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Adaptation du calcul analytique dans le cas d’une machine à réluctance variable 58

2.4 Conducteurs logés dans l’encoche d’un circuit magnétique

2.4.5 Adaptation du calcul analytique dans le cas d’une machine à réluctance variable 58

A hipótese testada no trabalho de referência é a de que “é possível identificar fatores culturais associados à corrupção” (POWER e GONZÁLEZ, 2003, p. 53). Em outras palavras, a cultura – entendida como o conjunto de valores, crenças e atitudes partilhados pelos membros de uma sociedade – pode ajudar e explicar a corrupção – definida como o abuso do poder confiado para fins privados. Essa hipótese remete à ideia de que existe uma conexão entre cultura política e desempenho de instituições governamentais, noção defendida pelos teóricos do capital social. Se há essa conexão, também dever possível identificar fatores culturais associados à corrupção (idem, p. 51).

Embora estejamos de certa forma vinculados à essa hipótese, em razão da nossa escolha metodológica de replicar a estrutura do trabalho referido, optamos por desmembrá-la em uma série de hipóteses menores, menos gerais. Acreditamos que essa opção abrange integralmente a hipótese original e permite uma análise mais objetiva e individualizada da relação entre nossas variáveis culturais, políticas e econômicas e a corrupção.

Assim, levando em consideração as potenciais relações causais apresentadas na revisão de literatura e aqui sucintamente recapituladas, estabelecemos 21 hipóteses de trabalho, que serão expostas abaixo. As hipóteses de 1 a 11, embora não explícita e individualmente definidas pelos autores, foram derivadas do trabalho de referência. As seguintes, de 12 a 21, foram acrescentadas nesse trabalho, buscando explorar novas possibilidades de análise e oferecer um diálogo ainda mais interessante com os achados originais. Salientamos que, a despeito do número relativamente alto de hipóteses elencadas, elas serão testadas usando a mesma metodologia básica, e todas derivam da nossa hipótese central de que “existem fatores culturais identificáveis associados à corrupção”, preservando a estrutura objetiva e coesa do trabalho. Feitas essas considerações, passamos a seguir às nossas hipóteses.

Observamos que a confiança generalizada ou interpessoal diminui a incerteza social, estimula a reciprocidade e a cooperação espontânea, diminui os custos de transação e melhora o desempenho governamental. Além disso, os laços de solidariedade e a expectativa de que os outros cidadãos também respeitarão as regras diminuem a propensão a transgredir.

Hipótese 1: Quanto maior a confiança interpessoal de uma sociedade, menor será o seu grau de corrupção.

Em um contexto de desconfiança e ceticismo com relação ao comportamento dos demais cidadãos, as instituições perdem credibilidade e há menor respeito às regras e normas gerais, uma vez que há a expectativa de que os outros também assim procederiam.

Hipótese 2: Quanto mais fortes forem as orientações não cívicas de uma sociedade, maior será o seu grau de corrupção.

Vimos que a prática da corrupção está associada também ao alinhamento entre o que a norma institui como sendo corrupção e aquilo que os indivíduos consideram como tal. Quantos mais fluidos forem os valores compartilhados com relação à obediência às normas, mais fértil seria a sociedade para o comportamento corrupto.

Hipótese 3: A aceitação social do ato de alguém receber suborno no exercício de suas obrigações está direta e positivamente relacionada ao nível de corrupção.

O vínculo entre o protestantismo e a menor corrupção foi apontado pela literatura sob diversas formas: as sociedades protestantes questionam mais as autoridades e são menos coniventes com o abuso. O foco no indivíduo, em oposição à família, diminuiria a propensão ao familismo amoral. A separação entre a igreja e o Estado, observada nas sociedades protestantes contribui para uma sociedade civil mais atuante.

Hipótese 4: Quanto maior a porcentagem de filiação protestante em uma sociedade, menor será o seu grau de corrupção.

Em oposição ao protestantismo, as religiões católica e islâmica apresentam, segundo observamos, uma mais tênue separação entre Estado e igreja e uma estrutura mais hierarquizada, o que contribui para diminuir o comportamento cívico. Esses fatores, somados ao maior familismo observado nessas tradições religiosas – também relacionadas a governos menos eficientes – resultam em uma maior propensão à corrupção

Hipótese 5: Quanto maior a porcentagem de filiação católica em uma sociedade, maior será o seu grau de corrupção.

Hipótese 6: Quanto maior a porcentagem de filiação islâmica em uma sociedade, maior será o seu grau de corrupção.

O vínculo entre gênero e corrupção foi investigado sob vários ângulos pela literatura abordada, para quem as mulheres seriam menos egoístas e menos ávidas por ganhos materiais que os homens, o que aumenta a sua propensão à colaboração e diminui as chances de transgressão. No nível macro, a proporção de mulheres no governo foi relacionada a uma menor corrupção, talvez porque, devido à discriminação, somente as mulheres mais honestas e capazes consigam ascender aos altos escalões governamentais.

Hipótese 7: Quanto maior a porcentagem de mulheres no governo em uma dada sociedade, menor será o seu grau de corrupção.

O desenvolvimento econômico está associado a uma menor corrupção na medida em que promove mais altos salários no setor público, desestimulando o comportamento corrupto. Além disso, o desenvolvimento proporciona melhores níveis de educação, o que por sua vez contribui para uma sociedade mais crítica e aumenta as chances de a corrupção ser combatida.

