O pensamento pedagógico positivista tem a base em estudos de Spencer, mas perpassa a diversos outros autores, especialmente Durkheim e Comte. Comte, Auguste Comte nasceu em Montpellier, França (1798 – 1857). Estudou na Escola Politécnica de Paris, sofrendo influência do físico Sadi Carnot, do astrônomo Pierre Simon de Laplace e especificamente da mecânica analítica de Lagrange (COMTE, 1978).
Após isso, conforme Marcuse (1978), sofreu influência dos ideólogos Destutt de Tracy, Cabanis e Volney. Também leu os teóricos da economia política, como Adam Smith e Jean-Baptiste Say, filósofos e historiadores como David Hume e Robertson. Porém, o fator mais decisivo em sua formação foi o estudo do Esboço de um quadro Histórico dos Progressos do Espírito Humano, de Condorcet, cuja obra traça um quadro do desenvolvimento da humanidade, ideia que se tornou um dos pontos fundamentais de sua filosofia.
Conforme Gadotti (1999), em 1844 Comte publicou o Discurso sobre o Espírito Positivo e, ao mesmo tempo perdeu o emprego na Politécnica, passando a ser por amigos e admiradores, como Joan Stuart Mill e Littré. Depois, tornou-se secretário de Saint-Simon, recebendo grande influência. A filosofia de Comte tem seu núcleo na ideia de que a sociedade só pode ser convenientemente reorganizada após reforma intelectual das pessoas, possibilitando novos hábitos de pensar. Assim, o sistema de Comte foi estruturado em torno de três temas principais: filosofia da história visando a mostra das razões pelas quais determinada forma de pensar, chamada de filosofia ou pensamento positivo, deve sobressair às pessoas; fundamentação e classificação das ciências baseadas nesta filosofia; e, uma sociologia que determinasse a estrutura e os processos modificados e mantivesse as reformas.
Conforme Benoit (1999), a filosofia da história estava demonstrada em três estados, onde todas as ciências e a pessoa se desenvolvem em três fases distintas: teleológica, metafísica e positiva. Na teleológica, as observações dos fenômenos são reduzidas a poucos
casos, com a imaginação prevalecendo, onde, pela heterogeneidade da natureza, a pessoa só a explica utilizando seres humanos ou sobrenaturais. No estado metafísico há pontos de contato com o teleológico, onde os dois buscam soluções abstratas para problemas da pessoa, tentam explicar a natureza das coisas, origem e destino, porém, a metafísica se caracteriza na dissolução do teológico.
Na questão política, a metafísica tenderia a substituir reis por juristas. A terceira fase, positiva, caracteriza-se pela subordinação da imaginação e amamentação pela observação, onde as proposições são enunciadas de forma positiva devem corresponder a um fato particular ou universal, deixando de lado a consideração de causa, buscando suas leis. Considera que a união entre teoria e prática é muito mais próxima no estado positivo, pois o conhecimento das relações dos fenômenos possibilita determinar o futuro.
Conforme Benoit (1999), Comte considerava que a evolução das diversas ciências obedece aos três estágios, mas não acontece simultaneamente em todos os domínios. Também, não aceitava a separação entre ética e política na relação com a sociedade, considerando que as ciências sociais precisam ser tratadas em conjunto, distinguindo a estática e dinâmica social. A estática trabalha com as condições constantes da sociedade, a ordem, e a dinâmica estuda as leis de seu desenvolvimento e progresso, sempre subordinados à estática, origem da ordem.
Comte considerava possível planejar a sociedade e as pessoas quanto aos seus desenvolvimentos, embasados em critérios advindos das ciências exatas e biológicas. Para tanto, desde criança a pessoa deveria aprender a obedecer a hierarquia e ter disciplina, pois a evolução da pessoa seguiria uma trajetória próxima à evolução da sociedade. Para tanto, na escola, inspirada no positivismo, sobressairiam os estudos científicos, com a educação assumindo a responsabilidade de promover nas pessoas o altruísmo, pois o principal objetivo da vida é a dedicação às pessoas, devendo preparar as pessoas para viverem em comunidade.
Spencer, Herbert Spencer nasceu na Inglaterra (1820 – 1903). Graduado em Matemática, Ciências e engenharia, mas tinha predileção pelas Ciências Sociais e a elas se dedicou. Conforme Durant (1995), foi o maior representante do Positivismo, corrente filosófica fundada por August Comte, com grande repercussão na Pedagogia. Spencer acentuou o valor utilitário da educação, mostrando que os conhecimentos mais importantes são os que servem para a conservação e a melhora da pessoa, família e sociedade. A educação, para ele,
consistia em preparar a pessoa para a vida, devendo prover, do modo mais completo possível, os conhecimentos que melhor servissem para desenvolver a vida intelectual e social em todos os aspectos.
Os conhecimentos que menos contribuíssem para esse fim poderiam ser tradados superficialmente. Spencer foi um dos maiores representantes da pedagogia individualista. Para ele, a filosofia representava o conhecimento totalmente unificado de toda a realidade. No Brasil, conforme Ferrari (2008), o positivismo manifestou-se a partir de 1850, com Manuel Joaquim Pereira de Sá, seguido de Joaquim Pedro Manso Sayão e Manuel Pinto Peixoto. Houve algumas intervenções do positivismo nesta época, sobressaindo a participação no movimento republicano e na constituição de 1891, além da ostentação do lema Ordem e Progresso na bandeira brasileira.
