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Quadro 7 - Reação do Grupo Perante a Música

O quadro 7 foi construído a partir dos dados recolhidos nas entrevistas dadas às educadoras, mais especificamente, nas respostas à pergunta número 4: “Qual é a reação que o grupo tem perante a música?”

Análise

Relativamente à receção do grupo perante a música as educadoras a apontaram que as crianças são recetivas, interessadas e motivadas perante

atividades de música quer nas aulas de música quer no dia a dia da sala em

que a música também está presente. Uma educadora, afirma que mesmo que “As crianças reagem com interesse, e motivação nas diferentes atividades; são entusiastas e recetivos” (Quadro de Análise das Entrevistas- Anexo 5)

Reação do grupo perante a música Número de Registos

Recetivo 4

Interessados 4

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Considerações Finais

No presente trabalho de investigação procurou-se perceber quais os impactos da presença de um professor de música no desenvolvimento da criança, num contexto de Jardim de Infância. No sentido de recolher dados que permitissem responder a esta questão, realizou-se um estudo de caso na própria instituição onde se realizou a prática supervisionada.

Neste trabalho foi utilizada a observação direta dos grupos de crianças de 3, 4 e 5 anos e da professora de música, que lecionava as aulas. Para complementar e consolidar a observação realizada pela estagiária, foram realizadas entrevistas às educadoras responsáveis pelos grupos observados e à professora de música, que lecionava as aulas aos grupos.

A música é indiscutivelmente importante para o desenvolvimento integral da criança. Essa importância é valorizada uma vez que nas OCEPE contemplam as áreas artísticas, onde está inserida a expressão musical, tal como é evidenciado no capítulo 2.1 no presente relatório, em que se descrevem os objetivos definidos para a expressão musical.

Embora a música seja, como está plasmado ao longo desse mesmo capítulo, valorizada nos documentos orientadores da Educação de Infância, a música, no contexto onde foi realizada a presente investigação, é lecionada por um professor especialista na área de expressão musical. Este facto foi a questão impulsionadora desta investigação que teve como objetivos perceber não só os benefícios da presença deste profissional para as crianças, mas também que competências, segundo as educadoras e a professora de música, eram desenvolvidas/ trabalhadas através da música neste contexto.

Sendo assim, revelou-se importante perceber o que os autores, que se debruçavam sobre esta temática, diziam nomeadamente no que diz respeito aos benefícios da música na Educação Pré-escolar. Esta dimensão da música foi abordada no capítulo 3, em que no término desse capítulo, é possível enumerar evidências no que diz respeito ao papel da música no Jardim de Infância:

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a) o educador de infância deveria ter uma formação consolidada em música, porque mesmo que as crianças tenham oportunidade de ter expressão musical com o profissional especializado, o educador de infância é quem está toda a semana e todas as horas do dia com o grupo. Sendo a música uma área que potencia o desenvolvimento de saberes em todas as áreas, reforça-se a importância de uma sólida formação artística musical na formação do educador de infância.

b) O professor de música, que trabalha no contexto de educação de infância, deve ser um profissional que valorize a criança como um ser integral em que precisa da música para todas as áreas de conhecimento.

c) No que diz respeito ao espaço que a música deve ocupar no Pré- Escolar, considera-se que esta deve estar presente no Jardim de Infância como uma área transversal de saberes que tanto contribui para as aprendizagens.

A análise de dados recolhidos através das entrevistas realizadas às educadoras e à professora de música, permitiu perceber que todas estão de acordo com a afirmação evidenciada na primeira alínea. Mais precisamente consideram ser uma mais valia ter um professor especializado a lecionar as aulas de expressão musical. Exemplo disso é a educadora que afirma “Sim, claro, a música não deixa de ser trabalhada/ vivida na sala apesar do profissional especializado, possuir um vasto leque de conhecimentos e estratégias diversas e enriquecedoras para o grupo” (Quadro de Análise das Entrevistas- Anexo 5).

No que diz respeito à formação do educador, vários autores estão de acordo no sentido de que o educador deveria ter mais formação na área da expressão musical, nomeadamente nas OCEPE, onde é valorizada a música “Por meio de enriquecer as possibilidades de expressão e comunicação das crianças. Neste domínio é crucial a intencionalidade do educador “(capítulo II- 2.1). Neste aspeto as educadoras entrevistadas são unânimes concordando com o que é defendido nesse mesmo capítulo, uma das educadoras, na entrevista afirma que “Tive expressão musical na minha formação base, foi uma mais valia.

