal-estar” (Martins & Oliveira, 2010).
Já o trabalho de Alves et al., (2016) afirma que as mães atribuem maior importância as necessidades dos pais e do bebê. De acordo com esses autores, esses achados eram esperados, uma vez que as mulheres assumem a assistência ao filho com maior frequência, bem como esse tipo de comportamento é reforçado na própria UTIN, na perspectiva do exercício da maternidade exclusiva e totalmente focada no recém-nascido, emocionalmente vinculada e ocupada durante todo o tempo. Nesse sentido, observa-se a necessidade de
incentivar a puérpera que permanece longos períodos no ambiente hospitalar a visitar sua casa, família e amigos, para assim, aliviar a saudade das suas relações habituais (Almeida et al., 2018).
Destaca-se que quando a puérpera não recebe o suporte familiar adequado durante o pós-parto, as suas responsabilidades aumentam consideravelmente. Consequentemente ela deve prover o cuidado a sua casa, ao marido e ao neonato, além do autocuidado. Portanto, a mãe fica sobrecarregada e não se dedica a sua própria saúde (Barbosa et al., 2018).
Souza, Araújo e Costa (2013) relatam sobre a fragmentação do atendimento pelos profissionais frente as necessidades maternas, em virtude deles se voltarem para as demandas biológicas do neonato. Os autores afirmam a importância de uma assistência integral, baseada nas necessidades das puérperas, fornecendo subsídios para a adaptação à nova realidade e enfrentamento. Tal intervenção pode ser fundamentada no acolhimento, para que as mães se sintam mais seguras e valorizadas. Esse resultado está de acordo com o trabalho de Williams et al., (2018), o qual refere a importância da equipe médica da UTIN ser sensível as necessidades e sentimentos das genitoras, dessa forma, auxiliando na diminuição do estresse materno por meio da comunicação e empatia.
Confirmando esses dados, no estudo de Costa, Arantes e Brito (2010) notou-se que as necessidades das genitoras não são percebidas pela equipe, pois parte dos profissionais apresentam uma postura tecnicista e reducionista, limitando-se apenas ao tratamento das patologias dos neonatos, o que contribui para o sofrimento da mãe. Zanfolim et al., (2018) também apresentam as dificuldades vivenciadas entre a equipe e as puérperas, discutindo que as mães notam a ausência de empatia dos profissionais no período pós-parto, no qual estão sensíveis física e emocionalmente.
Percebe-se pelos estudos encontrados as peculiaridades vivenciadas pelas mães de neonatos hospitalizados na UTIN, bem como a relevância de ter um olhar diferenciado para as necessidades dessas mulheres. Tais demandas podem ser diferentes devido ao contexto de vida de cada mãe. Sendo importante que a equipe esteja sensível a essas necessidades permitindo um cuidado integral e humanizado. Destaca-se que a maioria dos trabalhos encontrados estavam voltados para necessidades do neonato. Sendo pertinente refletir sobre o papel desempenhado pela sua principal cuidadora, a mãe, a qual muitas vezes é esquecida e suas necessidades minimizadas diante do adoecimento do seu filho.
2.5. Apoio social percebido de mães de neonatos hospitalizados na Unidade de Terapia