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3 E TAT D ' AVANCEMENT DES ACTIONS A LA FIN DE LA MISSION EN DECEMBRE 2015

3.1 Axe 1 – Hôpital et PHEV

3.1.2 Agir sur la prescription

É sabido que uma representação social por ser produzida na coletividade, nas interações sociais, “ela é facilmente marcada pelos valores correspondentes ao sistema sócio-ideológico e à história do grupo que a veicula, para o qual ela constitui um elemento essencial de sua visão de mundo”. (ABRIC, 2003, p. 59).

Porém não são todos os constituintes da representação social que apresentam o mesmo valor. Uns são considerados essenciais, outros importantes e, ainda, por último temos os secundários. Neste sentido passa a ser significativo o fato de “conhecer, compreender e agir sobre uma representação, apreender a sua organização, isto é, a hierarquia dos elementos que a constitui e as relações que esses elementos mantêm entre si”. (ABRIC, 2003, p. 59). Esta informação compõe o alicerce da abordagem estrutural, que é a teoria do núcleo central.

Sabemos, pois, que o núcleo central é composto por elementos mais permanentes e coesos e que os elementos periféricos mantêm ligação estreita com este núcleo.

Os elementos periféricos, por sua vez, encontram-se em relação direta com o núcleo central, tendo um papel importante no funcionamento da representação frente às práticas sociais ligadas ao objeto. Estes elementos são menos estáveis e mais e mais

permeáveis ao contexto imediato e, por isso mesmo, são eles que vão permitir as variações ou modulações individuais. (ALMEIDA, 2001, p. 7).

A ideia essencial desta teoria é que toda representação é organizada em torno de um núcleo, entendido como o elemento fundante, porque determina sua significação e organização interna. (ALMEIDA, 2001, p. 7).

Neste sentido uma representação social é, pois, um sistema sócio-cognitivo com organização peculiar em torno de e por um núcleo central. Ou seja, os elementos do núcleo central por si só não indicam a representação social de um dado objeto. É a organização deste conteúdo que dá o sentido à representação. (ABRIC, 2003).

Porém é importante destacar que determinados elementos do núcleo central “não são produzidos porque eles marcariam um afastamento do sujeito com relação às normas de seu grupo de pertença”. (ABRIC, 2003, p. 80).

Nesta direção percebemos a diversidade sexual enquanto tema cercado de dificuldades apontadas pelos grupos sociais, de modo generalizado, e especificamente no grupo da nossa pesquisa. E como tal se faz necessário romper com barreiras impostas socialmente para que as representações sociais venham a transparecer. De acordo com Abric (2003, p. 75):

certos elementos da representação social escapam à análise, eles estariam mascarados ou escondidos. No limite, esta lacuna na informação seria sem grandes consequências se ela fosse concernente apenas aos elementos periféricos. Alguns trabalhos atualmente realizados sobre esta questão mostram que certos elementos do núcleo central estão na zona muda e que a significação da representação, tal como poderíamos imaginá-la através do discurso retido é totalmente falsa: os elementos essenciais não são levados em conta.

É importante, pois, lembrar que as questões relacionadas com a diversidade sexual estão encobertas por mitos, tabus e preconceitos. Fatores que, certamente, mascaram ou ocultam os reais elementos do núcleo central. Visto que se supõe só haver um tipo de desejo afetivo entre as pessoas, o advindo das pessoas heterossexuais, mas compreende-se também que, assumir este entendimento vai de encontro ao que a sociedade já aponta como direito de cidadania.

Portanto, afirmar que não aceita a diversidade sexual enquanto natural e também, que a população LGBT não pode ter os mesmos direitos que a população heterossexual, vai denotar a discriminação e a falta de respeito para com este segmento. Fator que não se considera “politicamente correto”. Sabendo-se desta informação, passa a ser mais conveniente relacionar a diversidade sexual com questões de direito e respeito, colocando um véu sobre a realidade do que se pensa acerca desta temática.

