Ferraz (2011) define a Educação Expressiva através do estímulo a partir das diferentes formas de expressões do ser humano, no decorrer das atividades em sala de aula ou na comunidade, com o propósito de proporcionar o progresso no conhecimento, na aprendizagem e no desenvolvimento das suas capacidades, permitindo também promover estímulos de carácter sentimental, cinestésicos, simbólicos e imaginativos, de forma a trabalhar integralmente com o aluno as distintas formas de desenvolvimento cognitivo, assim como o desenvolvimento e o progresso das competências humanas.
O autor citado refere que a introdução do conceito expressivo na educação, sugere a formação dos saberes a partir do método de ensino/aprendizagem orientado por
recursos expressivos que possibilitem aos alunos aprender, saber pensar, inovar e construir conhecimentos, dirigidos pelas suas experiências, dos colegas e dos mediadores do processamento do saber, tendo em conta que a educação permite facultar aos alunos situações, experiências e aprendizagens estruturadas e adaptadas, colaborando para o desenvolvimento dos alunos, através da utilização das diferentes expressões, tais como: artística, plástica, dramática, lúdica, musical, entre outras.
“A Educação Expressiva (…) utiliza a expressão como principal instrumento de trabalho (…) trabalha com todas as formas humanas de expressão, (…) que facilitam o autoconhecimento, a autoexpressão, a criatividade e estados mais alterados de consciência.” (Ferraz, 2011, p. 47).
Segundo Sousa (2003) a finalidade da educação pela música é a criança, não sendo simplesmente sua prioridade a música, pois pretende promover a educação aos alunos, a sua formação pessoal e social e o desenvolvimento da sua personalidade. O professor para proporcionar e motivar as crianças a desenvolverem o seu sentido musical e satisfazerem as suas necessidades de expressão e criação, não necessitam de ser entendedores da escrita musical e/ou saber tocar qualquer instrumento, necessitam somente de gostar de crianças, de música e de perceções psicopedagógicas. A exploração do mundo musical pelas crianças permite-lhes uma integração mais coerente ao mundo dos sons, possibilitando-lhes perceber, sentir e descobrir como se expressar através dos sons, sendo que no que concerne a educação musical os professores devem, também, transmitir-lhes alguns conceitos básicos de música.
Ainda o mesmo autor refere que a educação pela música “Não interessa o ensino saber, mas a formação do ser”, tendo em conta que os seus objetivos não consistem no saber “tocar bem e afinado” ou “ler uma pauta”, mas sim em satisfazer as necessidades instintivas, emocionais e sentimentais, assim como o desenvolvimento das capacidades de perceção, atenção, memória, cognição e criação (p. 20). A finalidade da educação pela música não consiste em formar um bom músico, mas sim formar alunos com personalidades equilibradas.
A educação musical, de acordo Sousa (2003) pretende gerar nas crianças o interesse pelo mundo dos sons e um envolvimento integral que lhes permita viver musicalmente a música, assim como proporcionar-lhes os recursos essenciais para satisfazer as suas necessidades de desenvolvimento, de exploração e de integração no mundo do som, de expressão e de criação.
“O gosto pela música é natural nas crianças. Elas gostam de cantar e de ouvir música, como gostam de ouvir o ruido da água que corre da nascente ou o canto de uma ave.” (Gloton, 1997, p. 177).
No que refere à educação pela expressão dramática, Sousa (2003) considera-a como uma atividade natural e espontânea da criança, na qual se envolve plenamente em qualquer momento ou situação, no mundo da sua imaginação, abstraindo-se inteiramente do mundo real. O principal objetivo da educação da expressão dramática é a expressão, isto é, estimular a criança a expressar livremente todos os seus sentimentos, os seus desejos e as suas pressões interiores, assim como, a criação, que permite desenvolver a capacidade criadora e a capacidade de expressão, designada por expressão criativa dramática.
