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Activités des filiales de la BCP a- Upline Group

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II.3.2. Activités des filiales de la BCP a- Upline Group

Até este ponto, a discussão transita por caminhos e incursões conceituais, que vislumbraram (re)desenhar a ideia de Turismo. A proposição dada envolve uma relação de estranhamento, de um sujeito em meio a um processo de desterritorialização, para conviver e ressignificar o percurso.

Com isso, caminha-se para o campo conceitual da Hospitalidade. A ideia aqui é entender como foram se amarrando as teorias, para a identificação das marcas de hospitalidade e amorosidade das relações dos sujeitos-devotos do Círio de Nazaré, em Belém do Pará.

Antes, porém, precisa-se ressaltar o imaginário construído pelo senso comum, fortemente pulsante na cidade, ao apresentar Belém como acolhedora e hospitaleira, no seu abraçar, no seu conversar e no seu bem receber. Isso se evidencia, uma vez que “o paraense [pode ser direcionado ao belenense] tem a fama de ser um dos melhores e mais calorosos e fraternos anfitriões do mundo.”. (DIÁRIO DO PARÁ, 2010).

Vale lembrar, neste ponto, os artistas que, através de seus poemas, musicalizam o sentimento pulsante na cidade. Como exemplo, pode-se destacar o instrumentista, compositor e cantor Nilson Chaves, que, em 1991, descreveu as impressões de um turista, vendo a Cidade da janela de um hotel: “[...] eu olho Belém da janela do hotel. As aves que passam fazendo uma zona, mostrando pra mim que a Amazônia sou eu [...] eu olho o futuro e pergunto pra insônia, será que o Brasil nunca viu Amazônia [...]” (CHAVES, 1991). Assim como ele, tantos outros poetas enaltecem a cidade, em torno do imaginário construído, de um local sobre o qual se fala da tradição, como vinculado ao acolhimento.

Essa assertiva, a priori, sem uma fundamentação científica, mas corriqueira, está nas falas de autoridades públicas, eclesiásticas, de artistas, professores, alunos, feirantes. Está no discurso do povo, que como forma de tratamento, chamam-se, em sua grande maioria, “[...] por ‘mano’ e ‘mana’, abrem as portas e o coração ao visitante. Tem um jeito muito especial de lidar com os turistas [...]” (DIÁRIO DO PARÁ, 2010). Neste sentido direciona-se o entendimento de hospitalidade, para uma visão de acolhimento.

É importante entender que a hospitalidade, assim como o turismo, é um fenômeno social, que “[...] constitui um dos pilares que sustentam a organização

teórica, as práticas e os sistemas estratégicos de planejamento turístico, na esfera publica e privada.”. (SANTOS; PERAZZOLO, 2012, p. 4). O seu “estudo [...] implica um amplo e complexo contexto sociocultural, a partir do momento em que se criam ou implementam relações já estabelecidas.” (GRINOVER, 2002, p. 25).

Muitos caminhos levam ao entendimento de uma significação, que “deriva de hospice (asilo, albergue), uma antiga palavra francesa que significa ‘dar ajuda / abrigo aos viajantes’.” (WALKER, 2002, p. 4). Grinover (2002, p. 26) relata a ideia de um provável conceito, que “[...] teria aparecido pela primeira vez na Europa, provavelmente no início do século XIII, calcada na palavra latina hospitalitas, ela mesma deriva de hospitalis”. E poder-se-ia dizer, que, “ela designava a hospedagem gratuita e atitudes caridosas oferecidas aos indigentes e dos viajantes acolhidos nos conventos, hospícios e hospitais.” (GRINOVER, 2002, p. 27).

Salienta-se, quanto ao entendimento de hospitalidade “[...] estende-se para além dos limites de hotéis, restaurantes, lojas ou estabelecimentos de entretenimento [...]” (GRINOVER, 2002, p. 27), uma vez que se busca relacionar o sujeito-devoto do Círio, como corpo pulsante de uma engrenagem que se pauta pela experiência de desterritorialização. Assim, tem-se uma relação entre o acolhido e o acolhedor, para se traçar as marcas de hospitalidade.

