2. Classification des polyphénols
2.1.2. Acides cinnamiques
Podemos observar, nas tabelas 1, 2 e 3 anexadas, o sexo dos alunos. Entre os alunos antigos da Universidade Federal de São Carlos entrevistados, temos 69% do sexo masculino e 30% do sexo feminino, já no que diz repeito aos recém-formados temos quase
89 Nomeamos estas variáveis de constragendoras pois elas implicam em debates e discussões que além de serem
polêmicos necessitam de uma abordagem mais delicada do pesquisador pois os indivíduos entrevistados dentro dessas categorias podem se sentir vulneráveis e incomodados com o modo como forem abordados pelo pesquisador no tocante a suas questões.
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73% dos entrevistados do sexo masculino (alunos dos quartos e quintos anos do curso de engenharia de produção) e 27% do sexo feminino. No caso da Universidade Politécnica de São Paulo (USP), temos 77% de homens e 22,9% de mulheres. Quanto à universidade particular, encontramamos somente uma mulher na sala de aula.
Em vista das porcentagens acima, não podemos negar que esse ainda é o perfil de muitos cursos de engenharia no Brasil. De acordo com Lombardi (2006), especialista no estudo sobre as engenheiras no Brasil, baseando-se nos dados da PNAD (Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios) de 2002, a autora argumenta que o percentual de engenheiras formadas vem crescendo, já que o percentual de engenheiras matriculadas no ensino superior era de 16,4% em 1991 e no, ano de 2002, esse percentual passa para 20%. Ela ainda argumenta que, na Escola Politécnica da USP, “no espaço de 40 anos entre 1950 e 1989 formaram-se 536 engenheiras e, no ano de 1990, 764 engenheiras” (LOMBARDI, 2005, p.7 apud Facciotti, Samara 2004)
O período de maior crescimento do número de engenheiras será o de redemocratização, com o advento do crescimento dos cursos de engenharia, cujo arranque mais expressivo se dá entre os anos de 1990 e 2002. Esse número cresce 93% principalmente nas faculdades privadas, onde são abertas vagas no período noturno entre os anos de 2002 e 2003.
Já no que diz respeito à profissão, 59% das mulheres afirmam estar empregadas formalmente, enquanto que a porcentagem de homens que afirma o mesmo é de 43,7%. Esse fato se justifica pela grande quatidade de mulheres que se empregou no setor público, principalmente após os anos 1990, quando houve uma abertura de 60% dos novos cargos para engenheiras.
Durante período correspondente entre o governo de Fernando Color de Melo até o primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso, ocorreu uma retração do cargo de engenharia no Brasil. Os períodos de maior retração são os de 1992-1993 e o de 1998. No segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, ocorreu um crescimento de cargos de aproximadamente de 2,8% para as engenheiras.
Depois de formadas, as mulheres concentravam-se, primeiramente, nas áreas de engenharia civil e química em 1990. Nesse ano, os percentuais indicaram que 44% das mulheres se tornavam engenheiras civis, enquanto que 15% iam para a engenharia química. Em 2002, esse percentual subiu para 30% de formadas em engenharia civil e 10% em engenharia química. Foi nesse ano em que se abriu a possibilidade para outras áreas, sendo que 10% das conclusões de curso são em engenharia de alimentos, 4% para engenharia
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florestal e 3% para engenharia de produção e mecânica. Pode-se dizer que, de acordo com as diferentes especialidades, entre os anos 1990 e 2002, a maior parte foi para as áreas de engenharia química e de produção (21%), mecânica e metalurgia (6%) no ano de 2002 e a engenharia civil se configurou entre 9 e 16%.
No que diz respeito aos salários, em um primeiro momento, a partir de 1990, houve uma queda salarial para a categoria dos engenheiros. No segundo momento, ocorreu a queda do salário das engenheiras com relação aos salários dos engenheiros. Depois, em um terceiro momento (2002), percebeu-se a diminuição da diferença de salários entre homens e mulheres, devido ao fato dos engenheiros passarem a receber menos e as engenheiras a receber mais.
Após a descrição dos dados macros sobre a situação da mulher engenheira no Brasil, passaremos a nossa pergunta fundamental de tese: essas engenheiras, depois de formadas, trabalharão em quais ocupações?
