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Redfoot (1984) afirma que, historicamente, havia muitas razões para se viajar, e que podiam abranger desde a conquista de terras até as viagens motivadas por peregrinações religiosas, em que os viajantes eram considerados heróis ao se aventurarem para locais totalmente desconhecidos. Mas, segundo o autor (1984), na atualidade, a situação é muito diferente, pois enquanto o viajante aventureiro era um produtor de experiências, o turista atual é apenas um consumidor de atrações já conhecidas. Redfoot (1984) agrupa as visões sobre os turistas em duas noções: a primeira, em que alguns pesquisadores (Turner e Ash, 1976; Boorstin, 1992; Fussell, 1980) consideram que o capitalismo converteu a experiência turística em uma mercadoria a ser vendida em um mercado de massa. O turista é alguém que busca uma ―pseudo-experiência‖ (Boorstin, 1992), pois a inautenticidade do viajante é um reflexo da inautenticidade da sociedade. Ou seja, o ter substitui o ser: o turista não precisa vivenciar uma experiência, mas apenas adquirir uma, através de um pacote turístico. Na segunda noção, segundo Redfoot (1984), o turismo é uma forma de ritual para a sociedade em que a atividade turística absorveu algumas das funções da religião no mundo moderno. A dimensão da vida social analisada nesta noção é a sua autenticidade, ou, mais exatamente, a busca de autenticidade da experiência que está em toda parte, se manifesta na sociedade (MacCanell, 1973). Assim, Reedfoot constata que:

estamos diante de duas imagens concorrentes sobre a experiência do turista, a noção generalizada de que o turismo é uma experiência superficial, trivial e artificial e a noção de MacCannell de que a experiência turística é uma busca sincera por autenticidade, a peregrinação do homem moderno (1984, 293).

Redfoot (1984) faz uma análise sobre os turistas com com base na autenticidade das experiências turísticas. O autor inicia com o Turista de Primeira Ordem (The First-Order

Tourist), que viaja geralmente em grupos constituídos por familiares e/ou amigos, visita

locais famosos e evita o contato com a cultura local, podendo, assim, estar relacionado ao Turista de Massas. Geralmente é o turista mais influenciado pelas ações promocionais turísticas direcionadas ao público em geral, como: brochuras de viagem, televisão, panfletos e cartões postais, e, faz uso dos serviços ofertados pelo trade turístico (agências de viagem, hotéis, locadoras de veículos) como forma de assegurar que tudo ocorra conforme contratado (Redfoot, 1984). Os locais visitados são previsíveis e a autenticidade buscada está relacionada com marcos previamente definidos como originais (Redfoot, 1984): este turista quer dizer que esteve lá, contar para os amigos, e não vivenciar. Não se importa que outros ou muitos outros já estiveram lá, mas que ele também esteve, pois pode-se entender que este turista está muito ligado às questões de status, como por exemplo a preferência por destinos internacionais geralmente frequentados pelas elites e por pessoas famosas. Com base nos estudos de Chalfen (1979) e Milgram (1976), Redfoot destaca o interesse deste tipo de turista por fotografias como forma de mostrar aos amigos os locais visitados, geralmente ―tiradas‖ em pontos turísticos muito conhecidos como a Torre Eiffel na França, os Parques da Disney nos Estados Unidos da América ou o Cristo Redentor no Brasil. Um exemplo, é o Tropical Hotel Tambaú, na cidade de João Pessoa (Paraíba, Brasil) que é considerado um ―cartão postal‖ da cidade, pela sua história, arquitetura e localização e que, muitos visitantes, mesmo sem se hospedarem no hotel fazem fotografias como se estivessem neste hotel, pois é um ponto de referência e de status. Para o turista de Primeira Ordem, a viagem, é uma forma de acumular fotografias, é simplesmente uma fuga temporária da rotina e uma demonstração de status e pretígio (Redfoot, 1984).

O Turista de Segunda Ordem, de forma semelhante ao primeiro, tem plena consciência da inautenticidade dos lugares visitados, mas demonstra um certo desconforto e ansiedade causados pela vergonha de ser considerado um turista. Caracteriza-se por viajar sozinho ou em pequenos grupos, e não em excursões com grupos grandes, típicos do turismo de massas, uma vez que procura ter contato direto com os moradores locais mesmo que de forma esporádica e superficial. Como expõe Redfoot citando Cohen (1979), o contato com a cultura local é importante, mas ao mesmo tempo, não será incorporada por este tipo de turista.

O turista de Terceira Ordem (Third Order Tourist) é comparado por Redfoot (1984) aos antropólogos que buscam a autenticidade, mas não se envolvem nesta realidade. Para o autor, estes turistas podem mergulhar na questão da autenticidade, mas mantem um distanciamento, uma vez que não se envolvem com a comunidade local. Por isto, o turista de Quarta-Ordem (Fourth-Order Tourist), é comparado, pelo autor aos peregrinos modernos que procuram a realidade espiritual, não em suas próprias tradições culturais, mas nas experiências de outras tradições. Este turista procura envolver-se na realidade local, por isso é muito improvável que queira tirar fotos, pois está empenhado em conhecer e se engajar de forma direta na forma de vida local (Redfoot, 1984).

É importante observar que esta análise não pode ser considerada como definitiva, uma vez que, não existem modelos rígidos de tipologias dos turistas, pois como recomenda Mason (2010), nas tentativas de classificar os turistas não se pode esquecer que os viajantes podem ter múltiplos interesses, e por isso as análises e classificações devem ser uma orientação e não um modelo estático e limitador.

Para Crouch (2009), o turista, ou melhor o ser humano fazendo turismo, é mais ciente do que enganado, menos desesperadamente precisando de identidade do que usando o turismo na negociação da identidade. Assim, a ―diversão‖ do turismo pode ser uma forma de ser no mundo, de alcançar e engajar o mundo, um meio através do qual o mundo é apreciado, visto que, as experiencias turísticas são trazidas para as vidas pessoais e não podem permanecer separadas de suas identidades (Lubbren e Crouch, 2003).

Por isso, Radley (1990) analisa que as representações mediatizadas de eventos turísticos locais não agem na ―tábua rasa‖, muitos turistas têm experimentado esses eventos ressonantes com outras partes de suas próprias vidas. Os locais e os objetos também, prossegue o autor, podem ser lembrados como significantes devido às formas as quais eles foram encontrados.

Redfoot (1984) sintetiza que, muitos autores consideram o turismo um consumidor de culturas, enquanto outros têm uma visão oposta. No primeiro caso, cita como exemplos, Fussell (1980), que considera o turismo uma forma decadente de viajar quando comparado às viagens de exploração, e Boorstin (1992) que considera que enquanto o viajante costumava viajar para encontrar o inexplorado, o turista, usa as agências de viagens, para evitar esses encontros. No segundo caso, o autor cita MacCanell (1999), que vê os turistas como peregrinos modernos. Neste sentido, Redfoot explica que, mesmo com visões opostas, esses estudiosos concordam que o turismo representa uma metáfora para aspectos mais profundos da sociedade atual. E por isso, o autor vê que o turista é condenado por todas atitudes: condenado a inautenticidade, se ele permanece satisfeito com a realidade superficial, condenado ao absurdo de "correr atrás dos vestígios de uma realidade que desapareceu", se ele busca uma existência mais autêntica, e prossegue

citando Fussell : " os anti-turismo iludem apenas a si mesmo. Somos todos turistas, agora, e não há como escapar" (1980:49).

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