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Adaptation non supervisée et recherche d’information

6.2 Adaptation non supervisée

6.3.2 Adaptation non supervisée et recherche d’information

Segundo Samuel Huntington a ―distribuição das culturas no mundo reflecte a distribuição de poder‖, acompanhando-o sempre ao longo dos tempos, como se verifica actualmente, com o renascimento global de culturas não ocidentais, devido ao poder crescente destas sociedades. Neste sentido, quando ―o poder ocidental declina, também diminui a sua capacidade para impor os seus conceitos de direitos humanos, de liberalismo e de democracia às outras civilizações‖ (Huntington 1996/1999, 106-107).

Este autor salienta que ―a indigenação e o renascimento da religião são fenómenos globais‖, destacando o ―desafio islâmico‖ veiculado pelo ―ressurgimento cultural, social e político no mundo muçulmano e na concomitante rejeição dos valores e instituições do Ocidente‖, baseando-se principalmente na mobilização social e no crescimento demográfico (Huntington 1996/1999, 119- 120).

Relativamente aos níveis de desenvolvimento educacional do mundo muçulmano, este é muito heterogéneo, mas comparando com a Europa, continua num estádio de subdesenvolvimento.

Actualmente, muitos países muçulmanos estão em pleno processo de transição,29 promovendo o

controlo da natalidade e a erradicação do analfabetismo, procurando melhorar estes indicadores, mas esta fase engloba algum ―sofrimento e agitação próprias do desenraizamento mental‖, considerando

29 O processo de transição demográfica caracteriza-se pela passagem de um regime demográfico com uma elevada taxa de fecundidade e uma forte mortalidade, para um regime demográfico baseado numa baixa taxa de fecundidade e reduzida taxa de mortalidade (Garrido e Costa 1996, 183).

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Todd que, globalmente, o ―Islão atravessa a sua crise de modernização‖ (Todd 2002, 47-49).

Esta realidade é a consequência do devir histórico da Civilização Islâmica, a qual atingiu o seu apogeu há cerca de oito séculos, no tempo do Califado, quando estava num estádio de desenvolvimento muito superior ao da Europa, devido principalmente, à sua capacidade económica, cultural e militar, realidade que ainda constitui, actualmente, um marco de referência na memória colectiva dos Muçulmanos (Enzensberger 2008, 61).

Contudo este paradigma desvaneceu-se, tendo o poder, o prestígio e o peso cultural e económico do mundo árabe e muçulmano entrado num declínio progressivo (Enzensberger 2008, 61), principalmente a partir do século XV, quando jurisconsultos islâmicos impediram a introdução da edição impressa, invocando como dogma fundamental, não ser necessária a existência de mais nenhum livro além do Alcorão. Esta atitude impediu a produção de livros, em escrita árabe, durante muito tempo e provocou, graves consequências no desenvolvimento científico que ainda se fazem sentir, como se comprova pelo facto de a percentagem de livros impressos no mundo árabe e muçulmano ser apenas 0,8% da produção mundial, assim como a quantidade de traduções, ao longo dos últimos 1200 anos, corresponder aproximadamente, à actual produção anual da Espanha e, durante os ―últimos quatrocentos anos, não terem gerado nenhuma descoberta digna de ser mencionada‖ (Diner, in Enzensberger 2008, 57-58 e 63).

O filósofo tunisino Abdelwahab Meddeb recorda que, ―para o Islão a entropia está em construção desde o século XIV, mas foi apenas no final do século XVIII (com a expedição de Napoleão Bonaparte ao Egipto) que os próprios Muçulmanos começaram a ter consciência de que já não estavam à altura do Ocidente‖. Após a confrontação com esta realidade, Meddeb diz que, ―o sujeito islâmico, que se reivindicava superior ou, pelo menos, igual ao ocidental, não entendeu o processo que o levou a tornar- se tão frágil no seu confronto com o protagonista europeu‖ e deste modo, ―nasceu entre os Árabes como entre os Muçulmanos, o ressentimento‖ (Meddeb 2005, 19-20).

Este ressentimento que, segundo Cláudio Torres vem crescendo, explica as operações

desencadeadas pelos islamistas (Torres, in Moreira (coord.) 2004, 38).