Lombardi (2006) ressalta que as mulheres são a minoria em muitas áreas, principalmente as ditas mais “masculinas”, nas quais o trabalho seria possivelmente muito “pesado” para elas. Nesse sentido, a autora assinala que:
A dinâmica da divisão sexual tem-se encarregado a restabelecer a “ordem de gênero” internamente a esse campo profissional, sinalizando as atividades permitidas as engenheiras e aquelas que não o são, a cada novo nicho, a cada subárea de trabalho que se abre nas engenharias. (LOMBARDI, 2006, p.20)
Nesse sentido, alguns dos entrevistados da autora, em suas falas, relatam que as mulheres escolhem mais a área de consultorias e vendas na área da engenharia de produção, por serem mais pacientes, deterem da arte de convencimento, da habilidade linguística e da docilidade. Contrariamente, as áreas de produção e fábrica são de destinação masculina. Esse fato concorda com as asserções de Bourdieu (2008, p. 99):
Do mesmo modo, no crescimento da parcela das mulheres exprime-se o verdadeiro devir de uma profissão e, em particular, a desvalorização absoluta ou relativa que pode resultar das transformações da natureza e da organização do próprio trabalho e o caso, por exemplo, dos empregos de escritório, com a multiplicação das tarefas mecânicas e repetitivas, comumente deixadas as mulheres - ou das mudanças de posição relativa no espaço social [...]
Tarefa mais difícil ainda seria a de ocupar cargos de gerência e diretoria. Esses, quando ocupados por mulheres, se concentram mais nas áreas de pesquisa e desenvolvimento e de marketing (LOMBARDI, 2005). Nesse sentido, uma de suas entrevistas assinala:
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“Engenheira com filhos adolescentes considera que a dupla carga de trabalho das mulheres é um fator limitador para as carreiras femininas, bem como os compromissos que se estabelecem no âmbito do casal quanto às carreiras profissionais de ambos” (LOMBARDI, 2005. p.6).
Em nossa pesquisa, encontramos alguns relatos de engenheiras que seguem no mesmo sentido apontado pela autora anteriormente. Em entrevista com aluna da UFSCar, da turma e 1976, questionamos se ela sofreu alguma discriminação em sua carreira por ser mulher e engenheira. Ela respondeu:
Fonte: Dados da pesquisa.
Quando a interrogamos sobre a existência de uma segmentação no cargo das engenharias para a atuação das mulheres, ou seja, questionamos sobre a existência de áreas que têm mais abertura para o perfil feminino, ela replicou:
Fonte: dados da pesquisa.
Ao ser indagada sobre a ocupação de cargos mais altos, em sua carreira, como de diretoria ou presidência, ela disse:
Fonte: dados da pesquisa.
Quando comentei com a entrevistada sobre ter nos surpreendido o maior número de mulheres na indústria entre as formadas na UFSCar, ela assinala que:
Certeza. Numa das entrevistas, recém-formada, vi que o entrevistador escreveu no meu CV, que tinha em mãos: mulher!
Eu trabalhei por 5 anos na Holanda e gerenciava uma área, quando indiquei uma mulher para me suceder, o meu chefe falou: melhor não...ela acabou de casar, vai ter filhos e não conseguirá se dedicar plenamente à gerência.
Quando eu estava procurando estágio na Zanini Equipamentos pesados e queria estagiar na área de controle de qualidade. Porque eu era monitora de Estatística, o Gerente da Área falou em alto e bom som, “não quero mulheres no meu departamento.” Éramos mais aceitas em Bancos, Financeiras e éramos menos aceitas na Produção.
Figura 14 - Relato de profissional 1
Figura 15 - Relato profissional 2
131 Fonte: dados da pesquisa.
Sobre o sofrimento ou não na carreira em função da condição feminina, temos a entrevista de uma engenheira que ingressou na UFSCar no ano de 2006:
Fonte: dados da pesquisa.
Ao questioná-la sobre a existência de alguns segmentos ou áreas nas empresas que tendem a contratar mais mulheres, ela apontou:
Fonte: dados da pesquisa.
