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III. I NTERET DE LEUR UTILISATION DANS CERTAINES AFFECTIONS DE LA PETITE ENFANCE

5. Les allergies

Na entrevista com os gestores perguntou-se sobre a formação continuada e oferecida pelo Colégio ou pela Rede. Essa pergunta foi importante para mostrar as estratégias das congregações religiosas e mantenedoras no preparo dos futuros gestores de colégios e na conservação e atualização dos atuais gestores. As respostas a essa pergunta revelam basicamente duas grandes preocupações por parte das congregações religiosas e suas mantenedoras.

A primeira preocupação, segundo os dados colhidos nas entrevistas, é com a profissionalização da gestão. Com poucas exceções, todas as mantenedoras procuram oferecer aos seus gestores algum tipo de especialização em gestão. Há

variadas iniciativas quanto à formação continuada dos gestores. De acordo com as entrevistas, as modalidades de formação continuada mais comuns são:

- Parceria com SINEPE/RS. A mais citada, nas entrevistas, é a parceria com o Sindicato Patronal dos Estabelecimentos de Ensino Privado no Rio Grande do Sul, o SINEPE/RS. Essa entidade possui um Centro de Desenvolvimento de Gestão (CDG) que oferece consultoria em gestão e cursos de gestão. Há várias modalidades de cursos, com foco em gestão educacional. Esses cursos, com carga horária que varia de 40 a 134 horas, são realizados na forma in company e por meio de parcerias com Instituições de Ensino Superior da região de Porto Alegre.

- Especialização e MBAs. As entrevistas apontam para uma política, por parte dos colégios e mantenedoras, de oferecer aos que são selecionados para funções de gestão, um curso em nível lato senso, na área da administração e com foco em gestão de escolas. Esses cursos são oferecidos por Faculdades de Administração ou de Educação, e as instituições que mais formaram gestores, de acordo com as entrevistas, são a PUC/RS, a UNISINOS, a UNILASSALE e a FAPA. Há, também, escolas que fizeram parcerias com faculdades de outros estados.

- Cursos personalizados. Há, também, mantenedoras que elaboram cursos intensivos, com várias etapas de realização, carga horária com 120 horas no total, e com um currículo inteiramente estruturados para os gestores da respectiva rede. Esses cursos trabalham questões de gestão e também do carisma religioso da congregação religiosa a que pertence a rede de colégios.

- Formação interna. As reuniões pedagógicas regulares, encontros e retiros realizados em âmbito de cada colégio, também são instâncias de formação utilizadas pelas escolas para o aprimoramento profissional e reforço dos valores que fundamentam o carisma religioso da rede a que o colégio pertence.

- Cursos e eventos. As entrevistas também mostram que as redes menores, com menor poder de investimento, têm nos cursos e eventos, em nível de extensão e com baixa carga horária, uma das únicas e poucas formas de formação continuada a seus gestores.

Essas modalidades de formação continuada oferecidas pelos colégios aos seus gestores dependem da estrutura e poder de investimento que as redes a que os colégios pertencem possuem. As que melhor se organizaram em rede têm maior poder de investimento e utilizam todos os recursos disponíveis para aprimorar a gestão e o quadro de gestores e professores. As de menor porte, com menor poder de investimento, asseguram-se na força do carisma religioso a que o colégio está inserido ou simplesmente centram-se no dia a dia do trabalho sem fazer investimento para maior aprofundamento teórico sobre a prática.

Outra preocupação dos colégios e mantenedoras em relação à formação de seus gestores é quanto ao conhecimento do carisma religioso que fundamenta a prática pedagógica. As redes católicas estão predominantemente ligadas a uma congregação religiosa que possui uma tradição espiritual e pedagógica e que carrega uma herança, um patrimônio em termos de valores e princípios filosóficos e religiosos. Dentro desse patrimônio se encontram a vida e a missão do fundador, ou fundadora da congregação, a espiritualidade e a concepção pedagógica característica, a história da atuação no ramo da educação, documentos e projetos pedagógicos recentes. No tempo em que todos os gestores eram membros das congregações todo esse conteúdo era assimilado na própria trajetória de formação estabelecida internamente pela estrutura religiosa. Com a presença crescente de leigos na função de gestores dos colégios faz-se necessário uma espécie de noviciado, ou processo iniciático aos que são selecionados a ocupar funções que exigem zelar pelo patrimônio espiritual e religioso, não apenas material.

De acordo com as entrevistas essa demanda de formação tem sido realizada nas seguintes modalidades:

- De modo geral: como política de formação continuada a todos os que trabalham no Colégio e na Rede. Isso se faz por meio de reuniões regulares, encontros eventuais e retiros opcionais que são oferecidos a todos. Tem a finalidade de proporcionar o conhecimento e identificação com a proposta pedagógica, o carisma religioso e a espiritualidade característica da rede.

