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Acc´ el´ erateurs mat´ eriels pour les applications ` a base du CCT

Consid´ erations pratiques

11.1 Acc´ el´ erateurs mat´ eriels pour les applications ` a base du CCT

São diversas as técnicas e métodos de recuperação de ecossistemas fluviais (Tabela 2.12), dependentes fundamentalmente do estado em que o sistema se encontra, do objectivo a que se pretende chegar e dos recursos disponíveis para planear e implementar um projecto de restauração fluvial. Na literatura são diversos os estudos desenvolvidos neste sentido bem como a classificação definida por diferentes autores em termos de técnicas a aplicar na restauração de ecossistemas fluviais. Não se pretende efectuar uma descrição exaustiva destas técnicas mas listar os principais métodos a título informativo.

Tabela 2.12. Principais técnicas de restauração de linhas de água (FISRWG, 1998). Classificação

Geral Técnicas (nome em inglês) Técnicas (nome em português)

Medidas no leito ribeirinho boulder clusters weirs or sills fish passages log/brush/rock shelters lunker structures migration barriers tree cover wing deflectors grade control measures

conjuntos de pedras açudes ou represas passagens para peixes protecções de pedra, madeira, ramos

estruturas de estaca barreiras de migração

cobertura de árvores deflectores em asa

medidas de controlo do tipo de sedimento

Manutenção dos taludes

bank shaping and planting branch packing brush mattresses coconut fiber roll dormant post plantings

vegetated gabions joint plantings

live cribwalls live stakes live fascines log, rootwat and boulder

revetments riprap stone toe protection

tree revetments vegetated geogrids

modelação das margens e plantação rolos de ramos

manta de ramos rolo de fibra de coco

plantação de postes "dormentes"/inactivos gabiões de vegetação plantações conjuntas estacaria reticulada estacas vivas/lenhosas faxinas lenhosas -

revestimento com pedras, trocos, raízes cobertura com pedra

protecção da base com pedra revestimento com árvores

geomalha com vegetação

Medidas de gestão da água

sediment basins water level control

bacias de sedimentação controlo do nível da água

Medidas de reconstrução do canal

maintenance of hydraulic connections stream meander restoration

manutenção das ligações hidráulicas -

restauração dos meandros ribeirinhos

Medidas para o corredor ripícola

livestock exclusion or management riparian forest buffers flushing for habitat restoration

exclusão ou gestão do gado tampão para florestas ripícolas inundação para restaurar os habitats

Gestão da bacia hidrográfica

Best Management Practices: Agriculture, Forestland and

Urban Areas Flow Regime Enhancement

Melhores Práticas de Gestão: Agricultura, área florestal e áreas urbanas

Melhoramento dos regimes de escoamento -

44 No que diz respeito às técnicas de revegetação e/ou criação do habitat ripícola propriamente dito, listam-se de seguida alguns métodos (Tabela 2.13).

Tabela 2.13. Principais técnicas de técnicas de revegetação e/ou criação do habitat ripícola.

Fonte Classificação Geral Sub-classificação Técnicas

D u rl o e Su til i, 2004 Formas de plantio

Métodos vegetativos Estacas Feixes Banquetas

Esteiras Tranças Leivas Métodos germinativos Sementes

Geotêxteis Hidrosementeira mudas Acções preparatórias, preventivas e de emergência Ob ras l o n gi tu d in ai s Deflectores ou espigões Deflectores longitudinais Revestimentos do leito Tratamentos na linha de água

Arranjo de pedras e troncos Cilindros inertes

Feixes vivos Trança viva Remodelação Revestimento das margens Remodelação da barranca

Plantio de leivas Plantio em banquetas

Trança viva Esteira viva Revestimento com madeira

e blocos de pedra Outros revestimentos Ob ras t ran sv e rsai s Obras transversais de consolidação

Cinto basal simples Soleira Cinto basal saliente Barragens de consolidação

Determinação da posição das barragens

Posição relativa ao eixo do curso de água

Distância entre barragens Perfil de compensação, segurança e economia Sequência para a estabilização de cursos de água Obras transversais de retenção R au s, Han s. 2 008

Plantação por estaca, Plantação por sementeira/individual, Cobertura de salgueiros,

Camada de ramos, Camada de faxinas, Parede de faxinas, Parede berço com vegetação,

Parede banco de pilha, Troncos mortos, Pontões, Pontões empaliçados, Pontões de pedras Pontões cerca de acácias, Pontão de estrutura lenhosa

45 As técnicas de restauração são instrumentos que permitem atingir uma determinada imagem ou cenário objectivo, pelo que, segundo Lastra (2003), deve ser claro que: não existem técnicas melhores ou piores bem como adequadas/eficazes ou não; o simples facto de utilizar uma determinada técnica (mesmo sendo “suave”, “ecológica” e “verde”) não significa que se realizou uma “restauração”; e ao aplicar as técnicas, tanto “duras” como “suaves”, podem ser cometidos erros e danificar uma ribeira.