É importante compreender a existência de duas linhas de pensamentos, que contribuíram no estudo das ‘experiências’ de hospitalidade, pautando-se, pelo entendimento doméstico e público, que se relaciona à ideia “francesa, com cerne teórico maussiano, cujo processo ritualístico abarca deveres fundamentais nas relações de troca (dar-receber-retribuir) [...]” e, a comercial, que tem na concepção americana, a sua discussão e, “[...] destaca o conjunto de atividades baseadas na transação monetária [...]” (PERAZZOLO; PEREIRA; SANTOS, 2014a, p. 1).

Mesmo com os trabalhos desempenhados por essas duas linhas de pensamento, ainda não há uma clara conceituação, que possa constituir em todos os seus elementos, a definição de hospitalidade. Camargo infere que toda “[...] ação de hospitalidade começa com uma dádiva.” (CAMARGO, 2005, p. 19). Já Grinover a considera “uma virtude e uma qualidade social” (GRINOVER, 2007, p. 27). Baptista apresenta a ideia “[...] de um modo privilegiado de encontro interpessoal marcado pela atitude de acolhimento em relação ao outro.” (BAPTISTA, 2002, p. 157).

Já para o Papa Francisco (2015), em homilia proferida em Assunção, no Paraguai, relaciona a ideia de que a “Igreja, como a queria Jesus, é a casa da

hospitalidade”. Ele diz que é um fundamento central na espiritualidade de todo cristão. No artigo sobre hospitalidade e turismo, Gastal e Kunz (2014), inferem a ideia de que “a hospitalidade desponta como uma maneira privilegiada de se viver em conjunto, porém regidas por regras, ritos e leis.”. (GASTAL; KUNZ, 2014, p. 100). Baptista (2014b), em seu estudo sobre amorosidade e hospitalidade, apresenta a ideia de que, ambas, se identificam como potencializadas a partir de uma lógica pautada pela “[...] mutação da sociedade contemporânea, em busca de relações mais marcadas pela lógica da cooperação sistêmico-complexa, pelo acolhimento, pelo reconhecimento do valor do outro e do respeito às diferenças.”. (BAPTISTA, 2014b, p. 44)

Grinover (2006, p. 32), retornando a discussão, discorre, em seu estudo, que “a hospitalidade supõe a acolhida; é uma das leis superiores da humanidade [...] acolher é permitir, sob certas condições, a inclusão do outro no próprio espaço”. Com isso, observa-se que seu estudo, permeia a hospitalidade urbana, pautada pelas dimensões de “acessibilidade, legibilidade e identidade”, e em um mergulho pela compreensão da mobilidade urbana, que perpassa a qualidade de vida, a cidadania e a urbanidade (GRINOVER, 2006, 2009 e 2013).

O autor, a partir dessas averiguações, percebe a necessidade de um aprofundamento conceitual, uma vez que entende que este tema é “[...] complexo, mas portador de novas perspectivas e novos horizontes” (GRINOVER, 2013, p. 21). Através da análise, pautada pelas dimensões apresentadas, é possível um mergulho nas relações que se estabelecem entre campo e cidade, uma vez que ele entende que é um espaço que passa por constantes transformações (GRINOVER, 2013).

Nessa perspectiva, Matheus (2002) diz que uma cidade precisa se manter primeiro como “lugar de liberdade”, para, assim, ser capaz “[...] de receber e integrar seus moradores, sejam eles temporários ou não, desenvolvendo sentimentos de identidades, orgulho e cidadania, garantindo assim o bem-estar social [...]” (MATHEUS, 2002, p. 56). Como isso, considera-se o provimento de tessituras estruturais, no que se poderia dizer uma melhor qualidade de vida, em aspectos culturais, econômicos, e, principalmente em estruturas da mobilidade urbana, favorecendo assim a hospitalidade.

Cruz (2002) também aborda a hospitalidade, pautando-a por uma visão de cidade, calçada pela produção de um espaço turístico. Ela sistematiza a temática

como um fenômeno urbano, que se consolida através de uma natureza: sociocultural, profissional, política e espacial.

Esse fenômeno turístico pode, assim, caracterizar um ‘espaço sociocultural’, onde “[...] acolher um visitante é um ato social, culturalmente construído”. Há também a dimensão profissional, ligando a ideia de espaços e “[...] serviços criados para atender aos hóspedes ou aos visitantes de um dado lugar [...]” (CRUZ, 2002, p. 41-42). Já a ideia construída pelo imaginário político pauta-se por “[...] ações da iniciativa privada e como do setor público [...]”. E a visão espacial direciona os “[...] espaços urbanos e rurais [onde] residentes e visitantes ocupam posições diferenciadas.” (CRUZ, 2002, p. 42).

Como se pode notar, “a temática da hospitalidade remete a reflexões multidimensionais a partir de diferentes perspectivas e, em especial, quando associada à área do Turismo” (PERAZZOLO et al. 2016, p. 539). Tem-se, no caso uma complexa trama conceitual, que direciona para múltiplos olhares.

Schneider (2013) percebe esta ideia “[...] de igual modo, intrinsecamente relacionada com o espaço, englobando muito mais do que uma atitude cordial. Trata-se, portanto, da hospitalidade instaurada a partir das relações entre as pessoas e com o espaço.” (SCHNEIDER, 2013, p. 62).

Para Baptista (2002) “a hospitalidade então apresenta-se como experiência fundamental, constitutiva da própria subjetividade, devendo como tal ser potenciada em todas as suas modalidades e em todos os contextos de vida.” (BAPTISTA, 2002, p. 158). A ideia que a autora constrói parte de uma alteridade, da busca pela relação humana, onde “[...] a noção de hospitalidade refere-se a um modo fundamental de ser-se pessoa, sendo com e para o outro em comunidade de solidariedade e justiça.” (BAPTISTA; AZEVEDO, 2014, p. 143).

Pensar, então, acolhimento é um desafio. Percebe-se, na incursão conceitual, a exemplificação dos diferentes modos de se debruçar para o estudo. Com isso, a busca por um aporte teórico se torna algo complexo, uma vez que se relaciona a um fenômeno humano e que se aproxima constantemente de um deslocamento entendido como turismo.

Tem-se, então, o que Santos e Perazzolo (2012) dizem quando aproximam a relação do turismo e do acolhimento, tratando-os como “[...] as experiências vividas pelos sujeitos primariamente acolhidos e primariamente acolhedores, tendo como

suposto que as experiências são processos que traçam as marcas da memória [...]” (SANTOS; PERAZZOLO, 2012, p. 4).

As autoras dizem que essas experiências estabelecem trocas entre os sujeitos, onde o que está na “[...] condição primária de acolhimento, se sentirá tão mais acolhido quanto mais intensas forem suas experiências de prazer e de aprendizagem, desencadeadoras das mudanças vivenciadas e testemunhadas pela memória.” (SANTOS; PERAZZOLO, 2012, p. 4). Já o outro, que se coloca também na relação, mas na condição de acolhedor, “[...] poderá experienciar prazer e aprendizagens promotoras de mudanças, como efeito inevitável das trocas relacionais.” (SANTOS; PERAZZOLO, 2012, p. 4).

Ressalta-se, aqui, a ideia apresentada por Schneider (2013), ao dizer que “a hospitalidade encontra-se na relação com o outro, sendo marcada pela percepção mútua dos desejos que são acolhidos, traduzidos, compreendidos e transformados em uma nova mensagem dotada de novos significados [...]” (SCHNEIDER, 2013, p. 61). A relação de troca, em que os sujeitos se predispõem a viver, se estabelece no que a autora infere como “[...] um ciclo interativo que permite a geração de novos saberes.” (SCHNEIDER, 2013, p. 61).

Propõe-se aqui o resgate da questão de pesquisa deste estudo. A ideia apresentada foi da busca pelas marcas de hospitalidade e amorosidade, nas relações dos sujeitos-devotos [...]. Então, tem-se que pensar como inferir a sugerida análise das marcas que pulsam dos sujeitos averiguados, relacionando-os ao atrelamento teórico até agora apresentado?

Nas trilhas metodológicas, no capítulo segundo, a ideia apresentada partiu de três perspectivas (imaginado, experienciado e inferido), para se estabelecer a averiguação. Já neste subcapítulo, busca-se atrelar a ideia de acolhimento/hospitalidade aos sujeitos que foram identificados na festividade Círio de Nazaré. Não se deve esquecer que eles têm marcantes traços de fé e devoção e fazem parte de um ‘corpo que se movimenta’, visto no terceiro capítulo, como uma prática social, denominado Círio.

Isso posto, já que esse corpo parte de uma relação pautada por múltiplos atravessamentos, poder-se-ia entendê-lo, como um sujeito coletivo, que busca se relacionar com outros sujeitos, mas individuais, grupais e também coletivos.

Considerando esse objeto de estudo, apresenta-se a proposição do ‘Corpo Coletivo Acolhedor’, que pode ser considerado a uma “[...] relação de hospitalidade

que pressupõe sujeitos na perspectiva singular e coletiva” (SANTOS; PERAZZOLO, 2012, p. 7). O conceito é apresentado por Santos e Perazzolo (2012, p. 7), e “[...] tem como por suposto o acolhimento como espaço fenomênico em que os sujeitos da relação se reconhecem, interagem e se hospedam mutuamente; [...]”. As autoras inferem, dizendo que a relação que se estabelece durante a dinâmica do acolhimento parte da ideia de um “[...] corpo que se personifica na representação evocada por seu nome, e que dá forma e identidade às comunidades.” (SANTOS; PERAZZOLO, 2012, p. 8).

Precisa-se antes entender que o corpo, como dito, é singular, pois “[...] se dá [...] no encontro de corpos humanos de idêntica natureza”, e ao mesmo tempo coletivo, uma vez que é constituído “[...] por grupos humanos, por suas organizações estruturais e funcionais; seus elementos do entorno; seus recursos internos disponíveis ou passíveis de serem explorados [...]” (SANTOS; PERAZZOLO, 2012, p. 7).

É importante lembrar, que, no subcapítulo de turismo, também é apresentado uma relação de encontro entre corpos, onde Baptista (2016) infere a compreensão de um processo de desterritorialização que impulsiona o sujeito a ressignificar o novo território, a partir de substratos inscriacionais. Poder-se-ia dizer que, aqui, esses substratos seriam entendidos como “[...] dimensões fundamentais do tecido social [...]” (SANTOS; PERAZZOLO, 2012, p. 9), pautando-se por “três vértices” que, de forma triangular, se relacionam entre si e delimitam “[...] o espaço em que o fenômeno do acolhimento e as práticas de hospitalidade se organizam e se desenvolvem.” (SANTOS; PERAZZOLO, 2012, p. 8).

Para uma melhor compreensão, as autoras sistematizam os vértices, atrelando-os ao entendimento de: “A) conjunto de serviços”, “B) organismo gestor” e “C) conhecimento e cultura”. Eles correspondem, “[...] a fragmentação da ‘totalidade’ expressa na triangulação, [...] concebida com vistas a potencializar a análise do fenômeno do acolhimento, mantendo abarcados os elementos tangíveis e intangíveis das organizações sociais.” (SANTOS; PERAZZOLO, 2012, p. 9).

Compreendendo-se que o vértice ‘A’ corresponde ao conjunto de serviços, e se estabelece pela dinâmica comercial e econômica, no que tange às possibilidades de compras, serviços e atendimentos em um determinado segmento. Já o vértice ‘B’ tem como foco o organismo gestor, dentro de possibilidades de um corpo operacional público e/ou privado, que tem como base a gestão de elementos

constituintes de um sistema, pautado pela infraestrutura, acessos, comunicação, e, qualquer outro meio de contribuição para a realização da ação que este esteja gerindo. O último vértice ‘C’ que direciona a análise de um sistema que vislumbra o conhecimento e a cultura envolve uma relação de troca entre as comunidades, saberes e valores (SANTOS; PERAZZOLO, 2012).

Com o exposto, e levando em consideração que, neste estudo, busca-se caracterizar as marcas de hospitalidade, as autoras inferem que os vértices “[...] se tomados como categorias, permitem agrupar os diferentes elementos que integram os discursos do turista/visitante, viabilizando uma leitura efetiva das características que marcam o perfil da hospitalidade das comunidades.” (SANTOS; PERAZZOLO, 2012, p. 13).

Assim, o corpo coletivo acolhedor caminha atrelado ao turismo, não como uma nova conceituação para acolhimento, mas como possibilidade de identificação das marcas que pulsam nas narrativas dos sujeitos-devotos do Círio de Nazaré. Com isso, desloca-se para o terceiro ponto que corresponde à Subjetividade do estudo.

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