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No entanto, tive de pesquisar e dedicar-me a esta área para ficar mais apta a trabalhar com o grupo nesta área” (Quadro de Análise- Anexo 5).

No que diz respeito às duas últimas alíneas, após a observação direta do contexto e a posterior análise dos dados obtidos, é possível afirmar que todas as profissionais envolvidas nesta investigação, têm plena noção da importância da música no dia-a-dia do Jardim de Infância e no que esta pode contribuir para o desenvolvimento integral da criança, nas mais variadas áreas. Estas estão presentes no quadro número 6, que se intitula “Competências ao nível musical/ desenvolvimento integral da criança” que foi construído na base da análise das entrevistas às educadoras e à professora de música. As que mais se destacam, foram as competências ao nível do desenvolvimento da criança como ser integral, no que diz respeito ao desenvolvimento da linguagem, da atenção, do autoconhecimento, do conhecimento do outro e no desenvolvimento da expressão. Outras competências também foram mencionadas, como se pode constatar através da visualização do quadro, mas como muito menos número de registos como a memorização, o desenvolvimento intelectual e auditivo, felicidade e desenvolvimento da comunicação.

Em suma, de acordo com os dados recolhidos, é possível afirmar, que a música é valorizada pelos profissionais envolvidos nesta investigação, que têm perfeita consciência das competências que devem ser trabalhadas através da música e que isso deve ser cada vez mais valorizada na profissão pelo importante papel que tem no desenvolvimento da criança. Esta dimensão de valorização da expressão musical na Infância, está presente no capítulo III- 3, por Vásquez e Nino que descrevem os objetivos da expressão musical com vista ao desenvolvimento integral da criança:

potenciar a discriminação auditiva, estimular e potenciar as habilidades motoras básicas como caminhar, correr e saltar; favorecer o trabalho corporal no espaço e no tempo; potenciar a voz, favorecendo a expressão falada e cantada como meio de expressão o canto; aumentar a capacidade de

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comunicação musical; afirmar a personalidade; estimular os processos criativos; fomentar o sentido de colaboração e respeito por si e pelos seus pares; fomentar o gosto pela música e por fim, potenciar as habilidades de motricidade básicas como a utilização de instrumentos naturais e de percussão. (citado por Amaral, p.7)

As educadoras afirmam, de forma clara, a importância de uma formação contínua por parte dos profissionais em educação: no caso educadoras, em que a formação base deve ser tida em conta como, a base para posteriores formações, pesquisas e estudos, sempre com o intuito de melhorar as suas capacidades e aprendizagens para fazer o seu trabalho da melhor forma possível. Esta dinâmica de aprendizagens por parte do profissional vai de encontro ao conceito de um professor reflexivo. Tal como refere Alarcão, no que diz respeito a um profissional reflexivo, “A reflexão sobre a ação é aquela que ajuda o profissional a progredir no seu desenvolvimento e a construir a sua forma pessoal de conhecer” (Oliveira & Serrazina, p.31). Sendo assim, é necessário, na profissão de educador, paralelamente à da docência, melhorar a sua prática e usando para isso o veículo da reflexão, “os professores que refletem em ação e sobre a ação estão envolvidos num processo interrogativo, não só tentando compreender-se a si próprios melhores como professores, mas também procurando melhorar o seu ensino” (Oliveira & Serrazina, 2002, p.34). Os dados recolhidos nesta investigação permitem perceber que a prática do educador, vai de encontro ao que é tido como importante para a docência no sentido de refletir na sua prática para uma melhor realização profissional e pessoal.

Os profissionais envolvidos nesta investigação valorizam de facto a presença de um profissional especializado na área como uma mais valia para as crianças, uma vez que traz novas formas de trabalhar a música , tal como afirma a professora de expressão musical entrevistada “ As aulas de expressão musical trazem propostas que visam ajudar as crianças no seu desenvolvimento emocional, cognitivo e motor e vão ao encontro das necessidades intrínsecas da criança que é o brincar, cantar, etc. (…) a música é comprovada pela

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neurociência como uma das ferramentas mais poderosas para a aprendizagem, justamente porque a música tem o papel de envolver as crianças e trabalhar os interesses e necessidades delas, e eu de uma certa forma consigo perceber isso através das interações das crianças ao longo das minhas aulas”. (Quadro de Análise das Entrevistas- Anexo 5)

