4.2 Influence de l’aménagement
4.2.3 Abondance, taille et degré de dégradation du bois mort
Como destacado, um fator muito importante que auxiliou esse novo movimento de músicos instrumentais de viola, foi trazido por Sandro Saulo Alves, que trata sobre a escolarização da viola caipira (DIAS, 2012). Para Vilela (2011, p. 30), no início do século XX, grande parte da população rural brasileira era formada por rendeiros e parceiros. O meio rural tinha como característica a falta de mobilidade, fato que ocorria por causa do isolamento social e pela carência de tudo, como escola, assistência, terra própria etc. Por meio desse isolamento, o que acabou se perpetuando como maneira de transmissão de valores e conhecimentos no meio rural, foi a tradição oral (Ibid., p. 30).
Podemos inferir então, que no meio rural não havia uma prática acadêmica de ensino de viola, não existia professor de viola, as técnicas geralmente eram passadas por e para alguém da família. Era um método de ensino “artesanal”. Tocar viola se aprendia por meio da imitação, os violeiros aprendizes observavam os experientes tocarem e depois tentavam imitar o que eles haviam tocado. Aqui também remetemos à técnica artesanal, pois essa cultura sem a formalização da escola, pode ser mais emancipatória e revela o valor particular de cada violeiro. Não há um método genérico para todos poderem acessar o instrumento. Há violeiros, com seus estilos únicos , a serem observados. Há lógico, uma semelhança no ensino informal, mas não há uma centralização monológica de um único método de ensinar e aprender.
O saber artesanal e oral transmitido é mais plural que o formal em que o método geralmente é cristalizado. Esse é o modo de aprendizagem oral, que permanece até a década de 1980 e acaba por se tornar uma marca de identidade do violeiro e da viola (DIAS,
2012, p. 48-50). É um saber coletivo gerado pelos intelectuais orgânicos e transmitido no cotidiano das festas e celebrações do dia a dia da vida no campo. Não há remuneração, profissionalização e mercantilização desse saber. É um bem comum e faz parte da identidade comunitária. Uma vez que ocorre o êxodo rural, sobretudo a partir dos anos 1960 com a expulsão da terra de inúmeras famílias brasileiras, esses modos vão sendo recriados, formando os modos de ensino formais de viola caipira. Não se pode precisar ao certo quando esses modos começam a aparecer, mas provavelmente eles vêm junto com o agrupamento dessa cultura no meio urbano. Em 1985, ocorre a criação do primeiro curso de viola (de maneira institucionalizada), que operou no Centro de Educação Profissional, por Roberto Corrêa, na Escola de Música de Brasília (Ibid., p. 100).
Acreditamos que aqui vale a pena referenciar uma experiência vivida pelo pesqui- sador, quando estudou viola no Conservatório de Música. Mesmo dentro do ambiente do conservatório, onde quem domina é o sistema de ensino formal, as aulas de viola eram diferentes dos outros instrumentos. Enquanto as aulas de violão, por exemplo, seguiam uma metodologia, estudando campo harmônico, escalas etc; nas aulas de viola, a demanda dos alunos era, principalmente, aprender músicas caipiras para poder executar. Havia um desinteresse da maior parte dos estudantes pela parte teórica, bem como pelos estudos para
melhoramento das técnicas. Eles estavam lá para aprenderem músicas e poderem tocar nas rodas de viola. Quem tinha um interesse no estudo formal, para desenvolver o lado instrumental, tomava lições à parte da turma, bem como ganhava uma lista de exercícios diferenciada para estudar em casa. Há portanto uma tendência do violeiro buscar esse método oral de ensino, uma vez que ele parte diretamente para o tocar, não precisando passar por um longo processo de estudos até que ele possa executar as peças. A viola parece exigir que a toquemos. É no uso que ela se concretiza. Como as palavras que tomam sentido só no uso.