Quando falamos sobre a surpresa de encontrar mais mulheres trabalhando no setor industrial, dentre as formandas da UFSCar, ela relatou que:
Fonte: dados da pesquisa.
Acho que não existe muito. Em alguns casos, existem empresas que são mais amigáveis para mulheres, no sentido de que oferecem diversos benefícios (tipo, auxílio creche, maternidade etc) e uma conhecida por isso é a Natura. Quanto às consultorias, não vejo uma distinção. Não sei dizer quanto a "fazer carreira", mas em relação à quantidade de homens e mulheres, entendo que seja proporcional. Mas existe um discurso de que as mulheres saem mais cedo, quando querem ter filhos... Então, provavelmente, se você olhar o quadro de analistas e consultores, talvez não tenha tanta diferença. Mas se você olhar o quadro de diretores e sócios, com certeza será mais difícil encontrar mulheres.
Olha, nunca ouvi nenhuma história sobre isso e nem ocorreu comigo em processo seletivo especificamente. Mas isso não significa que não acontece. Eu sou uma engenheira que reflete sobre as questões de gênero, diferente do que é comum. As questões de gênero não são muito discutidas/pensadas no ambiente da engenharia... Ninguém parte da ideia de que pode não ter passado em um processo seletivo ou não ter conseguido se colocar durante a discussão por causa de uma questão de gênero, mesmo que essa seja a realidade.
Hum você se refere ao chão de fábrica, né? eu acho que tem uma diferença sim. É mais difícil encontrar mulheres no chão de fábrica. Até podem trabalhar em indústria, mas devem estar mais em áreas de escritório. Mas tem mulheres que se identificam com o chão de fábrica... Já conheci algumas. Elas são as únicas que conheço que se dão conta da questão de gênero. O discurso delas é que precisam "mostrar seu valor" para os operários, mas que isso acontece rápido e eles passam a respeitar...
Era no passado, mas tem mudado muito, o que é bom.
Figura 17 - relato profissional 4
Figura 18 - Relato profissional 5
Figura 19 - Relato profissional 6
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Percebemos a mudança no discurso da ex-aluna da década de 70 e da aluna dos anos 2000. Antes, percebe-se que a discriminação sobre as mulheres no trabalho era mais evidente. Na fala da recém-formada, observamos que essa discriminação não é tão transparente, apesar dela não deixar de existir. Outro fato importante é a ocorrência da abertura do setor industrial para as mulheres engenheiras, fato que, na fala anterior, se percebeu uma tendência forte para que as mulheres não trabalhassem em ambientes industriais mais pesados, ditos ambientes de trabalho para “homens”.
Em suma, a profissão da engenharia para as mulheres, apesar de ter passado por grandes mudanças, ainda carrega consigo alguns estigmas ligados ao que Lombardi (2006) denomina como “segregação horizontal (áreas de trabalho)” e a “vertical (ascensão hierarquica)”. Nesse sentido, Bourdieu complexifica mais ainda essa discussão afirmando que (2008, p.101):
As propriedades de gênero são tão indissociáveis das propriedades de classe quanto o amarelo do limão é inseparável de sua acidez: uma classe define-se no que ela tem de mais essencial pelo lugar e valor que atribui aos dois sexos e a suas disposições socialmente constituídas. Eis o que faz com que, por um lado, o número de maneiras de realizar a feminilidade corresponda ao número de classes e de frações de classe; e, por outro, no seio das diferentes classes sociais, a divisão do trabalho entre os sexos assume formas completamente diferentes, tanto nas práticas quanto nas representações. A verdade de uma classe ou de uma fração de classe exprime-se, portanto, em sua distribuição segundo o sexo ou a idade e, talvez, ainda mais, por tratar-se de seu futuro, na evolução dessa distribuição no decorrer do tempo: as posições mais baixas designam-se pelo fato de comportarem uma parcela importante - e crescente - de estrangeiros e/ou de mulheres (operários sem qualificação, trabalhadores braçais) ou de mulheres estrangeiras (faxineiras); do mesmo modo, não é por acaso que as profissões de serviço e de cuidados pessoais, serviços médico-sociais, estabelecimentos de cuidados pessoais - antigos, tais como os cabeleireiros; e novos, por exemplo, as esteticistas - e, sobretudo, serviços domésticos que acumulam as duas dimensões da definição tradicional das tarefas femininas, ou seja, o serviço e a casa, são praticamente reservados às mulheres.
