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5.3 Experimental Validations

5.3.2 Experimental Results

Recife e Olinda foram as cidades pioneiras no processo de ocupação da região, que apresentava em seu início a economia canavieira como sua principal característica. A expansão dos engenhos de açúcar seguiu a tendência dos eixos ferroviários, tendo em vista o escoamento da produção que necessitava estar em conexão direta com a cidade de Recife, mais precisamente com o Porto de Recife, responsável pela intensa exportação açucareira do estado.

Devido a grande significância do período da economia canavieira, o processo de produção do espaço metropolitano foi fortemente marcado por uma segregação espacial marcada pela concentração das classes mais favorecidas nas áreas planas, cabendo às classes menos favorecidas ocupar as áreas íngremes e alagadas, bem características da RMR. A invasão holandesa (1630-1654) foi responsável pela realização de importantes transformações urbanas na cidade do Recife com reflexo até os dias atuais. É interessante destacar que durante a chegada dos holandeses, Olinda era muito mais rica e próspera que Recife, no entanto, a escolha pelo Recife estava relacionada a sua localização estratégica e potencial econômico, ainda pouco explorada pelos portugueses. Como destacado de forma detalhada

pela FIDEM (1987), a cidade de Recife se renovou durante o governo de Maurício de Nassau, que tinha como um dos objetivos a transformação urbana.

O Conde de Nassau voltou-se inteiramente para a Ilha de Antônio Vaz, onde procurou construir uma grande cidade que teria o seu nome. No extremo Norte da ilha construiu o Palácio de Friburgo e, no Oeste, o Palácio da Boa Vista, suas residências. A Cidade Maurícia tinha um traçado no modelo norte-europeu, com o escoamento e canalização das camboas, sendo o material retirado do fundo do mangue utilizado no aterro da área a ser ocupada pelas construções. Pontes e diques foram construídos, com delimitação da área da cidade que era defendida por fosso e estacada. Esta área era muito restrita, de vez que, margeando o rio, após a confluência do Beberibe com o Capibaribe, se estendia ao Norte do atual bairro de Santo Antônio. Fora dos muros, no bairro de São José e defendido ao Sul pelo forte das Cinco Pontas. Nassau fez construir pequenas casas a serem habitadas por pessoas de menores posses e consideração. Chamava-se esse trecho a Nova Maurícia. Ainda dotou a sua cidade de um jardim botânico e de um jardim zoológico, organizando serviços de limpeza pública e de conservação das ruas, ladrilhando as mesmas e, para evitar a destruição do calçamento, proibiu a passagem dos carros de bois pelas mesmas. (FIDEM, 1987. p. 15)

Recife foi adquirindo maior importância durante o domínio holandês, tornando-se de fato e de direito a capital de Pernambuco. Olinda foi aos poucos sendo preterida em relação ao crescimento econômico e populacional evidenciado na cidade vizinha. Devido à importância e interesse em estudos sobre a cidade, durante o período holandês, provavelmente Recife era a cidade com mais detalhamento sobre sua forma topográfica e os variados aspectos da paisagem urbana.

Na primeira metade do século XIX, Recife tirou grande proveito da elevação dos preços do açúcar, algodão e do couro, adquirida através da abertura dos Portos às Nações Amigas. Os comerciantes recifenses ampliaram suas relações econômicas, até então polarizadas pela Corte Portuguesa, e começaram a comercializar seus produtos com outros países europeus, inclusive elevando o preço dos mesmos, potencializando os lucros. Devido a tais avanços econômicos, a população recifense chegou a triplicar em menos de cinquenta anos, no período que vai de 1837 a 1872, segundo dados do Primeiro Recenseamento da População Geral do Império. Nesse importante período de incremento populacional e intensificação de fluxos para a cidade, destaca-se a evolução do sistema de transportes urbanos, em reflexo à necessidade de um sistema regular e coletivo. Surgem assim as diligências, linhas de trem e de bondes de burro, criando eixos de penetração e conexão urbana em diversas direções. Tal evolução nos transportes urbanos também beneficiou a ligação com o interior num período em que muitos engenhos já encerravam suas atividades industriais, sendo substituídos por áreas de construção de habitações, como também em áreas de cultura de verduras, fruteiras e hortaliças em geral. (FIDEM, 1987)

