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A. Les Aciers au carbone :

Soudage des aciers

III. A. Les Aciers au carbone :

Ao longo desta secção apresentamos um conjunto de considerações que resultaram da análise e da reflexão sobre o tema.

Em quase duas décadas de serviço docente, os valores comportamentais e atitudes sociais, como é normal, têm mudado. Não nos parece, no entanto, que esta mudança tenha um cariz eminentemente negativo, o que fundamentaremos de seguida.

A crise de valores da sociedade pós-moderna – que Lipovetsky designou por “crepúsculo do dever” e que José Gil chamou de “doença de hiperidentidade”, ambos citados por Baptista (2009, p.14), – resulta da falta de referências morais e éticas que estruturem o agir e as relações interpessoais o que tem sido um tema profusamente debatido. Encontramo--nos numa época de mudança acelerada, de incertezas práticas e teóricas, de complexidade crescente, sendo a escola um reflexo da sociedade envolvente com a qual interage. Perante esta realidade, há três atitudes possíveis: a passividade/desmotivação, a projeção inoperante num futuro melhor e o exercício realista do exame crítico que tenderá a reorientar a ação. No dizer sintético e expressivo de William George Ward, “O pessimista queixa-se do vento, o otimista espera que ele mude e o realista ajusta as velas.” A nossa persistência aconselha-nos a que ajustemos as velas e sigamos em frente de cabeça erguida, embora tenhamos consciência das múltiplas dificuldades que se apresentam no quotidiano da docência. Estas podem ser organizadas

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em diferentes níveis:

a. A relação pedagógica com os alunos, portadores de uma identidade pessoal e de

uma liberdade em formação que há que respeitar e, simultaneamente, ajudar a desenvolver. É esta relação que define a natureza da profissão docente, realizando--se no interior de uma comunidade específica, a escola;

b. A relação legal de serviço público, na vertente estabelecida com o Ministério da

Educação, que desenha o projeto educativo nacional, o enquadramento jurídico das escolas e dos professores, a progressão na carreira e a remuneração docente;

c. A relação com os pares da atividade educativa, na sua diversidade de funções e de

projetos, enquanto realizam o serviço público educacional e dão forma à atividade educativa. Esta relação exige diálogo, reflexão e partilha em circunstâncias (profissionais, pedagógicas e logísticas) que nem sempre são favoráveis a tal exercício.

A escola tem como finalidades: a aquisição de determinados conhecimentos e técnicas, que denominamos de instrução; o desenvolvimento equilibrado da personalidade do aluno, que se denomina de estimular; e também garantir a interiorização de determinadas condutas e valores com vista à integração na sociedade, socialização (Pires, Fernandes, & Formosinho, 1991, p.187-188).

De acordo com estas atribuições, a escola surge-nos como uma realidade complexa que exige capacidades diferenciadas aos docentes. Algumas destas têm-se desmultiplicado de tal forma que somos levados a defender que a escola, atualmente, presta assistência e desempenha quase todas as funções possíveis e imagináveis. Este nosso sentimento, resulta do facto de se considerar que compete à escola remediar todos os males.

É evidente que a escola, enquanto organização pública que garante o direito constitucional à educação, deve refletir sobre a complexidade da sociedade e das comunidades em que está inserida, de modo a proporcionar um leque equilibrado de serviços, tanto curriculares como de desempenho, que respondam às necessidades dos alunos e da comunidade. Contudo, não pode pretender substituir-se a outras instituições, tanto públicas como privadas, sob pena de não realizar nenhuma das funções que lhe são próprias. A escola distingue-se pela função de ensino que lhe é atribuída como serviço público, exigindo dos professores saberes específicos em duas áreas: na formação científica, que os distingue entre si; na formação pedagógica, que os identifica. É esta última que os torna profissionais distintos daqueles que também põem os seus conhecimentos científicos ao serviço do indivíduo.

