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CHAPITRE 2 ÉTAT DE L’ART ET CADRE DE RÉFÉRENCE

2.3 Surfaces métalliques nanostructurées

2.3.2 Adhésion des cellules sur surfaces structurées

foi proposto pelo governo federal ao criar os IFs, já que, como mencionado na introdução deste trabalho, sua principal finalidade deve ser a educação tecnológica. No entanto, se ao se considerar que, entre as finalidades dos IFs está, segundo o artigo 6º, da Lei nº 11.892/2008, “VI - qualificar-se como centro de referência no apoio à oferta do ensino de ciências nas instituições públicas de ensino, oferecendo capacitação técnica e atualização pedagógica aos docentes das redes públicas de ensino”; talvez essa realidade do IFRS não seja tão contraditória.

Se a intenção é se tornar centro de referência em ensino, seja na área em que for (dentro dos IFs), a discussão sobre formação de professores, metodologia, didática, currículo, entre outros temas da educação, precisará ser desenvolvida e fortalecida pela gestão, o que implica, por exemplo, conhecer a realidade dos cursos de licenciatura ofertados, tais como: perfil dos estudantes, dados sobre evasão e sobre os egressos.

7.2.2 A necessidade de diagnósticos sobre a realidade dos cursos de licenciatura

Ainda não há, no IFRS, em âmbito institucional, dados organizados sobre o perfil dos estudantes, evasão, e perfil do egresso dos cursos de licenciatura. O que existe, são iniciativas isoladas dos Campi, com os levantamentos de alguns cursos. O Campus Bento Gonçalves, por exemplo, procurou fazer um levantamento sobre a evasão e a situação dos egressos de dois de seus cursos de licenciatura. De acordo com a coordenadora do curso de Licenciatura e Matemática, os dados foram

construídos pelo setor da Assistência Estudantil e, com as informações obtidas, há duas constatações importantes: uma delas é que a evasão é alta; a outra é que a maioria dos egressos está atuando na área da educação. No Gráfico 7, a seguir, pode-se notar que a o índice de evasão é de mais de 40% (em média), salvo o primeiro semestre de 2014, que apresenta o percentual bastante baixo (em relação aos demais), o que talvez tenha a ver com o período da coleta dos dados (maio de 2014), ou seja, metade do semestre:

Gráfico 7 - Dados sobre evasão no curso de licenciatura em Matemática do

Campus Bento Gonçalves – IFRS

Fonte: Assistência Estudantil - Campus Bento Gonçalves/IFRS (2014).

Tabela 14 - Dados sobre egressos do curso de licenciatura em Matemática do

Campus Bento Gonçalves - IFRS

Fonte: Assistência Estudantil - Campus Bento Gonçalves/IFRS (2014).

A evasão foi apontada, na oficina sobre as licenciaturas do IFRS, como um dos desafios desses cursos, no entanto, este não é um problema somente destes. Segundo os gestores da instituição, trata-se uma questão latente nos demais cursos de nível superior e nível médio e, de acordo com o pró-reitor de ensino, está-se “[...] fazendo esse movimento de estudo da evasão que também vai nos trazer alguns elementos para investigar, inclusive no plano de ofertas” (PROE). Para o pró-reitor de pesquisa, a evasão consiste num “problema gravíssimo”, por isso ele pensa:

[...] que está na hora de a gente parar de achar normal formar quatro de trinta e seis, né? Deve ter algum problema. Especificamente, Porto Alegre, e eu vejo, em alguns “campus”, eu acho que Caxias e Bento123, não é o caso

da Matemática, o turno de oferta. O turno de oferta, licenciatura ofertada de dia, manhã ou tarde, eu vejo como um problema, eu acho que a gente tá errado ao fazer isso, e eu faço essa autocrítica, porque eu participei do processo lá [Porto Alegre], e está de manhã e está errado, na minha opinião. Só que mudar isso, os professores já estão nas suas rotinas pessoais adaptadas, a vida está estabelecida daquele jeito. E a evasão fluindo a cada semestre [...]