Émile Durkheim, nasceu na França (1858 – 1917). Sua família era judia, porém declarou-se agnóstico. É mais conhecido como sociólogo, mas foi pedagogo e filósofo, sendo sucessor da filosofia de Comte. Após se formar, lecionou pedagogia e ciências sociais. Pai do realismo sociológico, explica o social pelo social, como realidade autônoma. Abordou a educação como um fato social, pois para ele, a principal função do professor é a formação de cidadãos que possam contribuir para a harmonia da sociedade e a eficiência do ensino é a base para melhorar a sociedade. Tratou em especial dos problemas morais: o papel que desempenham, como se formam e se desenvolvem. Concluiu que a moral começa ao mesmo tempo que a vinculação com o grupo.
Para Durkheim (1978), a sociologia determinaria os fins da educação. Ele via a educação como um esforço contínuo para preparar as crianças para a vida em comum. Por isso, era necessário impor a elas maneiras adequadas de ver, sentir e agir, às quais elas não chegariam espontaneamente. Considera que há no aluno dois seres distintos e inseparáveis, um deles é individual, que é a parte da pessoa formada pelos estados mentais individuais da pessoa. Desenvolver esta metade da pessoa tornou-se a função principal da educação até o século XIX, onde os professores buscavam estabelecer nos alunos valores e moral, tendo por base especialmente estudos da psicologia considerada a ciência da pessoa.
O segundo ser e a respectiva caracterização deu projeção a Durkheim, com a ampliação do foco do que era conhecido, apreciando e instigando o que chamava de o outro lado dos alunos, aquilo que era formado por um sistema de ideias que revelam interiormente na pessoa a sociedade da qual são partes. Para ele, a sociedade teria mais benefícios por intermédio do processo educativo, pois a educação deve propiciar a
socialização das pessoas mais jovens pelas pessoas adultas e, quanto melhor este processo, maior é o desenvolvimento da comunidade da qual a escola é parte.
O objetivo da educação seria apenas suscitar e desenvolver na criança certos números de estados físicos, intelectuais e morais exigidos pela sociedade política no conjunto e pelo meio espacial a que ela particularmente se destina. Esta visão de Durkheim, oposta ao idealismo, é chamada de funcionalista, e considera que a sociedade forma as consciências individuais. “A construção do ser social, feita em boa parte pela educação, é a assimilação pelo indivíduo de uma série de normas e princípios que baliza a conduta do indivíduo num grupo. O homem, mais do que formador da sociedade, é um produto dela” (Durkheim, 1978, p.21)
Mais que caracterizar a educação como bem social, conforme Guimarães e Gomyde (2008), esta teoria relacionou às normas sociais e cultura, reduzindo o valor das capacidades individuais na constituição do desenvolvimento coletivo. A Pedagogia e a Educação não representavam mais do que um anexo ou um apêndice da sociedade e da sociologia; portanto, deveriam existir sem autonomia. Métodos pedagógicos não foram desenvolvidos por Durkheim, entretanto as ideias desenvolvidas por ele tornaram possível uma compreensão e deu significado social ao trabalho dos professores, extraindo da educação escolar uma perspectiva individualista e limitada pelo psicologismo idealista, concebidas a partir de Kant e Hegel. Considerava que a ação da educação tem o papel de formar o cidadão, indo além do desenvolvimento pessoal, englobando a questão social, também. A transmissão de conhecimentos pelos professores deve ser com muito cuidado de forma a não tirar a autonomia de pensamento dos alunos.
Conforme Guimarães e Gomyde (2008), Durkheim considerava que a pessoa age de acordo com o que aprende a conhecer, o contexto no qual está as suas origens e as condições do contexto, do qual é dependente. Isso tudo a pessoa só poderá saber caso vá à escola, observando a matéria que está representada. Para Durkheim a ação educativa deve ser normativa, onde o aluno esteja preparado para assimilar os conhecimentos e o professor precisa estar bem preparado para dominar o contexto. Para ele, a pessoa ao nascer, traz junto de si somente sua natureza de pessoa e “A sociedade encontra-se, a cada nova geração, na presença de uma tábua rasa sobre a qual é necessário construir novamente”.
Whitehead, Alfred North Whitehead, nasceu na Inglaterra (1861 – 1947), graduou-se em filosofia, matemática e educação. Conforme Whitehead (1993), foi professor em Cambridge e Harvard. Colaborou com Bertrand Russell no livro Principia Mathematica. Para ele era mais importante parecer interessante do que efetivamente ser correto. Pensava que a educação só tornava as pessoas maçantes e desinteressantes, quando não fossem atingidos seus objetivos. Concebia que a imaginação era o motor da educação e do espírito científico. Tinha grande interesse pelo progresso da ciência, considerando que ela seria auxiliar no progresso da educação. Para ele a pessoa não poderia terminar o segundo grau ou universidade sem dominar o método científico e conhecer a história da ciência. Suas ideias pedagógicas, mesmo que com pouca influência na teoria da educação, o torna um dos maiores pensadores neopositivistas contemporâneos.