2. Etat de la question
2.3 Activité cardiovasculaire comme mesure de l’effort
Outra forma de obtermos as leis de escala para as fun¸c˜oes de v´ertice consiste em considerar o sistema acima da temperatura do ponto cr´ıtico. Na teoria massiva, a massa renormalizada passa a ser o parˆametro livre nas condi¸c˜oes de normaliza¸c˜ao enquanto que λ e Λ permanecem fixos. Portanto, semelhantemente ao realizado na teoria sem massa, derivamos a express˜ao (2.130) com rela¸c˜ao a ln m mantendo λ e Λ fixos
m ∂ ∂m λ,Λ Γ(E,L)R (ki, pj; m2, g) = m ∂ ∂m λ,Λ h ZΦE/2ZΦL2Γ(E,L)(ki, pj; µ2, λ, Λ) i . (2.174) ´
E importante lembrar que o lado direito da express˜ao acima depende implicitamente de m. Ap´os algumas manipula¸c˜oes matem´aticas, chegamos nas equa¸c˜oes de Callan-Symanzik
m ∂ ∂m + β(u) ∂ ∂u − E 2γΦ(u) + LγΦ2(u) Γ(E,L)R (ki, pj; u, m) = m2[2 − γΦ(u)] Γ (E,L+1) R (ki, pj, 0; u, m). (2.175)
As fun¸c˜oes de Wilson s˜ao novamente dadas pelas equa¸c˜oes (2.149a-2.149c). Por´em, u0, ZΦ e
ZΦ2 s˜ao obtidos atrav´es das condi¸c˜oes (2.132a-2.132d) e est˜ao em fun¸c˜ao de m, u e Λ, como
visto anteriormente.
As equa¸c˜oes de Callan-Symanzik s˜ao o equivalente massivo das equa¸c˜oes do grupo de re- normaliza¸c˜ao na teoria sem massa. No entanto, a homogeneidade, como podemos perceber, foi perdida devido `a presen¸ca da fun¸c˜ao Γ(E,L+1) no lado direito da equa¸c˜ao. Consequentemente,
n˜ao teremos mais a invariˆancia de escala no limite infravermelho, como acontece na teoria sem massa. Por outro lado, se considerarmos o limite ultravioleta (ki
m → ∞), podemos fazer (2.175)
homogˆenea e teremos uma equa¸c˜ao an´aloga a (2.148). De fato, como os diagramas em Γ(E,L+1)
possuem um propagador a mais do que Γ(E,L), podemos desprezar Γ(E,L+1) no segundo termo
de (2.175) no limite ultravioleta. Isso ´e uma consequˆencia do teorema de Weinberg, o qual afirma que quando os momentos externos tendem uniformemente a infinito, diagramas com um propagador a mais decaem mais rapidamente do que aqueles sem o correspondente propagador.
Portanto, no limite ultravioleta, teremos a equa¸c˜ao (2.175) na sua forma homogˆenea. Vale res- saltar que a inser¸c˜ao de campo composto que aparece em Γ(E,L+1) ocorre em momento externo
nulo.
As fun¸c˜oes de Wilson s˜ao novamente calculadas atrav´es de (2.149a-2.149c), cujos coeficientes s˜ao agora dados em termos das integrais de Feynman calculadas com os momentos nulos e a massa m diferente de zero. No entanto, o novo ponto fixo u∞ obtido atrav´es de β(u∞) = 0 n˜ao
possui mais a mesma estabilidade do seu correspondente u∗ na teoria sem massa. A invariˆancia de escala no regime ultravioleta da teoria ´e obtida apenas com a constante de acoplamento exatamente no ponto fixo (u = u∞). Os expoentes cr´ıticos η e ν s˜ao ent˜ao obtidos atrav´es da
substitui¸c˜ao de u∞ nas equa¸c˜oes (2.159) e (2.172), isto ´e,
η = γΦ(u∞) = (N + 2) 2(N + 8)2 2 1 + 6(3N + 14) (N + 8)2 − 1 4 . (2.176)
Temos tamb´em que
ν−1 = 2 − γΦ2(u∞) − η. (2.177)
Sendo assim, temos
ν = 1 2 + N + 2 4(N + 8) + (N + 2)(N2+ 23N + 60) 8(N + 8)3 2 . (2.178)
Ressaltamos que pelas rela¸c˜oes de escala da teoria podemos obter todos os outros expoentes cr´ıticos a partir desses dois. Note tamb´em que para = 0, reca´ımos nos expoentes cr´ıticos calculados pela teoria de campo m´edio.
´
E importante mencionar que, apesar dos diferentes valores entre u∗ e u∞, e as diferen¸cas
entre as fun¸c˜oes de Wilson nas teorias massiva e sem massa, o que ´e devido `as diferentes solu¸c˜oes das integrais de Feynman nos dois casos, os resultados para η e ν s˜ao os mesmos, o que podemos expressar da seguinte forma
[γΦ(u)(Sem massa)]
u=u∗ = [γΦ(u)(M assivo)]
u=u∞, (2.179)
e,
[γΦ2(u)(Sem massa)]
u=u∗ = [γΦ2(u)(M assivo)]
u=u∞. (2.180)
As igualdades acima trazem `a tona uma certa insatisfa¸c˜ao com respeito `a conjectura de que a teoria massiva pode ser aplicada em sistemas finitos e a teoria sem massa n˜ao. Como veremos a partir do pr´oximo cap´ıtulo, essa impossibilidade de utiliza¸c˜ao da teoria sem massa n˜ao ocorre.
