1. Mestre e Doutora em Ciências da Comunicação pela ECA-USP, Professora do curso de Graduação em Marketing e do curso de Pós-Graduação Interunidades em Estética e História da Arte, am- bos da Universidade de São Paulo. Professora convidada para o quadro permanente do Programa de Pós-Graduação Comunica- ção, Cultura e Amazônia da Universidade Federal do Pará. 2. Mestre em Ciências da Comunicação pelo Programa de Pós-Gra-
duação Comunicação, Cultura e Amazônia da UFPA e pesqui- sadora da Universidade Aberta do Brasil. Atua no Laboratório de Pesquisa e Experimentação em Multimídia da Assessoria de Educação a Distância da UFPA e integra o Grupo de Pesquisa em Audiovisual e Cultura (GPAC), certificado pelo CNPq.
3. Mestre em Ciências da Comunicação pelo Programa de Pós-Gra- duação Comunicação, Cultura e Amazônia da UFPA e pesqui- sadora da Universidade Aberta do Brasil. Atua no Laboratório de Pesquisa e Experimentação em Multimídia da Assessoria de Educação a Distância da UFPA e integra os Grupos de Pesquisa em Audiovisual e Cultura (GPAC) e em Comunicação, Ciência e Meio Ambiente (Preserv-ação), ambos certificados pelo CNPq. 4. Graduanda do curso de Comunicação Social – Habilitação em Pu-
blicidade e Propaganda da UFPA e bolsista de Iniciação Científica do CNPq. pelo projeto Ciência e Comunicação na Amazônia (CIECz). Atua no Laboratório de Pesquisa e Experimentação em Multimídia da Assessoria de Educação a Distância da UFPA e integra o Grupo de Pesquisa em Audiovisual e Cultura (GPAC), certificado pelo CNPq.
6º
“Não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar. Não sou eu quem me navega, Quem me navega é o mar. É ele quem me carrega, como nem fosse levar. É ele quem me carrega, como nem fosse levar”5
Nós sabíamos que escrever a fortuna crítica de Maria Ataide Malcher seria um grande desafio. Para nós que a encontramos em diferentes momentos de sua trajetória, é complexo expressar de forma sucinta sua contribuição para a área da Comunicação, principalmente porque talvez muito de sua obra esteja registrada apenas na memória dos amigos e orientandos que aprendem mais de perto com ela em cada conversa, olhar e até no seu silêncio. Assim, neste capítulo, foca- remos suas principais publicações, destacando a abrangência de inter-relações de temas e pesquisadores com os quais a professora tem dialogado durante sua trajetória acadêmica.
Começamos pela sua inserção na Academia. A professora Maria Ataide graduou-se em 1991, em Ciência da Informação, na Universidade Federal Flu- minense (UFF), onde ingressara em 1988. Ao término desse curso fez espe- cialização em Sistemas de Informação em Saúde, na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A habilidade adquirida na sistematização de dados é uma das parti- cularidades que a distingue, capacitando-a a trabalhar informações com muita agilidade e competência, em distintos temas e áreas.
Sempre atenta às oportunidades que a vida de pesquisadora proporciona, em 1996, aceitou o convite para integrar o grupo de pesquisadores que compunham o Núcleo de Pesquisa em Telenovela (NPTN), da Escola de Comunicações e Ar- tes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP). Por uma década, Maria Ataide dedicou-se a colaborar com as pesquisas que estavam sendo desenvolvidas pelos pesquisadores, atendendo, prioritariamente, aos professores da ECA-USP e de outras instituições nacionais e internacionais que buscavam informações para os seus estudos. Com seu apoio, muitos projetos de estudos foram desenvolvidos, e pesquisadores produziram artigos, dissertações, teses, publicações e relatórios, qualificando a telenovela, além de outros produtos ficcionais televisivos, como objeto de estudos acadêmicos.
Nesse ambiente de muito trabalho e também de muitas oportunidades, Ma- ria Ataide iniciou seus estudos de Mestrado em 1998, no Programa de Pós-
5. Timoneiro, música de Hermínio Bello de Carvalho e Paulinho da Viola, gravada em
-Graduação em Ciências da Comunicação da ECA-USP. Sua pesquisa inseriu-se na linha de estudos sobre telenovela, sob a orientação da professora Anamaria Fadul. A dissertação intitulada “A Legitimação da Telenovela e o Gerenciamen- to de Sua Memória” foi defendida em 2001 e resultou em obra publicada que comentaremos adiante. O trabalho foi premiado pela INTERCOM em seu XXIV Congresso Nacional em 2002, realizado em Salvador (BA), como a me- lhor dissertação do ano anterior.