Yvonne Haddad diz-nos que este ressentimento está relacionado com a forma como os

Muçulmanos analisam os factos históricos, sobretudo porque ―tendem a ver-se a si próprios como vítimas das circunstâncias históricas e das forças conspirativas motivadas pelo ódio‖. Esta autora salienta que, este ―processo de vitimização‖ teve a sua génese nas ―Cruzadas, passando pela Reconquista, pela época dos imperialismos europeus no Médio Oriente, para se agravar nos nossos dias‖ (Haddad, in Pinto, in Moreira (coord.) 2004, 451).

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Céu Pinto afirma que esta animosidade contra o Ocidente se acentuou nos finais do séc. XIX, quando o domínio colonial das potências imperiais europeias foi mais intenso e se tornou uma realidade no quotidiano dos Muçulmanos. Por estes factos, os ―islamitas contemporâneos apontam a

experiência colonial como a principal responsável pelo declínio das sociedades islâmicas‖ (Pinto, in

Moreira (coord.) 2004, 451).

Bernard Lewis recorrendo a vários indicadores, principalmente das Nações Unidas e do Banco Mundial, diz-nos que os países árabes, em matérias como a criação de emprego, a instrução, a tecnologia e a produtividade, registam um subdesenvolvimento considerável que aumenta continuamente em relação aos países ocidentais (Lewis 2003/2006, 105). E relativamente à produção literária, bem como à sua comercialização e difusão, apresenta um quadro sombrio, referindo uma lista de 27 países, onde não se inclui um único país muçulmano (Lewis 2003/2006, 105-106; PNUD 2002, 51-59).

O relatório sobre Desenvolvimento Humano Árabe de 2002, preparado por vários intelectuais árabes e publicado com o patrocínio da ONU, sistematizou e divulgou mais contrastes impressionantes, nomeadamente que ―o mundo árabe traduz cerca de 330 livros por ano, um quinto daqueles que a Grécia traduz (Lewis 2003/2006, 107; PNUD 2002, 65-80).

Lewis diz-nos que ―o número acumulativo total de livros traduzidos desde a época do Califa Maa'moun's, (século IX), é de cerca de 100.000, quase o número que em média a Espanha traduz por ano‖. Quanto à situação económica o quadro também não muito animador, porquanto ―o produto interno bruto combinado de todos os países árabes atingiu 531,2 biliões de dólares em 1999 — menos do que o de um único país europeu, a Espanha (595,5 biliões de dólares) ‖, o que não é surpreendente se tivermos em consideração os elevados índices de analfabetismo (Lewis 2003/2006, 107; PNUD 2002, 65-80).

Perante esta realidade confrangedora, num mundo globalizado e em que a informação circula à velocidade da luz, não é surpreendente que muitos Muçulmanos se interroguem acerca do insucesso da modernização dos seus países e, tentem encontrar respostas para os diferentes diagnósticos das doenças, constrangimentos e vulnerabilidades que atingem as suas sociedades, visando a sua transformação, numa perspectiva de progresso e desenvolvimento.

Para alguns, a resposta é mais e melhor modernização, inovação e desenvolvimento, pretendendo colocar os seus países em patamares de desenvolvimento idênticos aos do mundo moderno. Para outros, especialmente os islamistas, é a modernização que constitui o problema e a fonte de todas as desgraças do Islão (Lewis 2003/2006, 109).

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Nesta perspectiva, o Supremo Líder do Irão, Ayatollah Ali Khamenei, durante uma reunião com bibliotecários e funcionários da indústria livreira do Irão, realizada em 20 de Julho de 2011, reprovou todos os livros que tenham uma aparência cultural mas contenham motivações políticas específicas escondidas. Nesta recomendação, alertou para o seu perigo, associando-os a ―drogas venenosas‖, afirmando que ―nem todos os livros são necessariamente bons e nem todos são nocivos, só alguns‖ (Carla Santos 2011, 17).

Neste âmbito, o segundo relatório sobre o Desenvolvimento Humano Árabe de 2003, reconhecia a existência de um ‗fosso de conhecimento‘ entre os países desenvolvidos e os países árabes, referindo Miguel Monjardino, que o ―fulgor científico do mundo islâmico eclipsou-se há sete séculos e o seu mundo universitário é um deserto‖. Monjardino, para sustentar esta afirmação, citou um ensaio

publicado por Pervez Amirali Hoodbhoy,30 no número de Agosto de 2007, da revista ―Physics Today‖ no

qual argumentava que não era apenas o mundo árabe que estava decadente do ponto de vista científico, mas a totalidade do mundo islâmico contemporâneo (Monjardino 2007).

