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4. Requirements

4.6. Access Node Requirements

Goulart e Chiari (2010) relatam que no Brasil, desde a década de 1970, iniciaram–se reflexões sobre o papel da saúde, os questionamentos acerca do acesso aos serviços de saúde e direitos dos pacientes. Essas reinvindicações e uma legislação que as apoie são partes do processo da democracia e da cidadania.

A partir da Constituição de 1988, a saúde passou a ser assegurada como direito universal devendo ser garantida pelo Estado, no qual há a determinação que os serviços de saúde devem promover acesso de informação sobre a saúde, potencial de atendimento e resolutividade. No entanto, ainda se convive com o acesso desigual e excludente aos serviços de saúde, de modo que, no contexto brasileiro a legalidade de uma proposta não assegura a sua implementação (ASSIS; JESUS, 2012).

Para Ramos e Lima (2003), acesso e acolhimento são elementos fundamentais do atendimento e fatores necessários para que se possa incidir efetivamente no estado de saúde do indivíduo e da coletividade. Corroborando com esse pensamento, Coelho e Jorge (2009), afirmam que: “sem o acolhimento o serviço não pode garantir nem o acesso nem a prioridade do atendimento”.

Uma queixa frequente entre os usuários do serviço estudado foi a dificuldade de conseguir vaga para as consultas médicas, como pode ser observado nas declarações:

Aqui tá dificultoso para marcar qualquer médico. A gente tem que ficar na fila e ver se tem a vaga no sistema, ai às vezes quando chega a vez da gente o sistema já não

tem mais vaga (Naamã). Todo dia tem que ir pra saber se tem vaga para o médico (Benjamin).

Todas as consultas médicas são feitas por meio de um sistema de regulação, o SISREG III, que se por um lado ajuda a organizar a demanda, por outro traz todos esses inconvenientes. Para o atendimento no setor de reabilitação do serviço investigado é necessário que o paciente tenha um encaminhamento e ao término das sessões esse seja reavaliado pelo médico, o que algumas vezes acontece com dificuldade para os usuários.

Nesse estudo foi verificado que o tempo que passou entre o usuário procurar o serviço e conseguir a vaga, variou desde o atendimento no mesmo dia à casos de até três meses. Durante a observação participante foi possível constatar que existe uma grande demanda reprimida, pois várias pessoas procuraram o serviço com o intuito de obter informações de como conseguir a vaga. Foi possível perceber também que o acesso esteve fortemente associado com a percepção dos usuários em relação à humanização da assistência.

Para ajudar a solucionar o problema de acesso à vaga, é necessário que haja um planejamento, na perspectiva de que esse possa ser útil na tomada de decisões na gestão cotidiana do serviço, e dessa forma se torne um instrumento de gestão. Para o uso desse planejamento político institucional é necessário que a oportunidade de encontros para reflexão sobre o próprio trabalho esteja acessível aos profissionais de saúde.

Além disso, é necessária também a articulação com outros setores. Nesse sentido, Othero e Ayres (2012) ressaltam que para as ações de saúde serem mais efetivas, essas devem ser multiprofissionais, interdisciplinares e intersetoriais, com articulações entre diversas áreas. Foi visto que existe uma parceria entre a Academia da Cidade e o setor de reabilitação da Policlínica, em que são feitas atividades em grupo dentro da sala da Fisioterapia, ministradas pelos educadores físicos, a fim de dar um seguimento para pacientes crônicos, com quadro motor estável, que recebem alta do serviço. Essa parceria contribui para escoar a demanda da Fisioterapia.

Além da reabilitação, também são desenvolvidas no serviço ações de promoção e prevenção, com exercícios de pilates para os idosos que participam do grupo de atendimento multiprofissional ao idoso, do qual fazem parte uma fisioterapeuta e a fonoaudióloga do serviço de reabilitação. Aulas são ministradas duas vezes por semana pela fisioterapeuta.

Um dado interessante a ser analisado é a forma como os usuários procuram o serviço. No estudo realizado, constatou-se que três usuários vieram encaminhados de médicos da própria unidade de saúde, um a partir do encaminhamento da unidade de saúde da família e

dois da Santa Casa de Misericórdia, dos ortopedistas que atendem lá, visto que no momento o serviço investigado não conta com esse tipo de especialista.

Alguns usuários também relataram que procuraram o serviço por indicação de amigos e familiares que já faziam o tratamento naquele local, como pode ser observado no discurso seguinte: “O clínico daqui me encaminhou para a fisioterapia, porque eu não consegui marcar para o ortopedista. Minha mãe já tinha feito fisioterapia com Dra. X, aí veio e falou com ela, aí ela disse que tinha uma vaga, foi a minha sorte, consegui” (Naamã).

Itinerários terapêuticos representam os caminhos percorridos pelos indivíduos na tentativa de resolver seus problemas de saúde, levando em conta as práticas individuais e socioculturais (GUERIN et a.l, 2012). Esse trabalho analisou o percurso dos usuários entrevistados até chegarem ao serviço de reabilitação.

Foram diversos os caminhos que os usuários fizeram para conseguir o atendimento pretendido na reabilitação, o caso do paciente encaminhado da Unidade de Saúde da Família relatou o seu percurso da seguinte forma:

Foi uma agente de saúde da minha rua que disse que aqui fazia, então eu não sabia que aqui fazia, aí fiquei procurando em vários lugares, aí a agente disse: vai no posto de saúde de afogados que lá faz, aí eu vim, a menina botou meu nome na lista, depois ligou para mim”. Eu me inscrevi aqui e na faculdade da Abdias de Carvalho, aí aqui chamou primeiro.

Em outro discurso a paciente relatou que: “Fui para a geriatra, ela deu um encaminhamento para o ortopedista, aí eu fui para a Santa Casa e ele passou o atendimento para o joelho” (Diná).

Segundo Cabral et al. (2011) os diferentes enfoques possíveis nos itinerários terapêuticos podem ajudar no processo de organização dos serviços de saúde e gestão, contribuindo para uma prática assistencial mais compreensiva e integrativa. Reafirmando esse pensamento, Guerin et al. (2012) traz que a temática com a preocupação sobre como as pessoas buscam ajuda para resolver suas demandas está cada vez mais presente em estudos e, nem sempre, os caminhos percorridos pelos usuários na busca de resolver suas questões de saúde coincidem com esquemas ou fluxos predeterminados pelo sistema de saúde.

Nesse estudo, podemos observar que a atenção básica foi a que menos encaminhou pacientes para a reabilitação. Isso pode ser explicado por dois motivos: a maior parte da população daquela área não tem cobertura de atenção básica com a estratégia de saúde da família, como já foi descrito anteriormente nesse trabalho. Segundo, porque os problemas de saúde dessa população muitas vezes precisam ser encaminhados ao especialista e estes que encaminham na maioria das vezes para o serviço de reabilitação.

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