• Aucun résultat trouvé

4.5.1 A Análise Estatística

O protocolo WHOQOL-bref é constituído de 26 perguntas. As perguntas 1 e 2 tratam da QV geral e suas respostas seguem uma escala de Likert (de 1 a 5 – quanto maior a pontuação, melhor a qualidade de vida, exceto as questões 1 e 2). Possui 24 facetas compostas por 4 domínios: físico, psicológico, relações sociais e meio ambiente. Seus resultados são apresentados pela média (entre 1 e 5) por domínio e por faceta.

As variáveis qualitativas foram descritas por meio de frequência absoluta e relativa e as variáveis quantitativas pela média e pelo desvio padrão ou pela mediana e pelo intervalo interquartil. Para comparar o escore médio do WHOQOL-bref e suas subescalas (domínios) em relação aos Grupos Controle e Oficina, foi utilizado o Teste t. Em cada grupo, a comparação dos escores médio do WHOQOL-bref em relação aos Testes 1 e 2 foi por meio do Teste t para dados pareados.

A variação dos escores entre os Testes 1 e 2 foi comparada entre grupos por meio do teste não paramétrico Mann-Whitney, utilizando o Coeficiente de Correção de Spearmam para avaliar a correlação entre a frequência e a variação dos escores entre os testes. A comparação do percentual de variação em relação às faixas de frequência (até 20%, de 20% a 50% e mais de 50%) foi utilizado o teste não paramétrico Kruskal Wallis.

4.5.2 A Análise de Conteúdo da Enunciação

Utilizamos a Análise de Conteúdo Categorial (ACC), preconizada por Laurence Bardin (2011), para analisar as narrativas juvenis enunciadas nos GF, pois consideramos que esta opção metodológica está ancorada no rigor técnico, apresenta o método de forma compreensível e organizada, apontando um caminho que potencializa a observação da produção da subjetividade humana, dá-nos sentido, significância e segurança para o alcance dos objetivos pretendidos pela pesquisa. Desta forma, identificamos fundamento metodológico em Bardin (2011, p.37) quando fala do campo de pesquisa que se relaciona a estes procedimentos metodológicos:

A análise de conteúdo é um conjunto de técnicas de análises das comunicações. Não se trata de um instrumento, mas de um leque de apetrechos; ou, com maior rigor, será um instrumento, mas marcado por uma grande disparidade de formas e adaptável a um campo de aplicação muito vasto: as comunicações. (Grifos da autora).

E como não perceber as relações estreitas existentes entre as comunicações e o processo educacional? Como desenvolver mediações pedagógicas, relações educativas, sem a comunicação? Essas questões são aqui empregadas como exercício de retórica, pois educar é, também, comunicar. Neste contexto, Oliveira, et al (2003, p. 5) desenvolve providencial relação:

Na área de educação, a análise de conteúdo pode ser sem dúvida, um instrumento de grande utilidade em estudos, em que os dados coletados sejam resultados de entrevistas (diretivas ou não), questionários abertos, discursos ou documentos oficiais, textos literários, artigos de jornais, emissões de rádio e de televisão. Ela ajuda o educador a retirar do texto escrito seu conteúdo manifesto ou latente.

Optamos por utilizar a ACC, pois acreditamos que esta proposta de tratamento dos dados utiliza inferências, interpretação e reflexão acerca das condições de produção dos textos (narrativas juvenis), além de contribuir para um suporte histórico-ideológico, holístico, crítico

e problematizador, que ajuda a desvendar os mecanismos de influência e mediação que compõem o corpus estudado.

A operacionalização deste tipo de tratamento metodológico se deu a partir dos ensinamentos de Bardin (2011), todavia, devemos atentar ao que dizem Laville e Dionne (1999) quanto ao processo operacional. Para os autores, este processo deve facilitar o trabalho do pesquisador. Por isso não pode ser uma estrutura rígida, mas deve apenas direcionar os caminhos da pesquisa. Assim, primeiramente, deve-se tomar posse dos dados e analisar o resultado dos GF dos jovens escolares, em seguida partir para a análise e interpretação das informações colhidas para, depois, chegar à etapa da conclusão. No entanto, os autores defendem que os dados, produzidos ainda na forma bruta, precisam de preparação para se tornar utilizáveis na construção dos saberes. Para isso, processos da ACC tornam-se importantes, como percebemos na defesa de Bardin, citada por Godoy (1995), quando diz que a utilização da análise de conteúdo para o tratamento dos dados obtidos para análise pode ser organizado em três etapas: a pré-análise (esquema de trabalho preciso, procedimentos bem definidos, mas flexíveis), a exploração do material (cumprimento das decisões tomadas anteriormente) e o tratamento dos resultados (o pesquisador apoiado nos resultados brutos procura torná-los significativos e válidos).

