4.2 Résultats et analyse
4.2.1 Acquisition à partir de la grille d’accumulation et des contacts ohmiques
A análise textual, proposta pelo modelo tríade da ADC, pode ser realizada com base em três categorias principais: estrutura textual, gramática e vocabulário. A observação da estrutura textual tem o objetivo de analisar propriedades maiores de organização textual, a fim de se alcançar determinada interpretação de um determinado texto. A verificação da gramática compreende principalmente os significados expressos por meio da combinação das palavras em orações e frases. Por fim, a análise do vocabulário trata essencialmente dos significados e sentidos de palavras individuais, geralmente com alto teor avaliativo. (MAGALHÃES, 2001).
Para a dimensão da análise textual, seria interessante voltar à concepção de discurso enquanto prática tanto de representação quanto de significação do mundo, constituindo e ajudando a construir as identidades sociais, as relações sociais e os sistemas de conhecimento e crenças (MAGALHÃES, 2001, p. 24-25).
De acordo com Sousa (2004, p. 79) “determinados vocábulos podem dar pistas para o analista penetrar nos procedimentos de confecção do discurso e nas intenções do codificador/emissor”.
Assim, a definição da estrutura textual, a utilização da gramática e a escolha do vocabulário podem evidenciar as intenções de um enunciador em produzir determinados sentidos por meio da transmissão de seus discursos. “As pessoas fazem escolhas sobre o modelo e a estrutura de suas orações que resultam em escolhas sobre o significado (e a construção) de identidades sociais, relações sociais e conhecimentos e crença” (FAIRCLOUGH, 2001, p. 104).
No entanto, Fairclough (2001) também aponta que as escolhas e decisões sobre usos e significados de palavras não são individuais, mas constituem um conjunto de questões variáveis socialmente. Assim, essas escolhas e decisões podem evidenciar aspectos de processos culturais e sociais mais amplos, ou seja, desvelar práticas sociais, como a construção do repertório de um indivíduo que embora possa parecer um processo individual é, na verdade, uma operação efetivada com referência em um conjunto de conhecimentos prévios de uma coletividade social.
Van Dijk (1998) alerta que os conceitos e suas expressões em itens lexicais geralmente não estão sozinhos, mas sim combinados em proposições expressas por construções e frases. Cada um desses conceitos pode conter opiniões sociais ou posicionamentos ideológicos implícitos.
Segundo Fowler (1991), o vocabulário, por exemplo, pode ser considerado como uma representação do mundo realizada por uma determinada cultura, ou seja, o mundo é percebido de acordo com as necessidades e especificidades ideológicas de cada cultura. É o que pode ser observado, por exemplo, na construção dos discursos do PV e de Marina Silva que sempre realçam a “bandeira verde”, ou seja, um posicionamento ideológico voltado à ecologia.
Em relação ao discurso jornalístico impresso, SOUSA (2004, p. 77-86) lista uma relação de itens lexicais que podem ser observados em uma análise textual:
- Vocábulos ligados ao tempo;
- Conjugação de verbos (passado, presente, futuro) que indiquem memória ou esquecimento, atualidade, historicidade, intemporalidade;
- Significados dos vocábulos, principalmente verbos; por exemplo, o verbo “acusar” possui uma carga de sentido bem distinta do verbo “dizer”;
- Referencialidade por meio de vocábulos como substantivos e pronomes que referenciam pessoas ou discursos. O uso de pronomes implica ou pressupõe que já foram dadas ao leitor pistas iniciais para a identificação do que se pretende referenciar;
- Uso conotativo de pronomes sem antecedentes aos quais eles fazem referência também produzem sentidos e devem ser considerado nas análises. Por exemplo, o uso do pronome “eles” sem antes ter sido mencionado quem são eles, ou, o uso do pronome “nós”, expressando o sentido de que o enunciador se inclui em determinada enunciação;
- Grupos nominais como, por exemplo, Cidade Luz para se referir à cidade de Paris na França;
- Personagens protagonistas ou que figuram como vozes na notícia; - Artigos definidos ou indefinidos;
- Adjetivações; - Provérbios;
- Repetições, sobretudo de sinônimos; - Sinais como aspas;
- Traços gráficos como negrito e itálico;
- Palavras homófonas – com idêntica sonoridade, mas significados diferentes; - Palavras polissêmicas – duplo sentido;
- Palavras homônimas – mais de um significado; - Criação de palavras - neologismos;
- Associações e relações entre vocábulos (por oposição ou por associação); - Enunciação verbal;
- Estática fonética – rimas ou aliteração (repetição de letras, sílabas ou sons); - Supressão de vocábulos – comum em títulos jornalísticos;
- Figuras de estilo (estratégias de linguagem para conseguir um determinado efeito): metáfora (uso de um termo em outro sentido que não o próprio, em vista de uma relação de semelhança entre coisas e fatos), metonímia (um conceito por outro, exemplo autor pela obra, inventor pelo invento, efeito pela causa, parte pelo todo, gênero pela espécie etc.);
- Figuras de oposição (que contrapõem qualidades): prosopopéia ou personificação (qualidades humanas a outros seres, exemplo: a montanha ri para o alpinista), antítese (expressão de ideias opostas, exemplo: o mundo político está cheio de estrume que cheira bem), oxímero (parecido com a antítese - dois termos com sentidos opostos são associados: anão gigante, revolução tranquila), sinestesia (associação de sensações pertencentes a sentidos diferentes, por exemplo, o paladar com o olfato, a visão com o tato), paradoxo (combinação de ideias contraditórias);
- Figuras que intensificam qualidades: hipérbole (exagero de uma qualidade), ironia (emprego de palavras com sentido literal contrário ao sentido sugerido), sarcasmo (intensificação cruel e sádica da ironia) eufemismo (emprego de uma expressão neutra em substituição a um termo negativo, exemplo: mulher da vida no lugar de prostituta), perífrase (emprego de um grupo de palavras em vez de um único signo), estrangeirismo (emprego de signos que não pertencem à língua do texto, como o uso da palavra em inglês gay para se referir a um homossexual em um texto em português), disfemismo (é o inverso do eufemismo, pois intensifica aspectos negativos), lilote (negação do contrário do que quer dizer, exemplo: não é nada tolo), plebeísmo (introdução de termos próprios do discurso coloquial em um discurso de nível linguístico superior ou erudito, exemplo: baixar as orelhas ao invés de submissão), elipse (supressão de palavras), hipernomínia (substituição eufemística de um termo por outro mais geral, exemplo: O que fizeram os iraquianos para merecer isso? - o termo “isso” foi empregado no lugar de guerra), aliteração (repetição de sons: pendurado pelo pescoço);
- Enunciação proverbial: uso de provérbio apelando à sabedoria popular, fundindo-se com a voz do enunciador. Um provérbio também pode ser usado ironicamente.