Quels accompagnements associer au Serious game ?
C) Les accompagnements associés à la diffusion du Serious Game
O Curso de Enfermagem da Faculdade de Medicina de Marília (FAMEMA) constitui-se como um dos projetos que busca a reorganização do processo de formação tendo adesão ao projeto proposto pela Enfermagem no movimento nacional conduzido pela ABEn.
O processo de repensar o modelo pedagógico do Curso de Enfermagem da FAMEMA começou em outubro de 1992, impulsionado por propostas do ideário do Projeto UNI (uma nova iniciativa na educação dos profissionais da saúde: união com a comunidade), financiado pela Fundação W. K. Kellogg, que estava se iniciando no município de Marília naquele momento.
Segundo Kisil e Chaves (1994a, p.3), para os três elementos constitutivos do Programa UNI - academia, serviço e comunidade - colocaram-se os seguintes propósitos:
estimular e apoiar os projetos de progresso sincrônico na educação dos profissionais da saúde, na prestação de serviços de saúde e na comunidade, estreitando o relacionamento entre esses três componentes;
criar modelos passíveis de replicação, referentes a esses três campos, compartilhados através de um mecanismo de rede dos projetos que o componham;
criar mecanismos de apoio aos projetos, desde sua formulação, incluída sua avaliação contínua e a disseminação das experiências e dos modelos de resultados.
Ainda, segundo os mesmos autores, espera-se que o Programa UNI, ao término, tenha contribuído para o desenvolvimento de:
modelos de SILOS ( sistemas locais de saúde); modelos de educação dos profissionais da saúde;
modelos de IDA, com base em SILOS e no trabalho em equipe multiprofissional;
modelos de participação comunitária nas decisões relativas ao setor saúde;
modelos de SILOS centrados no enfoque familiar;
modelos de trabalho em comunidade por meio de equipes de saúde multiprofissionais;
tecnologias apropriadas aos SILOS, quer para a prestação de serviços, quer para a educação profissional;
novos líderes na área. (KISIL; CHAVES, 1994a, p.3)
Os Projetos UNI têm como contexto uma América Latina recém-saída de regimes autoritários, com várias tentativas de reconstrução ou construção da democracia, na direção de processos de socialização, em que os atores políticos buscam construir consensos, substituindo interesses próprios por interesses coletivos. Neste cenário houve possibilidades para que os Projetos UNI ainda assim conseguissem se desenvolver, criando novas oportunidades de organização dos processos de trabalho nos serviços de saúde, da comunidade, como também dos processos de formação dos profissionais da saúde (FEUERWERKER; SENA, 1999).
Para que houvesse visibilidade política para as experiências desenvolvidas nos projetos UNI, ampliou-se o papel da antiga Rede IDA, a qual eracomposta pelos projetos de integração docente-assistencial (IDA), também financiados pela Fundação Kellogg no Brasil na década de 80, transformando-se em Rede UNIDA em
1998. A Rede UNIDA, ao constituir-se como ator social, mostrou-se estrategicamente importante na medida que tornou-se reconhecidamente um ator preocupado com o tema da formação dos profissionais de saúde, atuando junto com outros atores como a ABEn, na formulação das diretrizes curriculares para a Enfermagem, como também em outras áreas da saúde como medicina, odontologia, psicologia, criando e divulgando uma pauta de discussão tendo como base os novos processos que estavam sendo construídos nos espaços UNI (FEUERWERKER et al., 2000a).
Ainda, nos contextos UNI Sena-Chompré e Egry (1998, p.178-179), ao estudarem o desenvolvimento da Enfermagem, destacam que
(...) os Projetos se revelam como espaço privilegiado para a ampliação dos cenários de ensino. Por conter novas e diferentes relações sociais, a presença de docentes e estudantes nesses cenários torna necessária a adoção de novas práticas pedagógicas. Os projetos UNI estão construindo um novo conhecimento em franco confronto com os modelos tradicionais fazendo emergir resistências e oposições às novas propostas. (...) O estudo permite concluir que a Enfermagem tem uma força interna resultante da acumulação histórica de suas lutas e conquistas para ocupar espaços na academia, nos serviços e em alianças com setores populares da sociedade. (...) O Projeto UNI constitui um espaço privilegiado para a Enfermagem ampliar e recriar conceitos e novas práticas caracterizando-se como elemento estratégico para a construção de alianças com setores comprometidos com a transformação do setor com a superação dos processos de exclusão social, econômica e cultural.
Neste cenário, no qual há possibilidades de implementarmos propostas político-ideológicas inovadoras, com muitas possibilidades, mas também com muitas contradições e conflitos, iniciamos a construção do novo PPP do Curso de Enfermagem da FAMEMA. O processo de revisão curricular se deu mediante o desenvolvimento de vários cursos de capacitação pedagógica para os docentes no período de 1994 a 1996. Esses cursos tiveram como resultado a possibilidade de apreensão e utilização da Metodologia da Problematização, inicialmente, segundo a proposta do Arco de Maguerêz, trazido por Bordenave e Pereira (1991). Um outro produto desse processo de capacitação pedagógica foi a mobilização dos docentes, principalmente, do Departamento de Enfermagem, com relação à formulação de questões relativas ao referencial filosófico da metodologia que vinha sendo utilizada.
