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Les activités de l’Agence en 2019

Dans le document Rapport financier 2019 (Page 8-12)

1. RAPPORT DE GESTION

1.4 Les activités de l’Agence en 2019

Até finais do século XIX e inícios do século XX, o trabalho é sobretudo uma actividade doméstica, realizada em casas particulares. Os trabalhadores fazem-no por conta de outrem, ou por conta própria, em suas casas e nas

dos empregadores. Segundo um estudo de Antoine Prost101, na região

francesa, os trabalhadores ao domicílio são jornaleiros ou trabalhadores indiferenciados sem patrão fixo, que deixam o seu domicílio, para ir trabalhar em casas de outros. Recebem um salário inferior ao dos operários fabris que surgem por esta altura e, como relata ao autor, trabalham em más condições, desde o amanhecer até à noite, para conseguir sobreviver: de pé às 4 horas

da manhã, o pai e os filhos descem à cave para trabalhar no tear; a mãe prepara as tramas, e os teares fazem-se ouvir até às dez da noite: quinze horas de trabalho efectivo por dia, na humidade e muitas vezes à luz de velas de sebo102. No trabalho ao domicílio, não há privacidade. O espaço

doméstico é o mesmo que o espaço profissional e os conflitos públicos,

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Antoine Prost, "Fronteiras e Espaços do Privado", in Philippe Ariès e Georges Duby (org.), História da Família Privada - Da Primeira Guerra aos Nossos Dias, Porto, Ed. Afrontamento, 1991, vol.5.

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desenrolam-se frequentemente, em locais privados.

Os trabalhadores independentes, são na sua maior parte, agricultores, artesãos e comerciantes. Entre estes, a família torna-se numa unidade de produção autónoma, mobilizada para a exploração agrícola ou para o comércio. Na agricultura, os filhos mais novos e os familiares mais idosos, levam as vacas para o campo, os adolescentes fazem o trabalho de criados, as mulheres mandam nos estábulos, nas hortas e no galinheiro. No comércio, ou entre os artesãos, a mulher trata das contas e os filhos, depois da escola, ajudam na loja ou fazem recados.

O facto de toda a família estar integrada numa mesma actividade económica, leva a uma mistura entre a vida privada e o trabalho produtivo. O orçamento familiar e profissional, confundem-se: o dinheiro que a lavradeira

gasta a comprar café, chocolate ou um lenço de pescoço é dinheiro que lhe pode faltar para pagar a renda ou para comprar gado103. Daí que o sucesso da empresa familiar, dependa da contenção dos gastos domésticos.

Para além do trabalho no domicílio, o trabalho fora de casa, vai tendo uma importância crescente. Por um lado, porque permite uma separação entre o espaço profissional e o espaço familiar, e por outro lado, porque é mais bem pago. No entanto, as condições de trabalho são desorganizadas e precárias. O autor, dá o exemplo francês da Renault que nas suas primeiras instalações, ocupa cerca de quarenta edifícios dispersos, em Billancourt. Os trabalhadores deslocam-se entre os diferentes locais de funcionamento da fábrica, o que atrasa o processo produtivo e provoca frequentemente, o recurso à mão de obra infantil. As fábricas para além de dispersas pela região, por vezes ao longo de quilómetros, não têm vedações e permitem a aproximação de qualquer pessoa estranha, sobretudo de vagabundos que se aquecem nos fornos industriais.

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No início do séc. XX, só os burgueses têm direito à vida privada. Os operários, vivem para o trabalho, vêm de zonas rurais, dormem e comem nas fábricas, ou são alojados pelas empresas, em conventos. Na área da saúde, independentemente da classe social, os trabalhadores dormem e comem nos hospitais, em alojamentos com más condições e propícios à propagação de doenças, como por exemplo, a tuberculose. Normalmente, os empregados de comércio e os criados domésticos, ficam alojados nas casas dos patrões, como é o caso de alguns chocolateiros e padeiros. Como o espaço familiar se confunde com o profissional, os empregados e as empregadas prestam serviços na sua profissão e ao mesmo tempo, se for necessário, serviços domésticos, tais como servir à mesa, lavar a louça, serviços de cocheiro, etc.

Nas cidades, os prédios das habitações estão misturados com os armazéns e as oficinas, nas mesmas ruas, à volta de pátios. Os ruídos são os das crianças, os das máquinas, os dos martelos e de todo o equipamento de trabalho. Como as fronteiras entre os espaços públicos e privados se confundem, os patrões consideram as suas empresas como as suas casas, mesmo que estas estejam localizadas fora do lar familiar. A relação do empregador com o seu empregado, é uma relação paternalista. Encontram- se também pela mesma altura, patrões exploradores mas o bom patrão cuida dos seus trabalhadores, como um pai cuida dos seus filhos. A vida familiar, quer do patrão, quer dos seus empregados confunde-se com a vida profissional. O patrão não mora longe da sua fábrica, por vezes mora dentro desta e aparece frequentemente com a mulher e os filhos em acontecimentos de trabalho. A sua mulher, por sua vez, preside a acontecimentos sociais de caridade e de beneficência.

Os contratos de trabalho são privados, feitos na base da confiança e têm prioridade nas admissões, os filhos dos trabalhadores (estes, ficam gratos aos seus patrões, às vezes, para toda a vida). Os patrões, não vêem com bons olhos a intervenção de terceiros, nas relações laborais: opõem-se

frequentemente à entrada da inspecção de trabalho nas empresas, instalações que consideram privadas e recusam as opiniões dos poderes políticos, sobretudo de algumas facções que aparecem com discursos sindicalistas.

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