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ETAT D’AVANCEMENT ET DE QUESTIONNEMENT DES ACTIONS DE LA COMPOSANTE DECHETS

ACTION D9 – TECH-DEV

O termo recurso semiótico13 é descrito pelos semioticistas como aquilo que as pessoas usam na comunicação, é a noção central tanto para a semiótica social quanto para os estudos da multimodalidade (JEWITT, 2009; VAN LEEUWEN, 2005). A palavra recurso tem origem no trabalho de Halliday (1978, p.192) para quem a gramática da língua não é um código, nem um conjunto de regras para serem seguidas, nem serve para criar sentenças corretas, mas é recurso que permite a produção de significados.

Desta forma, Jewitt e Oyama (2001) e van Leeuwen (2005) reafirmam a centralidade e importância do termo recurso semiótico como palavra-chave para a semiótica social, marcando a diferença entre a semiótica estruturalista de Paris, que usa a palavra código, concebida como sistema semiótico de códigos, conjuntos de regras para ligar signos e significados (JEWITT e OYAMA, 2001, p.134), e a semiótica social, que usa a palavra como recurso. Van Leeuwen define recursos semióticos como:

[...] ações, materiais e artefatos que usamos para comunicar, sejam eles produzidos fisiologicamente- com nosso aparato vocal; com os músculos que nós usamos para criar expressões faciais e gestos, ou por meio da tecnologia, com caneta, papel e tinta, com hardware ou software do computador, em conjunção com os modos no quais esses recursos podem ser organizados.” Sendo que alguns recursos semióticos têm um significado potencial baseado nos seus usos passados, e um conjunto de

affordances14 baseadas nos seus possíveis usos, e isso vai ser realizado em contextos sociais concretos em que sua utilização está sujeita a alguma forma de regime semiótico. (VAN LEEUWEN, 2005, p. 285).

Ele mostra que recursos para semiótica social são significados, ações e objetos observáveis, elaborados no domínio da comunicação social que tem um potencial teórico semiótico constituído por todos os seus usos e potenciais passados e cujo potencial semiótico real é organizado por aqueles usos conhecidos e relevantes para o usuário do recurso, e pelo uso potencial que podem ser descobertos pelo usuário, baseando-se em seus interesses e necessidades.

13 Traduzido de “semiotic resource are action, materials, and artifacts we use for communicative purposes,

whether produced physiologically – for example, with our vocal apparatus, the muscles we use to make facial expressions and gestures- or technologically –for example, with pen and ink, or computer hardware or software - together with the ways in which these resources can be organized. Semiotic resources have a meaning potential, based on their past uses, and set of affordances based on their possible uses, and there will be actualized in concrete social contexts where their use is subject to some form of semiotic regime”.

14

O termo affordance tem origem no trabalho da percepção cognitiva de Gibson (1977) e representa os usos potenciais de um dado objeto decorrente de suas propriedade perceptíveis. Nesta pesquisa, a palavra affordance será usada como possibilidades.

Esse teórico (2005) discute como o potencial semiótico do recurso pode ser usado na comunicação nos vários contextos sociais. E Kress (2010) pondera que os recursos semióticos são socialmente produzidos. A semiótica social é apresentada como forma de questionamento que nem sempre tem uma resposta pronta. Afirma ainda que os recursos semióticos são criados socialmente, portanto realizam as regularidades discerníveis de ocasião social, eventos e, por isso, certa estabilidade, mas eles nunca são fixos e muito menos, rigidamente fixados. Mas o princípio semiótico mais geral advoga que se produzem signos formando sentido em uma relação motivada e realizados por meio de diferentes maneiras e modos.

Jewitt (2009, p. 23) reforça que a escolha é sempre socialmente localizada e regulada, tanto em relação ao direcionamento dos recursos, para quem eles são disponibilizados, quanto aos discursos que regulam e moldam como as pessoas usam os modos.

Jewitt e Oyama (2001) apontam a distinção que as escolas Semiótica Social e a Escola Estruturalista Semiótica de Paris fazem entre os termos recurso e código. Para a escola estruturalista semiótica de Paris, a palavra-chave é código, concebido como “conjunto de regras para conectar signos e significados” (JEWITT e OYAMA, 2001, p. 134) e para semiótica Social o termo central é recurso. Nesse caso, o termo código deu lugar a recurso. Isso é percebido quando as autoras enfatizam em seus exemplos que somente algumas formas de comunicação visual, como o código de trânsito das estradas, funcionam à base de prescrições estritas, enquanto o desenho infantil segue em direção oposta àquela, baseando-se na criatividade, convenções e exemplos. Desse modo, nesses desenhos, não se opera o código. Elas mostram que o mesmo se aplica à interpretação das imagens, ou seja, alguns espectadores seguem regras de interpretação, enquanto outros criam suas próprias interpretações e conexões intertextuais. Assim, para diferentes contextos, há diferentes tipos de regras para o uso dos recursos visuais usados na criação de suas próprias e novas interpretações e produções.

Outros estudiosos, como O’Toole (1994) e O’Halloran (2005), também tomam os recursos semióticos como imagem, linguagem e som como sistema de significado que as pessoas têm a seu dispor, podendo usar vários recursos ao mesmo tempo compondo, assim, um fenômeno multimodal.

A visão da semiótica social do signo é crucial para a teoria de aprendizagem, visto que usa o signo como evidência da documentação do interesse do produtor do signo ou aprendiz. O interesse nomeia os efeitos no momento de criação do signo e da múltipla e complexa formação social do seu criador no seu sentido, no ambiente social atual e na moldagem de seus significados como resposta. Nesse contexto, Van Leeuwen (2005) mostra que

modificações aconteceram no interior da semiótica social com a mudança de foco de signo para recurso semiótico, o qual serve tanto para produzir artefatos ou eventos comunicativos quanto para interpretá-los no contexto, que também é uma forma de produção semiótica. Este estudo vai observar principalmente a relação da imagem com a fala, na produção de sentido nos diálogos dramatizados e nas atividades da imagem em movimento.

A seguir, apresentamos os modos semióticos.

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