Chapitre 5 : Insertion dans l'unité d'appartenance du candidat
5.2. Obtention et gestion de contrats de recherche
5.2.3. Allocations de thèse et post-doc
Após a Segunda Guerra Mundial, há um rápido crescimento da população mundial – que duplicou de 1945 para 1973 – e grande crescimento econômico, com aumento na produção mundial na casa dos 5% ao ano no período pós-Guerra.
Além disso, há um aumento no tempo livre – decorrente da diminuição da carga horária de trabalho semanal –, crescimento nos rendimentos, adoção das férias remuneradas e uma maior motivação das pessoas a conhecer novos lugares.
Um número maior de pessoas, com mais capital, mais tempo livre e cada vez mais motivadas a viajar levou ao desenvolvimento ainda mais acelerado do setor e da adaptação das empresas de turismo às demandas do consumidor. Para se ter noção do rápido crescimento do turismo no mundo, em 1950 o número total de deslocamentos internacionais estava na casa dos 25 milhões. Já em 1960, esse número era superior a 63 milhões (Dixit et al., 2006: 92).
O momento pós-Guerra, portanto, é marcado também pelo crescimento na oferta de viagens aéreas e terrestres, além de produtos de massa, como os pacotes de viagem nas férias de verão, por exemplo. Há também um grande esforço dos governos dos países para o desenvolvimento do turismo internacional (Cunha, 2003:45-47).
No segmento de viagens aéreas, é importante ressaltar que as companhias do setor, já na década de 1960, utilizavam um Sistema Computadorizado de Reservas (CRS), que permitia uma administração mais flexível e dinâmica das ofertas de viagens aéreas. Esse sistema também foi adotado por hotéis, empresas de aluguel de veículos, entre outras (Ortega, 2009: 4).
A partir da década de 1970, o mercado de turismo continua seu crescimento – mesmo com as tensões políticas da Guerra Fria, a crise do petróleo e o aumento no desemprego a nível global. No primeiro ano da década, por exemplo, contabiliza-se um número de 165,8 milhões de desembarques ao redor do mundo (Dixit et al., 2006: 92).
Contudo, o momento de crise gerou demanda por produtos e serviços mais baratos, transformando o foco do turismo bem como as suas estruturas. Há uma maior procura por pacotes turísticos com menor tempo de estadia, alojamentos mais baratos e menor necessidade de deslocamento. Isso tudo ocasiona um maior crescimento no turismo interno, bem como o direcionamento de políticas de desenvolvimento de equipamentos e de promoção voltadas para esse tipo de atividade.
A partir da década de 1980 acentua-se a valorização do papel social, político, educativo, cultural e ecológico do turismo, que, por sua vez, chegou a ser considerado um componente fundamental da vida do homem. Como enfatiza Cunha, o turismo “[deixou] de ser unidimensional para passar a ser multidimensional, na medida em que responde a uma multiplicidade de necessidades humanas e não apenas à melhoria do bem-estar material” (Cunha, 2003: 48).
Na mesma década, o desenvolvimento das redes permitiu o surgimento dos Sistemas Globais de Distribuição (GDS), como o Amadeus, Galileo e Sabre. Esses sistemas eram utilizados por agências de turismo e permitiam o gerenciamento das reservas de diferentes produtos e serviços turísticos a nível global (Ortega, 2009: 4).
A partir da década de 1990, a abertura e crescente popularização da Internet, bem como o surgimento de conglomerados econômicos, facilitaram o desenvolvimento do turismo. Há, também, o crescimento de novas formas de turismo – como o ecoturismo e o turismo rural –, além de novas modalidades de oferta – como passagens em companhias aéreas low-cost.
Ainda nessa década, o número mundial de desembarques ultrapassa os 500 milhões. Além disso, regiões como Ásia, África e Oriente Médio apresentam um grande crescimento no número de viajantes internacionais, diminuindo a parcela de turistas da região mais visitada, que é a Europa. Para se ter ideia, o continente europeu, que recebia cerca de 65% dos turistas em 1980,
viu sua parcela cair para 58% no começo dos anos 2000142. Isso não indica que a Europa passou
a receber menos viajantes. Na verdade, só revela que o turismo cresceu menos aqui do que em outras regiões do globo (Dixit et al., 2006: 92-93).
Já nos anos 2000, a Internet começa a exercer um papel ainda mais importante para o
setor de turismo. Sistemas de GDS passam a ser utilizados por agências de turismo online,
permitindo com que o próprio consumidor reserve seu hotel, assegure suas passagens, alugue veículos, entre outros. A Internet também torna-se útil na busca de informações sobre destinos e atrações turísticas. Como revelam André Guimarães e Martha Borges:
Milhares de destinos e empresas turísticas vêm utilizando a internet como canal de informação, mas seu potencial de uso vai muito além dessas operações e ela pode ser explorada para comercialização de produtos, promoção, transação com outras empresas, além de funções financeiras, entre outras (Guimarães & Borges, 2008: 52).
Em conjunto com o desenvolvimento e popularização da Internet, a idade contemporânea do turismo ainda é marcada, segundo Licínio Cunha, pela democratização, planetarização, desenvolvimento do turismo social, inquietação, valorização e diversificação da oferta (Cunha, 2003: 53-54).
A democratização, segundo o autor, é observada na prática do turismo por todas as camadas da população. É relevante afirmar que, em muitos países industrializados, cerca de
142 Cf. The Geography of Transport Systems (2013) ‘Share of International Tourist Arrivals by Region, 1950-2010’ [On line].
50% a 75% dos habitantes parte de férias todo ano – sendo que algumas nações atingem o nível de 80% (Cunha, 2003: 53).
