• Aucun résultat trouvé

Segundo a teoria psicanalítica, a formação de símbolos é uma habilidade psíquica adquirida ao longo do desenvolvimento infantil, que capacita o indivíduo a representar nos objetos do mundo externo suas fantasias inconscientes. Para que esta representação simbólica possa ocorrer, são necessárias duas condições básicas: percepção da separação entre o ego e o mundo externo e a capacidade de tolerar certo grau de frustração. Entretanto, nas crianças com diagnóstico de transtornos invasivos do desenvolvimento (CID-10 F84) em que se observam acentuadas características autísticas, estas habilidades estão prejudicadas, consequentemente, acarretando em prejuízo na capacidade simbólica. Desta forma, o presente trabalho tem por objetivo verificar como o déficit na capacidade simbólica interfere na atividade lúdica destas crianças. Com a finalidade de compreender a atividade lúdica de pacientes com este diagnóstico, atendemos quatro crianças com freqüência de uma sessão semanal e duração de cinqüenta minutos.Os atendimentos são realizados em uma instituição denominada “Sociedade filantrópica – Nosso Lar“, Departamento S.E.R (Serviço Especial de Reabilitação) da cidade de Assis - São Paulo. Concluímos que quanto mais precária for a estruturação egóica do paciente, e mais tênue a diferenciação entre mundo externo e mundo interno, maior será o prejuízo da capacidade simbólica. O que se reflete em um brincar esteriotipado, pouco convencional e esvaziado de sentido. O brincar empregado não como um recurso simbólico, mas como uma atividade concreta que tem por finalidade comunicar estados emocionais (agressividade, ansiedade, afetividade).

Jorge Luís Ferreira Abrão; Luciana Cristina Moço; Tatiana Justino Silveira. UNESP/Assis.

I Congresso Brasileiro Psicol

ogia: Ciência e Profissão

Painéis

A atribuição de vida psíquica aos personagens de literatura infantil

.

Este painel tem por objetivo apresentar alguns dos resultados de pesquisa de mestrado, que estou dando prosseguimento durante o doutorado. Para contribuir com o atual debate sobre a construção social da infância, comparou-se a produção de literatura infanto-juvenil brasileira contemporânea (1975 a 1994) com estudo anterior, que analisara a produção de 1955 a 1975. Com o objetivo de constatar mudanças e permanências quanto à ideologia de infância que tem norteado essa produção, utilizou-se o conceito de ideologia, conforme o definiu John B. Thompson. A partir de sorteio aleatório de títulos depositados legalmente na Biblioteca Nacional, constituiu-se uma amostra de 124 livros, sendo analisadas 197 histórias, que foram tomadas como unidades de análise e categorizadas seguindo os procedimentos de análise de conteúdo. Um dos aspectos mais significativos dos resultados diz respeito à atribuição de vida psíquica às personagens crianças e adolescentes. Essa nova dimensão dos personagens, decorre de um processo mais amplo de mudanças da literatura infantil, no qual a laicização dessa produção exerce um papel fundamental, com suas implicações no perfil de autores e na estrutura das narrativas, como, por exemplo, diminuição de histórias religiosas e aumento de histórias cujos temas referem-se ao cotidiano infantil e temas, até então, destinados apenas aos adultos, como poder, racismo, violência, drogas, separação de pais, dentre outros.

Célia Maria Escanfella. PUCSP.

I Congresso Brasileiro Psicol

ogia: Ciência e Profissão

Painéis

A atuação da terapia familiar em casos de tentativa de suicício na adolescência.

