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Juliana, assim como Sofia, cursou o Normal na mesma instituição, ou seja, na Escola 1. Juliana realizou seu Estágio, em uma turma com 12 crianças de Pré II. As idades das crianças variavam entre cinco e seis anos. Seu estágio foi em uma Escola de Educação Infantil da Rede Municipal de sua cidade.

Na imagem à direita, podemos observar aspectos da configuração do espaço da sala de aula, onde a normalista realizou o estágio.

O tom de rosa claro é usado na

pintura das paredes. Podemos ter a dimensão do espaço desta sala. Ampla, e devido à grande janela lateral (à direita), parece ser bem iluminada.

Ao fundo da imagem, podemos ver um balcão utilizado para guardar diversos materiais: escolares, brinquedos, caixas, jogos e outros. À direita da imagem e próxima ao balcão, também vemos uma caixa revestida de tecido TNT amarelo, provavelmente usada como um recurso didático (voltaremos a discutir sobre o recurso didático na seção de análise sobre planejamento).

À esquerda da imagem, observam-se algumas das mesas. Em formato retangular, aparecem acompanhadas por cadeiras adaptadas ao tamanho das crianças pré-escolares. Ao fundo e à esquerda da imagem, é possível vermos um pedaço de um espelho, disposto de maneira a ficar na altura das crianças.

Em um espaço delimitado do chão da sala de aula (à direita), há um tapete feito em material EVA em cores azul e rosa. Delimitar certos espaços na sala de aula com tapetes; cantos com almofadas; cadeiras; tendas feitas de lençol, por exemplo, também podem ser vistas como táticas para a organização dos corpos das crianças neste ambiente.

Figura 10- Sala de aula

Fonte: Acervo pessoal da pesquisadora. Cedido pela normalista (2018).

Na imagem à esquerda, por exemplo, também podemos ver outro espaço criado, em outro canto na sala de aula.

Neste caso, o chão da sala foi revestido por um pedaço retangular de grama sintética, posta sobre um pano, talvez para proporcionar mais conforto.

Algumas almofadas

também ajudam a compor a estética deste canto. A presença de um painel com as imagens de duas nuvens e um arco íris são colocadas sobre um pedaço de tecido TNT, em cor preta. Abaixo das imagens das nuvens é possível ver pequenos corações, feitos do mesmo material das nuvens, em cores azuis e rosa. É interessante observar a frequência do uso destas duas cores: azul e rosa, tanto no arco íris, como no tapete (imagem anterior). Talvez, remeta a uma concepção estereotipada de cores ditas de menina e de menino, por exemplo.

Dois ursos de pelúcia, de personagens da Walt Disney, aparecem à esquerda da imagem, escorados na parede. À direita da imagem, vemos um aparelho de televisão e um mural logo ao lado. Tendo em vista a altura e os materiais fixos neste mural, parece ser utilizado pela professora.

Abaixo do aparelho de televisão, observa-se um balcão com um aparelho de DVD, um controle remoto e outros materiais como papeis e garrafas PETS. Ao lado deste balcão, uma mesa com alguns materiais, entre os quais: alguns pinceis e outra garrafa PET. Entre estes balcões, podemos ver duas caixas.

Devido ao modelo da mesa (à direita da imagem), provavelmente possa ser usada pela professora. Além disso, se observarmos a primeira imagem da sala e o ponto, onde a janela termina, na próxima imagem, perceberemos que esta mesa está disposta, em um ponto central da sala, o que pode permitir à professora ter uma visão abrangente de todo o espaço.

A disposição centralizada da mesa da professora na sala de aula pode ser entendida, como uma tática, que permite a visão ampliada do espaço, o que facilitaria para que a normalista pudesse ter controle sobre o que ocorre na sala. Assim como a sala de aula de Sofia, a configuração do espaço da sala de aula de Juliana, também remete as propostas da escola ativa.

Figura 11- Sala de aula

Quanto à organização da sala de aula, a normalista Juliana relatou o seguinte:

Desde que eu comecei eu acho que já mudei a organização da sala umas vinte vezes! Porque quando eu entrei as gurias tinham participado de um curso da Prefeitura que uma mulher explicou como tinha que ser a organização da sala. (Juliana. GF4, E1, 2018, grifos meus).