Tamanho finito e condi¸c˜oes de
contorno peri´odicas e antiperi´odicas
3.1
Introdu¸c˜ao
Ao introduzir uma restri¸c˜ao espacial atrav´es do confinamento de um campo em um volume delimitado por superf´ıcies planas e paralelas separadas por uma distˆancia L, ´e poss´ıvel observar modifica¸c˜oes significativas no comportamento cr´ıtico do sistema, quando comparado com o sistema no limite L → ∞ (sistema infinito). Esses efeitos se manifestam principalmente na forma de uma mudan¸ca na temperatura cr´ıtica, na altera¸c˜ao da amplitude de quantidades termodinˆamicas (calor espec´ıfico, susceptibilidade, etc) e na forma como os expoentes cr´ıticos mudam a sua dependˆencia com a dimens˜ao espacial d [40, 79].
Em meados da d´ecada de 80, Nemirovsky e Freed (NF) introduziram o formalismo de teoria de campos no espa¸co dos momentos para descrever fenˆomenos cr´ıticos em sistemas com pelo menos uma dimens˜ao espacial finita [37, 38]. Tal trabalho foi de grande importˆancia na ´area te´orica da f´ısica da mat´eria condensada, pois, at´e ent˜ao, era disseminada a ideia da impossibili- dade da aplica¸c˜ao de m´etodos perturbativos para tratar fenˆomenos cr´ıticos em sistemas finitos [39]. No entanto, NF mostraram que quantidades universais, como por exemplo os expoentes cr´ıticos, podem, de fato, ser escritas em termos de expans˜oes em = 4 − d, onde d ´e a dimens˜ao do sistema e d = 4 ´e a dimens˜ao cr´ıtica na teoria λφ4.
A realiza¸c˜ao mais simples do sistema estudado por NF em um espa¸co com d dimens˜oes, o qual ser´a tamb´em o nosso ponto de partida, consiste no modelo de Ising d dimensional delimitado por duas hiper-superf´ıcies planas de extens˜ao infinita em um subespa¸co com d − 1 dimens˜oes e separadas por uma distˆancia L. O sistema ´e descrito por uma teoria de campos escalares com simetria O(N ) e intera¸c˜ao Φ4, da mesma forma como aquele modelado pela
densidade lagrangiana tradicional de Φ4 (2.31). Cada componente do parˆametro de ordem
est´a ent˜ao sujeita a restri¸c˜oes nas superf´ıcies na forma de condi¸c˜oes de contorno que podem ser peri´odicas, antiperi´odicas, de Dirichlet ou de Neumann, ou at´e mesmo mistas. Conv´em observar
que, sendo o volume do sistema ainda infinito, podemos continuar falando em transi¸c˜oes de fase com expoentes cr´ıticos descrevendo as singularidades do comprimento de correla¸c˜ao, calor espec´ıfico, etc, da mesma maneira que descrevemos no cap´ıtulo 2.
Na formula¸c˜ao original de NF com campos massivos, o limite de massa nula n˜ao era bem compreendido. A origem do problema foi a atribui¸c˜ao de um papel central `a vari´avel de escala y = Lξ, onde ξ ´e o comprimento de correla¸c˜ao no caso de tamanho infinito (bulk ). Como a teoria sem massa tem ξ → ∞, no caso de L finito (L ξ), y → 0. A interpreta¸c˜ao atribu´ıda `a vari´avel y, como sendo o observ´avel fundamental que caracteriza as v´arias situa¸c˜oes f´ısicas envolvendo o tamanho finito, “reduziu” o problema do c´alculo perturbativo de grandezas universais a trˆes regi˜oes de escala, a saber:
(i) y > 1, m´etodos perturbativos podem ser usados e os expoentes cr´ıticos s˜ao calculados em termos de expans˜oes em , correspondendo aos mesmos obtidos para o sistema infinito (L → ∞) no espa¸co d-dimensional;
(ii) y ∼ 1, os expoentes cr´ıticos n˜ao podem mais ser calculados perturbativamente. H´a uma “quebra” (perda de controle) na expans˜ao em , ou seja, nesse regime, a corre¸c˜ao do tamanho finito tem a mesma ordem do p´olo em ;
(iii) y < 1, a tradicional expans˜ao em = 4 − d ´e substitu´ıda agora por uma expans˜ao em 0 = 4 − (d − 1). Em outras palavras, os expoentes cr´ıticos passam a ser aqueles calculados em um espa¸co com d − 1 dimens˜oes.
No item (iii), a mudan¸ca de d para d − 1 dimens˜oes na descri¸c˜ao do comportamento cr´ıtico do sistema ´e conhecida como crossover dimensional.