Na fala do pró-reitor de pesquisa, nota-se que são levantadas algumas hipóteses quanto à evasão dos cursos de licenciatura e sobre a questão do turno da oferta ser uma das causas. Entretanto, dados concretos, em nível institucional, conforme dito, ainda não há. Essas e outras informações são fundamentais para pensar os cursos em andamento, avaliá-los, conforme coloca a diretora de ensino do Campus Caxias do Sul:

123 Os Campi Caxias do Sul e Bento Gonçalves têm oferta do curso de licenciatura em Matemática no

[...] olhar a forma que cada um conseguiu conduzir a fluidez, perfil de... mapeamento de evasão, mapeamento de aproveitamento, mapeamento de reprovação, então, com esses dados vai ser possível traçar outras coisas que possam vir a qualificar o curso. E eu acredito que isso, também, está sendo pensado em âmbito de reitoria, não só para as licenciaturas, mas também para as licenciaturas. No momento que tu trabalha a questão num âmbito geral, de todos os cursos, tanto de evasão, como perfil de reprovação e isso faz com que estratégias saiam desse estudo. (D.E. – CAXIAS).

O aspecto da evasão no ensino superior é um assunto que vem recebendo atenção do campo acadêmico, principalmente nos últimos anos, como exemplo, pode-se citar: a Conferência Latino Americana, sobre o Abandono na Educação Superior (CLABES), realizada desde 2011124. Segundo Morosini et al. (2011), no contexto brasileiro, há uma produção bastante escassa sobre o tema “evasão no ensino superior”, predominando investigações de natureza qualitativa, carecendo das que se detivessem em traçar um panorama abrangente da evasão na Educação Superior brasileira. O próprio conceito de evasão é complexo, pois abarca diferentes possibilidades (pode-se falar de evasão em relação ao curso, à disciplina, à instituição, ao nível superior ou, ainda, estar relacionada à mobilidade - troca de curso ou de instituição).

A evasão nos IFs ainda é pouco explorada, não havendo estatísticas oficiais. Por isso, no já citado Relatório do TCU (2012, p. 52), consta que:

Entre as conclusões da auditoria destaca-se a oportunidade de aperfeiçoamento do acompanhamento das taxas de evasão, de modo sistemático e desagregado para diferentes modalidades de curso, que possibilite o melhor diagnóstico desse problema e dê suporte à adoção de medidas mitigadoras. Também há necessidade de se intensificar os instrumentos disponíveis de suporte aos alunos com discrepâncias de conhecimentos e habilidades dificuldades e com maior propensão a evadir.

Hoje, o que se encontra sobre a evasão no ensino superior dos IFs são esparsos e isolados estudos sobre os cursos de algumas unidades. Referente aos cursos de licenciatura há, principalmente, estudos sobre Física (SOARES; PIRES 2010; ALMEIDA; SCHINMGUELE, 2011; SILVA et al., 2012). Nestes estudos, os autores trazem dados estatísticos e procuram identificar esses fatores. Soares e

124 Conforme informações constantes nos anais da Conferência de 2011, o evento surgiu de uma

convocação de 20 (vinte) universidades de 16 (dezesseis) países, cujo objetivo fundamental é reunir professores, gestores, estudantes de países da América Latina e da Europa, preocupados com o abandono acadêmico no Ensino Superior: causas e iniciativas para elevar os índices de permanência. Disponível em: <http://www.clabes2011- alfaguia.org.pa/docs/0_LIBRO_COMPLETO.pdf>. Acesso em: 10 jul. 2014.

Pires (2010) e Silva et al. (2012) mencionam a dificuldades em determinadas disciplinas que envolvem cálculos como um dos fatores que dificultariam a permanência dos alunos, pois elas apresentam altos índices de repetência.