Como podemos ler anteriormente, Juliana afirma ter mudado a organização da sala “umas vinte vezes”. Logo em seguida, nos dá a entender que, a partir de um curso oferecido pela Prefeitura de sua cidade, havia sido explicado, para as gurias, entre elas a professora titular da turma de Juliana, a maneira como a sala teria que ser organizada.

No entanto, para Juliana, a maneira de organizar o espaço, sugerida pelo curso oferecido pela Prefeitura, não teria lhe servido, pois:

Só, que não... nós temos uma menina que tem TDAH e ela não para. Então, aconteceu que nós tivemos que mudar a sala, pois ela corria e os colegas que estavam brincando na mesa, ela derrubava por cima da mesa e derrubava a mesa! (Juliana. GF4. E1. 2018, grifos meus).

No relato anterior, podemos perceber o que levou a normalista Juliana mudar a organização do espaço na sala de aula. Teria sido por conta do fato de que uma de suas alunas corria pela sala, ou seja, agia fora do padrão normatizado que seria o de brincar sentada.

No relato de Juliana, chama atenção o fato de ter dito que a menina teria “TDAH”,38

antes de dizer que ela não parava no lugar. Não entraremos na discussão sobre a maneira como Juliana caracteriza a criança que não para, como aquela que “tem TDAH”. Nos importa sinalizar que a normalista fala disso justamente, quando fala das mudanças que considerou ser necessárias fazer na sala de aula.

Como sinalizado anteriormente no capítulo vimos que: “Possível perspectiva das Escolas Normais Brasileiras”, a partir da década de 1920, junto a movimentos reformistas da educação as concepções relativas à escola ativa, foram difundidas, algumas ideias que caberia aos professores conhecer as disposições hereditárias e psicológicas das crianças, como um pressuposto que tornaria a educação eficiente.

Dito de outro modo, o que leva Juliana a mudar a configuração da sala de aula, foi o fato de tal criança não parar no lugar. Mas, por outro lado, situar a criança como: “TDAH”, funciona como uma justificativa a estas mudanças, ao passo que projeta sobre a própria criança

uma verdade, cujos fins seriam de fornecer explicação “científica” a aquilo que se considera por transgressão.

Neste caso, a criança que não se mantém parada é vista como aquela cujo comportamento precisaria ser tornado igual aos comportamentos das crianças que brincam sentadas. Brincar sentada na mesa, portanto, constitui uma norma instituída por Juliana e que regula a disposição dos corpos no espaço da sala.

Neste caso, podemos olhar para as mudanças do mobiliário (mesas), como uma tática da normalista:

Então eu mudei. Eu fiz em “u”; fiz em duplas; fiz separado... daí... eu fiz em “u” e vi que não dava certo, pois conversavam demais. Daí a gente mudava para outra coisa. (Juliana. GF4. E1. 2018, grifos meus).

A normalista argumenta que voltava a mudar “para outra coisa”. Segundo ela, tentou a disposição em: “u”; em “duplas”; separados”, mas não adiantava, pois, outras situações, como conversas demasiadas, aconteciam.

Percebemos aqui, aquilo que discutimos na análise feita anteriormente sobre a maneira como a normalista Sofia organizou os lugares das crianças. Porém, para Juliana, era possível mudar a configuração dos lugares, por conta das características das mesas. No entanto, os fins de realizar estas mudanças, como lemos no relato desta normalista, seria o mesmo para Sofia: a manutenção da ordem na sala, à medida que esta disposição poderia ajudar estrategicamente no controle das condutas.

Juliana percebe que a tática de mudar a configuração dos lugares, em algum momento acabava por não dar certo. Porém, a normalista atribui que suas mudanças não davam certo, por conta dos comportamentos que começavam a escapar ou/e resistir ao espaço da sala de aula.