A conjectura que levou `a proposi¸c˜ao das trˆes regi˜oes de escala tinha como base argumentos heur´ısticos e ind´ıcios fenomenol´ogicos conhecidos na ´epoca. Esta conjectura n˜ao tinha, entre- tanto, uma base matem´atica rigorosamente satisfat´oria. Ao comparar com o sistema infinito correspondente, fica dif´ıcil estabelecer uma analogia, uma vez que, para este ´ultimo, grandezas universais obtidas utilizando o formalismo de campos sem massa ou massivos s˜ao perfeitamente concordantes.
De acordo com a hip´otese fenomenol´ogica, que desembocou na susposta existˆencia das trˆes regi˜oes de escala acima descritas, ´e imposs´ıvel acessar as regi˜oes (ii) e (iii) em uma expans˜ao perturbativa tradicional usando campos sem massa, pois no primeiro caso L → ∞ (L ∼ ξ), enquanto que no segundo L ´e fixo e ξ → ∞, o que levaria `a quebra da expans˜ao ( = 4 − d) e, portanto, tais regi˜oes seriam descritas de uma maneira desconhecida. Esta interpreta¸c˜ao proibiria a compara¸c˜ao entre a t´ecnica de grupo de renormaliza¸c˜ao usando campos massivos e sem massa, pois os dois regimes corresponderiam a situa¸c˜oes f´ısicas irreconcili´aveis. Isto difere completamente do que ocorre em sistemas infinitos, j´a que os dois limites de massa produzem grandezas universais idˆenticas. Portanto, se quisermos estabelecer uma analogia com sistemas infinitos, dever´ıamos encontrar uma interpreta¸c˜ao matematicamente rigorosa dos resultados obtidos da expans˜ao diagram´atica para o c´alculo de grandezas universais em sistemas finitos
e verificar se o que emerge das corre¸c˜oes perturbativas produz resultados consistentes para campos massivos e sem massa.
Novas investiga¸c˜oes, com resultados publicados em 2012 [41, 80], mostraram a consistˆencia da aplica¸c˜ao de uma teoria de campos sem massa em sistemas que podem ser tratados pelo modelo de Ising com uma dimens˜ao finita, estando esta submetida a condi¸c˜oes de contorno. No trabalho citado foram consideradas apenas as condi¸c˜oes de contorno peri´odicas (P BC ≡ periodic boundary condition) e antiperi´odicas (ABC ≡ antiperiodic boundary condition) im- postas ao campo nas superf´ıcies delimitadoras do sistema. Tal estudo levou a uma extens˜ao do entendimento sobre o regime de crossover dimensional, caracterizando o parˆametro relevante para a ocorrˆencia do fenˆomeno, o qual n˜ao est´a relacionado `a divergˆencia de ξ, contrariando o que foi proposto a respeito da vari´avel de escala y. Esse estudo ampliou a regi˜ao (i) para incluir y at´e o limite y → 0 sem qualquer “quebra” da expans˜ao em , desde que sejam considerados valores suficientemente grandes para L.
Em concordˆancia com a altera¸c˜ao da regi˜ao de validade para a vari´avel de escala y, a equivalˆencia completa entre a aplica¸c˜ao da teoria massiva e n˜ao massiva tamb´em foi estabelecida por Silva e Leite (SL) no mesmo trabalho, de forma totalmente anal´ıtica, o que levou a um grande avan¸co no que diz respeito ao tratamento das representa¸c˜oes das fun¸c˜oes que surgem devido ao tamanho finito, como tamb´em devido a aplica¸c˜ao de P BC ou ABC ao longo das superf´ıcies delimitadoras em uma das d dimens˜oes do sistema. Isto possibilitou o c´alculo dos expoentes cr´ıticos at´e a ordem de 2 loops (3 loops para a dimens˜ao anˆomala) em termos de uma expans˜ao perturbativa em .
As an´alises anteriores feitas por NF se restringiram `as fun¸c˜oes de Green de 2 e 4 pontos at´e a ordem de 1 loop em uma teoria massiva. Em contra partida, SL utilizaram o formalismo com fun¸c˜oes de v´ertice irredut´ıveis a uma part´ıcula (1PI do inglˆes “one particle irreducible”), na teoria massiva e n˜ao-massiva, at´e ordens de pelo menos 2 loops, devido ao seu car´ater mais fundamental com rela¸c˜ao `as divergˆencias no regime ultravioleta. Esse estudo referente `as contribui¸c˜oes de NF e, principalmente de SL, servir´a de base para os pr´oximos cap´ıtulos. Ambos os trabalhos fundamentam o que foi desenvolvido nesta tese e, portanto, como uma forma de tornar mais evidente as novidades trazidas atrav´es do presente trabalho, abordaremos neste cap´ıtulo o mesmo sistema modelado pela densidade lagrangiana (2.31) com o parˆametro de ordem restrito `as condi¸c˜oes de contorno impostas, isto ´e, P BC ou ABC, mas nos referiremos `
as condi¸c˜oes de Dirichlet e Neunmann quando necess´ario, visto serem essas as condi¸c˜oes de contorno de interesse neste trabalho.