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Os dados da nossa pesquisa foram construídos na interação/triangulação das informações obtidas através dos instrumentos anteriormente discutidos.

Após a obtenção dos dados, passamos a sistematizá-los, agrupando-os por blocos de temas, categorias e subcategorias. Essa organização foi necessária no sentido de

direcionar o nosso olhar para o conteúdo das falas mais pertinentes quanto às questões de estudo.

Categorizar resultados significa agrupar os elementos comuns, as ideias ou expressões em torno de um conceito capaz de abranger tudo (GOMES, 1998). A categorização facilita o trabalho de análise do pesquisador, uma vez que toma como ponto de partida as informações mais amplas da construção dos dados, até chegar às mais específicas.

Após essa organização, os dados são analisados, o que

[...] significa “trabalhar” todo o material obtido durante a pesquisa, ou seja, [...] as transcrições de entrevista, as análises de documentos e as demais informações disponíveis. A tarefa da análise implica, num primeiro momento, a organização de todo o material, dividindo-o em partes, relacionando essas partes e procurando identificar nele tendências e padrões relevantes. Num segundo momento, essas tendências e padrões são reavaliados, buscando-se relações e inferências num nível de abstração mais elevado. (LÜDKE; ANDRÉ, 1986, p.45).

Para tanto, tomou-se de empréstimo algumas ideias contidas na proposta de análise de conteúdo defendida por Bardin. A análise de conteúdo é um conjunto de técnicas que visam obter informações sobre os significados implícitos nas mensagens. Permite o tratamento de diversos tipos de texto, sejam eles escritos ou imagéticos, buscando extrair uma interpretação possível e considerando que “por detrás de um discurso aparente, geralmente simbólico e polissêmico, esconde-se um sentido que convém desvendar” (BARDIN, 2009, p.136).

Em posse dos dados, como iríamos então analisá-los? Além do que nos sugere Ludke e André (1986) em citação anterior, para esse labor tomamos como referências as concepções de Franco (2003) e Bardin (2013) sobre Análise de Conteúdo. Procedimento de pesquisa que passou a ser utilizado “para produzir inferências acerca de dados verbais e/ou simbólicos mas, obtidos a partir de perguntas e observações de interesse de determinado pesquisador” (FRANCO, 2003, p.10).

Mas por que acreditamos na importância da escolha da Análise de Conteúdo, para prosseguir com a análise de nossos dados? Por uma questão de rigor e descoberta. Os métodos da Análise de Conteúdo correspondem a dois objetivos práticos: a superação da incerteza (contestando a transparência dos fatos, a superação da subjetividade própria e da compreensão espontânea), e o enriquecimento da leitura (sob o olhar atento, a leitura de dados tende a ser mais fecunda e relevante) (BARDIN, 2013).

Ainda para Bardin (2013) a Análise de Conteúdo se organiza a partir de 3 pólos: a pré-análise, a exploração do material e o tratamento dos resultados. E foi assim que prosseguimos com a análise dos nossos dados. Durante a pré-análise,

1) Estabelecemos um contato prévio com nossos dados, conhecendo os textos e realizando o que Bardin (2013) chama de “leitura flutuante”, em que as primeiras impressões e direcionamentos são tomados nesse contato inicial, numa espécie de pré- exploração;

2) Em seguida partimos para a construção de um corpus de pesquisa, a partir da seleção de documentos para serem submetidos à análise, respeitando as regras de exaustividade, representatividade, homogeneidade e pertinência. “A palavra corpus (latim; plural

corpora) significa simplesmente corpo” (BAUER; AARTS, 2010, p.44). Ou seja, o corpo

do trabalho.

3) Com base nessa seleção, formulamos algumas hipóteses (afirmações provisórias) relacionadas aos nossos objetivos iniciais;

4) Escolhemos alguns índices e construímos indicadores prévios, selecionando unidades de significados. “O índice pode ser a menção explícita de um tema numa mensagem” (BARDIN, 2013, p. 130) Como realizamos essa etapa? Fazendo recortes do texto e testando sua eficácia e pertinência ao longo da leitura dos documentos.

5) Ao fim da pré-análise, preparamos todos os documentos para a exploração do material. Essa preparação consistiu na enumeração de tudo o que possuímos para a análise. Inicialmente: impressão de guias de entrevistas, transcrição dos áudios (entrevista coletiva e individuais), organização de pastas no computador com as gravações dessas entrevistas, questionários aplicados. Em seguida: gravações dos encontros de formação, aquisição de pasta com folhas transparentes para organização de cronogramas, folhas de frequência dos encontros de formação, protocolos de observação e textos base para os encontros, bem como a organização de cadernos capa dura, utilizados como diários de aula e diário de campo.

Chegando ao segundo pólo, o de exploração do material, nos preocupamos em realizar a codificação e a categorização dos nossos dados. Essa é a parte mais longa e criteriosa da Análise de Conteúdo, pois consiste na transformação dos dados brutos em unidades (categorias e subcategorias). Segundo Franco (2003, p. 51) a categorização “é uma operação de classificação de elementos constitutivos de um conjunto, por diferenciação seguida de um reagrupamento baseado em analogias, a partir de critérios definidos”. O critério que utilizamos foi o semântico, ou seja, agrupamentos a partir da

proximidade de significados das palavras, frases e trechos textuais, considerado a partir de temas.

Além disso, Bardin (2013) define qualidades para que as categorias sejam boas. São elas: a exclusão mútua (em que um elemento não pode existir em mais de uma categoria); homogeneidade (um único princípio de classificação deve organizar a organização do trabalho); pertinência (adaptação das categorias ao material de análise e teóricos definidos); objetividade e fidelidade (organizar os índices que pertencem a uma categoria, o material deve ser codificado todo da mesma maneira selecionada) e a produtividade (produção de dados férteis).

No terceiro e último pólo: tratamento dos resultados, tivemos o objetivo de tornar os dados “falantes” e válidos, como sugere Bardin (2013), realizando além da descrição, a interpretação, que segundo Flick (2009, p.276) “é a essência da pesquisa qualitativa”.

Sobre questão da validade Flick (2009, p.345) afirma que “pode ser resumida na questão de definir se os pesquisadores veem aquilo que acha que veêm”. Por isso, nos preocupamos em deixar claro todo o processo pelo qual construímos nossa análise de dados, verificando a pertinência que possuía com a abordagem, metodologias e instrumentos para construção dos dados, demonstrando como foi realizada a categorização dos dados, que seguiu critérios e que estava fundamentada teoricamente (Bardin, 2013).

Portanto, com a certeza de que conhecemos exatamente os caminhos e a direção de nossa pesquisa, nos restava então, eleger alguns critérios para seleção de nosso lócus. Foram eles: