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Dans le document 2020 (Editie zomer 2020) (Page 62-75)

Verussa, G.H.1; Corassa, A.2; Santos, T.I.S.*3; Silva, D.R.3; Stuani, J.L.3; Cordasso, M.S.4

1Zootecnista, MSc. Zootecnia, Universidade Federal de Mato Grosso, Sinop, MT; 2Zootecnista, DSc. Zootecnia,

Universidade Federal de Mato Grosso, Sinop, MT; 3Zootecnista, mestranda da Universidade Federal de Mato

Grosso, Sinop, MT, [email protected]; 4Graduando em Zootecnia, Universidade Federal de Mato Grosso,

Sinop, MT.

PALAVRAS-CHAVE: Digestibilidade; Glicerol; Metabolismo. INTRODUÇÃO

A utilização da glicerina, um coproduto da produção do biodiesel, é uma opção que vem sendo empregada na alimentação de suínos devido seu teor de energia, além de ser uma alternativa para o destino desse produto. A glicerina é considerada palatável por ser um líquido de sabor adocicado, podendo ser utilizada como qualquer nutriente glicogênico ou lipogênico (Jagger, 2008). Logo, aprofundar as informações sobre as características nutricionais torna-se importante para o correto uso deste ingrediente na alimentação de suínos.

Nesse sentido, objetivou-se com este trabalho determinar valores de energia digestível e metabolizável da glicerina utilizando as metodologias de coleta total e indicador.

MATERIAL E MÉTODOS

Foram utilizados 8 suínos machos castrados oriundos de cruzamentos industriais, com peso médio inicial de 24,17±0,73 kg distribuídos individualmente em gaiolas de metabolismo, semelhantes às descritas por Pekas (1968) em delineamento experimental de blocos ao acaso, constituído de quatro tratamentos e seis repetições, sendo cada animal uma unidade experimental. Cada período experimental teve duração de 10 dias, compreendendo 3 períodos.

Os tratamentos foram compostos por uma dieta referência à base de milho e farelo de soja, atendendo as recomendações de Rostagno et al. (2011), e com glicerina à base de óleo de soja, em substituição isométrica de 5, 10 e 15% da dieta referência de acordo com metodologia descrita por Sakomura & Rostagno (2007).Foram analisadas duas metodologias de avaliação de digestibilidade de alimentos, sendo coleta total de fezes e indicador de digestibilidade. Utilizou-se o óxido crômico (Cr2O3) como indicador de digestibilidade na segunda metodologia.

As avaliações dos efeitos relacionados ao nível de glicerina do concentrado foram realizadas através da partição da soma de quadrado de tratamentos em contrastes ortogonais para avaliar o efeito linear, quadrático e cúbico. Para avaliação dos métodos de coleta foi utilizado teste F. Ambas as avaliações foram considerando probabilidade de 0.05 para erro do tipo I. Os dados foram submetidos ao procedimento Mixed do programa SAS, (2001) considerando nível de probabilidade de 5%. Para a análise do peso final e consumo de ração diário utilizou-se o peso inicial como co- variavel. Os dados dos coeficientes de digestibilidade e de metabolizabilidade, nutrientes digestíveis, energia digestível e metabolizável aparente e corrigida pela excreção de nitrogênio das rações e da glicerina foram submetidos á ANOVA considerando os efeitos do tipo de coleta e da interação entre nível de inclusão de glicerina e metodologia de avaliação de digestibilidade de alimentos.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A inclusão de até 15% do alimento teste não influenciou na determinação dos valores de energia da glicerina. O método de indicador com oxido crômico obteve os menores valores de ED, EDn, EM, EMn e maior valor da relação EM:ED da glicerina bruta em relação ao método de coleta total. A relação EMn:EDn foi igual para os dois métodos (Tabela 1). Os menores valores de ED, EDn, EM, EMn da glicerina, obtidos pelo método de indicador em relação ao método de coleta total sugerem que o óxido crômico não foi totalmente recuperado nas fezes. Nesse sentido, Zanella et al. (1999) explicam que a baixa taxa de recuperação do óxido crômico levou à valores de EM inferiores aos obtidos pela coleta total em um estudo com frangos de corte. Moughan et al. (1991) encontraram taxa de recuperação fecal do óxido crômico de 85,3%, e apontaram como uma consequência desta baixa recuperação do cromo, os menores valores de digestibilidade e de energia de nutrientes avaliados em relação á coleta total.

O valor médio de ED da glicerina, que não diferiu entre os tratamentos, foi de 3.387 kcal/kg, resultado superior ao de Gallego et al. (2014), que encontraram um valor de 3.298 kcal/kg de ED para glicerina semipurificada (80,2 % de glicerol) para leitões na fase inicial, e à Lammers et al. (2008),

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que encontraram valores de ED da glicerina bruta (86,95% de glicerol) de 3.344 kcal/kg. Comparando o valor de EM da glicerina encontrado nesse estudo de 3.270 kcal/kg com a do milho com cerca de 3.340 kcal/kg (Rostagno et al., 2011) observa-se apenas uma pequena diferença, mantendo a afirmativa de que a glicerina pode ser utilizada como uma fonte energética. A relação EM:ED não diferiu entre os tratamentos, e foi igual a de Lammers et al. (2008) com 96%. Esse resultado mostra que apenas 4% da energia digestível da glicerina foi perdida na urina.

Os valores da relação EMn:EDn da glicerina foram semelhantes aos da relação EM:ED, resultado esperado, visto que a glicerina é um ingrediente energético tendo as perdas de fração energética por balanço de nitrogênio pouco relevantes. A EM determinada para a dieta basal foi de 3.257 kcal/kg, semelhante para o valor calculado de 3.230 kcal/kg, de Rostagno et al. (2011). Os valores de ED e EM da ração aumentaram proporcionalmente aos níveis de inclusão de glicerina, o que pode ser explicado pelo teor de gordura, representado pelo teor de extrato etéreo presente nas rações. A adição crescente de glicerina na dieta, que contém ácidos graxos em sua composição, leva a um aumento no teor de energia da ração, sendo que as rações com maior nível de inclusão de glicerina obtiveram os maiores teores de energia. Esse fato explica também o aumento dos coeficientes de digestibilidade e metabolização da energia contida na ração. A EMn da ração mostra que o teor de energia perdido pelo nitrogênio retido ou excretado foi muito baixo, e que os teores de proteína nas rações pouco interferiram no teor de energia das mesmas.

CONCLUSÃO

A glicerina obtida do óleo de soja apresentou 3.405 e 3.370 kcal/kg de energia digestível e 3.280 e 3.261 kcal/kg de energia metabolizável determinados pelo método de coleta total e indicador óxido crômico, respectivamente. Níveis de até 15% do alimento teste não influenciaram na determinação do valor de energia digestível e metabolizável da glicerina obtida do óleo de soja.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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p.561-568, 1999.

Tabela 1. Energia digestivel (EDGlicerina), energia digestível corrigida pelo balanço de nitrogênio (EDnGlicerina),

energia metabolizável (EMGlicerina), energia metabolizável corrigida pelo balanço de nitrogênio (EMnGlicerina), relação energia metabolizável : energia digestível (EM:ED), relação energia metabolizável : energia digestível corrigida pelo balanço de nitrogênio (EMn:EDn) da glicerina, determinados com as metodologias de digestibilidade (Met. Dig) de coleta total (CT) e indicador (Cr).

*Nível de significância <0,05. L (Efeito linear) Q (Efeito quadrático). ¹Interação metodologia de digestibilidade e níveis de glicerina.

Níveis de glicerina (%) Met. dig Int.

MxG¹ Significância* CV (%) 5 10 15 CT Cr L Q Met.dig EDGlicerina 3387 3387 3388 3405 3370 0,5994 0,9059 0,9601 <0,0001 0,33 EDnGlicerina 3374 3374 3374 3392 3357 0,5970 0,9261 0,9458 <0,0001 0,33 EMGlicerina 3270 3270 3271 3280 3261 0,8343 0,8800 0,9933 0,0094 0,59 EMnGlicerina 3258 3258 3259 3269 3248 0,8339 0,8884 0,9962 0,0037 0,59 EM:ED 0,9652 0,9654 0,9654 0,9631 0,9676 0,9917 0,9328 0,9802 0,0257 0,57 EMn:EDn 0,9656 0,9658 0,9658 0,9639 0,9676 0,9911 0,9305 0,9769 0,0597 0,57

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QUANTIFICAÇÃO DE METABÓLITOS NO PLASMA E MÚSCULO DE SUÍNOS ALIMENTADOS

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