7 Enoncé de la composition de chimie 2009 Silicium : de l’âge de pierre aux nanotechnologies
B.2- Affinage du silicium par un cycle fusion-solidification
hipóteses, muito difícil.
3.7 O processo funcional imaginação
A inclusão da imaginação dentre os processos funcionais aos quais se vinculam a construção da imagem subjetiva da realidade demanda, de partida, uma observação, à qual se vincula a própria definição desse processo. A rigor, na abrangência do termo, imaginação designa qualquer processo que se desenvolve por meio de imagens. Portanto, de certo modo, todos os processos funcionais são, em alguma medida, processos imaginativos. Não obstante, como processo funcional específico, a imaginação possui suas singularidades e um curso de desenvolvimento fundamentalmente alinhado ao desenvolvimento da linguagem, do pensamento e dos sentimentos, questões sobre as quais discorremos na sequência.
3.7.1 Singularidades do processo imaginativo
Segundo Vygotski (2001), a estreita relação entre a imaginação e os demais processos responsáveis pela formação do reflexo psíquico da realidade comprometeu muitos dos esforços que envidavam explicá-la, convertendo-a em um enigma de difícil solução. Como consequência, ou a imaginação se reduzia a outras funções psíquicas, perdendo suas propriedades singulares, ou se convertia em um ato fortuito, fruto do acaso, “em um passe de mágica”. Os dois enfoques mantinham em comum considerá-la como um dado primário da consciência, ou por outra, atribuíam à consciência uma propriedade criativa, imaginativa, que lhe era naturalmente inerente. Para Vigotski, ao diluírem os aspectos distintivos entre consciência e imaginação, tais enfoques, próprios à psicologia tradicional, “fechavam as portas” dos caminhos que poderiam levar à sua explicação.
Destarte, o tratamento dispensado à imaginação demanda primeiramente o aclaramento das diferenças entre ela e as demais funções, em relação a qual Vygotski (2001, p. 423) afirmou:
[...] a imaginação não repete em iguais combinações e formas impressões isoladas, acumuladas anteriormente. Com outras palavras, o novo aportado ao próprio desenvolvimento de nossas impressões e as mudanças delas para que resultem em uma nova imagem, inexistente anteriormente, constitui, como é sabido, o fundamento básico da atividade que designamos imaginação.
Ou seja, o reflexo da realidade não comporta meramente o registro da percepção daquilo que atua como objeto em um dado momento, mas imagens dinâmicas, “vivas”, passíveis de adquirir novas formas por um ato ideal. A imaginação suplanta a experiência sensorial prévia e, com isso, a própria realidade refletida, ao mesmo tempor em que encontra nela seu ponto de apoio e condição de existência. Eis a dialética da imaginação que, segundo Vigotski, não fora compreendida pelos representantes da “velha” psicologia.
Uma vez que todos os processos funcionais são, de certo modo, processos imaginativos, a singularidade da imaginação reside em que, nela, as imagens das experiências prévias se alteram, produzindo outras e novas imagens. Trata-se de uma atividade mental que modifica as conexões já estabelecidas entre imagem e objeto, produzindo outra imagem figurativa. A imagem assim produzida pode operar como modelo psíquico a ser conquistado como produto da atividade orientada por ele, ou seja, por meio desse processo se constrói a imagem antecipada do produto da atividade.
Verifica-se, então, que a imaginação é um traço imanente do trabalho, desenvolvido, do ponto de vista histórico, nas atividades que problematizam a relação do homem com a natureza na luta pelo atendimento de suas necessidades. O trabalho, como atividade que encerra uma finalidade precedente ao seu resultado final - cujo produto existe primeiro “na cabeça do homem”, exigiu do psiquismo a especialização da função imaginativa. A atividade vital humana, deixando de ser casual, passa a orientar-se por um projeto ideal que, mesmo não tendo existência concreta imediata, determina e regula seus diferentes atos.
