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Algorithmes d'inversion

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2.1 Éléments de géométrie des convexes

2.2.3 Algorithmes d'inversion

Com o intuito de identificar a principais ações de RSE do setor supermercadista, realizou-se uma investigação documental pela internet, em 2008. Inicialmente recorreu-se ao Banco de Práticas de Responsabilidade Social no Varejo, que fora criado em 2003, pela Fundação Getulio Vargas, com o objetivo de disseminar casos e fomentar a troca de experiências. O Banco conta com mais de trezentos casos de responsabilidade social no varejo, sendo cinquenta e sete de supermercados. Optou-se por investigar os programas e o foco de atuação de todos os casos referentes aos supermercados. Outra fonte de consulta sobre as práticas de RSE no varejo foi selecionada a partir do “Ranking Abras 2007”14. Trata-se de uma publicação da Associação Brasileira de Supermercados, com o objetivo de conhecer e entender o setor supermercadista e possibilitar a cada empresa acompanhar sua evolução em relação à concorrência e planejar seu desenvolvimento.

Com relação à obtenção dos dados a partir do Ranking Abras 2007, eles foram coletados nos respectivos sites de cada empresa, havendo, porém, algumas limitações. Apesar das vinte primeiras empresas representarem 78,52% do faturamento bruto de R$ 73.308.305.052,00 do total das quinhentas empresas do ranking, havia empresas que não possuíam site; possuem site apenas promocional e de venda, sem informações institucionais e com a identificação de ações sociais isoladas, sem registro da missão e valores organizacionais.

Não foi objetivo de esta pesquisa exploratória distinguir a amostra pelo porte da empresa, por exemplo, mas levantar as ações seguindo um modelo de dimensões de construto. Este classifica a abrangência semântica das ações de RSE. Utilizou-se o modelo de Araújo (2005, p. 322-324), que sintetiza a proposta distinta em quatro dimensões de construto: qualidade de vida no trabalho; relações de mercado; bem-estar social; Meio ambiente. O Quadro 2 sintetiza os resultados da pesquisa. O detalhamento das ações está no apêndice A.

DIMENSÕES DE CONSTRUTO

FOCO DE ATUAÇÃO DO SEGMENTO

SUPERMERCADISTA PROJETOS

Bem-estar social

Qualidade de vida; doações; educação para comunidade; ação social; inclusão social; geração emprego e renda; arrecadação de fundos; esporte; cultura; inclusão digital; parcerias; voluntariado;

patrocínios.

68 projetos 53%

Relações de Mercado Atendimento ao cliente; segurança alimentar; fornecedores.

30 projetos 23%

Qualidade de vida no trabalho

Educação profissional; gestão da diversidade; gestão; saúde e segurança no trabalho; carreira profissional;

cooperativismo.

20 projetos 15,5%

Meio Ambiente Educação; geração de emprego e renda; preservação.

11 projetos 8,5%

TOTAIS 25 focos de atuações 129 projetos diferentes

Quadro 2: Pesquisa ações de responsabilidade social do segmento supermercadista

Fonte: Dados obtidos a partir do Banco de Práticas em RSE no Varejo – FGV/Easp - Centro de Excelência em Varejo (GVcev). (2008) e do Ranking Abras 2007 - Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) (2008) - Os dados foram coletados em maio de 2008.

O quadro destaca cento e vinte e nove projetos de RSE diferentes, distribuídos em vinte e cinco focos de atuações. Destaca-se a dimensão bem-estar social com o maior número de projetos, representando 53% das ações empreendidas. Este dado revela que o segmento direciona mais seus esforços de RSE para a sociedade. Contudo, a maior incidência de projetos concentra-se em doações e ações sociais. A dimensão relações como o mercado tem 23% dos projetos, sendo que o atendimento ao cliente e segurança alimentar são mais focados, em detrimento dos fornecedores. A dimensão qualidade de vida no trabalho apresenta 15,5% dos projetos, e o foco está na educação profissional. A dimensão meio

ambiente tem 8,5% dos projetos, e também há o foco na educação.