Voltando a nossa questão de pesquisa, realizamos o cruzamento de dados entre as variáveis sexo e ocupação, após formação, para analisar para onde as graduandas em engenheiras de produção vão trabalhar depois de formadas.
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Tabela 5 - Sexo x ocupação UFSCar
Bancos\Finanças Academia Indústria Consultoria Empresários Público Total
Feminino 5 2 27 14 2 3 53 9,43 3,77 50,94 26,42 3,77 5,66 100 Masculino 19 10 75 28 3 7 142 13,38 7,04 52,82 19,72 2,11 4,93 100 Total 24 12 102 42 5 10 195 12,31 6,15 52,31 21,54 2,56 5,13 100
Fonte: Dados da pesquisa.
Tabela 6 - Sexo x ocupação USP90
Bancos\Finanças Academia Indústria Consultoria Empresários Total
Feminino 4 0 4 6 0 14 28,60 0,00 28,60 42,90 0,00 100,00 Masculino 17 1 5 14 1 38 44,70 2,60 13,20 36,80 2,60 100,00 Total 21 1 9 20 1 52 40,40 1,90 17,30 38,50 1,90 100,00
Fonte: Dados da pesquisa.
Analisando a tabela cruzada acima, que concentra o total de alunos entrevistados na UFSCar (alunos antigos e recém-formados) mais os alunos antigos da listagem da Festa de 35 anos do Departamento de Engenharia de Produção (cuja listagem gerou apenas 33 questionários respondidos, pois o restante não respondeu, mas tínhamos disponível o dado da empresa na qual esses ex-alunos trabalhavam) perfizemos o total de 233 alunos.
Percebemos pela tabela da UFSCar que, para o sexo feminino, a maior parte das mulheres (50.9%) passa a trabalhar em indústrias (em quaisquer das áreas assinaladas na
90 Nessa tabela temos o dado de que dois dos alunos da Usp não responderam o sexo (ambos do sexo masculino)
por isso a porcentagem total não fecha dentro do numero total de entrevistados. Colocamos na tabela somente os respondentes da questão. O número de respondentes de cada área também é menor do que o numero total pois muitos dos respondentes consultados não responderam aos e-mails e aos recados nas redes sociais onde buscávamos saber o cargo ocupado pelos estudantes deppis de formados. Outros dentre eles também responderam que não estavam trabalhando ainda, dentre esses a maioria estava fazendo intercâmbio no exterior.
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seção anterior, listadas pela ABEPRO). A segunda maior porcentagem (26,4%) é a de mulheres que vão trabalhar na área de consultorias. A terceira maior porcentagem (9,43%) corresponde à escolha da área de bancos/finanças. O quarto lugar (5,6%) se refere ao emprego público e, por último, há um empate (3,77%) entre a carreira acadêmica e a empresarial.
No que diz respeito à USP, a maior parte (42%) das mulheres que respondeu a questão está trabalhando na área de consultorias. Em segundo lugar, empatam as porcentagens das que trabalham nas indústrias (28%) com a das mulheres que trabalham com bancos e finanças.91
Portanto, dos alunos entrevistados, observamos que a maior parte das mulheres da UFSCar vai trabalhar justamente nas esferas onde Lombardi (2006), juntamente com as informações de suas entrevistas qualitativas, afirmaria que seriam áreas mais masculinas. Todavia, o segundo lugar mais ocupado por elas é justamente a área de consultorias, que a autora havia ressaltada, com base em suas entrevistas, que seria a área mais “feminina”. No caso da USP, observamos que o que a literatura concernente às profissões feminizadas aponta é constatado pela ocupação em áreas de consultorias. A área financeira é muito mais ocupada pelos homens entrevistados tanto na UFSCar como na USP, sendo que se segue o rigor de ser tida como uma área de ocupação mais masculina. O setor público, que seria o que teve grande abertura a partir da década de 1990, é pouco representado pelas mulheres da presente pesquisa.