Nesse contexto, anunciamos que, dentro da ACC, privilegiamos a técnica denominada Análise de Conteúdo da Enunciação (ACE), que defende uma concepção do discurso como palavra em ato, o que contraria a análise de conteúdo clássica que considera o dado como um enunciado imobilizado, manipulável, fragmentável.

Utilizando a ACE como técnica da ACC, consideramos que na produção da palavra é feito um trabalho, elaborado um sentido e operadas transformações. Bardin (2011) entende que o discurso é um processo construído por conflitos e motivações, sendo fortemente influenciado pelas condições de sua produção e, neste contexto, o estudo por meio da ACE “tem duas grandes características que a diferenciam de outras técnicas de análise de conteúdo. Apoia-se numa concepção da comunicação como processo e não como dado. Funciona desviando-se das estruturas e dos elementos formais”. (BARDIN, 2011, p. 217)

Um entendimento congruente ao nosso sobre a ACE é de Minayo (2000, p. 206) quando esclarece que nesta técnica “[...] o discurso não é um produto acabado, mas um momento de criação de significados com tudo o que isso comporta de contradições, incoerências e imperfeições”. A autora leva em conta que a ACE trabalha com:

[...] a) as condições de produção da palavra. Parte do princípio que a estrutura de qualquer comunicação se dá numa triangulação entre o locutor, seu objeto de

discurso e o interlocutor. Ao se expressar, o locutor projeta seus conflitos na sua maioria, inconscientes; b) o continente do discurso e suas modalidades. Essa aproximação se dá através de: 1) análise sintática e paralinguística: estudo das estruturas gramaticais; 2) análise lógica: estudo do arranjo do discurso; 3) análise dos elementos formais atípicos: silêncios, omissões, ilogismos; 4) realce das figuras de retórica. (MINAYO, 2000, p.207)

Nesta fase da pesquisa, analisamos o conteúdo enunciativo dos GF e Diários de Aula realizados com os sujeitos da pesquisa. Defendemos um viés reflexivo que privilegie percepções relacionadas à autopercepção corporal dos sujeitos, e em que o interesse na reconstrução dos significados dos conteúdos enunciados pelos sujeitos é primordial. Assim, o foco de análise é a interpretação das mensagens, dentro de uma perspectiva que considere a EFES como mediação pedagógica que potencializa estados de saúde e QV como resultados do processo educacional formal. A ACE é nossa principal opção metodológica porque, em nosso entendimento matricial, os rituais de negociação de significados é que constituem a base do processo educacional.

4.6 ASPECTOS ÉTICOS

Esta pesquisa foi desenvolvida respeitando integralmente as orientações e cuidados éticos estabelecidos pela Resolução n° 510, de 07 de abril de 2016 (BRASIL, 2016) que dispõe sobre as normas aplicáveis a pesquisas em Ciências Humanas e Sociais cujos procedimentos metodológicos envolvam a utilização de dados diretamente obtidos com os participantes ou de informações identificáveis ou que possam acarretar riscos maiores do que os existentes na vida cotidiana, na forma definida nela. Nossa Tese foi orientada por princípios éticos baseados pelo respeito à dignidade humana e à proteção da vida de todos os envolvidos, pela promoção de uma ação consciente e livre dos sujeitos da pesquisa (participantes: estudantes, professores, coordenadoras, diretoras, auxiliares...), sempre com um olhar atento a qualquer tipo de dano aos participantes.

O desenvolvimento desta pesquisa envolveu a avaliação da Comissão Científica da Escola de Humanidades (com sua inscrição do SIPESQ) e do Comitê de Ética em Pesquisa – CEP/PUCRS, pois foi realizada no âmbito da educação, com o intuito de pesquisa científica em nível Stricto Sensu, em conformidade com o § 1° do art. 1° desta resolução. Desta forma, foi aprovada pela Comissão Científica da Escola de Humanidades da PUCRS sob o Parecer nº 7903, de 28 de março de 2017 (ANEXO B), assim como foi submetida à Plataforma Brasil e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa – CEP/PUCRS conforme Parecer nº 2.395.286, de 23 de novembro de 2017 (ANEXO C).

Documents relatifs