Este trabalho é um estudo introdutório, desenvolvido para a disciplina "Psicologia Conjugal e Familiar", ministrada no quarto semestre do curso de Psicologia da Universidade Católica de Brasília- UCB. O objetivo deste estudo é tentar compreender melhor a adolescência e os fatores relacionados ao suicídio nesta etapa da vida, além de analisar de quais maneiras a família pode estar relacionada a este fato. Objetivamos, ainda, fazer uma leitura do suicídio na adolescência pela visão da terapia familiar, em especial pela sistêmica. Neste trabalho são abordados os temas do suicídio e da tentativa de suicídio em adolescentes e seu contexto familiar. É abordada também a maneira como a terapia familiar atua em casos de tentativa de suicídio, abrangendo de maneira especial a teoria sistêmica, que compreende o sintoma como a comunicação de alguma dificuldade na família. Essa abordagem busca a utilização de estratégias terapêuticas eficazes para o tratamento de todos os envolvidos neste contexto. Acreditamos que esse tema seja de especial relevância, já que a morte, e o suicídio em especial, ainda são assuntos considerados como "assunto tabu", algo de que não se deve falar, ou nem ao menos pensar. Quando o suicídio acontece na adolescência o assunto é ainda mais problemático, já que um "destino infeliz" estaria acometendo pessoas jovens e, supostamente, com muitas oportunidades pela frente. Escolhemos estudar a abordagem da terapia familiar por considera-la extremamente interessante para este caso, já que o estigma de ser uma família que teve um membro que se suicidou ou que tentou suicidar-se é muito difícil. É comum que essa família receba pressões externas, da comunidade em que vive e da sociedade em geral, e internas, pois muitas vezes os membros sentem-se culpados pelo ocorrido. Com isso, é comum que a família não tenha um espaço de acolhimento e confiança para poder expressar seus diversos sentimentos, e a terapia familiar pode, em geral com sucesso, preencher esta lacuna. Além disso, são poucos os estudos realizados sobre este tema: o que se encontra, em geral, são dados estatísticos, que chamam atenção para o problema. Mas pouco se encontra com relação à atuação da Psicologia nesses casos, em especial à atuação da Psicologia familiar. Portanto, acreditamos que seja de grande importância estudar este assunto e pesquisar sobre o que se tem feito na área da Psicologia Familiar acerca desse tema.

Flávia Cavalcante Braga; Maíra Ribeiro de Oliveira; Maria Aparecida Penso. Universidade Católica de Brasília - UCB.

I Congresso Brasileiro Psicol

ogia: Ciência e Profissão

Painéis

A atuação do psicólogo escolar: criando espaços para a democratização escolar

.

Este trabalho foi desenvolvido numa escola pública de ensino fundamental de quinta a oitava série, sendo a única escola da cidade dentro desta fase de ensino, o que a torna palco de disputas políticas. A escola está localizada numa cidade da região de Londrina-PR, sendo composta de 11 salas ambientes e 1 sala de correção de fluxo. A principal dificuldade apresentada pela escola refere-se à questão da indisciplina dos discentes. Desenvolvemos nosso trabalho utilizando a observação participante, nossas observações foram sendo registradas em nossos diários. Utilizamos também técnicas diretivas com os discentes, e fizemos algumas reuniões com os docentes e equipe técnica, com intuito de se analisar as principais questões relativas às práticas docentes em relação à problemática apresentada. A direção da escola, em função de compromissos assumidos ao longo de sua campanha para direção (final de 2000), apresentou-nos a intenção de “democratizar a escola”. Para consolidar suas propostas, ela envolveu os segmentos que vivenciam o cotidiano escolar: pais, alunos, professores, etc, através de reuniões. Os resultados deste processo, no entanto, não foram sentidos, pois a exclusão e a discriminação, principalmente dos alunos que estudam neste período, ainda circunscrevem as relações. Tal fato pode estar relacionado com as ações empreendidas pela direção e equipe técnica na resolução dos problemas identificados que são resolvidos no âmbito das relações interpessoais, não referendadas no coletivo. A proposta de gestão participativa, objetivando a democratização escolar, foi desenvolvida de forma incoerente, visto que o poder está centralizado na direção que, através de medidas coercitivas, impossibilitam a o desenvolvimento da autonomia de alunos e professores. Nesse sentido, a queixa da “indisciplina” dos discentes desvela um movimento autoritário implícito nas atitudes da direção e equipe técnica, na medida em que localiza o problema nos alunos. Tal fato também se revela na prática pedagógica dos docentes, uma vez que as atividades propostas não são circunscritas a partir do projeto político pedagógico construído coletivamente, ou seja, não há uma promoção de espaços de reflexão e nem um repensar acerca das práticas pedagógicas dos mesmos. Identificamos, a partir de nossos encontros com os alunos, a existência de vários tipos de demandas: administrativas, referentes à estrutura física da escola; didáticas-pedagógicas; disciplinares; etc. No entanto, ficou evidenciado dificuldade de comunicação entre os diferentes segmentos que vivenciam o contexto escolar. Assim, nossa intervenção foi desenvolvida com a perspectiva de propiciar espaços de comunicação, envolvendo todos os membros que vivenciam o cotidiano escolar, priorizando a organização dos alunos. Assim, esperávamos, a partir destas intervenções, criar novas formas de relacionamento - entre alunos x alunos, alunos x direção e alunos x professores – e que tal situação consolidasse um projeto político-pedagógico que atendesse as necessidades de todos. Apesar da direção e equipe técnica acatarem nossas sugestões observamos algumas resistências na operacionalização das mesmas, principalmente quando as propostas envolviam docentes, o que nos sugere um temor por parte da direção quanto às mudanças nas relações de poder que este tipo de processo pode promover na dinâmica da escola.

