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Acronymes utilisés dans ce document

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2 Définitions

2.2 Acronymes utilisés dans ce document

A série True Detective possui três temporadas, todas produzidas e exibidas pelo canal HBO em 2014, em 2015 e em 2019, respectivamente. Essa dissertação direciona a sua atenção apenas para a primeira, constituída por oito episódios de sessenta minutos de duração. Seu roteiro foi escrito por Nic Pizzolatto e Cary Joji Fukunaga dirigiu todos os episódios. Os produtores executivos foram Matthew McConaughey, Woody Harrelson, Richard Brown, Steve Golin, Bard Dorros, Scott Stephens, assim como o próprio roteirista e o diretor. A temporada é ambientada em Louisiana, onde dois detetives parceiros foram designados pela Divisão de Investigação de Crimes do estado a resolver um macabro homicídio.

A temporada em questão não possui uma narrativa linear. A trama se desenvolve em três momentos: em 1995, durante a investigação do crime, em 2002 e em 2012, quando os detetives são interrogados a respeito do caso que solucionaram nos anos 1990. Apesar de não ser explicitada para o espectador a data de cada cena, a compreensão da história não é difícil e os cenários e os figurinos funcionam como guias na linha do tempo.

Matthew McConaughey interpreta Rustin Cohle, um detective sério, solitário e introspectivo, recém-chegado à delegacia. Já Woody Harrelson é Martin Hart, um típico pai de família com atitudes reprováveis. Ambos os protagonistas são bem construídos. Cohle é um homem divorciado que sofre devido a traumas do passado. Enigmático e determinado é um ótimo investigador, mas possui pouca fé na humanidade. Diferentemente desse, Hart é casado com uma linda mulher, pai de duas meninas e, aparentemente, leva uma vida “perfeita”. Aos poucos é mostrado que ele não consegue ser fiel à sua esposa Maggie (Michelle Monaghan) e que não está acostumado a doar tanto de si para as investigações como Cohle.

Todos os aspectos da obra são bem trabalhados e conseguem transmitir para o espectador a atmosfera da história. É possível sentir a umidade e o calor do local, assim como a apatia dos habitantes da região. Desde a premiada abertura da série à trilha sonora extremamente compatível com os ambientes e as ações, percebe-se que se trata de uma produção na qual tudo foi trabalhado com preciosismo para gerar o clima pensado pelo roteirista e pelo diretor e envolver o espectador na trama.

True Detective obteve grande sucesso de crítica, assim como de público. Indicada para

muitos prêmios, nas mais diversas categorias, em 2014, foi vencedora do Emmy Awards (premiação anual em que a Academia de Artes e Ciências Televisivas dos EUA elege as séries, minisséries e telefilmes que mais se destacaram) nas categorias “Direção em série dramática”, “Elenco de série dramática”, “Fotografia de série com câmera única”, “Design de abertura”,

“Maquiagem não protética para série de câmera única” (TELEVISION…, 2014). Segundo Gonçalves (2015), devido à média de 11,2 milhões de espectadores alcançada pelos episódios, a obra tornou-se a série original do HBO com a melhor primeira temporada em audiência desde 2001.

A produção obteve grande notoriedade devido ao resultado final da boa utilização de todas as ferramentas cinematográficas, mas a questão visual foi, sem dúvidas, um grande aspecto de diferenciação das demais séries daquele momento. O design de produção minucioso, aliado a uma boa fotografia e a uma pós-produção criteriosa auxiliaram a criação da atmosfera da obra e a fidelização da audiência.

Conforme Mat Patches (2014), Nic Pizzolatto almejava que não só a trama da série surpreendesse o espectador, mas que as imagens também fossem dignas de admiração. Para tanto, chamou Cary Fukunaga, diretor dos longas-metragens Sem Identidade (2009) e Jane

Eyre (2011), Adam Arkapaw, diretor de fotografia dos aclamados Reino Animal (2010) e Os Crimes de Snowtown (2011) e Alex DiGerlando, designer de produção do premiado Indomável Sonhadora (2012), para chefiar os departamentos. A declaração do roteirista reitera o principal

mote do estudo de Caldwell (1995), o qual diz respeito a uma crescente afirmação visual dentro da TV. Além disso, a utilização de profissionais consagrados remete também ao estudo do autor, que destaca a importância da questão autoral nos programas na televisualidade.

A respeito da plasticidade da série, podemos destacar o nível de detalhes depositado nos cenários. O departamento artístico lançou mão de diversos cenários construídos e de espaços naturais para contextualizar a trama, ou seja, poucas cenas foram feitas em estúdio, o que auxilia a transmissão de uma verossimilhança, não só para o espectador, como também para os atores. DiGerlando (2019) comenta que, apesar dos aspectos surreais da obra, os profissionais envolvidos na sua produção queriam que ela tivesse uma aparência documental. Ou seja, a equipe almejava que as imagens não transparecessem artificialidade, que retratassem os espaços de uma maneira crível para o espectador.

Segundo DiGerlando, os detalhes fazem grande diferença, pois mesmo que o espectador não consiga processar tudo o que aparece no quadro, a soma de todas as partes é registrada. Além disso, quanto mais cuidado e significados depositados nos detalhes do cenário, ou da arquitetura, mais fácil é para os atores se sentirem confortáveis quando entram no espaço (HBO CONNECT, [201-]). Detalhes como as queimaduras dos cigarros nas mesas, ou os pequenos rabiscos – que a câmera vê, mas o espectador provavelmente não registra, funcionam tanto para os atores, quanto para o produto final (DIGERLANDO, 2016).

Além do design de produção, a fotografia da série também contribui para a sua plasticidade. A não ser por um plano sequência de seis minutos de duração, gravado em vídeo, a temporada foi toda filmada em película. Patches (2014) comenta que Fukunaga e Arkapaw conseguiram fazer uma temporada “cinematográfica”, visto que por trás de cada cena havia uma grande preocupação com a luz, a cor, a composição, a textura e o movimento de câmera. Em uma entrevista para o jornal The Guardian, Fukunaga explicou que desde o princípio fez questão de dizer ao Pizzolatto que uma de suas prioridades como diretor era defender a arte, apesar das dificuldades de tempo e de orçamento. Em cada episódio, o diretor gostaria de pelo menos tentar encontrar momentos específicos nos quais pudesse tratar o lado visual com a mesma importância que tratavam do diálogo (PATCHES, 2014).

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