A democratização também pode ser avaliada do ponto de vista das opções de escolha. Atualmente, existe um grande número de destinos turísticos, bem como de produtos, que podem ser acedidos pela Internet, oferecendo aos consumidores maior personalização e poder de escolha. A proliferação de companhias aéreas low-cost, das compras coletivas e de sites de reservas online contribuíram para isso.
A planetarização pode ser observada pela globalização do turismo, que se estende pelo mundo, ignorando fronteiras e direcionando-se a todos os países e continentes. A causa disso pode ser delegada não só à Internet, como também ao desenvolvimento do transporte aéreo e à diminuição dos custos das viagens e estadias. Além disso, como afirma Cunha:
Todos os países do mundo, de todos os quadrantes políticos e ideologias, qualquer que seja o grau do seu desenvolvimento económico, passaram a encarar o turismo como uma fonte de riqueza, uma forma de valorização do homem e um instrumento de aproximação dos povos (Cunha, 2003: 54).
O desenvolvimento do turismo social é marcado pelo encorajamento das camadas da sociedade com menor poder aquisitivo a passarem férias fora do seu local de residência habitual. Essa motivação se dá principalmente por parte dos governos, que veem o turismo como um “fator de compensação e de recuperação da força do trabalho” (Cunha, 2003: 54).
A inquietação pode ser observada no crescimento das viagens de fim de semana, bem como nas viagens intercontinentais, nas quais turistas visitam cerca de quatro países num curto intervalo de tempo. Já a valorização é caracterizada pelos turistas que passaram a encarar as viagens como uma forma de afirmação pessoal.
Por fim, a diversificação da oferta pode ser vista na criação e crescimento de novos tipos de alojamento – como hostels, campismo, aluguer de imóveis por temporada ou de quartos, como
ocorre no Airbnb143. Além disso, há o surgimento de novos produtos turísticos, ocasionados
também pela evolução tecnológica e inovação, como parques temáticos, centros de diversão, praias e florestas artificiais.
Por sinal, a diversificação da oferta – não só no mercado de turismo – é um fenómeno que
também está ligado ao crescimento, popularização e modo de utilização da Internet, como foi
citado no segundo capítulo deste estudo.
É relevante afirmar que os números do turismo têm crescido a cada ano. Em 2000, o número mundial de desembarques era 680,6 milhões. Cinco anos depois, o número chegou a 808 milhões (Dixit et al., 2006: 92). Já em 2012, ultrapassou-se a barreira de 1 mil milhões de visitantes ao redor do mundo. A Europa, região mais visitada, recebeu dezessete milhões de turistas a mais que em 2011, revelando um aumento de 3%. Nada mal para um continente em
recessão econômica144.
Ainda em 2012, a contribuição – direta e indireta – do turismo chegou à casa dos 6,6 biliões de dólares, representando 9% do PIB em 2012. Além disso, um em cada onze postos de
trabalho no mundo estão relacionados ao turismo145.
Já em 2013, o último relatório divulgado pela Organização Mundial do Turismo (UNWTO) apresenta um crescimento de 5% em relação ao mesmo período de 2012, totalizando 494 milhões de turistas. A Europa obteve um crescimento na média (5%), enquanto a Ásia ficou um pouco acima (6%) e a América bem abaixo (2%). Destaca-se ainda o aumento nas regiões do
leste europeu (9%) e do sudeste da Ásia (12%)146.
Ainda segundo dados preliminares da UNWTO, os principais destinos de 2012 foram – em ordem de número de visitantes: França, Estados Unidos, China, Espanha, Itália, Turquia, Alemanha, Reino Unido, Rússia e Malásia. Já em termos de receita alcançada com o turismo, os dez primeiros países foram: Estados Unidos, Espanha, França, China, Macau (China), Itália, Alemanha, Reino Unido, Hong Kong (China) e Austrália. Ressalta-se que apesar de a França ser o país mais visitado do mundo, a nação com maior receita até o momento era os Estados Unidos. Destaca-se ainda a posição da Espanha, o quarto país mais visitado do mundo, mas o
segundo em receitas147.
Portugal, com números mais modestos, encontrava-se somente na 18ª posição entre os países do continente europeu, com cerca de 7,7 milhões de turistas internacionais em 2012.
144 Cf. WTTC (2013) ‘Economic Impact of Travel & Tourism 2013 Annual Update: Summary’ [On line], World Travel & Tourism Council
[http://www.wttc.org/research/economic-impact-research/, acedido em 16/10/2013].
145 Idem.
146 Cf. UNWTO (2013) ‘World Tourism Barometer – Volume 11’ [On line], World Tourism Organization
[http://dtxtq4w60xqpw.cloudfront.net/sites/all/files/pdf/unwto_barom13_04_august_excerpt.pdf, acedido em 16/10/2013].
Quando se trata de receita, o país ocupava a 14ª colocação no continente em questão,
arrecadando mais de 11 mil milhões de dólares no mesmo ano148.
Como se percebe, o turismo, atualmente, é uma indústria que movimenta mais de mil milhões de pessoas anualmente, gerando rendas na casa dos biliões de dólares, tornando-se não só um negócio importante para a economia internacional, mas também para a sociedade de forma geral. Como afirma Kaleb Rifai, Secretário Geral da Organização Mundial do Turismo:
travelling is now part of consumer patterns for an increasing number of people in both emerging and advanced economies. This underlines the need to rightly place tourism as one of the key pillars of socio-economic development, being a leading contributor
to economic growth, export and jobs149.
Tendo-se isso em questão, torna-se necessária uma breve análise da indústria do turismo em Portugal, que acompanhará o seu desenvolvimento até os dias atuais, relatando também sua estrutura e perfil.