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Adapter les interventions aux besoins de la clientèle

4. Priorités régionales et axes d’intervention en lien avec les principales orientations

4.2 Adapter les interventions aux besoins de la clientèle

Salama e Destremau (2001, p. 106) mencionam que: “o ‘fato’ pobreza, seja qual for o seu grau ou campo de definição, é sempre apreendido como ‘problema’ de pobreza, quer no plano ideológico e moral, quer no plano político e econômico”. Portanto, a mensuração da pobreza tem grande importância para o aprimoramento dos métodos de intervenção sobre o problema (políticas públicas).

Dada à importância de medir a pobreza, ao longo dos dois últimos séculos, os métodos de mensuração desse fenômeno foram sendo progressivamente aprimorados. Medir a pobreza, entretanto, significa entender, antes de tudo, o seu significado. Sobre isso, Laderchi (2003, p. 7, tradução nossa) ressalta que “embora exista um consenso mundial sobre a redução da pobreza como um objetivo primordial de política de desenvolvimento, há pouco consenso sobre a definição de pobreza”. Apesar disso, o autor acredita que “a escolha de uma definição de pobreza, se baseia no essencial pressuposto de que existe alguma forma de descontinuidade entre os pobres e não pobres, que pode ser refletido na linha de pobreza” (Ibid., 2003, p. 7,

tradução nossa), portanto, as medidas de pobreza refletem o julgamento acerca do

que significa ser pobre.

Sobre as diferentes perspectivas de avaliar a pobreza, observou-se que todas são passíveis de críticas. A abordagem monetária, que considera a insuficiência de renda uma proxy da pobreza, tem o mérito de ainda ser a mais utilizada, apesar de ser a mais antiga (MACHADO, 2007, p. 32; LADERCHI, 2003, p. 7, tradução nossa), porém, como foi exposto, existe um grande descontentamento relativo à natureza simplificadora que essa abordagem faz sobre a pobreza, além disso, critica-se a sua equanimidade quanto aos ganhos de escala e às diversidades regionais.

Na abordagem das necessidades básicas, houve uma ampliação dos critérios de mensuração da pobreza, porém as necessidades consideradas universais (comuns aos homens de diferentes culturas e civilizações) podem ser interpretadas como uma extensão das subsistências, e, por isso, ser avaliadas também como uma insuficiência de renda.

A abordagem multidimensional, por sua vez, é a mais recente e tem conquistado muitos adeptos. Por ser recente e por ter um nível de complexidade maior – em virtude das múltiplas dimensões – a operacionalização dessa abordagem é uma linha de pesquisa ainda aberta e em pleno desenvolvimento. Esses fatores, somados, corroboram para diversas críticas que essa abordagem recebe, principalmente acerca da sua operacionalização.

Diante disso, fica evidente que o fenômeno da pobreza, apesar de ser sempre alvo de estudo ao longo do tempo, possui diversas características peculiares, muito difíceis de condensá-las em uma única medida de pobreza. Grynspan (1997) elucida que,

A pobreza é umfenômeno multifacetado e heterogêneo, fácil de perceber, mas difícil de definir com propriedade, de explicá-la teoricamente de forma compreensiva e de medi-la satisfatoriamente. O caráter normativo envolvido no seu conceito, fruto de sua ambiguidade teórica, e suas dimensões absolutas e relativas, forçam as aproximações do tipo descritivas, nem sempre livres de arbitrariedades e tentativas. Isso representa uma dificuldade básica tanto para a compreensão do fenômeno como para conceber políticas apropriadas para enfrentá-la (GRYNSPAN, p. 93, 1997, tradução nossa). Para Salama e Destremau, (2001, p. 106–107) independentemente dos fundamentos filosóficos utilizados para contar os pobres, “a construção de indicadores tendem a reduzir e objetivar de modo inerente, e constitui uma representação à qual podemos contrapor muitas outras”. Isso porque “os indicadores de pobreza refletem, na escolha dos critérios e dos patamares, a definição dada à pobreza, o julgamento acerca do valor projetado sobre ela e sobre os pobres, o quadro filosófico ético e ideológico no qual a operação se inscreve” (Ibid., 2001, p. 106–107). Por esse motivo, é que Queiroz (2007) alvitra que,

Desde que se reconhece que a verdadeira essência de uma abordagem depende não apenas do que ela considera para avaliação, mas também do que ela ignora, justifica-se o entendimento das demais correntes teóricas existentes, pois assim é possível reconhecer os pontos fracos e fortes da concepção utilizada assim como daquelas que foram relegadas (Queiroz, 2007, p. 10).

O fenômeno da pobreza, portanto, não possui um conceito único e universal, e, por isso, as diversas abordagens não possuem propriedades excludentes e sim complementares. Se o objetivo de mensurar a pobreza é torná-la objeto de ação pública, então é importante ter em mente que todo esforço conceitual e metodológico

para o desenvolvimento de instrumentos de mensuração do bem estar social deve ser observado.

Portanto, para se fazer um estudo sobre a forma como a pobreza se manifesta, seja qual for área de estudo, é necessário considerar outras dimensões além da privação de renda, visto que não há uma única explicação para as causas da pobreza, assim como também não há uma única forma de combatê-la.

É verdade que as medidas de pobreza relativas ao dinheiro possuem uma grande correlação com os índices multidimensionais, nesse sentido, vale dizer que independentemente do mérito de uma metodologia ser ou não uma representação mais fidedigna do tamanho da pobreza, é importante perceber o avanço na percepção e pobreza, não nos permitiu dizer qual é o melhor método, mais sim, nos permitiu ter uma visão mais holística desse fenômeno.

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A MAGNITUDE DA POBREZA NO MARANHÃO: UMA AVALIAÇÃO

ENTRE A ABORDAGEM MONETÁRIA E A ABORDAGEM

MULTIDIMENSIONAL

CAPÍTULO IIi

A MAGNITUDE DA POBREZA NO MARANHÃO: uma avaliação entre a abordagem monetária e a abordagem multidimensional

Existem várias definições de pobreza, desde as que definem o fenômeno a partir de um critério, até as que incorporam inúmeras características.

Grynspan (1997), por exemplo, define pobreza como sendo uma

Síndrome situacional associada a subconsumo, desnutrição, más condições de habitação, baixos níveis de escolaridade, más condições sanitárias, uma inserção instável no processo produtivo ou dentro do mesmo, estratos primitivos, atitudes de desespero e agonia, pouca participação nos mecanismos de integração social e, talvez, a adesão a uma determinada escala particular de valores, diferenciados em alguma medida das do resto da sociedade (GRYNSPAN, 1997, p. 64, tradução nossa).

Este conceito possui uma grande quantidade de características relevantes sobre a pobreza, mas além da relevância, quando se sai do conceito para a construção de um modelo de mensuração da pobreza, é preciso fazer julgamentos sobre as variáveis e sobre a técnica analítica a ser utilizada, pois essas questões exercem demasiada influência sobre o índice (sobre o montante da pobreza).

Pensando nessas questões, o presente capítulo apresentará as diferenças de tamanho da pobreza alcançadas pela abordagem utilitarista e pela abordagem multidimensional, nos 217 municípios do Maranhão.

A comparação entre essas duas formas distintas de mensuração da pobreza, são de fundamental importância para o trabalho, pois além de deixar perceptível as diferenças entre as abordagens, servirá para confirmar que mensurar a pobreza é algo complexo e que, apesar dos diversos esforços, ainda está longe de chegar – se é que algum dia vai chegar – a um consenso.

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