As educadoras vão ao encontro da ideia, de que é positivo para o desenvolvimento das crianças, ter um profissional na área da música. Nesta linha de pensamento, uma das educadoras afirma que “Considero uma mais valia para as crianças, pois sendo um profissional de área, as atividades são adequadas à faixa etária de forma mais ajustada. Por outro lado, tem disponível um leque de recursos, que permite diversificar as aulas, apresentado estratégias distintas.” (Anexo 5, Entrevista 3)

As competências referidas anteriormente no quadro (capítulo 3.3- Competências ao nível musical/desenvolvimento integral do ser), também demonstram, que a formação e desenvolvimento da criança nas mais variadas áreas e domínios, podem ser trabalhadas através da música.

Olhando para todos os dados recolhidos e analisados percebe-se que, embora todos os profissionais envolvidos valorizem a presença de um professor especializado, também se depreende não haver uma preocupação de articulação entre o trabalho realizado na sala pelas educadoras e pela própria planificação das aulas de expressão musical. Esta poderia ser uma mais valia para o grupo de crianças, uma vez que a articulação da sala com a aula de expressão musical poderia trazer competências e atividades/ propostas mais articuladas com o dia a dia na sala, o que melhoraria o interesse do grupo, as competências seriam trabalhadas de uma forma mais consistente e com mais sentido para as crianças. Sendo assim, esta articulação seria uma mais valia para as crianças na sua formação como ser integral inserido na sociedade. Esta articulação entre profissionais deveria ser pensada no sentido de levar o desenvolvimento da criança mais além.

Através desta investigação, foi importante perceber, antes de mais, que as profissionais envolvidas na mesma, têm plena consciência da importância da

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música na Educação Pré-Escolar, nomeadamente em relação ao desenvolvimento integral da criança. O facto de a opinião das educadoras ser unânime, relativamente à formação inicial não ser suficiente para trabalhar a música, demonstra que é importante haver uma formação constante e contínua nesta área e que estas profissionais têm noção disso. Foi ainda possível perceber, através desta investigação no que diz respeito a todos os envolvidos têm a perceção de que a música tem um impacto muito positivo para as crianças, não só a nível do desenvolvimento da mesma, mas também como a criança reage a esta. As crianças, nas aulas de música, estavam sempre felizes, demonstravam prazer a cantar e tocar um instrumento.

Relativamente aos dados que foram recolhidos sobre os impactos e as perceções que a presença do professor de música tem nesta instituição, é que quer para as educadoras quer para as crianças, há vantagens para ambos.

No que concerne às crianças, é possível dizer, que o impacto é muito positivo, não só pelo o que foi referido anteriormente sobre a reação destas à música, mas também ao nível das aprendizagens. A professora de música, na sua entrevista, afirma que são evidentes as evoluções nas aprendizagens das mesmas, “Consigo ver evolução na linguagem, na expressão corporal, na atenção, no desenvolvimento da apreciação musical, na identificação e produção dos diversos aspetos que caracterizam os sons e no desenvolvimento de habilidades cognitivas necessárias para o futuro”. (Quadro de Análise- Anexo 5) No que diz respeito à perceção das educadoras envolvidas nesta investigação, a presença de um profissional de música revela-se bastante positivo. As educadoras enumeram nas suas entrevistas, aspetos positivos para o grupo pelo profissional “possuir um vasto leque de conhecimentos e estratégias diversas e enriquecedoras e importante para o grupo”, por ser capaz de “trabalhar conceitos de uma forma lúdica e divertida”. Uma educadora, afirma ainda que para a sua profissão também é importante a presença de um profissional em música. Esta afirma que “Permite, que o educador, contacte com novas formas de expressão e comunicação na área da música, existindo um

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crescimento pessoal e profissional”. (Quadro de Analise das Entrevistas- Anexo 5).

