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Chapitre 5 Prise de décision individuelle et collective dans le contexte de l’ACC dans le contexte de l’ACC

3. Les périodes d’utilisation de certains appareils électriques : Comment les habitants du foyer vont-ils déplacer certains usages d’appareils électriques afin de

6.2. Etude de l'ACC grâce à la simulation multi-agent

6.2.1. ACC et axes d’étude

A Vitória Régia é uma das mais lindas plantas aquáticas do mundo. Nossos índios não são indiferentes à sua beleza e contam uma história para justificar-lhe a origem. Segundo a lenda, a lua escolhia as moças mais bonitas e as transformava em estrelas no céu. Uma noite, uma índia viu a figura da lua refletida no lago e, imaginando que ali estava para buscá-la, atirou-se na água, onde morreu afogada. A lua, comovida diante do sacrifício da bela jovem, resolveu transformá-la em uma estrela diferente, daquelas que brilham no céu. Resolveu imortalizá-la na terra, transformando-a em uma delicada flor: a VITÓRIA-

RÉGIA80 (estrela das águas). Além de sua beleza, a Vitória Régia atrai pelo perfume,

tamanho e resistência. E disso, Crislene tem de sobra.

Crislene é uma pessoa que por onde passa, seduz a todos. “Sou uma pessoa tranqüila desde que não queiram se aproveitar de mim. Faço e conquisto as pessoas facilmente”. É ainda uma das vítimas femininas da lua, recebendo dela, dentre outras influências, a sua inconstância. Tem um pedaço índia enfeitiçada que luta por seus sonhos, lançando-se impulsivamente para o alcance de seus desejos, um pedaço planta que vive na superfície das águas mostrando suas flores quando deseja. E assim, vai tentando equilibrar razão e emoção, ousadia e prudência, risco e responsabilidade.

Sou alegre, porem as vezes tão sensível que me magoo facilmente. [...] Acho que me entrego fácil as pessoas e ao momento [...] Assino novo decreto, quero agir pela razão e não pela emoção. Meu principal objetivo vencer na vida profissionalmente e pessoalmente. Conquistando muitos amigos por onde passar e conseguir atingir a paz espiritual.

Importante destacar que ter-se transformado em flor custou muito caro para Crislene devido ao fato de ter interrompido um período que não volta mais: a adolescência. Admite “não ter aproveitado bem a vida escolar e pessoal devidamente [...] me casei muito cedo”.

Crislene parece, como a lua, estar de passagem. Sempre presente no céu, embora de formas diferentes: “Gosto de ser diferente”. Talvez por isso sinalize que não pretende ser sempre professora, embora tenha uma grande atuação como tal.

Esse lado planta que bóia sobre as águas pode ser comparado à forma como Crislene se relaciona com o conhecimento. Mantém-se, embora com suas raízes sob a água, aberta para o alto, querendo alcançar a lua ou seu brilho, quem sabe. Parece-me que Crislene ainda não se autorizou a manter uma relação mais íntima com a água- conhecimento. Ela mesma define que “Acho que podia ter aproveitado mais ter

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acreditado mais na minha pessoa [...] Algumas falhas se deram quando ainda criança por timidez (confiança) acabei por me prejudicar”. Não sabe explicar quais são essas falhas, mas diz ter puxado a sua mãe quanto ao fato de ser indecisa. Indecisa em relação a quê? Essa parece ser uma boa pergunta para Crislene.

A escola foi uma instância que não ajudou muito nesse seu processo: “Tenho um trauma da alfabetização. Muito do português eu gosto [...] tenho um dificuldade grande.” Seu bloqueio em relação à escrita pode ter influenciado a construção de um movimento mais tímido na produção de conhecimento. Ás vezes parece que nossa Vitória Régia é muito volúvel – facilmente muda sua opinião diante de uma intervenção.

Crislene é tipo 8 ou 80, não conseguiu ainda encontrar uma possibilidade de meio termo, não experimentou a dialética no conhecimento. Por exemplo, diante de um registro feito por mim de sua fala durante uma aula: “Gente, vamos marcar a hora de terminar a atividade? Se não marcar vocês vão ficar aí até as 5”, Crislene passa de um extremo para outro, instantaneamente: “Não trabalho marcando o tempo, foi uma falha não pretendo repetir”. Conversamos e Crislene concorda que precisa transcender nesse aspecto.

No entanto, na escrita, demonstra bravura ao arriscar-se a romper com a forma bancária uma vez construída na escola. Um bom exemplo disso é a introdução de seu artigo no Roda: “Peço licença a todos os conhecedores de Paulo Freire, para expressar minhas idéias que obtive no decorrer dessa roda de leitura. É como principiante mas também como admiradora que me propus a esse grande desafio”. Essa parece ser a sua original face.

Durante a pesquisa, Crislene não se abre muito em relação à sua infância. Considera-a “feliz e incompleta”. Relata um pouco do que escutou quando pequena:

Costumavam me falar sobre as dificuldades da vida, meus pais relatam muito sobre os momentos tristes que passaram, para poderem chegar onde chegou. Isso eu sempre ouvia, era uma história cheia de

honestidade e simplicidade, talvez seja por isso que no mundo que vivo hoje seja realmente o espelho do meu passado, pois o que não aprendir, foi ser falsa, ou depender de chegar a algum lugar, passando outra pessoa pra trás isso eu não sei fazer. Minhas palavras: honestidade e transparência.

Crislene tem um grande apego a seu pai e aponta traumas em relação a ele: “A morte do meu pai. E o trauma de ter desobedecido meus pais”. [...] “Casei com 15 anos. [...] Não era para eu ter casado, eu devia ter me preparado para depois casar.” Tal associação entre morte e desobediência parece ser um grande vazio ainda hoje para Crislene.

Sua experiência escolar iniciou em 1986 quando fez a primeira série na Fundação Bradesco, lá estudando até 1997, onde concluiu o curso de magistério. Antes de terminar o magistério nasceu seu filho. Depois que se formou, teve seu primeiro contato com EJA, “me apaixonei e me sinto feliz em ser responsável pela formação dessas pessoas. O que mais me chamou a atenção é o fato de a maioria dos alunos serem pessoas de mais idade estarem entre os jovens em busca de seus ideais.”

Crislene tem um cuidado muito lunar para com seus alunos, mostrando um grande fascínio e respeito por eles, salienta o prazer do “contato direto com cada aluno e suas realidades. O relato de cada aluno no primeiro dia de aula e o relato no final do projeto onde falam de suas conquistas e realizações depois de descobrirem o mundo das letras”. Nesse sentido, é consciente da sua importância como educadora popular.