Isto também evidencia a maneira como a própria normalista internalizou a orientação de ter que antes exercer o controle sobre sua conduta em sala de aula. Na seção de análise: “De normalistas a normalizadoras”, ao comentar sobre a necessidade de cuidar a maneira como se porta na cidade aonde mora, em determinado ponto da discussão Juliana, em referência aos pais das crianças, ela diz: “... como é que eu vou deixar meu filho com ela? Se ela não consegue ela se controlar! Imagina controlar meu filho”. (Juliana, GF3, E.1, 2018).

Mas, o que está em jogo é o seu modo de pensar a sala de aula. Nesta perspectiva, “mudar para outra coisa”, ou seja, insistir na tática de mudança dos lugares acaba funcionando como um mecanismo que coloca Juliana em um movimento constante, durante sua prática de estágio na sala de aula, na tentativa de manter certa constância de equilíbrio dos corpos e

condutas das crianças. Se este controle não for exercido, ela mesma poderá ser apontada como alguém incapaz de controlar as crianças. Sendo assim, o autocontrole da normalista aparece engendrado a noção de ter que controlar tudo o que escapa a ordem.

Como podemos observar até aqui (e já sinalizado na análise feita anteriormente sobre Sofia), mesmo se afastando do modelo das mesas fixas ao chão, comuns nas primeiras décadas de educação elementar no Brasil, as mesas nas salas de aula contemporânea, não implicam em mudança nas práticas escolares.

Se as mesas fixas de outrora tinham por intenção evitar a mobilidade, tornar eficiente e disciplinado o movimento na sala de aula; hoje, nesta situação, estas mesas podem ser movidas como tática para manter (ou ao menos investir sobre isso) os corpos parados e disciplinados.

Outro ponto interessante é de que Juliana usa o termo “a gente”, ao se referir as mudanças dos lugares na sala de aula. Isto pode indicar a influência da titular da turma às ações da normalista.

Ainda, sobre as estratégias e táticas criadas por Juliana na organização dos lugares, a normalista explicou que no início do estágio havia colocado nomes nas cadeiras. Individualizar os corpos no espaço da sala de aula; definir o espaço em que cada criança poderia ou não se sentar, também é uma tática de organização. Nesta situação, incube a criança o dever dela se sentar em seu devido lugar.

Outra tática utilizada na organização dos lugares pode ser lida a seguir:

As mesas lá na creche são de dois a cinco lugares. Então, a gente colocava quem tinha mais dificuldades com quem não tinha tanta. Até pelo fato de um poder ajudar o outro assim. (Juliana. GF4. E1, 2018, grifos meus).

Antes de dispor dos lugares, ela procurou observar quantas crianças poderiam ser postas em cada mesa: “de dois a cinco lugares”. Após, a normalista junto com a sua titular (pois utiliza o termo “a gente”), dispôs as crianças levando em conta quem tinha: “mais dificuldade com quem não tinha tanta”. Para a normalista, esta tática viabilizaria para que uma criança (vista como a que sabe mais) pudesse ajudar a outra (vista como quem sabe menos).

Definir padrões (quem sabe mais e quem sabe menos) para as crianças funciona, como uma tática que tornaria eficiente, a maneira como os corpos ocupariam certos lugares na sala de aula. Classificar e ordenar são uma maneira de submeter à realidade, que sabemos ser plural e diversa, ao controle da razão, entendimentos modernistas, como vimos no decorrer do primeiro capítulo desta tese.

Nesta situação, a normalista definiu a categorização dos lugares das crianças, a partir de um sentido prático. (DUSSEL; CARUSO, 2003, p.89). Esta tática remete alguns procedimentos de ensino criados pelo método Lassaleano. Juan Bautista de La Salle apropriou-se de algumas táticas jesuítas de governo da sala de aula. Entre elas, a maneira como a distribuição espacial dos corpos poderia ser feita.

Se no método jesuíta, a localização funcionava como uma tática para fomentar a competição entre as crianças, assim La Salle sofisticou esta tática, pelo princípio de autoridade. Dito de outro modo, a disposição espacial dos corpos das crianças, definia dentro da sala de aula, categorias as quais estas crianças se vinculavam.

(...) o docente sabia onde cada um estava situado, e por que motivo. Isto lhe permitia um panorama melhor para controlar a situação da classe, com trocas mais previsíveis e padronizadas: o aluno A podia falar com o B, C, ou D, e, se tudo transcorresse como previsto, o docente tinha uma zona “livre” de preocupações e podia concentrar-se nas zonas “difíceis”. (DUSSEL; CARUSO, 2003, p.89).