Para concluir é possível afirmar, que os dados indicam que a presença de um profissional em música é vista como é positiva quer para as educadoras quer para os grupos de crianças. Será importante referir, que esta investigação é um estudo de caso e que, por isso, não permite fazer generalizações, mas sim lançar aquela luz sobre a questão. No entanto, com esta investigação percebe-se que a música, neste contexto, é bastante valorizada pelos benefícios que traz para as aprendizagens das crianças na Educação Pré-Escolar. Todas as profissionais envolvidas colocam a música como parte integrante do currículo e têm noção da forma como enriquecem o seu trabalho com o grupo, ao ter um profissional a trabalhar com as crianças a música. No entanto, considera-se que se houvesse uma articulação das aulas de expressão música e o que trabalho que é realizado na sala, seria uma mais valia para o grupo de crianças. Assim, o papel deste profissional na instituição seria potencializado.

No futuro sobre esta temática, considera-se que seria interessante desenvolver esta investigação, alargando-se o contexto da mesma. Seria interessante perceber, noutras instituições de Educação Pré-Escolar, que não têm um profissional em expressão musical a trabalhar com o grupo, de que forma olham para a música, que papel lhe atribuem, que espeço lhe dedicam e de que forma a trabalham no dia a dia do Jardim de Infância.

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Anexos

Anexo 1- Caracterização da Instituição

A instituição tem como base uma frase, “Educar bem as crianças é transformar o mundo e conduzi-lo á VERDADEIRA VIDA (Regulamento Interno, p.2). A instituição tem um modo de educar, com firmeza, suavidade, simplicidade e espírito de família.

Como instituição católica, pretendem ajudar a criança a desenvolver-se em todos os aspetos, suscitando nela a consciência de que é membro de uma sociedade e, por isso, responsável pela sua transformação. A instituição pretende ser uma comunidade educativa em que o relacionamento escola família seja fulcral no desenvolvimento integral da criança. Esta relação está bastante presente no Plano Anual de Atividades em que não só envolve toda a comunidade como estabelece a ligação entre a família e a Instituição, através de várias iniciativas. O Plano Anual de Atividades está organizado de forma simples e de fácil compreensão por toda a comunidade. Tem as datas das atividades e o que pretendem com cada uma delas. Todas as atividades e propostas vão de encontro á frase deste ano que é “Escuta e Escolhe com o Coração”, em que está bastante vinculado os valores que a instituição tem e que incute através da religião católica, como escutar o outro, respeitar e construir a sua identidade como ser humano que está inserido na sociedade atual, escutando com o coração.

Relativamente à ação educativa da instituição esta, “visa a formação integral e a construção progressiva da pessoa, como ser original, livre e responsável, capaz de tomar decisões pessoais, num horizonte de sentido cristão. Estabelece a interação entre valores, saberes e competências. A via do

coração e da firmeza temperada com a suavidade, em espírito de Simplicidade, são o núcleo da intuição pedagógica de Santa Paula.” (Projeto Educativo, p.9) A instituição dispõe de três valências: Creche, Jardim de Infância e Centro de Atividades de Tempos Livres (CATL)

Relativamente ao Jardim de Infância este é composto por cinco salas com crianças entre os 3 e os 5 anos. Dispõe de um espaço exterior, com cozinha, campo de futebol, campo de basquete, de um salão interior e refeitórios. O Instituto tem um parque de estacionamento, que permite um acesso mais privado. Todas as salas dispõem dos materiais necessários para cada uma das áreas.

Segundo Decreto Lei n.º 115-A/98, de 4 de maio, o Projeto Educativo define-se por um -*“documento que consagra a orientação educativa da escola, elaborado e aprovado pelos seus órgãos de administração e gestão para um horizonte de três anos, no qual se explicitam os princípios, os valores, as metas e as estratégias segundo os quais a escola se propõe cumprir a sua função educativa”. (Segundo Decreto Lei n.º 115-A/98, artigo 3).

No Projeto Educativo estão definidos os princípios orientadores para o jardim de infância em que definem quais os objetivos pedagógicos a que se propõem.

Dão bastante importância ás aprendizagens realizadas na creche e pretendem dar a sua continuidade apostando numa aprendizagem globalizante e integrada com vista a uma articulação articulada do saber. Assim sendo, passo a enumerar os objetivos pedagógicos presentes no projeto educativo da instituição:

a) promover o desenvolvimento pessoal e social da criança com base em experiências de vida democrática numa perspetiva de educação para a cidadania;

b) fomentar a inserção da criança em grupos sociais diversos, no respeito pela pluralidade das culturas, favorecendo uma progressiva consciência do seu papel como membro da sociedade;

d) estimular o desenvolvimento global de cada criança, no respeito pelas suas caraterísticas individuais, incutindo comportamentos que favoreçam

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