A cidade do Recife ampliou sua função regional (centro de comercialização de produtos agrícolas) e passou por intenso crescimento após a Abolição da Escravatura em 1888, evidenciando-se à instalação de grande parte da população nas proximidades dos manguezais em habitações chamadas de mocambos. Essa população que carregava como uma de suas principais características a forte relação com o mangue, era chamada pelo geógrafo Josué de Castro como ciclo do caranguejo, devido à associação homem-rio-caranguejo. (CASTRO, 1967) A nova função regional da cidade, possibilitada pelo acesso ao interior, permitido pelas estradas carroçáveis e ferrovias, contribuiu para o crescimento da função comercial-portuária da cidade.

À medida que a população municipal ia crescendo, a cidade do Recife constituía-se como polo comercial, administrativo e educacional, ganhando destaque na região que se formava, caracterizada por uma urbanização integrada entre os municípios vizinhos, com destaque para Jaboatão dos Guararapes, Olinda e Paulista. O crescimento urbano levou à busca pela modernização da cidade, que já apresentava grandes disparidades socioeconômicas em relação às cidades integradas mais próximas.

O primeiro reconhecimento da cidade de Recife como transmunicipal, conurbada e metropolitana data de meados do século XX, através do urbanista pernambucano Antônio Baltar (1951). Desde então, se reconhece a vocação urbana do Recife, própria a integração aos municípios vizinhos. No entanto, Baltar também denunciava a falta de um plano para o Recife com foco no fenômeno de espontânea expansão. O estudo de Baltar foi um marco no planejamento urbano da região metropolitana do Recife, sendo uma grande influência na tomada de decisões e definição de planejamento.

Em sua tese “Diretrizes de um Plano Regional para o Recife” (1951), apresentada ao Curso de Arquitetura na então Escola de Belas Artes, Baltar identificou problemas e sugeriu interessantes propostas de intervenção sob uma ótica metropolitana, destacam-se as seguintes: sintomas de crescimento desproporcional causando uma ineficiência nos serviços públicos básicos; área do município insuficiente para conter a evolução demográfica, sendo necessária uma descentralização, prioritariamente ao território dos municípios vizinhos de Olinda, Paulista, São Lourenço da Mata e Jaboatão dos Guararapes; necessidade de deslocamento das atividades industriais para a periferia da área metropolitana, reservando ao centro as atividades de administração pública, instituições financeiras, comércio, armazenamento, carga e descarga de mercadorias; planejamento de unidades residenciais em torno da cidade do Recife visando a retirada das indústrias para a periferia metropolitana; abolição da indústria açucareira na área metropolitana para haver um equilíbrio econômico regional; conservação

da arquitetura de valor cultural mas com finalidades não residenciais. (FIDEM, 1987). O olhar apurado de Baltar contribuiu bastante no desenvolvimento de ações ligadas ao planejamento urbano-metropolitano do Recife.

O século XX marca a consolidação, expansão e crescimento da cidade do Recife. A população cresceu de forma acelerada, atingindo um milhão de habitantes em 1970. Tal contingente populacional contribuiu para o crescimento da população municipal dos municípios vizinhos que por manter relações diárias e ativas com a capital, ganharam o nome de centros industriais periféricos. O crescimento da cidade tornou-a também em um centro industrial, de saúde e de educação, com escolas superiores e de ensino médio. Para acompanhar o crescimento, surgiram diversos investimentos no intuito de modernizar a cidade que acabaram acentuando também os desníveis sociais existentes.

4.2. PROCESSO DE INSTITUCIONALIZAÇÃO DA REGIÃO METROPOLITANA