Além da tática anterior, a normalista também comentou levar em conta, aquilo apontado por Sofia anteriormente: a conversa. Nesta situação, a tática de distribuição das crianças, baseou-se em um sentido moral, (DUSSEL; CARUSO, 2003, p.89), pois a normalista dispôs as crianças no espaço de acordo com seu comportamento.

E, também pela conversa. Eu tenho dois meninos que falam alto demais. Eles são assim, muito amigos e eu coloquei um em cada ponto. Porque senão! Não dá! Um fala mais alto que o outro e quando você vê... (Juliana. GF4. E1, 2018, grifos meus).

Observar quem conversa na organização dos lugares foi outra tática usada por Juliana. Porém, observem que não bastaria apenas, separar quem conversa, mas também distanciar os laços de amizade entre as crianças. Talvez, a normalista pressupôs que ao colocar uma criança, em cada ponto da sala, este laço enfraqueceria e as crianças deixariam de conversar.

Por outro lado, ao levar em conta que, os dois meninos eram amigos e que se davam bem e conversavam alto demais, separá-los talvez não fosse suficiente; teriam que ser postos um em cada canto, de modo a dificultar e enfraquecer esta relação. Nesta perspectiva, a tática de separar a “amizade”, também pode ser vista como um ato de punição aos dois meninos por conversarem alto.

Podemos perceber, que as mudanças dos lugares das crianças são realizadas estrategicamente, como um investimento à manutenção da ordem na sala de aula. Algo que chama atenção, no entanto, como vimos anteriormente é a insistência de Juliana em mudar as

configurações dos lugares, como se em algum momento estas mudanças fossem, finalmente, resolver os “problemas” em sala de aula.

Isto pode ser observado também a partir do relato a seguir,

A minha sala é bem a da frente. Então, a sala tem que estar fechada, pois se está aberta, todo mundo que entra no portão, eles olham. E os pais que vão buscar das outras turmas passam pelo corredor do lado e eles se penduram. E o parquinho é na frente e eles se penduram na janela para olhar o parquinho... Daí tu fecha as cortinas; fecha as janelas; fecha a porta! E são tudo coisas que atrapalham. (Juliana. GF4. E1, 2018, grifos meus).

Quanto ao relato anterior, Juliana o diz em resposta a questão de discussão: “O que torna o espaço da sala de aula propício para que ocorra o aprendizado?”. Alguns elementos do relato anterior nos ajudam a argumentar, que para o entendimento da normalista, seria possível alcançar um estado de calmaria, na sala de aula, onde todos os comportamentos, finalmente, se ajustariam às normas.

A normalista inicia o relato com a explicação de que sua sala de aula seria a “da frente”. Em razão de Juliana iniciar a fala situando a posição da sala, percebemos que este elemento pode ser visto por ela, como uma causa para as consequências do que ocorreria na sala. E que consequências seriam estas?

Na continuação do relato, entendemos que as consequências seriam materializadas nas atitudes das crianças. Pois, com a porta aberta as crianças olham para ver quem entra no portão. Ou, as crianças se dependuram na janela para olhar quem passa.

É curioso observarmos a quem as crianças estariam olhando nestas situações. Primeiramente, a normalista cita “todo mundo”, ou seja, dá a entender poder ser qualquer pessoa que entra, circula e sai na ou da escola. Depois, Juliana fala dos “pais” e do momento que eles buscariam as crianças. Após, a normalista cita o “parquinho”, neste caso, não define quem seriam as pessoas, mas podemos inferir serem as crianças e professoras das outras turmas, por exemplo.

Quem sabe, as pessoas e os espaços citados por Juliana como “aquilo que as crianças olham”, podem ser antes, aquilo que a normalista procurou olhar, para vigiar a sua própria prática?