Para o mesmo autor, a expressão dramática é um dos recursos mais preciosos e plenos de educação, uma vez que, as atividades realizadas nesta área incluem os aspetos fundamentais para o desenvolvimento da criança, tendo em conta a diversidade das atividades que abrange diferentes domínios, podendo ser regulada e adaptada de acordo com as metas programadas às idades das crianças e ao contexto educativo. Em relação à criança, estas atividades vão auxiliá-la no seu processo de desenvolvimento e promover a sua expressividade, a sua criatividade e a sua consciência dos valores sociais, ajudando-a na vivência em sociedade, pelo facto das atividades de expressão dramática serem realizadas em grupo o que envolve trabalho cooperativo.
A dança educativa é composta por tarefas de movimento lúdico, expressivo e criativo e têm como objetivo promover o desenvolvimento absoluto das crianças, não sendo a sua prioridade ensinar a dançar, pois nestas atividades a criança descobre e experiência novas maneiras de movimento, permitindo-lhe conquistar a sua noção de corpo, o seu equilíbrio estático e dinâmico, as disposições espaciais e temporais e as interpretações cognitivas (Sousa, 2003).
Segundo o autor citado a finalidade das atividades criadoras não é apenas o desenho ou a pintura, mas o expressar das suas ilustrações espontâneas mais profundas, tendo em conta que a criação plástica faculta à criança um espaço de expressão de ocorrências psicológicas que de outra forma não seria tão fácil de revelar. Nesta área, não importa o quê e o como a criança desenha, interessando apenas, que o faça, ou seja, o importante é a expressão e não o seu produto. O mesmo autor refere que a expressão livre permite à criança desenvolver a imaginação e a sensibilidade, assim como aprende
a conhecer-se e a conhecer os outros, respeitando as diferenças individuais de cada um e as diferentes formas que utiliza para exprimir as suas ideias, emoções e ambições.
“Em educação pela arte, o interesse pedagógico centra-se na criatividade, sendo a acção de criar apenas uma forma de desenvolver esta capacidade.” (Sousa, 2003, p. 169).
De acordo Read (2007), atualmente, o sistema educativo possibilita às crianças usufruir de maior liberdade nas diferentes fases do ensino da arte e das tarefas manuais. De um modo geral, neste tipo de ensino torna-se fundamental desenvolver todas as fases do ensino da arte de forma progressiva conforme a evolução das crianças, exceto nas crianças que frequentam cursos vocacionais de arte e trabalhos manuais, onde o sistema educativo tem como finalidade transformar as aprendizagens estéticas como uma preparação ativa para a vida.
O autor citado menciona que as atividades artísticas são muito importantes para serem implementadas nas escolas infantis, por serem idênticas às atividades lúdicas e o êxito dos resultados obtidos dependem em grande parte do interesse pessoal e da competência do professor, assim como a reorganização dos métodos de ensino para melhorar as atividades artísticas a realizar pela escola nos seus programas diários.
“A criança é por natureza criadora”, as crianças se deixam levar livremente pelos seus jogos, tendo em conta que nestas “o espirito sopra onde e como quer, mas sopra”, sendo muito imaginativas e expressivas. (Gloton, 1997, p. 41). Por sua vez, a ação da criança é realizada com o objetivo de promover o desenvolvimento e a formação de si mesma. De acordo com o mesmo autor, a criança ao expressar as suas emoções, determina os seus sentimentos profundos e internos, pelo facto, da expressão possibilitar à criança mostrar as suas emoções às outras pessoas.
O professor tem como função satisfazer as necessidades e os interesses do seu grupo de alunos, assim como promover a segurança, a confiança em si próprios através do sentimento da autonomia e possibilitar a liberdade de criação. Deste modo as suas aulas devem proporcionar às crianças momentos diversificados de exercícios, com sequências metodológicas estruturadas, partir do abstrato para o complexo e do geral para o específico (Costa, 2003).