Chapitre 3 : Résultats et discussion
IX. Allergies familiales
Ao estruturamos o nosso trabalho, optámos por dividi-lo em duas grandes partes (englobando cada uma um total de quatro capítulos) – uma primeira, onde procederemos a uma exaustiva “Revisão da Literatura” relativa ao nosso objeto de estudo e, uma segunda, onde apresentaremos o(s) resultado(s) do trabalho empírico que efetuámos.
No capítulo inicial da nossa Tese, começaremos por realizar uma breve resenha diacrónica de algumas das etapas que consideramos mais marcantes no estudo do bullying e que, ao mesmo tempo, nos ajudarão a melhor percecionar o caráter universal da problemática. Salientaremos ainda a vertente ética e moral da questão – associada aos direitos e liberdades fundamentais de qualquer criança e jovem ‒ na medida em que estamos indubitavelmente perante cenários de nítido incumprimento das mais básicas regras de convivialidade social entre sujeitos e, concomitantemente, de uma negação ao pleno usufruto de direitos legais, democráticos e constitucionais.
Neste contexto muito particular tem vindo a ser registada uma crescente preocupação por parte de todos os agentes educativos em implementar e testar estratégias ou dinâmicas que visem prevenir tais comportamentos antissociais (e preferencialmente erradicar o seu ressurgimento) e que tem decorrido da necessidade de compreensão dos diversos fatores que caraterizam o fenómeno e potenciam, por exemplo, o seu alastramento.
Procuraremos, por isso, identificar os diversos tipos de bullying e as dificuldades sentidas muito particularmente no combate a formas menos percetíveis, mas bem mais complexas – analisando, nesse particular, a associação de determinados modos de agressão a públicos concretos (prestando atenção a variáveis como a idade e o género) – reconhecimento dos (numerosos)
constrangimentos existentes ao nível da sua deteção e, por conseguinte, da sua intervenção. Manifestaremos ainda o nosso interesse e preocupação pelas novos veículos de agressão que têm vindo a aparecer nos últimos anos – mais concretamente pelo uso que tem sido dado pelos jovens às TICs para consumar os atos de agressividade. Este novo enquadramento tem vindo, por outro lado, a levantar inesperadas questões associadas à assunção da responsabilidade moral, legal e criminal das ofensas (invisibilidade e volatilidade das fronteiras levanta questões do foro jurídico) ou ainda a temas de discussão remetendo para o direito à liberdade de expressão ou, noutros momentos, à privacidade dos sujeitos.
No capítulo 2, e considerando ainda a esfera específica da compreensão do fenómeno e das suas dinâmicas, tentaremos incidir o enfoque na análise do perfil (ou perfis) usualmente associado aos sujeitos que intervêm de forma mais direta ou indireta no fenómeno (seja na qualidade de vítimas, de agressores, de testemunhas e de outros atores). Destacaremos, por outro lado, o papel cívico e proativo que os demais alunos (que presenciam as ofensas exercidas sobre os seus pares) e adultos (direção da escola, professores, pessoal não docente e pais/encarregados de educação) podem assumir na prevenção e na intervenção do fenómeno.
No terceiro capítulo, procuraremos escalpelizar alguns dos estudos realizados sobre a problemática do bullying em contexto escolar efetuados em território nacional e em alguns países anglo-saxónicos – Reino Unido (Inglaterra, Escócia, País de Gales, Irlanda do Norte), República da Irlanda, Austrália, Nova Zelândia, Canadá e Estados Unidos da América, não descurando, por outro lado, dados relativos a estudos transnacionais envolvendo um número considerável de países.
Procuraremos prestar especial relevância aos dados fornecidos por cada um dos estudos, nomeadamente no que diz respeito à identificação, observação e interpretação de algumas variáveis de análise – e onde incluiremos uma síntese comparativa de alguns destes dados.
Faremos ainda uma breve referência aos trabalhos de pós-graduação (designadamente investigações efetuadas no âmbito de Teses de Doutoramento e Dissertações de Mestrado) apresentados por autores portugueses em instituições do ensino superior nacionais ou internacionais desde finais da década de 90.
O capítulo que encerra a primeira parte do nosso trabalho incidirá sobre o que nos descreve a diversa literatura relativamente às caraterísticas comuns aos programas de prevenção e de intervenção. Focaremos, por isso, a nossa abordagem nos componentestransversais aos programas de prevenção (e de intervenção) – tendo como referenciais, por exemplo: os princípios teóricos subjacentes à sua conceção, os objetivos desejados com a implementação dos programas, o faseamento em termos de operacionalização, os principais métodos e estratégias adotados ou até os materiais de apoio utilizados.
Introdução
18 José Ilídio Alves de Sá – Programa Doutoral em Ciências da Educação
O capítulo 5 introduz a parte empírica do nosso trabalho, com a apresentação dos objetivos do nosso trabalho prático, assim como a(s) metodologia(s) que procuraremos utilizar para os alcançar. Descreveremos, modo circunstanciado, as diversas fases do processo que nos levaram ao estudo comparativo de doze programas de prevenção do bullying implementados (e igualmente avaliados) em alguns países anglo-saxónicos e que nos poderão ajudar a assimilar ou a replicar algumas das boas práticas anteriormente experimentadas por terceiros.
Os conhecimentos que coligimos nesta etapa contribuíram decisivamente para a conceção e consequente implementação da experiência que apresentaremos no capítulo 6. Efetivamente, procederemos à descrição exaustiva de todo o processo de preparação, de implementação e de avaliação do projeto-piloto de prevenção do bullying que realizámos numa escola pública do Ensino Secundário com 3.º Ciclo com alunos e docentes dos 7.º e 10.º ano de escolaridade no decorrer do ano letivo de 2010/2011. Encerraremos o capítulo efetuando uma avaliação global da experiência.