Entendemos, a partir de seu relato, que sua sala é a da frente. Após, Juliana elenca uma série de fatores que, a seu ver, prejudicariam o andamento de sua aula. Estes fatores, curiosamente são ditos, em relação a determinados lugares vistos por ela, através da sala dela. Conforme a normalista, qualquer pessoa poderia entrar, a qualquer momento pelo portão

principal. O momento em que os pais buscariam as crianças, também atrapalharia. Além, da posição frontal do parque.

Na condição de estagiária, será que ser vista em sala de aula, fazendo algo que escapasse às normas, como, por exemplo, espiar o aparelho celular, seria bem visto pelos pais? Pelas professoras da outra turma? Pelas crianças? Ou, por qualquer pessoa?

Vale à pena lermos um excerto do GF3, para pensarmos sobre isso:

Pesq. E que dicas eram dadas sobre o que não fazer na prática? Algumas coisas já foram ditas e outras?

Augusta: Não usar o celular!

Juliana: A maior! “-Vocês não podem usar o celular!”... (Pesquisadora; Augusta; Juliana. GF3, E1, 2018).

Uma das dicas dadas no curso sobre o que não fazer na prática do estágio era a de não usar o aparelho celular. No entanto, mais adiante na discussão, Juliana comentou olhar o celular em alguns momentos.

O que queremos destacar aqui é a maneira como certas dicas, orientações, conselhos, podem ser internalizados pelas normalistas, a ponto delas mesmas regularem seus comportamentos. A dica do celular, por exemplo, pode ser vista como uma norma internalizada pela normalista, assunto que discutimos na seção: “De normalistas a normalizadoras”.

Obviamente, reconhecemos que ela subverte a norma, pois ela conta ter espiado o celular. Porém, esta auto regulação não deixa de ser exercida. Na posição de estagiárias ela está sendo avaliada, constantemente, seja pela titular, pela direção das escolas e responsáveis pelas crianças, ou seja, pelas supervisoras, que podem chegar a qualquer momento.

Como vimos na situação anterior, a normalista demarcou as posições espaciais que a deixariam “exposta em sala” (frente ao corredor do lado), assim como os horários, seja no momento do parque das outras turmas ou quando os pais das crianças vêm buscá-las. Ela parece ter internalizado um olhar que estaria a vigiá-la, mesmo que ninguém a estivesse vendo.

Podemos relembrar aqui sobre o mecanismo do panóptico de Bentham, que comentamos no capítulo inicial. A estrutura arquitetural da sala, onde Juliana estagiou parece favorecer para que se sinta vigiada e implicada neste mecanismo, ocupando a posição de estagiária em avaliação, passa a se autovigiar.

Por outro lado, também é importante observarmos que estes momentos citados por Juliana, podem ser vistos pelas crianças como uma oportunidade de subverter as normas. Diante de outros olhares, as crianças olham, se movimentam e escapam.

No entanto, como os comportamentos das crianças escapam as regras, a outra tática criada por Juliana foi a de fechar as cortinas, as janelas e a porta. Todavia, e se esta tática não funcionar?

Durante a discussão no GF4, aproveitando o fio condutor da fala de Juliana, perguntamos o que elas (normalistas) fazem nestas situações, e Juliana respondeu:

Quando tu está começando... aí alguém abre o portão! Tu está começando... e vem as crianças brincar no parquinho... aí acabou tudo!

Pesq. E o que vocês fazem nestas situações?

Juliana: “-Ou tu senta ou tu não vai brincar!”. (Juliana; pesquisadora. GF4. E1, 2018, grifos meus).

Caso fechar as cortinas, porta e janelas não funcionar, a tática de Juliana seria a de usar uma ameaça. Novamente aqui, assim como vimos nos relatos anteriores de Juliana, percebemos que a norma do “brincar sentado” funcionou como reguladora na sala de aula. Para “então” a aula começar e para “então” a aula andar, os comportamentos teriam que ser antes, regulados e mantidos em certo fluxo normalizado.

Assim como Juliana, as outras normalistas, como veremos no decorrer desta seção, talvez pela posição de estagiárias e do receio de perderem o controle da turma e serem vistas em uma situação considerada de desordem em sala, procuram utilizar táticas para manter certa ordem em sala de aula.

A seguir, veremos sobre algumas das estratégias e táticas utilizadas por Larissa,

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