Hoodbhoy comparou o Brasil, a Índia, a China e os EUA, quanto à publicação de ensaios e citações académicas, constatando um atraso muito substancial do mundo islâmico. Através de um estudo comparativo entre os 30 países da OCDE e os 57 países da Organização da Conferência Islâmica, estes revelaram um número reduzido de cientistas, engenheiros e técnicos, bem como a quantidade de patentes produzidas durante as últimas décadas nos países da OCI é muito reduzido, apesar de existirem cerca de 1800 universidades no mundo islâmico, contudo nenhuma integra a lista das quinhentas melhores universidades mundiais, compilada pela Universidade Jiao Tong de Xangai (Monjardino 2007; Hoodbhoy 2007).

Hoodbhoy referiu também que, a liberdade académica e cultural nas universidades islâmicas, continua a ser severamente restringida. No que respeita à sua universidade, a segunda melhor universidade da OCI, existem três mesquitas, mas não há uma única livraria. No que se refere à liberdade, cita como exemplo, o caso de Abdus Salam, vencedor do Prémio Nobel da Física em 1979 que, devido às suas crenças religiosas serem consideradas heréticas pelo governo do Paquistão, em 1974, nenhuma universidade paquistanesa aceitou recebê-lo nas suas instalações até à sua morte e, perante tal cenário, Hoodbhoy perspectiva que a ciência não regressará ao mundo islâmico enquanto não forem consumadas profundas reformas políticas e religiosas nos países da OCI (Monjardino 2007; Hoodbhoy 2007).

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Como sublinha Adelino Torres, a ideologia islamista e em particular, esta visão da sociedade e do mundo, ―caracteriza-se precisamente por uma total incompreensão do que é a modernidade se definirmos esta como o corte entre uma inteligibilidade medieval, dominada por dogmas e construções imaginárias, e uma inteligibilidade moderna inaugurada pela explosão humanista do Renascimento, o

choque da Reforma e as revoluções científicas de Galileu às ciências positivas‖ (Torres, in Moreira

(coord) 2004, 19).

O mundo árabe e muçulmano na sua quase totalidade é afectado pela pobreza e pela tirania, combinando uma produtividade baixa com uma elevada taxa de natalidade, o que no Médio Oriente produz uma mistura instável e até explosiva, devido à conjugação de uma população, numerosa e crescente de jovens desempregados que, Huntington considera serem os protagonistas do protesto, da instabilidade, da reforma e da revolução (Huntington 1996/1999, 137).

Esta juventude, na sua esmagadora maioria sem instrução, comunga um sentimento de frustração, por não terem perspectivas de um futuro melhor (Lewis 2003/2006, 105), assim como devido às informações veiculadas pelas novas tecnologias de informação e pelas redes sociais, ―estão cada vez mais conscientes do profundo e extenso abismo que existe entre as oportunidades do mundo livre, fora das suas fronteiras e das terríveis privações e repressão nos seus países‖. O sentimento de repulsa daí resultante é ―dirigido em primeiro lugar contra os seus governantes, e depois contra aqueles que eles consideram que mantêm esses governantes no poder por razões do seu interesse‖ (Lewis 2003/2006, 109).

Segundo a análise de Timur Kuran, o actual estado de subdesenvolvimento que subsiste no Médio Oriente, salvo raras excepções, não será alterado a curto prazo, porque ao longo dos séculos, o sector privado e as respectivas sociedades civis, foram organizados de forma deficiente e mantidos em letargia, denotando grandes fragilidades. As instituições pré-modernas do Médio Oriente preparam o cenário para os actuais sistemas burocráticos serem sobredimensionados e, por vezes, quer as políticas governamentais quer as normas sociais, prejudicam ou impedem o empreendedorismo (Kuran 2011, 301).

Este autor considera que, mesmo se porventura, os diversos regimes autocráticos da região implodissem, o desenvolvimento de sectores privados fortes e sustentados, assim como as respectivas sociedades civis, levariam décadas a implementar, assim como herdariam burocracias habituadas a praticas corruptas (Kuran 2011, 301).