Na dimensão teleológica, pela qual a atividade humana se diferencia de todas as demais formas vivas de atividade, radica a gênese da imaginação e, com a participação dela, edifica-se a atividade especificamente humana, operante tanto na transformação da natureza quanto na própria construção da subjetividade do indivíduo. Desse modo, a situação real que lança as possibilidades e os limites da atividade do homem engendra a formação de seu reflexo psíquico, mas também a possibilidade de transformá-lo.
Como dado instituinte da atividade humana, a imaginação possui um amplo caráter, em relação ao qual Rubinstein (1967, p. 361) afirmou:
As imagens com as quais o ser humano opera não se limitam à reprodução do diretamente percebido. O ser humano pode também ver diante de si em imagens o que não tem percebido diretamente. Também pode ver algo que não existe em absoluto, e também algo que não existe na realidade concreta. Assim, não se pode entender como atividade de reprodução todo processo que transcorre por imagens. Na realidade, toda imagem, em qualquer
medida, é tanto reprodução – ainda que distante, mediata e modificada – quanto também transformação do real. Estas duas tendências, que sempre existem em certa unidade, divergem simultaneamente. Enquanto a reprodução é o traço fundamental da memória, é característica da imaginação a transformação do reproduzido. Imaginar algo quer dizer transformá-lo.
Desse excerto destaca-se um importante aspecto da imaginação, representado por seus atributos reprodutivos e criativos e, em relação aos primeiros, os estreitos vínculos com a memória. Do ponto de partida, toda imaginação se apoia em imagens registradas da experiência, portanto, na memória. Entretanto, se à memória compete a reprodução do experienciado sobre a forma de imagens, à imaginação compete sua modificação.
A qualidade da memória reside exatamente na fidelidade da reprodução. Seu traço reprodutivo consiste na conservação da imagem com a máxima correspondência objetiva. Ocorre, porém, que de modo absoluto essa correspondência se mostra pouco provável, pois todo conteúdo mnêmico ao ser reproduzido contém, em maior ou menor grau, alguma incompletude, deformação ou transformação. Com isso, afirmou o autor, a reprodução mnêmica não é isenta de imaginação – que se manifesta nela ainda que de modo involuntário.
Assim, em que reside a diferença entre a memória imaginativa e a imaginação reprodutiva? Referindo-se a essa questão, Rubinstein afirmou que toda imaginação contém certa independência em relação ao dado experiencialmente e, de certa forma, afasta-se dele. Essa é uma importante característica da imaginação, mas não é a única nem a central, posto que, a rigor, a imaginação se expressa apenas quando a modificação da imagem deixa de ser involuntária. Destarte, seu produto não é uma deturpação da ideia representada, mas o resultado de uma operação mental consciente sobre a imagem, cujo objetivo não é a reprodução. O autor afirmou que “[...] à medida que a imaginação vai elevando-se a níveis ou formas cada vez mais superiores se diferencia cada vez mais claramente da memória” (1967, p. 424).
O atributo reprodutivo da imaginação distingue-se da memória, primeiramente, pelos motivos que o sustentam, mas também por sua dinâmica interna. Em relação a essa dinâmica, tanto Rubinstein (1967) quanto Vigotsky (2003a, 2004) destacaram a ampla participação da imaginação na atividade humana, afirmando que de fato existe uma estreita conexão entre ela e a experiência prévia. Porém, sua originalidade não pode ser associada apenas à criação do novo do ponto de vista do patrimônio humano genérico, ou seja, há que se diferenciar suas expressões como antecipação mental dos produtos da atividade do indivíduo - ainda que tais
produtos não sejam objetivações originais, e a imaginação criadora do dado realmente “novo” ou inédito.
A primeira e mais ampla expressão da imaginação, sob a forma de antecipação mental, aponta na direção de algo novo para o indivíduo, baseando-se em informações, esquemas, figuras e descrições verbais que apoiam as operações mentais imaginativas, possibilitando a representação do dado ainda não vivido. Trata-se de uma imaginação representativa, que permite ao indivíduo superar os limites da experiência particular e, ao fazê-lo, participar ativamente nos processos de aprendizagem e na compreensão de experiências alheias.