É comum ouvir de violeiros que aprenderam pelo modo oral, que eles aprenderam “sozinhos”, porém como ressalta Dias (2012, p. 54-55), essa condição de aprender “sozinho” se refere ao fato de não ser mediado por uma escola ou por um professor. Ao se pensar em um aprendizado oral, não faz sentido o uso do termo “aprender sozinho”, para termos um processo dialógico, precisamos sempre da relação social entre o eu e o outro. Então não existe a possibilidade de um aprendizado solitário se há uma relação social, sempre que se trata de uma relação social, trata-se de uma dialogia. Nesse caso, entre o violeiro aprendiz e o violeiro que está ensinando, mesmo sem haver essa intenção.
O aprendizado oral acaba sendo sempre plural, banhado no processo dialógico do discurso, no qual o professor e o aluno vão interagir, direta ou indiretamente, passando as técnicas para os próximos violeiros. “A técnica de um violeiro, portanto, seria a somatória de várias técnicas individuais e, igualmente, não sistematizadas” (DIAS, 2012, p. 55). Para esse autor, também, em se tratando da educação musical da viola caipira, mesmo tendo o gênero se desenvolvido bastante, não houve alterações substanciais no panorama de ensino da viola caipira até a década de 1980. Anteriormente a isso, fica mais difícil precisar as alterações, por se tratar do método oral como já vimos, a grande alteração vem com a nova safra de violeiros que começa a se formar nos anos de 1980.
Mais recentemente, em 2005, houve a criação do primeiro curso de nível superior de viola caipira. O Bacharelado em Viola, do Departamento de Música da Escola de Comunicações e Artes (ECA), da Universidade de São Paulo (USP) foi o primeiro curso superior a oferecer um ensino dedicado ao instrumento viola caipira (GLUGOSKI, 2004). Ele tem como primeiro professor o violeiro Ivan Vilela, que é Doutor em Psicologia Social pela USP, Graduado e Mestre em Composição Musical pela UNICAMP. Ivan Vilela atua como compositor, pesquisador, arranjador e instrumentista. O curso vem com o intuito de incentivar a pesquisa sobre a inclusão da viola no universo erudito da música. Esse curso acaba sendo uma oportunidade única para o candidato que pretende estudar a viola caipira e aliar o conhecimento que advém da cultura oral com o saber institucionalizado do saber erudito (Ibid.).
2.7.1 O ENSINO DE VIOLA, UMA TÉCNICA ARTESANAL
A educação informal36 de viola foi a que permaneceu por mais tempo e ela está ligada à tradição oral entre violeiros e amadores, que vieram de áreas urbanas e zonas rurais, também entre os profissionais das duplas caipiras. Um dos critérios que diferencia a educação não formal da informal é a intenção dos sujeitos envolvidos na ação. Informal é não intencional, ocorrendo naturalmente. Um exemplo desse tipo de educação é a folia de reis, uma prática musical que pode ou não estar em um grupo familiar, mas não é regida por métodos organizados e dispostos para o ensino.
Já a orquestra de viola vem em contraste, como uma maneira de formação musical coletiva. Como a viola está no Brasil desde sua colonização e por sua dimensão social, acaba sendo difícil precisar o início desse processo de escolarização. Ele provavelmente deve ter tido seu início em meio urbano, dado ao fato de no meio rural ela estar ligada às práticas lúdico-religiosas, é difícil ter ocorrido uma sistematização de ensino. A primeira manifestação de que esse panorama de ensino estava sendo modificado está ligada ao número de professores particulares de viola, visto que ainda não existiam escolas de viola caipira.
Em 1985, ocorre a primeira institucionalização de um curso de viola, que ocorreu no Centro de Educação Profissional - Escola de Música de Brasília 37 (DIAS, 2012, p. 100). Depois disso, outros cursos vão surgindo em vários meios de ensino. Ensinar viola em escolas de música e a figura do professor de viola caipira passa a ser algo ‘normal’. De acordo com o mapeamento de (DIAS, 2012), nem sempre existe curso de viola onde se tem orquestras, pelo contrário, é mais fácil passar a existir curso de viola depois de ser criada uma orquestra. Isso ocorre pela demanda dos violeiros que querem aprender para fazer parte das orquestras.