Este professor refere ainda outra dificuldade que, apesar das profundas reformas institucionais

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modernidade, a região como um todo, ainda não chegou a um consenso acerca dos motivos pelos quais se transformou num insucesso económico (Kuran 2011, 302).

Neste sentido, a ideia de que os estrangeiros são de alguma forma os responsáveis pelo subdesenvolvimento do Médio Oriente, encontra eco em boa parte da população, incluindo aqueles que consideram a lei islâmica retrógrada e obsoleta. Assim, destaca-se o papel desempenhado pela Sharia como força de bloqueio da modernização organizacional do Médio Oriente, sendo a empresa algo que

ainda hoje é mal compreendido. Deste modo, o próprio status quo limita o conjunto de ferramentas

retóricas que os defensores da globalização e da modernização podem usar, assim como impossibilita o sucesso dos debates sobre as virtudes do Islão na adopção de soluções para combater a pobreza, a má gestão e a falta de poder (Kuran 2011, 302).

Kuran também refere que foi esta região que proporcionou as principais instituições económicas ao capitalismo moderno, mas como foi há demasiado tempo, hoje parecem ser estrangeiras e, portanto, pode ser culturalmente aceitável, mesmo para um islamista conscientemente anti-moderno. Estas instituições podem ser melhoradas, recombinadas, e aplicadas a novos domínios de forma criativa e sem se oporem ao Islão, como religião, podendo até relacionarem-se. Além disso, a história económica do Islão engloba diversos precedentes de promoção da livre iniciativa e do limitado papel económico do governo, não havendo nenhum período histórico onde faltasse a empresa privada. Nesta perspectiva, Kuran conclui que uma sociedade de matriz muçulmana, não é por inerência, incompatível, com a economia de mercado, baseada na livre concorrência e na abertura ao financiamento e à inovação, assim como o seu governo deve ter como objectivo apoiar, ao invés de sufocar, a iniciativa privada (Kuran 2011, 302).

Focalizando-nos novamente no continente europeu, Boaventura Sousa Santos diz-nos que ―a Europa sempre teve duas periferias, a do Norte de África e a da Grécia até à Irlanda, unidas pelo Mediterrâneo‖. Actualmente, ―as duas estão a arder‖, por motivos diferentes, ―uma com acções de rua e grandes transformações políticas‖, enquanto ―a outra, vive uma crise política que ainda está no domínio das instituições do Estado‖, resultante da crise das dívidas soberanas dos Estados (Santos

2011, 11).31

Esta situação altamente explosiva que, está a percorrer todo o Norte de África e o Médio Oriente, iniciou-se em 14 de Janeiro de 2011, na Tunísia, com a chamada ―Revolução de Jasmim‖. Contudo,

31 Actualmente, assistimos a um conflito monetário visível entre o dólar e o euro que, sempre existiu, mas foi dissimulado. Garcia Leandro refere que ―se a Europa foi importante para os EUA na Guerra Fria, isso já lá vai‖, pois com a gravíssima crise económica e financeira que os EUA também enfrentam, a ―UE e o euro são considerados inimigos‖, porquanto, ―para além da interdependência que existe entre as economias europeia e americana, o que está agora em jogo é a supremacia mundial do dólar, posta em causa pelo euro‖ (Leandro 2011). E esta guerra financeira tem a ver com o euro e com uma Europa que, se demasiadamente forte e muito autónoma, poderá colocar problemas aos EUA (Leandro 2011).

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rapidamente alastrou ao Egipto, onde eclodiu a 21 de Janeiro, tornando famosa a Praça Tahrir, por ser o local para onde convergiram os militantes que encorparam a ―Revolução de Lótus‖. Esta acção, forçou o presidente Hosni Mubarak a abdicar e a possibilitar a consequente mudança de regime, como havia acontecido na Tunísia com a saída do presidente Ben Ali, os quais, até então, governaram os seus países com ―mão de ferro‖ (Silva 2011, 20-31).

