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2) Analyse du corpus : causes de sous-déclaration des actes de violences

2.3. Absence de résultats

É uma escola que atende aproximadamente trezentos e cinqüenta alunos, funcionando no período diurno com catorze turmas, todas do Ensino Fundamental. São quatro turmas de primeira série, três de segunda série, três de terceira série e quatro turmas de quarta série. A escola tem em seu quadro funcional quarenta e três funcionários, sendo quatro na Equipe de Direção, quatro na Equipe de Apoio, dezessete na Equipe de Professoras e dezoito na Equipe Administrativa.

Foi inaugurada no ano de 1977, atendendo a crianças de sétima e oitava séries do Ensino Fundamental, tendo sido criados concomitantemente a Associação de Pais e Mestres - APM, o Centro Cívico e a Sala de Leitura. No ano seguinte, ampliou seu atendimento, passando a ofertar de primeira a sexta série do Ensino Fundamental. Em 1985 foi criado o Conselho Escolar, que passou a fazer parte da gestão escolar, marcando uma característica de participação ativa da comunidade na trajetória histórica da Escola.

É fundamental discutir o projeto político-pedagógico dessa escola para que possamos entender e perceber alguns avanços em sua gestão. Veiga (1996) enfatiza a importância do projeto político-pedagógico ser real, uma construção coletiva:

É, portanto, na realidade social da escola, com sua singularidade, que se inicia a construção de sua identidade, definindo seu projeto. Um projeto concreto, discutido, decidido e sustentado pelos diferentes seguimentos da escola, com o propósito de superar a divisão do trabalho e a fragmentação, observadas constantemente na prática pedagógica, bem como o controle burocrático (p. 157).

Essa abordagem descreve o que presenciei durante os quase dois anos da pesquisa realizada na escola. O projeto pedagógico não existe como um documento formatado, no modelo solicitado pela Secretaria de Educação, pois não era o modo como a escola queria, de acordo com informação fornecida pela diretora. Existe de maneira viva nas ações dos professores, da gestão da escola, dos pais e alunos. Existe em documentos que são utilizados rotineiramente no ambiente escolar, como na agenda do aluno, no caderno pedagógico do

professor, nas orientações aos professores, nos murais, nos bilhetes entregues. Percebe-se que o projeto político-pedagógico dessa escola foi incorporado pela equipe, como Veiga (1996) descreve:

Ao ser claramente delineado, discutido e assumido coletivamente, ele se constitui como processo. E, ao se constituir como processo, o projeto político-pedagógico reforça o trabalho integrado e organizado da equipe escolar, enaltecendo a sua função primordial de coordenar a ação educativa da escola para que ela atinja o seu objetivo político- pedagógico (p. 157).

O projeto político-pedagógico tem sido constantemente discutido pelos gestores, professores e conselho escolar. A direção da escola tem uma postura democrática e trabalha de maneira firme no sentido de fazer com que as decisões tomadas nas reuniões, encontros, conselhos e outros espaços sejam assumidas e cumpridas. Um hábito que todos vivenciam é o ato de avaliar as ações desenvolvidas. Essa avaliação tem contribuído para que a escola cresça como um todo, em termos de gestão. Principalmente a inquietude e o sentimento de que algo sempre precisa ser melhorado constituem a tônica, o sentimento que vivenciei nessa escola.

Os pais são participativos, pois se percebe uma quantidade significativa deles acompanhando e contribuindo nas atividades desenvolvidas pela escola. A participação dos pais ocorreu, nesse período em que estive na escola, principalmente nas reuniões de pais, no Conselho Escolar, nas atividades festivas que são desenvolvidas em conjunto, em ações educativas e nos Conselhos participativos. Como exemplo posso citar o caso de uma mãe que, em carta aberta12 à comunidade, fez um protesto contra os pais que não respeitavam a entrada e saída dos alunos.

O Conselho Escolar realiza reuniões periódicas, planeja ações a curto e longo prazos e tem uma articulação política que sustenta os interesses da comunidade escolar. Tem conseguido manter a mesma equipe diretiva há mais de sete anos. Nos eventos realizados para arrecadação de fundos, os pais assumem as barracas, participando não somente com sua presença, mas contribuindo na organização e realização do evento.

O Conselho de Classe participativo também foi uma grata surpresa, porque até então só o conhecia teoricamente e tive a oportunidade de vivenciar essa experiência. Nesses dois anos, participei de dois Conselhos da quarta série pois são realizados bimestralmente. O Conselho é desenvolvido em três etapas. Na primeira etapa, a professora e os alunos fazem uma avaliação de como estão as aulas, a participação e a aprendizagem. Depois, a coordenadora e a orientadora realizam um pré-conselho com os alunos, sem a presença da professora. A seguir, os alunos, a professora, um pai de aluno e a orientadora realizam a última etapa do conselho, ocasião em que são colocadas as observações feitas nos conselhos anteriores. Há, então, uma checagem se houve avanço ou não, no que foi colocado e nos compromissos assumidos por todos de melhorias, soluções e avanços das metas pretendidas. Os alunos das turmas que acompanhei posicionaram-se de maneira tranqüila, sem receios, até porque eles vivenciam no dia-a-dia a prática de avaliar suas atividades. Um aspecto relevante que observei, e que também foi enfatizado pela diretora no grupo focal, foram os comentários dos alunos a respeito de como eles se têm sentido mais capazes de compreender e estão estabelecendo metas pessoais de melhorar seu desempenho em matemática.