No penúltimo capítulo, apresentaremos os resultados dos inquéritos por questionário (constituído por duas partes) que aplicámos no âmbito do projeto descrito no capítulo precedente.
Na 1.ª parte, procurámos não só medir
o grau de satisfação dos alunos em relação às suas turmas, à escola, aos níveis de segurança que esta oferece, mas também avaliar os índices de vitimação e de agressão, a reação dos alunos perante as agressões assim como os locais de maior risco existentes na escola. Acrescentámos uma 2.ª parte ao questionário que incidiu especificamente sobre o uso que os jovens davam às TIC (telemóveis, computadores e Internet). O oitavo e último capítulo será naturalmente dedicado à enumeração ‒ e respetiva reflexão ‒ das principais conclusões decorrentes do desenvolvimento do nosso estudo.“O estudo da violência bullying na escola tem por objectivo, por um lado, o diagnóstico e compreensão do problema e, por outro lado, a procura de soluções concertadas da comunidade educativa, visando a prevenção e redução da violência.”
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arte I
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apítulo 1
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Caappííttuulloo11 Da problemática do bullying entre alunos nas escolas
Neste primeiro capítulo, começaremos por contextualizar a abordagem da problemática do bullying, procedendo, para o efeito, a uma breve resenha histórica do seu estudo a nível mundial, destacando alguns dos momentos mais marcantes ao longo das últimas décadas. Para além de nos transmitirem uma perspetiva evolutiva, esses acontecimentos demonstram igualmente a crescente preocupação que tem existido a nível mundial na busca de soluções para combater as especificidades do fenómeno. Uma das contrariedades apontadas nessa abordagem passa pelas dificuldades sentidas na clarificação de algumas questões de ordem concetual em torno do bullying, tornando por vezes a delimitação do objeto de estudo um ponto de discórdia.
Não obstante estas questões associadas à dificuldade no isolamento do próprio objeto de estudo, convém salientar o papel específico a desempenhar pelas escolas na prevenção e no combate ao bullying. As múltiplas e perniciosas consequências que afetam tanto a saúde das instituições como a dos sujeitos que a integram (população infantil, juvenil e adulta) legitimam plenamente a necessidade de estarem previstos mecanismos cautelares e mesmo ao nível da atuação.
Tentaremos, por isso, explicitar e compreender os diversos fatores que podem contribuir direta e indiretamente para a ocorrência de tais comportamentos. Procuraremos ainda distinguir e descrever os diferentes tipos de bullying – sejam eles igualmente manifestados de forma mais direta ou indireta, atribuindo ainda uma especial relevância do nosso trabalho às agressões perpetradas pelos jovens com o recurso às diferentes tecnologias de comunicação e de informação.
Incidiremos, por fim, a nossa análise nos locais físicos da escola suscetíveis de virem a apresentar uma maior perigosidade para os jovens e crianças.
“(…) a atenção da sociedade só se volta para o problema quando os meios de comunicação, de forma sensacionalista, divulgam as tragédias ocorridas nas escolas, gerando insegurança para a comunidade escolar, sem que as suas verdadeiras causas sejam focadas.”
1. Breve historial sobre o estudo do bullying
1.1. Década de 70 – ‘A génese do estudo sistemático do bullying’
Apesar de a primeira referência ao bullying surgir, em 1857, no livro Tom Brown’s Schooldays1 da autoria de Thomas Hughes e, anos mais tarde (1897), no artigo Teasing and Bullying de Frederic Burke2 (1897: 55), os primórdios do estudo sistemático da temática remontam à década de 70 do século passado, por via do contributo direto de dois investigadores suecos – o médico Paul Heinemann e o professor de psicologia Dan Olweus.
Efetivamente, à data não existiam ainda estudos empíricos dedicados ao bullying, facto que, por um lado, dificultava consideravelmente a profunda compreensão do fenómeno e, por outro lado, em nada contribuíam para a dissipação das interrogações entretanto suscitadas. Como recordam Rigby & Thomas (2002: 11), ao longo de aproximadamente dois séculos não se registou qualquer esforço por parte de estabelecimentos de ensino ou de departamentos na área da educação no sentido de enfrentar a problemática .
Heinemann, no entanto, deu visibilidade à problemática com os resultados apresentados na sequência de observações diretas levadas a cabo em recreios de escolas suecas (Formosinho & Simões, 2001: 65; Pereira et al., 2004: 242) e com a publicação do livro Mobbning – Gruppvåld bland barn och vuxna.
Olweus, por seu turno, publicou igualmente o livro Hackkycklingar och översittare (em 1973) como resultado do primeiro estudo empírico realizado naquele país nórdico (por conseguinte, no mundo) – em que, por via da aplicação de questionários relativos aos comportamentos dos próprios inquiridos (self-report), descreveu a natureza e extensão do problema ‒ e que, entre outras conclusões, permitiu aferir que aproximadamente 10% da população escolar se
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Obra parcialmente inspiradana experiência do autor, que frequentou a Rugby School (Inglaterra) entre 1834 e 1842 e que terá sido objeto de bullying juntamente com um colega.
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Docente da Clark University, em Worcester (estado norte-americano do Maine) – cf. http://www.clarku.edu/ “The research of the last 25 years has shown that pupil bullying in schools is widespread wherever there is institutionalized schooling; moreover, despite some cultural differences, many of the broad features are similar across different countries.”