Se num passado não muito distante já era difícil à escola acompanhar as mudanças e atender as demandas sociais, com o advento e desenvolvimento das novas TIC esse desafio vem sendo intensificado. Com elas, as ideias de tempo e espaço se renovam e interferem na vida de indivíduos, de instituições; na sociedade. Hoje, mais do que ontem, é preciso pensar e agir rápido diante dos problemas.
Segundo Delcin (2005, p. 59-60) vivemos num período de “desconstrução de teorias”. Novos referenciais surgem da vida cotidiana “[...] das inter-relações construídas e transformadas pelos indivíduos nos espaços sociais onde atuam como agentes sociais.” Nesse período, o valor e a durabilidade do conhecimento passam a ser questionados, assim como o modelo de ensino baseado na reprodução do conhecimento. Para acompanhar essa demanda, a educação deve ser contínua, sem fim e ocorrer ao logo da vida. (BAUMAN, 2007, p. 165).
Se por um lado a velocidade com que as informações estão sendo disponibilizadas no meio social nos surpreende, por outro esse processo dinâmico nos preocupa por gerar acúmulo de informação e por dificultar o acesso e uso da mesma. Então, como o educador “prepara” os indivíduos para viverem com essa dinâmica, na qual o conhecimento precisa ser constantemente (re)visto, (re)construído, (re)significado?
Acredito que as respostas estejam com os que atuam na escola, pois dizem respeito à percepção que têm em torno de como se pode “construir” ambiente educacional questionador, ou seja, de como se educar pela e com pesquisa.
Esta idéia - educar pela e com pesquisa - é compartilhada por teóricos e profissionais de diferentes áreas, entre os quais cito Campello (2003), Delcin (2005), Demo (1997), Freire (1999), Kuhlthau (1999, 2002), Luckesi (2005), Macedo, E. (2006), Moreira e Silva (1995), Pacheco (2005), Perrenoud (1999), Perrenoud et al. (2002), Souza (2004), Válio (1990), dentre outros.
Desse grupo, enquanto alguns defendem um ensino investigativo, um ensino da e com pesquisa e a consequente necessidade
de se desenvolver habilidades e competências para que os indivíduos aprendam e saibam fazer uso da informação; outros se voltam às questões relacionadas ao aparato informacional a ser disponibilizado na escola, aqui incluída a biblioteca, o uso da tecnologia e demais mídias informacionais; outros, ainda, ao processo de aprendizagem, da cognição, à formação contínua dos profissionais que atuam na escola, aqui inserido o bibliotecário; e há, também, os que estudam a questão sob ótica mais abrangente: do impacto desses vieses no currículo, a Teoria Crítica do Currículo (TC), de um currículo emergente.
Percebe-se com isso que há um coro uníssono no que diz respeito à emergência de dar novo sentido à aprendizagem, de torná-la significativa. Para que isso ocorra é evidente que os autores concebam o aluno como um indivíduo que consigo carrega conhecimento da experiência de vida, que, aliado ao conhecimento formal a ser vivenciado na escola, desenvolva habilidades para resistir às pressões da vida profissional e cotidiana.
A aprendizagem significativa perpassa por uma construção de conhecimento que alia teoria e prática. Ela considera os contextos a cada nova problematização, portanto o já referido conhecimento do senso comum.
Ao apresentar o significado com que o termo “conhecimento” é concebido na escola Luckesi (2005) nos faz refletir sobre uma possibilidade de permanência da pesquisa, quase que mecânica, nesse ambiente. Conhecimento, segundo Luckesi (2005, p. 103, grifo nosso), “na maior parte das vezes” expressa ideia de transmissão e de retenção
de informação, acrescentando que
Decoram-se [...] informação e a realidade, em si, permanece obscura e não-compreendida. Na maior parte das vezes, os professores estão mais preocupados com os textos a serem lidos e estudados, do que com a própria realidade que necessita ser desvendada. (LUCKESI, 2005, p. 130, grifo nosso).
É possível identificar em suas palavras preocupação para que o currículo escolar seja compreendido como um híbrido do currículo prescritivo e do currículo vivido, uma junção do conhecimento do senso comum13 e do conhecimento reificado14. Penso que é pela pesquisa que
13 Segundo Berger e Luckmann (2003, p. 93) “[...] é o conhecimento situado no nível pré- teórico. É a soma de tudo aquilo que “todos sabem”, a respeito do mundo social [...] princípios
a escola viabiliza ao aluno uma aproximação da realidade cotidiana às teorias.
Aos poucos, é preciso fazer com que o aluno deixe de se “alimentar” apenas da informação disponível no livro didático e daquela transmitida pelo professor. Acredito que esse modelo de ensino deixa de potencializar o interesse do aluno pela aula. O aluno possui uma bagagem de conhecimento que deve ser usada para dar sentido ao que a escola lhe apresenta. É preciso que o aluno tenha, na escola, espaço para expressar a vivência do seu dia-a-dia e de suas reflexões. É preciso que, na escola, ele aprenda a acessar, a reunir, a tirar conclusões da informação disponibilizada e produzida nela e fora dela - no meio social - tornando-se capaz de fazer uso das mesmas e ter posicionamento crítico sobre elas.
De maneira muito simples pode-se dizer que, na escola, o termo “pesquisa” se refere à ação de buscar solução/soluções a algo problematizado na sala de aula por atendimento curricular, originado em todo o contexto social. Pesquisa é, assim, processo complexo. Nele se entrelaçam as reações emocionais geradas na busca da informação (CHOO, 2003, p. 89), os contextos, o planejamento, o tempo para “construir” respostas, a cognição, a avaliação, a aprendizagem.
Dependendo da disciplina, do professor e/ou do resultado que a escola espera que o aluno alcance, a pesquisa pode ser mais objetiva, ou não; mais detalhada, ou não; mais elaborada, ou não; de mais fácil realização, ou não; exigir maior variedade de fontes, ou não. Quanto à comprovação do seu resultado, ela pode ser expressa de forma oral, plástica, gestual, escrita (manual ou impressa), maquete, cartaz, dramatização (filmada, escrita, encenada), dentre outras possibilidades. No entanto, para que a pesquisa adquira concretude, é necessário que o aluno saiba ler e interpretar e receba, a partir da sala de aula, orientação quanto a sua realização.