Christiane Antunes; Regina Harue Hoshino; João Batista Martins. Universidade Estadual de Londrina.

I Congresso Brasileiro Psicol

ogia: Ciência e Profissão

Painéis

A atuação do psicólogo escolar: entre o ideal e o real.

Este trabalho surgiu da inquietação dos autores quanto às práticas dos psicólogos escolares na cidade de Assis (S.P.), após a municipalização do ensino. Nosso objetivo era buscar na atuação desses profissionais as configurações do papel do psicólogo escolar, na realidade local. Participaram da pesquisa duas psicólogas da rede municipal, duas de uma escola particular A e uma de uma escola particular B. A coleta de informações foi realizada através de entrevistas semidirigidas, que questionaram sobre o lugar do psicólogo na instituição escolar, os objetivos do seu trabalho, sua abordagem teórica, as demandas mais comuns e seus procedimentos. Realizamos uma análise qualitativa dos dados, utilizando, como pano de fundo, os textos de Andreazi (1992), Maluf (1994) e Nader (1990). Percebemos que o psicólogo escolar vem ocupando, cada vez mais, um lugar ao lado da administração e tem tido importante papel nas tomadas de decisões dessas instituições. Quanto aos seus objetivos de atuação, estes têm sido variados, girando em torno da formação de professores, orientação e seleção profissional e abertura de canais de comunicação entre escola, pais e alunos. As abordagens teóricas utilizadas são, também, variadas indo do “senso comum” até teorias como a psicanálise e o construtivismo. As práticas mais comuns são, as de aconselhamento de pais e professores e atendimento de alunos considerados como portadores de “dificuldades de aprendizagem e comportamento”. As atuações desses profissionais não são únicas, passando por práticas tecnicistas, reflexivas e até mesmo a-teóricas (guiadas mais pelo senso comum). A partir desses dados, notamos que o fazer do psicólogo escolar é bastante variado, não seguindo um caminho único. O desconhecimento do papel do psicólogo escolar tem feito com que as instituições construam uma visão “mágica” quanto ao seu trabalho, gerando, muitas vezes, sentimentos de impotência desse profissional frente às demandas que lhe são apresentadas. Destaca-se, ainda, a constatação de que a boa atuação do psicólogo escolar deve estar calcada em uma construção diária, que tem exigido, cada vez mais, uma melhor formação desses profissionais, que nem sempre é oferecida nos cursos de graduação.

Tomé, Marta Fresneda; Bersi-Val, Ana Luíza; Ladeia, Carlos Rodrigues; Kajita, Patrícia Massae; Oliveira- Santos, José Roberto; Santos, Maria de Lourdes.

I Congresso Brasileiro Psicol

ogia: Ciência e Profissão

Painéis

Documents relatifs