Estas revoltas tiveram como grandes catalisadores, as revelações feitas pela wikileaks, sobre a corrupção das elites que governavam estes países, e concomitantemente, a transmissão dos acontecimentos nos vários países, pela Al-Jazira (Gomes 2011, 14-15), destacando-se as redes sociais que disseminaram estas informações e apelaram à revolta. Este vento de mudança no Médio Oriente, provocou um efeito dominó que motivou outros soberanos da região a anunciarem e efectuarem remodelações governamentais, como os reis da Jordânia e de Marrocos, prometendo reformas sociais e políticas (Silva 2011, 20-31).

Esta nova realidade que emergiu na maioria dos países do Magrebe e do Médio Oriente, provocou convulsões nos seus sistemas sociais e políticos que, segundo Henrique Cymerman, é analisada pelas lentes israelitas, através de uma analogia com a obra musical de Antonio Vivaldi ―As Quatro Estações‖. Segundo esta perspectiva, o Egipto e a Tunísia, vivem uma situação de calma e esperança que se assemelha à ‗Primavera‘, preparando-se respectivamente, para a realização de eleições em Setembro e Outubro. A situação na Síria, Líbia, Iémen e Bahrein, é muito volátil, devido ao clima de guerra civil que percorre estes países e, por este facto, estão numa fase similar ao ‗Inverno‘ (Cymerman 2011, 28).

A Jordânia, Marrocos e a Arábia Saudita, apesar de alguma contestação, permanecem estáveis, pelo que vivem numa situação análoga ao ‗Outono‘. Ainda segundo esta perspectiva, existem outras realidades em países como o Líbano, Argélia, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Sudão e Qatar que, se afiguram de algum modo, ao ‗Verão‘. Esta comparação, resulta do facto de alguns destes países, terem sido palcos recentes de guerras civis, pelo que tudo farão para as evitar novamente, assim como as

suas elites terão muito a perder com estes tsunamis que varrem o mundo árabo-muçulmano

(Cymerman 2011, 28).

De igual modo, o professor de Ciência Política Jose Ignacio Torreblanca, referiu que se a ―Primavera árabe se caracterizou pelo excesso de ilusões, o Verão árabe é definido pela incerteza‖, sublinhando que cinco meses após o início das revoltas, a onda de mudança dividiu-se em três vagas menores (Torreblanca 2011).

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radicalmente com o passado, mas o seu futuro está ainda longe de estar assegurado. A Argélia, Marrocos, Jordânia e a Arábia Saudita, decidiram implementar reformas para evitar a pressão popular. Outra decisão foi adoptada pela Líbia, Síria, Iémen e Bahrein que, decidiram optar por acções muito musculadas, constituindo a vaga repressiva (Torreblanca 2011).

Mas, seis meses após o início da Primavera Árabe, o Ocidente percebeu que ―falar livremente, participar na vida interna do país, acreditar no sistema de Justiça e ter um Governo transparente são aspirações universais‖, factos que o Presidente Obama havia salientado no discurso que proferiu no Cairo, em 04 de Junho de 2009, dizendo que ―estas não são ideias ocidentais, mas Direitos Humanos‖ (Editorial Público 2011, 3).

Este editorial do jornal ―Público‖, referia que ―aprendemos também que não há uma revolta árabe única, mas países com histórias, economias, regimes políticos e dinâmicas sociais próprias e contrastantes‖, e que estas revoltas ―destruíram muitos clichés ocidentais e provaram que, aqueles regimes apesar de parecerem inamovíveis eram vulneráveis‖ (Editorial Público 2011, 3).

Neste sentido, apesar da importância das novas tecnologias de informação, ―não foi o ‗Facebook‘ que criou esta Primavera, mas grandes e lentas mudanças estruturais‖, porquanto ao longo dos ―últimos 20 anos, o número de jovens aumentou muitíssimo em toda a região (50% na Líbia e 125% no Iémen), assim como o número de estudantes universitários, triplicou na Tunísia e aumentado dez vezes na Líbia‖ (Editorial Público 2011, 3).

Enquanto esta realidade social ocorria, em simultâneo, as economias também cresciam, mas a riqueza passou ao lado da maioria da população, continuando a permanecer nas mãos dos familiares e amigos dos ditadores, gerando a marginalização das novas classes médias que conjugada com a humilhação e o desemprego crescentes foram factores decisivos para a eclosão destas revoltas (Editorial Público 2011, 3).