Em 2002, Maria Ataide ingressou no Doutorado, na linha de pesquisa em ficção televisiva na ECA-USP, sob a orientação da Profa. Dra. Maria Lourdes Motter, também especialista no tema. No ano anterior, 2001, o acervo do NPTN foi consumido durante um incêndio que lavrou no andar superior do prédio central da ECA-USP e atingiu duramente o local onde estavam orga- nizados e catalogados todos os documentos e arquivos do Núcleo – materiais impressos, digitais, de áudio e vídeo, também os equipamentos. Assim, até o final de seu Doutorado, Maria Ataide dividiu sua atenção entre a recuperação do acervo e a reintegração do NPTN, que tem grande parte de sua história e acervo registrados na tese da pesquisadora, intitulada “O Protagonismo da Dra- maturgia na TV Brasileira”. A tese, defendida em 2005, também resultou em livro, publicado pela INTERCOM, e em outros trabalhos produzidos sobre o tema que serão referenciados neste texto.
Após uma década de dedicação à ECA-USP e, especialmente, ao NPTN, Maria Ataide lançou-se a um novo desafio, ingressando, em 2006, na Universi- dade Federal do Pará (UFPA), como docente do quadro permanente do então Departamento de Comunicação Social, atual Faculdade de Comunicação, no Instituto de Letras e Comunicação. Rapidamente adaptou-se ao clima tropical e à chuvarada vespertina de Belém do Pará. Apaixonada pelo rio e pelo verde da paisagem do norte, fez desse ambiente seu lócus para construção e comparti- lhamento de sonhos, liderando em pouco tempo grupos e projetos de pesquisa dentro e fora da região Norte, em sua maioria apoiados pelas principais agências de fomento do país.
Em outubro de 2007, assumiu a coordenação do Projeto Academia Ama- zônia, vinculando-o regimentalmente à Faculdade de Comunicação, em 2008, com o objetivo de constituí-lo um ambiente de ensino, pesquisa e extensão para o trabalho de formação de base dos discentes da graduação e da pós-graduação no que concerne à produção audiovisual voltada à divulgação científica, por meio de parcerias com diferentes unidades de pesquisa dentro e fora da UFPA.
Em 2010, Maria Ataide também assumiu a concepção e coordenação do La- boratório de Pesquisa e Experimentação em Multimídia, vinculado à Assessoria de Educação a Distância da UFPA. Nesse espaço, também tem se dedicado à
pesquisa e experimentação de conteúdos e linguagens comunicacionais diversos com finalidades educacionais e científicas, sempre envolvendo alunos de gradu- ação e pós-graduação em práticas reflexivas e reflexões práticas.
Interagindo com as particularidades dos processos comunicacionais nes- sa região propôs, em conjunto com outros professores da UFPA, a criação do Programa de Pós-Graduação Comunicação, Cultura e Amazônia (PPGCOM), aprovado pela CAPES em 2010 e coordenado pela Professora Maria Ataide desde então. Com duas turmas já formadas, o Programa tem se distinguido pe- las produções que têm sido publicadas, e por iniciativas que envolvem o corpo discente na efetiva consolidação do programa, potencializando os esforços de produção de conhecimento no Norte do país.
Desde sua chegada à região, Maria Ataide também exerce a função de Coor- denadora Regional da INTERCOM Norte, que hoje é reconhecida na estrutura organizacional da instituição uma Diretoria Regional. À frente dessa função, que tem exercido com vigor, Maria Ataide vem orientando seus esforços para reverter a posição de isolamento do Norte em relação às demais regiões brasilei- ras na área da Comunicação. Desde a primeira edição de um congresso regional da INTERCOM no Norte, em 2007, a professora Maria Ataide persiste em um incansável trabalho de articulação de pesquisadores e estudantes da região como um todo, de modo que esses eventos favoreçam transformações na realidade das pesquisas comunicacionais nos estados do Norte.
Envolvendo pesquisadores e, sobretudo, estudantes de graduação e pós-gra- duação na produção científica e experimental, a gestão Maria Ataide promo- veu, nos últimos anos, um significativo aumento da participação acadêmica do Norte nos eventos nacionais. Tais investimentos favoreceram uma visibilidade até então não experimentada pela região, possibilitando seu reconhecimento no universo acadêmico. Em 2012, o Grupo Comunicacional de Belém, integrado e liderado pela professora Maria Ataide, foi indicado ao Prêmio Luiz Beltrão, na categoria Grupo Inovador, no XXXV Congresso Nacional de Ciências da Comunicação, em Fortaleza (CE), constituindo-se o primeiro grupo do Norte do Brasil a conquistar tal premiação.
Recentemente, em 2013, Maria Ataide assumiu a coordenação do Grupo de Pesquisa Mídia, Culturas e Tecnologias Digitais na América Latina da IN- TERCOM, após aproximação com os estudos latino-americanos na área da Co- municação a partir de participação no GP, liderado desde 2008 pela professora Maria Cristina Gobbi.
Para apresentar as publicações que marcam a trajetória de Maria Ataide di- vidimos sua obra em três grandes temas: ficção televisiva, pesquisa e produção audiovisual e comunicação da ciência. Dentro dessas linhas de pesquisa, pro-
curamos ressaltar, no conjunto da obra, as contribuições mais expressivas com impacto na área acadêmica e nos grupos de professores e orientandos, que são pesquisadores e, sobretudo, parceiros, como ela os define.