Hipótese 8: Quanto maior o nível de renda observado em uma sociedade, menor será o seu grau de corrupção.

Vimos que não apenas o nível de renda, mas também a sua distribuição estaria associada à corrupção, e que esta tende a acentuar a desigualdade. Em sociedades com distribuição de renda desigual, os ricos tem mais oportunidades para se engajar em operações corruptas, e os pobres, menos capacidade de identificar e punir esses comportamento. A desigualdade também deturpa a percepção social sobre as leis e instituições e favorece a maior tolerância para com a corrupção

Hipótese 9: Quanto mais desigual for a distribuição de renda em uma sociedade, maior será o seu grau de corrupção.

A democracia está associada a uma menor corrupção, pois apresenta maiores ferramentas de accountability, estimula a competição entre o adversários políticos – que vigiam uns aos outros em busca de indícios de transações suspeitas – e fornece meios periódicos para premiar os bons e afastar os maus representantes, por meio das eleições. A democracia estaria também associada à maior confiança interpessoal.

Hipótese 10: Quanto mais democrático for o governo de determinado país, menor será o seu grau de corrupção.

Um dos elementos que contribui para a maior transparência dos governos é uma imprensa livre, atuante e investigativa, que denuncie eventuais abusos do governo e ofereça à sociedade um canal de pressão, contribuindo para maior accountability.

Hipótese 11: Quanto mais livre for a imprensa de determinado país, menor será o seu grau de corrupção.

A importância do mérito foi identificada com valores progressistas como fundamental para o desenvolvimento. Ainda, o recrutamento pelo mérito para a administração pública foi relacionado a uma menor corrupção.

Hipótese 12: Quanto mais socialmente valorizado for o mérito em um dado país, menor será o seu grau de corrupção.

A ética do trabalho foi apontada como uma das principais características do protestantismo (frequentemente associado a uma menor corrupção), e considerada como fundamental para entender a relação dessa religião com o desenvolvimento econômico.

Hipótese 13: Quanto mais valorizado socialmente for o trabalho em um dado país, menor será o seu grau de corrupção.

Conforme observamos, a confiança pode ser geral, indistinta, estendida a todos, ou relacional, objetiva, restrita a certo grupo que compartilha algum tipo de afinidade. Nesse caso, os benefícios da confiança, como a maior cooperação e solidariedade, se restringem a esse menor grupo (notadamente a família). Nesse contexto, os indivíduos tendem a abandonar as normas universalistas e apresentar maior favorecimento aos membros da família e amigos, sendo o nepotismo uma das manifestações desse “familismo amoral”.

Hipótese 14: Quanto maior a importância relativa da família em uma sociedade, maior será o seu grau de corrupção.

O maior respeito às tradições e à autoridade são características de sociedades mais hierarquizadas, estáticas. Nelas, há menor ênfase no progresso e na diversidade de ideias, maior importância relativa da família (o que se relaciona com o familismo amoral) e maior deferência às autoridades. Assim, a capacidade do indivíduo em questionar o poder instituído tende a ser menor, diminuindo o engajamento social e aumentando a corrupção.

Hipótese 15: Quanto maior a deferência à autoridade em uma sociedade, maior será o seu grau de corrupção.

Hipótese 16: Quanto mais fortes forem os valores tradicionais em uma sociedade, maior será o seu grau de corrupção.

Sociedades secular-racionais dão relevância oposta aos valores descritos acima. Sua hierarquia menos vertical e sua ênfase na razão aumentam a capacidade de mobilização e cobrança das autoridades, diminuindo a corrupção.

Hipótese 17: Quanto mais fortes forem os valores secular-racionais em uma sociedade, menor será o seu grau de corrupção.

O ambiente de prosperidade econômica e segurança vivenciado após a segunda guerra mundial promoveu uma alteração nos valores prioritários da sociedade, transitando de valores mais materialistas – preocupados com questões materiais como inflação e emprego – para valores pós-materialistas – com ênfase no bem-estar, criatividade e felicidade. Os valores pós-materialistas também são relacionados à pronunciada centralidade na autonomia do indivíduo, o que contribui para a maior democracia e menor corrupção.

Hipótese 18: Quanto maior o índice de autonomia observado em uma sociedade, menor será o seu grau de corrupção.

Hipótese 19: Quanto mais pós-materialistas forem os valores observados em uma sociedade, menor será o seu grau de corrupção.

Essa oposição entre valores materiais e pós-materiais foi resumida no índice de pós materialismo, que aliado ao índice de autonomia, está na gênese de um mais elaborado e conceitualmente sofisticado eixo cultural, que opõe valores de sobrevivência a valores de autoexpressão. Países que enfatizam valores de sobrevivência apresentam menor confiança interpessoal e maior propensão a governos autoritários, enquanto países onde prevalecem os valores de autoexpressão apresentam maiores autonomia do individuo, confiança interpessoal, mobilização política e propensão à democracia, culminando em uma menor corrupção.

Hipótese 20: Quanto mais fortes forem os valores de sobrevivência em uma sociedade, menor será o seu grau de corrupção.

Hipótese 21: Quanto mais fortes forem os valores de autoexpressão em uma sociedade, menor será o seu grau de corrupção.