Esse tipo de imaginação é fundamentalmente requerido no trato com a literatura, bem como dos conteúdos escolares em geral, posto libertar do imediatamente dado pela experiência particular, promovendo as elaborações de ideias imaginativas cujos produtos são as novas representações. De certa forma, toda imaginação “cria” algo novo e exatamente por isso não é, meramente, um desdobramento da memória. Se a memória orienta operações mentais a partir do vivido – portanto, do passado –, a imaginação orienta as referidas operações à vista do não vivido, portanto do futuro.
A segunda expressão da imaginação diz respeito à criação, à idealização de algo que modifica ou transforma a imagem resultante da percepção sensível. No tratamento que dispensou à imaginação criativa, Rubinstein (1967) destacou três características. A primeira compreende o estabelecimento de novas conexões entre elementos que integram imagens produzidas pelas experiências e conhecimentos prévios. Essa característica guarda certo grau de proximidade com o que existe na realidade presente, destacando-se por enriquecê-la, por aprimorá-la, pela introdução de alguns traços novos ao que já existe. Segundo o autor, essa é a característica básica do avanço qualitativo das produções humanas, especialmente no que tange à criação científica e tecnológica.
Outra característica da imaginação criativa abarca projeções que apontam um futuro distante, ideias imaginárias de algo que nunca existiu e ao tempo de seu “anúncio” parecem absurdas. Trata-se da participação da imaginação nos grandes feitos da humanidade, cuja concretude se conquista mais lentamente no curso da história. Ilustrando esse aspecto da imaginação o autor se reportou à criação do avião que, para muitos e por muito tempo, não foi outra coisa, senão, um sonho.
A terceira característica diz respeito à imaginação artística, na qual um contexto ideal prévio se expressa de forma concreta e plástica. Segundo Rubinstein, seu traço distintivo em relação às características anteriores reside no fato que ela não cria, necessariamente, uma nova
situação alterando o disposto na realidade, mas visa sua materialização estética. Nas palavras do autor:
A observância da realidade, sem dúvida, não significa, naturalmente, uma reprodução fotográfica ou uma cópia do percebido. O dado diretamente pela percepção é, na experiência cotidiana, em sua maior medida, casual. Não se destaca nela a característica que determina o semblante de um homem, de um acontecimento ou de um fenômeno. O verdadeiro artista não somente dispõe de uma técnica para expressar o que vê, mas o vê também de forma diferente em relação a um indivíduo artisticamente insensível. A missão da obra de arte é a de mostrar aos demais aquilo que o artista vê com tal plasticidade, para que também possam compreendê-lo (RUBINSTEIN, 1967, p. 367).
Assim, prossegue o autor, uma imaginação verdadeiramente criativa não se reconhece apenas pelo conteúdo que um ser humano pode imaginar, mas pela integração das experiências ideais do projeto artístico às exigências objetivas da realidade, sem a qual a obra não conquista materialidade ou valor artístico.
Entre a imaginação criativa e a percepção se estabelece uma relação de natureza especial, na qual o artista não se aliena do campo perceptual, mas o transforma à medida que subtrai dele seus aspectos casuais, acessórios, deixando à mostra sua essência, muitas vezes oculta. Por isso, considerou o autor, os contornos da realidade aparecem na arte de modo muito mais profundo e real, apresentando algo que é, ao mesmo tempo, muito parecido e muito diferente da percepção usual, rotineira. Esses são, grosso modo, os diferentes aspectos da imaginação que aparecem na atividade humana e todos eles têm como traço comum suplantarem a realidade sem, contudo, apartarem-se dela. Esse processo, por sua vez, subjuga- se ao próprio desenvolvimento do psiquismo, especialmente pelas alianças que estabelece com a linguagem, com o pensamento e com os sentimentos.