Em 1998 foi editado um guia de restauração fluvial, elaborado pelo grupo de trabalho de restauração de rios, a Federal Interagency Stream Restoration Working Group (FISRWG), onde se definiram os princípios, processos e práticas da recuperação destes ecossistemas. Este documento permitiu uma base científica rigorosa para o desenvolvimento consequente de técnicas e a sua implementação em campo.

Segundo a FISRWG (1998) as técnicas seleccionadas devem ser componentes de um sistema desenhado no sentido de restaurar funções específicas e valorizar o corredor fluvial. O uso de uma técnica sem considerar as funções do sistema e os seus valores a curto prazo pode implicar uma ineficácia na correcção do problema à escala do sistema.

Todas as técnicas de restauração são mais efectivas quando incluídas como uma parte integral do plano de restauração. Geralmente a combinação de técnicas é necessária no sentido de se direccionar às condições e aos objectivos desejados. A restauração efectiva irá responder às metas e objectivos que forem definidos no processo de planeamento (FISRWG, 1998). A decisão de se optar por um método, em detrimento de outro, é tomada com base nos processos bem como pela disponibilidade dos meios de construção e manutenção disponíveis e das limitações no uso dos solos.

No presente trabalho não se pretende a descrição das técnicas listadas na Tabela 2.12 e na Tabela 2.13 mas dada a sua importância salientam-se as estratégias fundamentais de recuperação fluvial definidas por Saraiva et al. (2004). Para estes autores as principais abordagens à recuperação da vegetação de margens e cursos de água e de leitos de cheia (Tabela 2.14) são a regeneração natural, as técnicas de sementeira, a hidrossementeira e os geotêxteis, a plantação de árvores para efeitos estéticos ou para recuperação de habitat natural, e os usos estruturais de espécies lenhosas (engenharia natural).

46 Tabela 2.14. Estratégias fundamentais de recuperação fluvial (adaptado de Saraiva et al., 2004). Estratégia Descrição

A regeneração natural

Depende da avaliação precisa do troço e do local e da identificação objectiva dos problemas.

Parte do pressuposto de que, para colonizar a zona ribeirinha, são garantidas sementes de plantas autóctones. Contudo, se a zona tiver sido invadida por espécies exóticas, qualquer abordagem não interventiva terá como resultado a expansão das espécies invasoras.

Devem ser consideradas as actividades humanas que possam ser prejudiciais para o ecossistema ou leito de cheia.

Necessita da participação das entidades e da população, através de um processo de educação ambiental.

Técnicas de sementeira

O uso de espécies autóctones exige o conhecimento dos processos de germinação e utilização de sementes, provenientes de viveiros locais ou da colheita directa no campo. O conhecimento das etapas de colheita, armazenamento, sementeira, plantio, drenagem e dormência é fundamental para minimizar os custos e perdas e garantir que as sementes germinem em boas condições.

As sementeiras podem atingir um bom coberto vegetal a custos reduzidos, exigindo um elevado grau de avaliação, planeamento, execução e manutenção, durante os três primeiros anos.

Recomenda-se a cobertura da área semeada com recursos ao uso de fibras orgânicas e longas (palha, feno, ramos secos) ou outras fontes de celulose Este mulch arrefece a superfície do solo, aumenta a retenção de água e reduz o impacte da precipitação e da saturação do sistema capilar do solo durante as chuvas mais intensas.

Hidrossementeira e geotêxteis

As sementeiras são misturadas com uma pasta de celulose e com nutrientes. As plantas autóctones têm muitas vezes associadas micorrizas ou fungos radiculares, sem os quais o seu estabelecimento terá pouco sucesso.

É preferível a utilização de materiais geotêxteis biodegradáveis fabricados a partir de fibras vegetais (casca de coco, juta, cânhamo ou outras fibras de longa duração). Plantação de árvores para efeitos estéticos ou para recuperação do habitat natural

Implicam o controlo da localização e da densidade de árvores e arbustos.

A eficácia desta estratégia pode ser aumentada se as plantações se efectuarem imediatamente antes da época das chuvas, diminuindo significativamente as necessidades de rega e aumentando as taxas de sucesso (e.g.. rega gota-à-gota). Convencer os proprietários dos terrenos a garantir usos adequados de métodos de rega pode constituir um enorme desafio.

Usos estruturais de espécies lenhosas; bioengenharia

Utilização de ramos, caules e raízes como elementos estruturais.

Implica uma mão-de-obra muito intensa e quantidades significativas de plantas autóctones, o uso de maquinaria de maior envergadura (para projectos de maior dimensão), um planeamento mais pormenorizado, a envolvência de outras disciplinas.

Vantagem de promover soluções ecológicas e expeditas para os problemas de erosão.

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