Relatório de Atividade Profissional – Ética e Espírito Desportivo nas aulas de Educação Física

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Segundo Isabel Baptista,

os professores são profissionais da relação pedagógica, atuando como agentes de condição humana ou agentes de alteridade por excelência. A relação pedagógica destina-se a estimular e a orientar o processo de autonomização dos sujeitos ‘a cargo’, constituindo o elemento estruturante da próprio cultura escolar. (2009, p.19)

Partindo do enunciado pela LBSE (alínea b do art.º 3º da Lei n.º 49/2005, de 30 de agosto e referido no ponto 2.3.1 – A Escola), poderemos analisar de que forma temos “contribuído para a (…) formação do caráter e da cidadania”, bem como “qual foi a nossa contribuição na preparação dos alunos na reflexão consciente sobre os valores espirituais morais e cívicos”.

Acresce a estas questões a reflexão apresentada por Ramiro Marques (1998, p.29), após ter feito uma verificação aos programas dos 1º e 2º ciclos. Considera este haver uma grande percentagem (57%, no 1º ciclo e 62%, no 2º ciclo) de objetivos de caráter social presentes. Fazendo também a análise da LBSE e dos Programas supracitados, o autor salienta a concordância entre os documentos referidos na valorização dos objetivos sóciomorais. Assim, a questão será: estes valores terão reflexos na nossa atividade enquanto professor? Esta é uma preocupação à qual responderemos na reflexão final.

Sendo os professores os principais responsáveis, nas escolas, pela formação integral dos alunos, questionamo-nos repetidamente sobre qual será o nosso grau de desempenho no cumprimento deste dever profissional e de que forma estes objetivos foram cumpridos nos diferentes trabalhos que realizámos.

Segundo o Caetano & Silva os professores

definem a sua profissão como uma atividade constitutivamente ética, porque o professor deve agir na observância de um conjunto de princípios de natureza moral e, também, porque o que se espera do professor é que recorra a uma estratégia, desenvolva um método e disponha de recursos para promover a formação ética dos alunos (2009 :p. 50).

Alguns docentes acreditam e baseiam a sua postura no reforço da sua posição hierárquica em detrimento da interação com os alunos. No entanto, a experiência tem-nos mostrado que a melhor forma de clarificar o papel de cada um não é através da definição conceptual de competências, direitos e deveres, mas sim através da interação com os alunos, tendo por base uma forma de atuar justa, exigente, compreensiva e verdadeira, aspetos essenciais em todo o desempenho docente.

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Destacamos, de seguida, alguns dos pontos mais fracos que, em termos éticos, vimos percecionando ao longo da nossa carreira. O descuido, mais ou menos consciente, do valor da lealdade, quer na relação entre pares quer para com as entidades superiores. Parece-nos que nem sempre temos o cuidado de fazer as críticas certas no momento adequado, pois, ao constatarmos uma falha no plano didático ou relacional, não usamos da discrição e da frontalidade para nos dirigirmos apenas àquele que a praticou, numa conversa pessoal e com delicadeza de linguagem, de modo a contribuirmos para a superação do erro. De forma idêntica, acontece que nem sempre fazemos chegar aos órgãos de direção ou da tutela as opiniões dos grupos disciplinares ou da escola, em matéria curricular ou administrativa, devidamente fundamentadas e com a assunção total das responsabilidades que daí decorrem. Preferimos, não raras vezes, engrossar a crítica geral e anónima que corrói o ambiente profissional e é inoperante. O segredo profissional, no respeito pela intimidade dos alunos e das circunstâncias pessoais e familiares em que se encontram, é entendido de modo superficial e, algumas vezes, esquecido.

Uma vez que a formação para a cidadania – um dos nossos objetivos enquanto docentes – é feita, a maior parte das vezes, de modo implícito, pelo exemplo e pela ação concreta e determinada em contexto de sala de aula ou de escola, os valores da liberdade e da responsabilidade sofrem uma distorção que não escapa ao espírito crítico dos nossos alunos.

Relatório de Atividade Profissional – Ética e Espírito Desportivo nas aulas de Educação Física

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