- Somente aos gestores. A formação continuada dirigida somente aos gestores, de acordo com as entrevistas, é oferecida na modalidade in

company ou promovida e realizada pela congregação religiosa a que pertence a rede. Em ambos os casos essa formação ocorre em várias etapas e tem a finalidade de aprimorar profissionalmente os gestores de acordo com as necessidades e características da rede a que pertence o colégio e estreitar o vínculo e identificação com o carisma da congregação.

- Retiros. Os retiros espirituais constituem-se em uma modalidade que, opcionalmente, todos que trabalham no colégio podem fazer desde que sejam convidados. Tem a finalidade de criar boa convivência, oferecer acompanhamento espiritual, conhecimento da história e missão da congregação e fazer a experiência espiritual de identificação com os valores religiosos que fundamentam a prática pedagógica do colégio.

- No Cotidiano. As entrevistas revelam a prática de fortalecer o vínculo de todos que participam da vida no colégio com a espiritualidade que o caracteriza. Isto é realizado por meio de momentos de oração antes das aulas e reuniões, celebrações e participação nos eventos festivos da Igreja Católica ou da congregação religiosa a que pertence o colégio.

Por meio do questionário on-line fez-se a pergunta, aos gestores, sobre que tipo de formação eles consideram importante para que alguém assuma a direção de uma escola. No questionário, a resposta a esta pergunta era dada de modo aberto, permitindo ao entrevistado escrever um parágrafo, subjetivamente. Todas as respostas foram processadas classificando-as segundo as semelhanças de conteúdo. No Quadro 11 apresenta-se uma síntese das respostas.

Questionário on-line via Google docs. Questão aberta:

Questão 2 – Que tipo de formação você considera importante para que alguém assuma a direção de uma escola católica?

Respostas: (cada letra corresponde a uma resposta) A- Que esteja integrado à filosofia da instituição;

B- Formação em currículo, entenda da proposta pedagógica e dos ideais da escola; C- Conheça e abrace a missão e identidade da escola católica;

D- Pedagogia, experiência em sala de aula e gostar do que faz; E- Formação Pedagógica e Teológica;

F- Formação na área de Administração financeira e gestão de pessoas; G- Formação em Espiritualidade e no carisma da congregação;

H- Gostar de educação, algum curso superior e algum conhecimento em administração; I- Formação Teológica, Pedagógica e algo em gestão escolar;

J- Formação Pedagógica, com ênfase nos fundamentos filosóficos da educação; K- Formação na área da Gestão;

L- Maturidade humana; equilíbrio emocional e psíquico;

M- Convergência entre os valores pessoais com os valores da instituição;

N- Graduação em Pedagogia, formação religiosa, conhecimento da Legislação escolar; O- Especialização em Gestão de pessoas e mestrado em Educação;

P- Especialização em gestão escolar e identificação com a filosofia da congregação; Q- Pós em gestão;

R- Uma formação básica na área da Teologia;

S- Formação em Humanas, Gestão (Administrativa, Educacional), que seja católico; T- Atualizado nos estudos e dê exemplo quanto ao carisma da congregação;

U- Conhecimento em Administração Geral Gestão Educacional;

V- Formação em gestão, relações humanas Pedagogia, em qualquer habilitação. Quadro 11 - Quadro-síntese – formação importante para assumir uma escola Fonte: MARIUCCI, Pesquisa, 2014.

As respostas apontam para três áreas de formação e revelam três grandes dimensões presentes no cotidiano das escolas e na rotina de trabalho dos gestores: a dimensão identitária religiosa da escola; dimensão pedagógica; e a dimensão administrativa. As respostas mostram que a necessidade de cuidar da identidade, filosofia e carisma da escola é assumida como tarefa do gestor. Entretanto, as entrevistas mostram o quanto o dia a dia da gestão desafia e requer preparo específico. A comparação entre as entrevistas e o quadro de respostas do questionário deixam a possibilidade de interpretação no sentido de que as demandas da gestão administrativas e financeiras podem ser atendidas por meio de cursos de menor duração, especialização, MBA e cursos de extensão. Já, a identidade e a proposta pedagógica requerem uma formação mais consolidada e demorada ― uma graduação e pós-graduação em nível de mestrado ou doutorado.

Os dados coletados, como um todo, revelam que os gestores das escolas e as mantenedoras estão cotidianamente lidando com a dimensão pedagógica,

empresarial e religiosa dos colégios e das redes, o que pode ser verificado nos estudos realizados pelos gestores, tanto os realizados por iniciativa própria quanto os oferecidos pela mantenedora ou rede. Os estudos e oportunidades de aprofundamento estão sempre revisitando princípios pedagógicos e teológicos que identificam, fundamentam e inspiram o colégio e a rede. Da mesma forma há um constante movimento de atualização nas várias áreas da gestão empresarial. A harmonia dessas dimensões parece dar tranquilidade para a boa realização da atividade fim de cada colégio, o compromisso com uma educação de qualidade, o empenho em melhorar sempre a qualidade da educação.

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