As reuniões de pais seguem duas modalidades. A reunião por turma, com a presença dos pais daquela série e turno e as duas professoras das quartas séries daquele turno. Presenciei duas dessas reuniões. E as reuniões gerais, com a presença de todos os pais e professores da escola. Esses momentos de reunião mostraram-se produtivos para a discussão dos rumos da escola e também uma oportunidade de avaliação das atividades realizadas.

Considero que algumas práticas pedagógicas, como o planejamento coletivo, que as professoras de quarta série realizam sempre às sextas-feiras, tem contribuído para a troca e o avanço da melhoria do trabalho na sala de aula. No período de realização da pesquisa o que observei e considerei fundamental para que o grupo tivesse um planejamento coletivo foi o diálogo, a interação entre as professoras mais antigas e novas, o acolhimento e abertura dos espaços de suas salas para as demais colegas pudessem observar o trabalho que desenvolviam. A direção e coordenação da escola fomentam discussões coletivas nesses momentos, trazendo sempre ações e propostas coletivas favorecendo uma ação

conjunta. As atividades e os projetos são escolhidos e organizados em conjunto. Isso não significa que não existam diferenças na condução do processo. As professoras têm liberdade para desenvolver a sua maneira as atividades e os projetos, desde que sejam mantidos os objetivos propostos coletivamente. Algumas professoras têm mais facilidade de comunicação e expressão que outras, e o momento conjunto é importante, principalmente para aqueles professores que chegam e precisam de um suporte para compreender como são os processos desenvolvidos nessa escola.

Observei que a escola oportuniza principalmente dois espaços de apoio à aprendizagem: a Sala de Leitura e o Laboratório de Informática Educativa. A Sala de Leitura não tinha um profissional disponível para seu funcionamento, mas o incentivo à leitura foi desenvolvido com um trabalho de pastas literárias encaminhadas às salas de aula, com um acervo para cada turma. Os livros são disponibilizados aos alunos para empréstimo e as duas professoras reservam um tempo semanal para a discussão dos livros lidos; as trocas são permitidas quase que diariamente. O Laboratório de Informática Educativa funcionava uma vez por semana com cada turma e sua utilização foi no sentido de contribuir com as atividades e conteúdos que estavam sendo desenvolvidos em sala de aula. Citando como exemplo: os alunos fizeram pesquisa na internet e montaram apresentações em power point sobre o corpo humano; fizeram folders educativos sobre o trânsito e os distribuíram durante campanha educativa na porta da escola; votaram em pesquisas de opinião no site da escola; opinaram sobre as diversas atividades da escola; fizeram cartões; digitaram e imprimiram textos; fizeram poesias; digitaram textos para o livro coletivo produzido pela turma e outras atividades que não tive oportunidade de presenciar.

As estagiárias auxiliam as professoras numa ação de atendimento mais individualizado aos educandos, dentro e fora de sala de aula. O atendimento fora da sala de aula é desenvolvido pelas estagiárias, uma vez por semana, em horário contrário ao turno em que o aluno freqüenta as aulas. Nessa ocasião, o aluno tem uma nova oportunidade de vivenciar conteúdos que não são mais viáveis de discussão em sala, com toda a turma.

Na organização do cotidiano, a entrada dos alunos no período matutino é às 7h30 min e a saída às 12h20 min. No período vespertino, a entrada é às

13h30min e a saída às 18h20 min. Os alunos freqüentam a Escola Parque13, uma vez por semana. O uniforme é o comum a toda rede pública do Distrito Federal. Utilizam a Agenda Escolar personalizada da escola, sendo esse o meio de comunicação mais rápido e eficiente entre a família e a escola. O consumo da merenda escolar é item que as professoras discutem em suas aulas, valorizando e acompanhando o que é servido. Existe uma complementação com recursos da APM e em campanhas com os alunos para a melhoria do lanche. As duas professoras estabeleceram com os alunos a restrição de refrigerantes e salgadinhos, a serem consumidos somente uma vez por semana. Elas procuram, durante todo o ano letivo, trabalhar os hábitos de uma alimentação saudável. A escola também educa com ações de lanches especiais, escolhidos pelos alunos, mas isso em datas especiais.

Os projetos desenvolvidos pelos professores são planejados pela escola, não são ações isoladas. Para citar: no ano de 2005, foram desenvolvidos 24 projetos14, nove envolveram toda a escola e os demais apenas algumas turmas. Nem todos os projetos propostos pela Secretaria de Educação são desenvolvidos pela escola uma vez que as prioridades das temáticas a serem desenvolvidas durante o ano são levantadas de acordo com os temas que surgem nos conselhos de classe participativo e também no planejamento coletivo elaborado no início do ano. Com base na convivência que tive com a comunidade escolar, constatei que existe disponibilidade e acolhimento por parte de todos os professores e funcionários da escola em relação às famílias de seus alunos e aos pesquisadores que participam do dia-a-dia das atividades, não só do Projeto de pesquisa-ação, mas aqueles que buscam desenvolver pesquisa nesse espaço.

2.3. As interlocutoras

A escolha das duas professoras colaboradoras desta pesquisa deve-se a suas trajetórias pessoais diferentes e a sua participação no Projeto de pesquisa- ação em Re-Educação Matemática. A escolha ocorreu durante o processo de

13Denominação dada às escolas que oferecem, uma vez por semana, a Educação Física e Artes aos alunos das Escolas Classes do Plano Piloto de Brasília.