A diversidade sexual é, todavia, um objeto carregado de valores sociais e morais reconhecidos e compartilhados pelo grupo de professores e professoras da rede de ensino do Recife “[...] cujo campo representacional comporta cognições e crenças que, se forem expressas poderiam por em questão valores morais ou normas sociais valorizadas pelo grupo”. (ABRIC, 2003, p. 78).

A zona muda pode, pois, surgir a partir de elementos não externados pelas pessoas envolvidas na pesquisa:

Menin (2006), afirma que são elementos “contra-normativos” da representação as crenças que não são expressas pelo sujeito em condições normais de produção, pois assim elas entrariam em conflito com valores morais ou normas de um determinado grupo. Essas considerações concorrem para a construção da hipótese da “zona muda”. (MACHADO, 2010, p. 193).

Temos como primícia da educação brasileira o respeito a todas as pessoas baseado na igualdade de direitos, tanto na acessibilidade, quanto nas condições de aprendizagem. Neste sentido, apontar que uma pessoa transexual não pode ter seu nome social colocado no diário de classe (para assim escolher ser chamada), ou que meninos gays não podem demonstrar sua orientação sexual (ser afeminados), ou mesmo que meninas lésbicas mostrem afeto entre si, seria ir de encontro a direitos adquiridos e certamente iria gerar conflitos.

Se as normas postas na escola partem do princípio, explícito, de que todas as pessoas têm direitos iguais, como transparecer que o segmento LGBT não poderá usufruir destes direitos? Desta forma é mais apropriado para o grupo de pessoas envolvido na pesquisa externar que aceita e respeita a diversidade sexual, que assumir seus preconceitos e desta forma demonstrar a rejeição para com as pessoas que não são heterossexuais.

constitue, de algum modo, a parte NÃO LEGÍTIMA da representação. É preciso, pois, apreender os elementos que estão escondidos. Torna-se indispensável a construção de instrumentos que permitam aceder a esta zona muda, jamais verbalizada em uma situação normal de coleta. Já que a zona muda é constituída de elementos contra-normativos, será preciso reduzir a pressão normativa para facilitar sua verbalização (grifo do autor).

Um dos caminhos para se perceber a zona muda das representações sociais consiste no uso de técnicas projetivas, pois nas representações de objetos com forte pressão normativa faz-se necessário buscar as condições favoráveis para esta eclosão, visto que a zona muda é sempre apta de ser verbalizada. Porém é preciso que, em algumas vezes se distancie das pressões normativas de modo a se identifica-la.

O ambiente e, por conseguinte, as regras estabelecidas para convivência exercem um apelo a comportamentos considerados aceitáveis mediante a coletividade e assim passam a serem comuns determinadas atitudes e pensamentos que fazem as pessoas terem o sentimento de pertença àquele espaço social.

Sendo assim é fundamental se afastar, supostamente, deste ambiente, de modo a ficar mais a vontade para analisa-lo, e expor suas convicções acerca de objetos polêmicos (como é o caso de diversidade sexual), diminuindo desta forma a pressão. Mas ao se projetar, se reconhecer enquanto parte daquele ambiente.

Tudo se passa como se o contexto de substituição permitisse aos sujeitos exprimir as respostas que, provavelmente, eles julgariam como mal aceitas socialmente ou ainda como suscetíveis de questionar valores morais ou normas sociais valorizadas pelo seu grupo de pertença , ou mesmo de modo mais geral, pela sociedade[...]. (DESCHAMPS; GUIMELLI, 2001, apud ABRIC, 2003, p. 28).

Neste sentido é que se pretende contribuir para inclusão, no âmbito escolar, a partir da identificação das representações sociais de diversidade sexual por professores e professoras da rede municipal de ensino do Recife, de modo a refletir acerca dessas representações e se fortalecer os preceitos de igualdades de direitos entre as pessoas.

Em busca deste feito torna-se fundamental perceber as interações das pessoas envolvidas na pesquisa no que diz respeito à diversidade sexual, valorizando assim o intercâmbio das ideias que permeiam este conhecimento. Desta forma o caminho a se percorrer tem papel importante para apreensão do objeto de pesquisa, como veremos no capítulo 4.