Esses resultados comparados às especificidades do setor de varejo confirmam o papel relevante que o varejo defende que é a articulação social nas comunidades, ao mesmo tempo em que confirma que essa articulação ocorre para fins assistencialistas. A educação é o segundo foco nas práticas do varejo, sendo que a maioria destina-se ao desenvolvimento profissional dos próprios funcionários e, em menor destaque, projetos de educação ambiental, tanto nas escolas quanto na conscientização do consumidor.

A ausência de uma padronização dos dados dificulta a obtenção de informações e, por conseguinte, dificulta uma análise mais realista da situação. As empresas, ao divulgarem suas ações, adotam modelos distintos, muitas vezes, criando seus próprios, ajustados à sua cultura e interesse. Os sites, que são o principal canal de informação sobre as empresas, apresentam limites quanto às informações, à operacionalidade e à estética. A configuração e a compreensão da RSE pressupõem a capacidade de rastreabilidade das práticas. A fragilidade

teórica deste campo, também resulta da incapacidade de apreender o que está sendo feito, por

quem e como. Alguns comunicam as ações de RSE de forma pouco consistente; outros agem,

mas não as comunicam; ainda, há os que comunicam sem agir.

As razões pelas quais as empresas decidem por um determinado projeto em detrimento de outro variam em relação à demanda, à capacidade, ao interesse, à cultura da organização, entre outros. O segmento de mercado em que a empresa atua também resulta em um fator para tomada de decisão. Porém, no segmento supermercadista percebe-se um forte potencial na mobilização de diferentes atores, contudo, prepondera a atuação na perspectiva de assistência por meio de doações a comunidades carentes. O desafio está em minimizar ênfases em ações assistencialistas e adotar um papel essencial de informação, conhecimento e diálogo. Se de um lado as ações assistenciais revelam a capacidade do setor em articular diferentes atores, por exemplo, mobiliza os consumidores, funcionários e fornecedores que ajudarão uma ONG; por outro, pode revelar uma indisposição em privilegiar ações que demandem recursos próprios.

As razões que elevam o poder do varejo, assim como as consequências desse poder são, em grande parte, abordados na RSE. Um exemplo bastante difundido é a situação dos colaboradores, cujos salários são comparativamente inferiores aos pagos pelas indústrias. Contudo, a RSE, aplicada ao varejo, expõe a grande fragilidade da teoria: lida com múltiplos temas e, no seu desenvolvimento, mobiliza muitos parceiros em seu entorno, mas sem modificar a essência da sua operação. Ou seja, consegue evoluir no discurso e nas práticas de RSE sem alterar em nada os temas pelos quais o varejo sofre ampla crítica. O varejo blinda os próprios tabus, criando um movimento enorme em torno de "sinergias com parceiros", parecendo chamar a atenção para os problemas causados por outros, dos quais se envolve, voluntariamente, em busca de soluções. A fragilidade exposta da RSE consiste: em que medida ela consegue alterar realidades externas se não consegue alterar a realidade da própria empresa ou do setor? Em que medida é lícito que a empresa se envolva em ampla variedade de temas, desviando a atenção dos problemas dos quais ela própria é alvo de críticas?

A aproximação da indústria com o consumidor, como reação ao poder do varejo, poderá contribuir para redefinir o discurso de RSE desse setor, que está sustentado na sua capacidade de ligar os interesses dos seus fornecedores aos dos seus clientes. Contudo, por ser uma prática recente, há que se observar as tendências.

3 METODOLOGIA DA PESQUISA

O propósito deste capítulo consiste em justificar e fundamentar a escolha da abordagem interdisciplinar para análise do tema, assim como descrever o caminho metodológico percorrido para cumprir os objetivos da pesquisa, ressaltado as dificuldades encontradas.

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