Em março de 1996 iniciamos um trabalho de assessoria, o qual tinha como objetivo ajudar o Departamento de Enfermagem, naquele momento, a responder as questões suscitadas na implantação e implementação da nova metodologia nas disciplinas do curso.
O impacto desse trabalho no Departamento foi o entendimento de que a mudança pedagógica estava diretamente relacionada às questões filosóficas e não apenas às alterações de estratégias didáticas, bem como o fato de que a reestruturação do currículo deveria ser realizada coletivamente.
Por se entender que “currículo é a totalidade das situações de ensino- aprendizagem, planejadas intencionalmente pelo coletivo da escola, as quais proporcionem experiências direcionadas para o alcance dos objetivos educacionais da mesma” (FAMEMA, 1997, p.11), iniciamos em 1997 a elaboração do novo PPP, considerando que já tínhamos um certo acúmulo de experiências, o qual começou a ser implementado em 1998 de forma gradativa.
Por estarmos formando a primeira turma do novo currículo e, diante do momento de redefinição do ensino em geral e da Enfermagem em particular, sentimos a necessidade de elaborar uma investigação que pudesse iluminar algumas das perguntas que vínhamos elaborando no transcorrer do trabalho. Além disso, sentimo-nos provocadas a tentar responder algumas das questões que também nos fizemos ao longo da implementação curricular sobre a formação crítico-reflexiva.
Várias são as interfaces que determinam a complexidade do PPP e do currículo, tais como: o processo de trabalho pedagógico que possa estimular a formação de profissionais críticos, comprometidos com a transformação do contexto saúde/doença da população; a articulação que a academia tem construído com o serviço e a comunidade, como espaço para experiências na formação contextualizada do profissional; quanto o órgão formador vem atuando nos serviços, como parceiro na construção de um novo modelo de atenção à saúde, com tecnologias que intervenham tanto nos problemas individuais como da coletividade; se os conteúdos que vem sendo implementados nos cursos de graduação contemplam as quatro aprendizagens do futuro – saber ser, saber conviver, saber aprender e saber fazer; se a atuação e atualização dos docentes refletem a construção de referenciais que
contribuam para uma formação para a emancipação dos sujeitos na perspectiva crítico-reflexiva, atuando baseados em valores coerentes com os defendidos no PPP.
A pesquisa toma como cenário de investigação o Curso de Enfermagem da FAMEMA, buscando estudar o processo de formação dos enfermeiros para a intervenção em saúde de forma consciente, ética, transformadora do contexto em que estiver inserido, através da crítica e da reflexão de sua prática.
Todo PPP organiza-se através de um currículo, e ao pensarmos nele enquanto práxis, o mesmo ocorre dentro de certas condições concretas, configurando-se num mundo de interações culturais e sociais, sendo determinado por quem o constrói, estando conseqüentemente carregado de valores e pressupostos e sua decifração pode ser tanto no nível político-social como de sua instrumentação “mais técnica”. Entendê-lo como campo prático supõe a possibilidade de
analisar os processos instrutivos e a realidade da prática a partir de uma perspectiva que lhe dota de conteúdo; estudá-lo como território de intersecção de práticas diversas que não se referem apenas aos processos de tipo pedagógico, interações e comunicações educativas; sustentar o discurso sobre a interação entre teoria e a prática em educação (SACRISTÁN, 1998, p.14- 15).
Assim, tomamos como objeto de investigação a formação do enfermeiro
enquanto sujeito crítico-reflexivo no Curso de Enfermagem da FAMEMA.
Esperamos contribuir para o entendimento da implementação de um novo processo de formação, considerando as mudanças que vêm ocorrendo no mundo do trabalho e na sociedade, em particular no setor saúde, educação e na carreira de Enfermagem, partindo do pressuposto que:
• a formação de um enfermeiro crítico-reflexivo implica que o aluno torne- se sujeito no processo de formação e, essa transformação do aluno em sujeito está determinada e determina o contexto da implementação do Projeto Político-Pedagógico adotado pelo Curso de Enfermagem da FAMEMA.
• captar através dos alunos do Curso de Enfermagem da FAMEMA como está sendo construído seu processo de formação, na direção da constituição de um profissional crítico-reflexivo;
• identificar quais as marcas diferenciais do processo de formação percebidas pelos alunos do Curso de Enfermagem da FAMEMA a partir da lógica do Projeto Político-Pedagógico;
• apreender quais as facilidades e dificuldades encontradas no transcorrer de um processo de formação crítico/reflexivo na percepção dos alunos do Curso de Enfermagem da FAMEMA.