No que tange à questão do perfil do estudante e estudo sobre os egressos, no IFRS também não há um levantamento em âmbito institucional. No caso do perfil, alguns sujeitos da pesquisa salientaram que, no contexto das licenciaturas, o que se sabe é que se há um perfil de aluno trabalhador: “Todos [refere-se aos alunos do curso de Licenciatura em Matemática], praticamente. Bem... Olha, eu não sei o percentual, mas bem baixo de aluno que não trabalha. Essa é uma característica de alunos da nossa região, de aluno trabalhadores” (COORD. DE CURSO – BENTO). O diretor de Bento Gonçalves também salienta esse do perfil do aluno trabalhador, relacionando-o ao perfil da região:

[...] É bem delicado. Mas eu não vejo como um ponto das licenciaturas, eu vejo como de todos os cursos superiores. E vejo muito por essa questão da região, por essa oportunidade de trabalho, de emprego, com ganhos assim [...] Eu vejo que as pessoas hoje elas ganham “x”, mas amanhã elas têm uma oportunidade de ganhar “Y”, então, daí, elas já trocam. É uma mobilidade também de locais, e não se leva muito em consideração: ah, mas eu vou mudar para o “y” que eu vou ganhar mais, mas lá no “y” eu vou ter um horário que é diferente, que vai me prejudicar no estudo, não! Eu vou mudar para o “y”. É o valor [...] (D.E – BENTO).

Na oficina das licenciaturas do IFRS, este aspecto também foi levantado, sendo apontado como uma dificuldade. Com o questionário aplicado com os alunos dos 7º e 8º semestres do curso de licenciatura em Matemática, dos Campi Caxias do Sul e Bento Gonçalves, contata-se que, possivelmente, esse dado é real, tendo em vista que 14 dos 16 respondentes disseram ter trabalhado durante a realização do curso. Entretanto, apesar de esta característica ser de fácil observação, não há, ainda, dados concretos acerca do perfil desses alunos de licenciatura.

Para finalizar, cabe pontuar a urgente necessidade de também haver levantamentos sistemáticos sobre os egressos e políticas voltadas para eles. Mora, Carot e Conchado (2010, p. 14, grifo meu), editores da síntese de um estudo chamado “El Profesional Flexible en la Sociedad del Conocimiento125”, em que

125 Os resultados apresentados neste relatório procedem do projeto ALFA PROFLEX "O Profissional

Flexível na Sociedade do Conhecimento", no qual dezesseis universidades participaram como parceiros na América Latina e Europa, em colaboração com outros trinta e quatro. Tal pesquisa permitiu construir informações essenciais sobre a situação de emprego dos seus diplomados, bem como a uma avaliação retrospectiva da faculdade. Aproximadamente, 10.000 (dez mil) graduados que terminaram seus estudos há cinco anos, pelo menos, participaram deste estudo.

apresentam os resultados de uma pesquisa com egressos latino-americanos e europeus de universidades, salientam que:

Si en lugar de focalizar la atención en el proceso educativo miramos hacia los resultados, es decir, a lo que ocurre con los egresados una vez que salen de la universidad, podemos obtener una información que puede llevar a las IES a reconsiderar sus objetivos, la forma de abordar los procesos de enseñanza-aprendizaje y el modelo educativo. La observación de la experiencia de los egresados y del impacto que su paso por ella ha tenido en ellos, aparece como elemento clave en la mejora de la calidad de los procesos, en especial el de enseñanza-aprendizaje, y del

modelo de formación126.

Como argumenta Zeichner (2013, p. 112):

Na verdade, esses tipos de dados sobre o que os egressos do curso sabem e são capazes de fazer em sala de aula não só podem ser valiosos como fontes de conhecimento sobre a qualidade do curso, como também podem se tornar fontes importantes para estimular a renovação contínua dos cursos de formação de professores.

O IFRS está, atualmente, iniciando o trabalho no sentido de buscar compilar dados referentes ao perfil do estudante (evasão, egressos). Gestores e professores já entendem a necessidade de construir tais informações, com vistas a qualificar os processos nos diferentes níveis e cursos, inclusive nos de formação docente, mas ainda há um longo e necessário caminho a percorrer.

7.2.3 A necessidade de valorização da carreira docente no contexto da